Governo veta Summer

Em novembro de 1977, o governo federal proibiu o Summer Institute of Linguistics (Instituto Linguístico de Verão) de continuar atuando em áreas indígenas no Brasil, onde fazia ao mesmo tempo o estudo das línguas e ação missionária.

Com sede em Brasília, o SIL mantinha quase 200 pesquisadores-missionários em Manaus, Porto Velho, Cuiabá e Belém, principal área, com 44 participantes. Durante 15 anos o instituto atuara em diversas áreas indígenas. Mesmo depois da proibição, continuou nas bases fazendo traduções da Bíblia para diversas línguas indígenas.

Fonte: O Estado do Pará (Belém/PA), 14-01-1985

Quintino enterrado

Armando Oliveira Silva, mais conhecido como Quintino, foi sepultado no dia 13 de janeiro de 1985 na localidade de São José do Piriá, município de Viseu, no Pará. Antes, o corpo passou por várias localidades da região, onde ele atuava como uma espécie de Robin Hood (por isso o chamavam de “gatilheiro”), em defesa de posseiros contra os proprietários de terras, até ser morto pela Polícia Militar.

Mais de 10 mil pessoas viram o corpo de Quintino, moradores de 32 localidades abrangidas pela Gleba Cidapar, um dos mais graves conflitos de terra do Estado. Quintino foi enterrado junto ao túmulo do pai, satisfazendo o desejo da viúva, Helena, dos seus quatro filhos e de dois irmãos, Raimundo e Benedito.

Fonte : O Liberal (Belém/PA), 14-01-1985

Fazendeiros denunciam padre

Em fevereiro de 1983, fazendeiros da região da estrada Pará-Maranhão se reuniram em Castanhal, no Pará, com representantes do governo e de órgãos de informação e segurança para discutir o aumento das invasões de terra nessa região.

Eles acusaram o padre Catel, baseado em Santa Luzia, no quilômetro 47, de incitar as invasões, iniciadas em 1980, quando foi morto o pai do fazendeiro Nilson Alves de Oliveira, num local próximo à Vila Concórdia, em São Domingos do Capim. Em outubro de 1982, foi morto o fazendeiro Cláudio Costa, da fazenda Cambará, e seus herdeiros não conseguiram reocupar a propriedade.

Fonte: A Província do Pará (Belém/PA), 22-02-1983

Posseiros matam filho de fazendeiro

Posseiros emboscaram e mataram o filho do proprietário das fazendas Seleta e Rio Pardo, com dois mil hectares, em Xinguara, no Pará, em agosto de 1984. Adenir Zanela, de 23 anos, e Antônio Varelo, um amigo da família, foram atingidos por disparos de cartucheira, morrendo no local. Luiz Zanela, dono das fazendas, mesmo ferido no braço, conseguiu escapar.

O fazendeiro disse que tentou inutilmente um acordo com os posseiros. Os lavradores acusaram o filho do fazendeiro de ter incendiado a roça de um colono e ter morto alguns animais. Os disparos na emboscada teriam sido feitos pelo posseiro Machado Monteiro, que foi preso.

Outro fazendeiro, Hélio Mário Olsen, com cinco mil hectares em Xinguara, acusou a CPT (Comissão Pastoral da Terra) e o deputado Paulo Fonteles como responsáveis pelas invasões. Olsen disse ter sofrido três emboscadas. Numa delas, um amigo fazendeiro foi morto. Desde então, não voltou a Xinguara. Os dois fazendeiros eram do Paraná.

Fonte: A Província do Pará (Belém/PA), 11-08-1984

Sedimentação do rio Amazonas

O processo de sedimentação e erosão do rio Amazonas provocou um fenômeno natural observado em Santarém, no Pará. Em 1967, a 1.200 metros da cidade, havia um canal de navegação que, medido pela Marinha nesse mesmo ano, tinha 53 metros de profundidade. Cinco anos depois, a profundidade se havia reduzido para apenas 22 metros.

Em 1977, no lugar do canal, que permitia a passagem de grandes navios, formou-se uma praia, a princípio ainda submersa, que começou a provocar encalhes. O principal deles foi o do petroleiro Liliana, que ficou retido vários dias até ser liberado. Em 1978 a praia emergiu.

Em 1985, ainda sem nome, ela já abrigava seu primeiro morador e estava coberta de vegetação. Duas outras ilhas, a Caquetá e a Urucurituba, também situadas na margem esquerda do Amazonas, desapareceram nesse período, formando-se um canal de navegação no local. A Ponta Negra, outra ilha, a maior, cresceu mais ainda no mesmo período.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 10-02-1985

Garimpeiros invadem área yanomami

Cerca de 30 garimpeiros, aproveitando-se do carnaval, em fevereiro de 1985, tentaram invadir a reserva yanomami de Surucucus, em Roraima, e ali reabrir o garimpo, que tinha sido proibido pelo governo federal. A área é rica em ouro e cassiterita. Tropa da Polícia Militar, com o apoio da FAB, da Polícia Federal e da Funai, conseguiu impedir a invasão, organizada por José Altino Machado, dono de uma empresa de táxi aéreo e fazendeiro. Ele foi preso e transferido para um hospital em Boa Vista porque começou a fazer greve de fome. Altino pretendia colocar 300 garimpeiros na área.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 21-01-1985

Morte de Quintino

Armando Oliveira Silva, o pistoleiro Quintino, foi morto, em janeiro de 1985, com dois tiros, que o atingiram pelas costas. Uma bala entrou pelo lado direito do pescoço e a outra pela região dorsal esquerda. Uma patrulha da Polícia Militar foi quem o matou, no dia 5, na localidade de Vila Nova, município de Ourém, no Pará. O corpo foi enterrado em Capanema, mas, uma semana depois, teve que ser exumado para que o Instituto Médico Legal fizesse a necropsia e definisse a causa da morte.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 13-01-1985

O assassinato de Fonteles

O ex-deputado estadual do PMDB do Pará, Paulo César Fonteles de Lima, foi assassinado aos 42 anos de idade, no dia 11 de junho de 1987. Ele foi atingido por três tiros de revólver, disparados por um homem alto, forte, barbudo, bigode cheio.

O assassino descera de um Fusca, que estacionou atrás do carro onde se encontrava o ex-parlamentar, aguardando o abastecimento de combustível do veículo, no posto Marechal IV, no quilômetro 10 da rodovia BR-316, na área metropolitana de Belém.

Fonteles teve morte imediata e não pôde esboçar qualquer reação porque os tiros, vindos de trás e atingindo-o na cabeça, foram mortais. O autor do disparo e o outro homem, que o aguardava no carro, conseguiram fugir.

Fonte: A Província do Pará (Belém/PA), 17-06-1987

Colonização em MT

Em 1973, o governo de Mato Grosso loteou e vendeu cerca de dois milhões de hectares de terra no município de Aripuanã, atingindo a cidade de Humboldt, sede de projetos de pesquisa científica. Os compradores dos lotes em Aripuanã foram: Indeco, que ficou com 400 mil hectares, para assentar, em quatro anos, 90 mil colonos; Colnisa, também com 400 mil hectares, para projetos de colonização com 30 mil pessoas; João Carlos de Souza Meireles, com 200 mil hectares para, em cinco anos, assentar 43 mil colonos; e a Rendanyl, empresa ligada a capitais suíços, que comprou um milhão de hectares, nos quais, em cinco anos, se comprometeu a colocar 32 mil colonos.

Fonte: Jornal do Brasil (RJ), 31-07-1982

Títulos de terra falsos

Em outubro de 1977, o Corregedor Geral de Justiça do Pará, Nelson Amorim, baixou provimento estabelecendo que todo e qualquer título de propriedade ou de posse de terras expedido pelo governo do Estado do Pará, levado a cartório de registro de imóveis para matrícula, registro ou averbação de qualquer ato, deveria ser considerado falso até prova em contrário.

Os tabeliães também deveriam suscitar dúvidas em relação a toda e qualquer transação com imóvel, cuja cadeia dominial envolvesse título expedido ou dado como expedido pelo governo paraense. As providências visavam reprimir o largo uso de documentos falsos constatado pela Corregedoria.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 31-07-1982