Linha de Tucuruí passa por reserva

Em junho de 1980, após cinco anos de difíceis negociações, a Eletronorte conseguiu fechar um acordo com os índios gavião para permitir a passagem da linha de transmissão de energia da hidrelétrica de Tucuruí pelo interior da reserva Mãe Maria, em Marabá, no Pará, com área de 50 mil hectares.

Pelo acordo, a Eletronorte foi autorizada a desmatar uma faixa com 19 quilômetros de extensão por 108 metros de largura, ou 290 hectares, dentro da reserva. Como compensação, os índios seriam indenizados em 40 milhões de cruzeiros (valor da época) pelos prejuízos.

A empresa se comprometia ainda a relocar a antiga aldeia, constituída por uma única casa de alvenaria e vários barracos. Além de receber o dinheiro, os gaviões teriam direito a toda madeira abatida. A Eletronorte os ajudaria a fiscalizar os trabalhos de construção da linha e não permitiria a penetração de trabalhadores armados ao local.

Fonte: O Estado de S. Paulo (SP), 04-06-1980

Índios e mineradora

No segundo semestre de 1982, a Funai (Fundação Nacional do Índio) ajuizou na justiça de Belém uma ação anulatória do acordo que o cacique Tutu Pombo, da aldeia Kikretum, dos índios kayapó, do sul do Pará, assinou com a empresa Stanum, na época de propriedade de José Lino Cipriano, genro do presidente do Conselho Nacional do Petróleo (CNP), Oziel Almeida.

Pelo acordo, os índios receberiam 10% sobre o valor do ouro extraído dentro de suas terras. A Funai alegou que o acordo só poderia ter validade com sua intermediação, o que não tinha ocorrido.

Fonte: O Estado de S. Paulo (SP), 08-10-1982

Militar denuncia Igreja

Em abril de 1979, o comandante do 8º BEC (Batalhão de Engenharia de Construção) do Exército de Santarém, no Pará, denunciou a existência de “infiltração estrangeira” na região do Tapajós, apontando como responsável o bispo local, d. Tiago Ryan, americano, e os sacerdotes da diocese. Segundo o militar, os religiosos “desenvolvem princípios negativos na mente da população”.

Imediatamente a Regional Norte II da CNBB divulgou uma nota oficial em apoio ao bispo e aos padres, dizendo que o militar deveria denunciar empresas estrangeiras que “devastam a região e a ocupam em função de seus próprios interesses econômicos e aumento de seus lucros”. Defendeu também a “missão da Igreja”.

Fonte: O Liberal (Belém), 08-04-1979

CVRD entrega Parauapebas

Em julho de 1984, a Companhia Vale do Rio Doce entregou à prefeitura de Marabá o núcleo urbano de Parauapebas, que a empresa construiu para abrigar os migrantes atraídos pelas obras de Carajás, no Pará.

A CVRD disse ter investido 17 bilhões de cruzeiros (valor da época) na infraestrutura do núcleo, situado a 30 quilômetros da mina de Carajás. Embora simples, a vila fora construída “dentro dos mais rigorosos padrões técnicos”. Na cerimônia de inauguração do núcleo foram entregues a estação de tratamento de água, o hospital e uma escola de primeiro e segundo graus.

Fonte: A Província do Pará (Belém), 19-07-1984

Produção de ouro em 1987

A produção brasileira de ouro em 1987 foi de 35,8 toneladas, das quais 22,7 toneladas obtidas em garimpos e 13,1 toneladas produzidas industrialmente. Depois da mineração Morro Velho, em Minas Gerais, que alcançou naquele ano 7,3 toneladas, ficou em segundo lugar a Companhia de Mineração e Participações (CMP), que conseguiu 1,2 tonelada através da Mineração Novo Astro, nas minas de Calçoene, no Amapá (mais 174 quilos no Rio Grande do Norte).

Segundo o DNPM (Departamento Nacional da Produção Mineral), a produção legalizada de ouro nos garimpos corresponde a apenas 20% da produção real. No mínimo, de 55 a 65 toneladas foram desencaminhados em 1987. O Pará produziu nesse ano 13,2 toneladas.

Fonte: Gazeta Mercantil (SP), 09-03-1988

Matança no garimpo

Domingos dos Santos Filho, sua mulher, Goretti, e mais seis pessoas da família foram assassinadas em agosto de 1987 e enterradas em cova rasa na pista do Abacate, perto do Garimpo dos Perdidos, em Itaituba, no Pará. Os executores da chacina foram quatro ex-policiais civis, que atuavam como “encostados” na delegacia de Itaituba.

O organizador do assassinato teria sido o piloto Eduardo Rodrigues Ligeiro, paranaense, a mando de Reginaldo da Vinci Correa, o 0 Sombra”, sócio de Domingos no garimpo. Os dois vinham tendo desentendimentos. Os ex-policiais fugiram depois de praticar o crime.

Fonte: O Liberal (Belém), 23-09-1987

Parauapebas contaminado

Em novembro de 1986, o Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da Secretaria de Planejamento, Ciência e Tecnologia da Bahia realizou uma análise físico-química das águas do rio Parauapebas, um afluente do Itacaiúnas, na Serra dos Carajás, no Pará, a pedido da Companhia Vale do Rio Doce.

Constatou a ocorrência mínima variável de três miligramas de mercúrio por cada litro de água, quando a legislação brasileira estabelece o limite de duas miligramas. A análise dos peixes coletados revelou índices de mercúrio de 0,02 partes por milhão nos músculos e 0.09 p.p.m. em suas vísceras.

Fonte: Correio do Tocantins (PA), 19-09-1987

Garimpeiros na Venezuela

Em maio de 1989, a Guarda Nacional da Venezuela expulsou aproximadamente três mil garimpeiros brasileiros que tinham invadido as nascentes do rio Orenoco, penetrando 20 quilômetros em território venezuelano a partir da fronteira com Roraima.

A invasão começou a ser percebida quando as águas do rio passaram a ficar amarelas, em consequência da garimpagem. A ação dos militares foi enérgica e os garimpeiros tiveram que fugir às pressas.

Fonte: O Globo (RJ), 14-02-1989

Mercúrio proibido

Em fevereiro de 1989, o presidente José Sarney assinou decreto proibindo o uso de mercúrio e cianeto no processo de extração de ouro nos garimpos em todo o país. O decreto resultou de uma resolução aprovada pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).

O decreto estabeleceu também a necessidade de licenciamento do órgão estadual para a criação de reservas garimpeiras e para a extração individual ou coletiva.

Fonte: O Globo (RJ), 14-02-1989

Mercúrio no Tapajós

Em meados de 1988, a Sudepe (Superintendência do Desenvolvimento da Pesca) calculava que haviam sido despejados no rio Tapajós, desde 1983, cerca de 250 toneladas de mercúrio, usado pelo garimpeiro para separar o ouro. E que os despejos no rio Madeira, em Rondônia, em 10 anos, tinham sido de 78 toneladas. O cálculo foi estabelecido a partir da constatação de que cada tonelada de ouro produzida exige de 1,5 a 2 toneladas de mercúrio.

Fonte: Jornal da Tarde (SP), 27-06-1988