Interesse alemão

Em novembro de 1990, passou pela Amazônia uma missão do governo alemão chefiada pelo diretor geral para a América Latina do Ministério da Cooperação Econômica, Helmur Schaffer, com a participação de representantes do Banco Alemão de Desenvolvimento e da Sociedade Alemã de Cooperação Técnica.

O objetivo da missão era identificar os projetos formulados pelas principais instituições brasileiras que atuam na Amazônia visando a proteção da floresta tropical, a recuperação das áreas degradadas “e outras iniciativas que se adaptem aos anseios ecológicos da comunidade mundial”.

Fonte: O Liberal (Belém), 09-11-1990

Alumar aumenta produção

Em 1989, a Alumar, instalada em São Luís, no Maranhão, iniciou um programa de investimento de US$ 270 milhões para elevar sua capacidade de produção de alumínio primário de 245 mil para 328 mil toneladas/ano. Os custos desse investimento seriam integralmente cobertos pela Billiton Metais, subsidiária da Shell, que, assim, elevaria sua participação societária a 44% do capital.

Com a expansão, a Alumar se tornaria a maior indústria de alumínio do Brasil e uma das maiores do mundo. Dos 235 mil toneladas que produziu em 1988, a Alumar exportou 150 mil toneladas, que lhe permitiram faturar US$ 340 milhões em divisas.

Fonte: O Estado de S. Paulo (SP), 18-08-1989

Albrás: US$ 625 milhões

Em maio de 1988, a Albrás iniciou a implantação da Fase II da sua fábrica de alumínio em Barcarena, às proximidades de Belém, no Pará, para dobrar a produção, de 160 mil para 320 mil toneladas. O orçamento da expansão era de US$ 625 milhões, 30% dos quais provenientes dos dois sócios (a Companhia Vale do Rio Doce, com 51%, e o consórcio japonês NAAC, com 49%) e os outros 70% do BNDES.

Fonte : Gazeta Mercantil (SP), 18-05-1988

Alumina no Maranhão

Em 29 de setembro de 1981, a Alcoa e a Billiton Metais, uma subsidiária da Shell, formaram o Consórcio de Alumínio do Maranhão, também denominado Consórcio Alumar. A Alcoa ficou com 60% das ações e a Billiton com 40%.

As duas empresas iniciaram o que então era o maior investimento privado do país, no valor de 1,4 bilhão de dólares, para a produção inicial de 500 mil toneladas de alumina, com possibilidade de expansão até três milhões de toneladas, e 100 mil toneladas de alumínio, com ampliação até 300 mil toneladas, em São Luís.

Em agosto de 1981, a Alcoa Mineração concluiu a compra das jazidas de bauxita da Mineração Santa Patrícia, num total de 250 milhões de toneladas de bauxita lavada e seca, na região do Trombetas, no Pará. Em 1981, a Billiton se associou também à mineração.

Fonte : Gazeta Mercantil (SP), 30-04-1982

As pragas de Tucuruí

Em 1986, os moradores de cinco glebas situadas às margens do reservatório da hidrelétrica de Tucuruí, no Pará, para onde foram relocados devido à inundação de suas terras, começaram a enfrentar pragas de mosquitos e moscas, que proliferaram nas reentrâncias dos lagos, transformados em viveiros. O problema atingiu quase cinco mil pessoas e 1.227 imóveis cadastrados. Em 1991, a praga era tão intensa que a prefeitura de Tucuruí decretou estado de calamidade pública na área.
Fonte : O Liberal (Belém), 16-06-1991

O atraso de Balbina

Pelo seu cronograma original, a hidrelétrica de Balbina, no Amazonas, deveria ter sido inaugurada em 1980, quando seus 250 mil kw seriam suficientes para garantir o abastecimento de Manaus, que então consumia 80 mil kw. Seu atraso, porém, impossibilitou-a de cumprir essa meta. A barragem inundaria uma área de 1.580 quilômetros quadrados.

Fonte : A Crítica (Manaus), 21-06-1986

O grande blecaute de Tucuruí

No dia 8 de março de 1991 ocorreu um acidente na linha de transmissão de energia da hidrelétrica de Tucuruí para Belém, no Pará, provocando um blecaute que durou 12 horas. A região atingida por esse acidente, provocado pelo rompimento de uma peça metálica de sustentação da linha, devido a fadiga mecânica, possuía então quatro milhões de habitantes.

O maior prejuízo foi causado à fábrica de alumínio da Albrás, em Barcarena, atingida pelo mais grave acidente já sofrido por uma indústria de alumínio em todo o mundo causado pela falta de energia. Os 846 fornos das quatro reduções da fábrica pararam e só voltaram a operar lentamente.

Nessa época, a fábrica tinha começado a produzir nove mil toneladas diárias de alumínio com teor acima de 99,8%. Ela pagava, então, sete milhões de dólares mensais de conta de energia à Eletronorte.

Fonte : A Província do Pará (Belém), 21-03-1991

Conflitos nos castanhais

Em fevereiro de 1984, o governo do Pará divulgou nota oficial esclarecendo que não havia respondido imediatamente a um apelo dos proprietários de castanhais de Marabá, que alegavam haver invasão de suas terras por ladrões de árvores de castanha, porque primeiro queria investigar os fatos.

Constatara então a presença na área “de posseiros e não ladrões de castanha, como se pretendeu fazer crer”. Nesse caso, “não cabe à polícia do governo desalojá-los, e sim assegurar o cumprimento da execução do mandado policial, através de processo regular”.

Na nota, o governo contestou que fossem “expressivas” as contrapartidas financeiras dadas ao Estado pelos donos de castanhais, ocupando área de 600 mil hectares, “recebidos gratuitamente através de aforamento”.

A receita de ICM (depois ICMS) em 1983 com a exploração da castanha havia gerado 285 milhões de cruzeiros (valor da época), mas o Estado “deixou de receber mais de 500 milhões a título de incentivo para a exportação do produto”. Já a receita dos foros anuais ficara em Cr$ 1,7 milhão.

Fonte: O Liberal (Belém), 04-02-1984

Assassino de deputado

Falando da tribuna da Câmara Municipal de Belém, em maio de 1989, o vereador Adamor Filho afirmou que o pistoleiro conhecido como Mazão fora o assassino do deputado estadual João Batista. Mazão teria sido conduzido ao local do crime pelo motorista Chico Rabim. Adamor estava praticamente endossando a versão apresentada pelo pistoleiro Péricles, apontado pela polícia como o autor da morte de Batista.

Fonte: A Província do Pará (Belém), 05-05-1982

O estanho da Amazônia

O Brasil se tornou o maior produtor de estanho do mundo a partir do momento em que entraram em operação as minas do Pitinga, no Estado do Amazonas, e Bom Futuro, em Rondônia. Os depósitos de cassiterita de Bom Futuro foram descobertos por madeireiros em 1986. A corrida chegou a mobilizar 45 mil garimpeiros, atraídos pelo elevadíssimo teor de estanho, extraído na superfície da terra.

A cota brasileira estabelecida pela Associação dos Países Produtores de Estanho (ATPC) foi elevada em 11% em 1988, atingindo 29.500 toneladas, apenas ligeiramente inferior à da Malásia, principal exportador de estanho do mundo.

Mas a produção crescia ainda mais e o governo forçou as principais empresas do setor, como a Paranapanema (dona da mina do Pitinga) e a Rhône-Poulene (grupo químico de controle estatal francês, que possuía três minas de cassiterita no Brasil), a comprar minério do garimpo.

Fonte: Gazeta Mercantil (SP), 19-03-1992