ONU premia Payakan

Em junho de 1990, a UNEP (Programa Ambiental das Nações Unidas) concedeu prêmios a 72 pessoas ou entidades que participaram da defesa do meio ambiente, o Global 500. Entre elas o índio brasileiro Paulinho Payakan, da tribo Kayapó, do Pará. O cacique atraiu a atenção do mundo com seus apelos simples contra a destruição da Amazônia.

O prêmio foi entregue em Nairóbi, a capital do Quênia, sede da UNEP. A entidade também deu postumamente o prestigioso prêmio internacional Sasakawa do meio ambiente para Chico Mendes, por sua luta pela preservação da Amazônia. Ele lutou desde 1975 até seu assassinato, em 1988, para impedir que fazendeiros derrubassem árvores ou queimassem floresta. A homenagem a Chico Mendes foi numa cerimônia especial na cidade do México.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 06-06-1990

Criada Mamirauá

Em 1990, o governo do Amazonas criou a Estação Ecológica do Lago Mamirauá (peixe-boi na língua tupi), com área de 1,2 milhão de hectares, equivalente a um quarto do território da Irlanda. Seria a maior reserva de floresta inundada do mundo, já que passa quase a metade do ano coberta ou semicoberta pelas águas da chuva e dos rios que a banham. A água chega a subir 12 metros, transformando todo o solo em viveiro para diversas espécies de peixes, fazendo esse ecossistema abrigar muitas espécies animais e vegetais.

Fonte: Jornal do Brasil (Rio de Janeiro/RJ), 01-05-1991

Inpe começa a combater queimadas

No final de junho de 1989, o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), de São José dos Campos, em São Paulo, deu início ao Programa de Combate às Queimadas no Brasil, atuando principalmente na Amazônia.

Através do programa, o Inpe passou a poder acionar o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) três horas após os satélites norte-americanos da série NOAA passarem sobre a região e fotografarem um princípio de incêndio.

A informação sai diretamente de Cachoeira Paulista, no Vale do Paraíba, onde o Inpe mantém uma estação que capta imagens de satélite, para a regional do Ibama mais próxima da queimada. A informação é retransmitida pelo Sistema Ciranda, da Embratel, que interliga computadores através de linhas telefônicas.

Os dados do Inpe passa riam a servir para o governo federal tentar impedir as queimas irregulares, não autorizadas por não disporem do Rima (Relatório de Impacto Ambiental). A vigilância de satélites é feita em quase todo o território brasileiro abaixo da linha do Equador, já que acima a estação de Cachoeira não capta mais imagens de satélite.

Fonte: O Estado de S. Paulo (S. Paulo/SP), 21-06-1989

Primeira safra na Transamazônica

A primeira safra agrícola obtida pelas 10 mil famílias assentadas pelo Incra em Altamira, na Transamazônica, no Estado do Pará, atingiu 150 mil sacos, metade de arroz e o restante de milho, feijão e outras pequenas culturas, como amendoim e mandioca. Quase toda a produção foi comercializada na própria área, mas grande parte do milho serviu de ração para as criações de porcos e aves.

Durante os oito meses do plantio, cada família de colono recebeu um salário mínimo por mês, além de alimentação, ferramentas, remédios ou, quando foi o caso, financiamento através do Banco do Brasil. Só em salários mínimos, a dívida de cada colono junto ao Incra era, então, de 1,3 milhão de cruzeiros (valor da época), mas a amortização do débito só poderia absorver 36% dos rendimentos de cada família. Havia na época 180 cabeças de gado em toda a área.

Fonte : Arquivo Pessoal (Belém/PA), 21-06-1989

BP desmata em Rondônia

Em junho de 1989, o jornal inglês Sunday Times denunciou a empresa British Petroleum, também da Inglaterra, por desmatar 100 mil hectares dentro da Floresta Nacional do Jamari, em Rondônia. O delegado regional do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), Luis Alberto Cantanhese, desmentiu imediatamente a acusação.

Segundo ele, o desmatamento atingiu apenas 1.500 hectares, em área onde a mineradora fazia a lavra de cassiterita. A empresa começou o desmatamento em 1963, logo depois de ter-se instalado na área, mas a lavra de cassiterita só foi iniciada em 1969.

A Floresta Nacional do Jamari foi criada em setembro de 1984, quatro anos depois que o órgão antecessor do Ibama, o extinto IBDF (Instituto Brasileiro do Desenvolvimento Florestal) se implantou em Rondônia. O IBDF só montou uma base física na floresta em 1985 e até 1987 os desmatamentos prosseguiram.

Se a denúncia do jornal inglês fosse verdadeira, a subsidiária da British Petroleum teria destruído quase metade da Floresta, que tem área de 235 mil hectares. A BP recebeu do DNPM concessão para lavra de cassiterita em 59.527 hectares.

Fonte: O Estado de S. Paulo (S. Paulo/SP), 21-06-1989

Ibama começa a usar helicóptero

O combate do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) às queimadas no Pará se tornou mais eficiente em 1988, graças à utilização de um helicóptero, alugado a uma empresa particular. Com a ajuda do aparelho, os fiscais do Ibama passaram a chegar aos locais de queimadas e desmatamentos poucos minutos após a detecção da irregularidade.

Os fiscais começaram a receber ameaças anônimas, entre as quais de que o helicóptero seria derrubado a tiros. Os disparos não aconteceram, mas os pilotos encontraram excesso de água na gasolina e peças com aparência suspeita, obrigando-os a recorrer a perícia para verificar se teria havido sabotagem.

A melhoria das condições de fiscalização foi proporcionada por recursos financeiros do Banco Mundial. Até o final de agosto de 1989 o Ibama t inha recebido no Pará mais de 500 pedidos de autorização para desmatamento, mas só havia liberado 200. O órgão dispunha, para o trabalho naquele ano, de seis carros, 15 agentes de defesa e 8 técnicos, equipe apoiada por oito agentes da Polícia Federal.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 31-06-1989

A maior queimada

Um mês antes da conclusão do trabalho, o pesquisador Alberto Setzer divulgou alguns dados do levantamento sobre desmatamento na Amazônia que o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) realizou com base em imagens de satélite.

Setzer aproveitou sua palestra na I Semana de Meteorologia, em Belém, em março de 1988, para revelar que as queimadas praticadas em 1987 na Amazônia resultaram da destruição de 200 mil quilômetros quadrados de floresta, área superior à extensão territorial do Acre.

Durante os cerca de 80 dias que constituem o período de queimadas na região, foram jogadas na atmosfera aproximadamente cinco milhões de toneladas de monóxido de carbono, uma quantidade de gases 100 vezes maior do que a expelida pelo vulcão El Chinchon, no México, numa das maiores erupções vulcânicas de todos os tempos. A terrível poluição atmosférica que atinge São Paulo resulta do despejo diário de oito mil toneladas de monóxido de carbono.

Interpretando as fotos do satélite interpolar NOAA, os técnicos do Inpe chegaram à conclusão de que a Amazônia perdeu 4,7% da sua cobertura vegetal em 1987. O desmatamento maior foi em Rondônia, que perdeu 18,7% de suas matas. Em algumas fotos, Setzer chegou a detectar oito mil pontos de queimadas ocorrendo simultaneamente.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 26-03-1988

Prêmio para Payakan e Chico Mendes

Em junho de 1990, a Unep (Programa Ambiental das Nações Unidas) concedeu prêmios a 72 pessoas ou entidades que participaram da defesa do meio ambiente, o Global 500. Entre elas o índio brasileiro Paulinho Payakan, da tribo kayapó, do Pará. O cacique atraiu a atenção do mundo com seus apelos simples contra a destruição da Amazônia.

O prêmio foi entregue em Nairóbi, a capital do Quênia, sede da Unep. A entidade também deu postumamente o prestigioso prêmio internacional Sasakawa do meio ambiente para Chico Mendes, por sua luta pela preservação da Amazônia.

Ele lutou desde 1975 até seu assassinato, em 1988, para impedir que fazendeiros derrubassem árvores ou queimassem floresta. A homenagem a Chico Mendes foi numa cerimônia especial na cidade do México.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 06-06-1990

Estação Mamirauá

Em 1990, o governo do Amazonas criou a Estação Ecológica do Lago Mamirauá (peixe-boi na língua tupi), com área de 1,2 milhão de hectares, equivalente a um quarto do território da Irlanda. Seria a maior reserva de floresta inundada do mundo, já que passa quase a metade do ano coberta ou semicoberta pelas águas da chuva e dos rios que a banham. A água chega a subir 12 metros, transformando todo o solo em viveiro para diversas espécies de peixe, fazendo esse ecossistema abrigar muitas espécies animais e vegetais.

Fonte: Jornal do Brasil, (Rio de Janeiro/RJ), 01-05-1991

Venda de bauxita à Alcoa reexaminada

Em novembro de 1980, o ministro das Minas e Energia, César Cals, determinou ao DNPM (Departamento Nacional da Produção Mineral) que reexaminasse a venda que a Mineração Santa Patrícia (do grupo Jari), de propriedade do milionário americano Daniel Ludwig, estava fazendo à Alcoa de direitos sobre uma jazida de bauxita no vale do rio Trombetas, município de Oriximiná, no Pará.

O ministério decidiu fazer o reexame ao saber que a Alcoa, já detentora de uma jazida na mesma área, ficaria com mais de 10% das reservas nacionais de bauxita se assumisse o controle dos direitos da Santa Patrícia.

Fonte: Jornal da Tarde (S. Paulo/SP), 19-07-1980