Índios: origem mais antiga

No final de 1991, a pesquisadora americana Anna Curtenius Roosevelt publicou, juntamente com duas colaboradoras, artigo na revista Science. Nele, declarava haver datado um caco de cerâmica encontrado em Taperinha, a nove horas de barco de Santarém, no Pará, com sete mil a oito mil anos. Esse caco, com incisões, seria pelo menos três mil anos mais velho do que qualquer outro produzido por incas, astecas ou maias.

A descoberta acabaria com a ideia de que culturas complexas da Amazônia, como as do Marajó e de Santarém, seriam resultantes apenas de incursões de vizinhos mais desenvolvidos. Roosevelt sustentou no artigo que, cerca de mil anos antes, Santarém era o centro de sociedades complexas, de origem desconhecida, mas não necessariamente provenientes do Norte.

Para datar o pedaço de caco, Roosevelt usou as melhores técnicas em arqueologia, como o radiocarbono e a termoluminescência. A pesquisadora é bisneta do 26º presidente dos Estados Unidos, Theodore Roosevelt, que governou de 1901 a 1909 e esteve na Amazônia em 1904, com o marechal Cândido Mariano Rondon.

Fonte : Folha de S. Paulo (SP), 13-12-1991