Desfeita a venda de Carajás

Em 1977, o governo do Pará teve que interromper um processo de venda das terras de Carajás à Companhia Vale do Rio Doce porque a área, antes sob jurisdição estadual, havia, alguns meses antes, sido federalizada com a decisão do presidente Ernesto Geisel de prolongar – em projeto – a BR-158, de São Félix do Araguaia, em Mato Grosso, até Altamira, no Pará.

Outra irregularidade foi constatada no processo: a CVRD requereu por compra uma área de 451.200 hectares, na qual implantaria seu projeto de mineração de ferro. O valor foi calculado pelo Iterpa (Instituto de Terras do Pará) em 137 milhões de cruzeiros (valor da época).

Ao examinar a área, entretanto, os técnicos do instituto excluíram 39 mil hectares, por serem terras sob o domínio da União. Mas não reduziram o valor original da venda, resultando diferença de mais de 9 milhões de cruzeiros. Além da identificação do destino dado a esse excesso, foi questionado o adiantamento de 30% que a Vale pagou por conta da operação, dinheiro não devolvido depois que o negócio foi desfeito.

Fonte: O Estado de S. Paulo (SP), 14-04-1977