Invasão de terra na Transam

Em 1987, três empresas madeireiras – a Impar, de São Geraldo do Araguaia, no Pará, e a Somil e a Madescan, de Açailândia, no Maranhão – invadiram terras do projeto de colonização Tuerê, localizado na confluência dos municípios paraenses de Itupiranga, Portel e Jacundá, às proximidades da rodovia Transamazônica.

Nessa área, o Incra havia projetado o assentamento de três mil famílias de trabalhadores sem-terra, 800 dos quais tiveram suas glebas desapropriadas pela Eletronorte por se encontrarem na área de inundação da hidrelétrica de Tucuruí.

Fonte: A Província do Pará (Belém/PA), 16-08-1987

Ouro de aluvião no Madeira

O ouro de aluvião foi descoberto no rio Madeira em 1977. De 8 mil a 10 mil garimpeiros passaram a ocupar, todos os anos, 200 quilômetros de margens do rio, entre as vilas de Jaci-Paraná e Abunã, em Rondônia, extraindo ouro entre maio e novembro, período no qual as águas do Madeira baixam.

Fonte: O Estado de S. Paulo (S. Paulo/SP), 31-07-1985

O garimpo como reduto eleitoral

Entre maio de 1980 e 12 de dezembro de 1982, o garimpo de Serra Pelada, em Marabá, no Pará, produziu 15.848 quilos de ouro, no valor de 230 milhões de dólares, segundo dados citados pelo tenente-coronel (da reserva) Sebastião Rodrigues de Moura, num manifesto divulgado em dezembro de 1982.

Como candidato eleito a deputado federal pelo PDS paraense, o militar, mais conhecido como Curió, protestou contra a impugnação das eleições em Serra Pelada pelo TRE, sob o argumento de que houvera irregularidades na votação e que o garimpo se localizava em propriedade particular. Em Serra Pelada residiam, na época, 35 mil pessoas.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 31-07-1985

PM mata garimpeiros na ponte

Como numa operação de guerra, 340 homens da Polícia Militar do Pará desobstruíram, no dia 29 de dezembro de 1987, a ponte rodoferroviária sobre o rio Tocantins, em Marabá. Na véspera, a ponte foi ocupada por aproximadamente 2.500 garimpeiros, numa manifestação em favor da reabertura do garimpo de Serra Pelada.

O comandante da tropa pediu que os garimpeiros abandonassem a ponte, mas eles decidiram permanecer no local, cantando o hino nacional. Um garimpeiro teria atirado uma pedra e ferido um soldado. Os militares reagiram, a princípio atirando para o ar, mas depois investindo contra a massa.

Oficialmente, foram admitidas apenas duas mortes, embora os manifestantes falassem em dezenas de mortos ou desaparecidos: José dos Santos, de 33 anos, piauiense de Teresina, recebeu um tiro de fuzil nos rins; e um garimpeiro de identidade desconhecida, de cor branca, louro, forte, levou um tiro no pulmão.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 31-07-1985

Assassinato no ar

Em julho de 1985, o radialista Robson José Abade foi morto diante das câmeras da TV Tocantins, em Marabá, que estavam em pleno funcionamento, pelo então delegado de polícia do garimpo de Serra Pelada, Salvador Chamon Sobrinho, irmão do vereador João Chamon Neto.

Robson havia acabado de acusar Chamon de ser desonesto quando o policial, acompanhado de Álvaro Luiz de Oliveira, o Ceará, invadiu o estúdio, discutiu com o radialista e deu-lhe cinco tiros com uma pistola 7.65, matando-o na hora. Depois fugiu, apresentando-se vários dias depois, em Belém.

Fonte: A Província do Pará (Belém/PA), 31-07-1985

Redução da área dos apinajés

No início de 1985, o Conselho de Segurança Nacional vetou a proposta para demarcar uma área de 148.600 hectares para os índios apinajés, no norte de Goiás (depois Tocantins). O CSN recomendou que a área reivindicada (e objeto de um grande conflito fundiário) fosse reduzida em 60 mil hectares, limitando-se a oeste pela rodovia Transamazônica. O conselho não quis que um grande trecho na estrada fosse incorporado à área indígena.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 01-02-1985

Cassiterita de Rondônia

Em 1987, a Companhia Estanífera Brasileira (Cesbra) e a Companhia de Mineração Jacundá foram responsáveis por 1,94% da produção mineral brasileira e 14,8% da produção nacional de estanho. As duas empresas eram controladas pela holding Cesbra – Administração e Participações, por sua vez com o controle dividido em partes iguais pela empresa canadense Brascan Brasil e pela inglesa British Petroleum Mineração. A Cesbra, através da Jacundá, lavrava cassiterita na região de Santa Bárbara, em Porto Velho, Rondônia.

Fonte: Gazeta Mercantil (São Paulo/SP), 02-02-1988

O assassinato de Expedito

Expedito Ribeiro de Souza, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rio Maria, no sul do Pará, foi assassinado em fevereiro de 1991, a 200 metros da porta da sua casa, na cidade de Rio Maria. Recebeu três tiros de revólver calibre 38, um pelas costas e dois na cabeça. Estava com 43 anos, era casado e tinha nove filhos. Além de ser dirigente sindical, era conhecido como poeta popular.

Os irmãos João e Geraldo de Oliveira Braga, donos de terra, foram acusados como possíveis mandantes, acusação que havia sido feita contra eles por ocasião dos assassinatos de João Canuto e dois de seus filhos, em 1985 e 1990, respectivamente. Mas João Braga disse que já havia vendido sua fazenda, a Sacuí Grande, a Gerdeci, mais conhecido como Dé.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 05-02-1991

 

Tamanho da Vale no Pará

Em 1992, os investimentos da Companhia Vale do Rio Doce no Pará somavam pouco mais de 5,5 bilhões de dólares, aos quais seriam acrescidos, nos cinco anos seguintes, mais US$ 1,56 bilhão na implantação de três novos projetos: a fábrica de alumina da Alunorte, em Barcarena; o caulim de Ipixuna e o cobre do Salobo, em Carajás.

Aos empregos e rendas que o sistema CVRD possibilitava, direta ou indiretamente, a 50 mil pessoas no Estado, seriam aduzidos, por esses novos empreendimentos, 12.350 novos empregos diretos, na fase de implantação, e 10.300, diretos e indiretos, na fase de operação.

Em 1992, a Vale, por suas controladas e coligadas, gastou US$ 144 milhões no Pará, sendo US$ 80,7 milhões de impostos, que representaram um quarto de toda a receita tributária estadual, e US$ 63,4 milhões em compras e serviços, não incluindo nesse total as aplicações da Fundação Vale do Rio Doce e da Alunorte, que na época se encontrava paralisada.

Carajás foi a maior fonte de impostos naquele ano, com US$ 41 milhões, vindo depois a Albrás, com US$ 21 milhões, e a Mineração Rio do Norte, com US$ 18 milhões. Em compras e serviços, os gastos foram de US$ 32 milhões pela Albrás, US$ 23 milhões por Carajás e US$ 6,6 milhões pela Mineração Rio do Norte.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 11-04-1993