O potencial de madeira

A. J. Evans, um dos diretores da Brible Brothers Lumber Co., de Houston, Texas, entrevistado por Henry Lee para The Journal of Commerce local, em fevereiro de 1960, disse que o comércio de madeiras na Amazônia, nos Estados do Amazonas, Amapá e Pará, que até então vinha sendo desenvolvido por 25 serrarias relativamente pequenas, deveria crescer de 500 a 1000% nos cinco meses seguintes.

Classificava de “inacreditável” o potencial de exportação de madeira da região, informando que ao longo do rio havia cerca de 30 variedades comerciais “que podem ser embarcadas de forma fácil e barata, para os mercados mundiais”.

Citou o exemplo da firma holandesa Burynzeel, que estava aplicando 7,5 milhões de dólares numa fábrica de madeira compensada no Amapá, em sociedade com a Bethelehem Steel, responsável por US$ 2,5 milhões desse to tal. O artigo de Henry Lee foi reproduzido na edição de fevereiro do Boletim Americano, publicação do Serviço de Propaganda e Expansão Comercial do Brasil (SEPRO), em Nova York.

Fonte: Folha do Norte (Belém/PA), 01/06/1960

Origem do Banpará

Em 13 de março de 1952, o governador Alexandre Zacarias de Assunção sancionou a lei, aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado, que autorizou a criação do Banco Rural e Hipotecário do Pará S/A (futuro Banco do Estado do Pará). A lei previa que o governo do Estado subscreveria 55% do capital inicial do banco, no valor de 20 milhões de cruzeiros (moeda da época).
Fonte: Folha Vespertina (Belém/PA), 13/03/1952

O manganês de Urucum

Os Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul venderam à Companhia Vale do Rio Doce, em outubro de 1994, pelo equivalente a 14,6 milhões de dólares, os 46,66% das ações da Urucum Mineração S/A, que ainda detinham.

O valor era inferior ao faturamento previsto para aquele ano pela Urucum, detentora da maior jazida de manganês do país, situado em Corumbá, no Mato Grosso do Sul. Na partilha da renda da alienação, 60% ficou com o governo do norte e 40% com o do sul. Até então, os dois Estados vinham litigando em torno dos direitos sobre a jazida.

Com a aquisição da jazida de Urucum, com depósitos calculados em 70 milhões de toneladas de manganês, a CVRD se tornava praticamente monopolista desse minério no Brasil. A empresa já era dona da jazida de Carajás, com 60 milhões de toneladas.

O ex-governador de Mato Grosso, José Fragelli, propôs ação popular na justiça contra a transação. Alegou que a jazida, com os equipamentos e as plantas de mineração e beneficiamento, valeria pelo menos US$ 170 milhões.

Fonte: O Estado de S. Paulo (São Paulo/SP), 06/10/1994

Kayapós contra mineradoras

Em outubro de 1990, 40 índios kayapós da aldeia Kokraimoro, armados, invadiram as sedes das mineradoras São Francisco e Canopus, no município de São Félix do Xingu, no Pará.

Pintados para a guerra, os índios exigiam que as duas empresas lhes pagassem royalties pela exploração de cassiterita, embora estivessem atuando fora da área da reserva kayapó, com 3,2 milhões de hectares. As duas mineradoras se instalaram na área na década de 1970, explorando as minas de cassiterita Mocambo, Bom Jardim e Iriri.

A Rhodia negociou seus direitos minerários sobre as minas com a Caeté Participações, grupo de São Paulo, que tinha na época como um de seus sócios o secretário de planejamento da Presidência da República, Marcos Fonseca. Os índios se irritaram porque a empresa suspendeu o fornecimento de alimentos, medicamentos e combustível que lhes fazia.

Fonte: Jornal do Brasil (Rio de Janeiro/RJ), 26/10/1990

Exportação da Albrás

Em 1994, a Albrás foi a nona maior exportadora brasileira, tendo vendido para o mercado externo 461 milhões de dólares em lingotes de alumínio. A empresa, instalada no Pará, é controlada pela Companhia Vale do Rio Doce, em associação com um consórcio japonês.

Fonte: Gazeta Mercantil (São Paulo/SP), 17/04/1995

A constituição da Albrás

A Albrás (Alumínio do Brasil), localizada a 40 quilômetros de Belém, no Pará, no município de Barcarena, resultou de uma associação da Companhia Vale do Rio Doce, detentora de 51% do capital, com 32 empresas japonesas, reunidas no consórcio Nippon Amazon Aluminium (NAAC), com os restantes 49% das ações.

Toda a produção da Albrás, então de 345 mil toneladas de alumínio primário, na forma de lingote, se destinava à exportação. Com o aquecimento da demanda brasileira por alumínio, em 1994, nesse ano cinco mil toneladas foram comercializadas no mercado interno. Outra empresa de alumínio, controlada pela Aluvale, a holding da CVRD para o setor, a Valesul, do Rio de Janeiro, não conseguiu atender todos os pedidos dos seus clientes com suas 93 mil toneladas de produção.

Fonte: Gazeta Mercantil (São Paulo/SP), 25/04/1995