Primeiro embarque de Carajás

A 30 de abril de 1985, a Companhia Vale do Rio Doce realizou, pelo porto de Ponta da Madeira, no Maranhão, o primeiro embarque de minério de ferro oriundo da Serra de Carajás, no Pará. A carga foi embarcada para o Japão no navio Docevirgo, da Docenave, subsidiária da CVRD.

O minério foi extraído de uma jazida com reservas estimadas em 18 bilhões de toneladas, representando uma parcela das 35 milhões de toneladas anuais que a empresa iria produzir, esperando com isso alcançar receita anual de 700 milhões de dólares.

Fonte: O Liberal (Belém), 30-04-1985.

Mortes em Itaipavas

O fazendeiro Neif Murad, proprietário de 50 mil hectares espalhados por seis fazendas no sul do Pará, foi assassinato em abril de 1985 com mais de 100 tiros e decapitado. Ele teria sido vítima dos próprios pistoleiros que contratara.

Uma semana antes, o fazendeiro pediu a intervenção policial para forçar seus empregados a explicarem porque não queriam trabalhar. Menos de um mês antes, alguns pistoleiros ligados a Murad tinham assassinado o comissário distrital de polícia de Itaipavas, Policarpo Pereira, e baleado o soldado Francisco Moreira Filho, apesar por terem sido advertidos pelos dois para não andarem armados pelo povoado.

Em 1984, a Polícia Federal constatara a presença de 46 trabalhadores mantidos na fazenda de Neif Murad em regime de escravidão. Alguns desses trabalhadores estavam amarrados quando a polícia chegou. Eles disseram que tinham sido obrigados a comer carne crua com sal e foram urinados pelos pistoleiros.

Ao enterrar o pai, o filho de Neif prometeu mandar matar Oneide Lima, viúva de Raimundo Ferreira Lima, conhecido como Gringo, assassinado em 1980 por pistoleiros de Neif. Ele era dono das fazendas Novo Mundo, Aldeia, São José, Cigana e lotes 7 e 8 do Loteamento Itaipavas, em São Geraldo do Araguaia.

Fonte : O Liberal (Belém), 30-04-1985.

Padre se diz perseguido

O missionário xaveriano Ângelo Pansa ficou desaparecido entre 14 e 22 de abril de 1985 nas matas do Curuá, afluente do rio Iriri, no Pará. O padre se disse perseguido por pistoleiros da empresa de segurança Sacopã, contratados pela Brasinor, mineradora ligada à Carbonífera Criciúma, de Santa Catarina, que extraía ouro na região nessa época.

Pansa disse que se tornou incômodo por defender as pessoas que a Brasinor pretendia expulsar da área de seu interesse, o que estava levando a conflitos com moradores locais, entre eles índios kayapó da reserva Baú e Chipaias-Curuaias.

Muitos moradores já tinham sido expulsos de suas terras. Pansa procurou defendê-los e foi perseguido, internando-se na mata durante oito dias para escapar.

Fonte: O Liberal (Belém), 30-04-1985.

O fim do manganês do Amapá

Em 1991, a Icomi (Indústria e Comércio de Minérios) e a Universidade de São Paulo começaram a implantar um campus de pesquisa em Serra do Navio, no Amapá. O objetivo era estudar os efeitos da exploração de minério no local, onde a Icomi começou a atuar na década de 1950.

O contrato de arrendamento sobre os três mil hectares onde foi instalada a mina tinha prazo para se encerrar em 2003, mas o esgotamento do minério de mais alto teor já havia provocado uma redução no nível de produção. Em 1991, foram extraídas 100 mil toneladas de manganês, para uma média em anos anteriores de 500 mil toneladas.

Fonte: O Liberal (Belém), 09-04-1991.

A bauxita de Paragominas

Em 1991, a Companhia Vale do Rio Doce e a Companhia Paraibuna de Metais criaram a Companhia de Mineração Vera Cruz para explorar as reservas de bauxita de Paragominas, no Pará. Na nova empresa, a Paraibuna, segunda maior produtora de metais de zinco do país, e o grupo Ficap (de fios e cabos) dividiriam em partes iguais 64% das ações da Vera Cruz, ficando os outros 36% com a CVRD.

Originalmente, os depósitos de bauxita pertenciam ao grupo inglês Rio Tinto Zinc (RTZ), que os transferiu à Vale. O projeto, no valor de 10 milhões de dólares, previa a produção de 80 mil toneladas anuais de bauxita refratária, a ser escoada através da ferrovia de Carajás, pela estação de Açailândia, no Maranhão.

 Fonte: Gazeta Mercantil (SP), 16-05-1991.

Praga de mosquitos em Tucuruí

A partir da formação do reservatório da hidrelétrica de Tucuruí, no Pará, em 1984, surgiu uma praga de mosquitos do tipo mansonia tittilane, agravada em 1987 pelo aparecimento da mosca “cabo verde”, ambas provocadas pela proliferação de plantas aquáticas e de massa vegetal submersa no lago artificial.

O aumento da incidência de mosquitos chegou à proporção de 500 picadas por homem/hora, inviabilizando a permanência da população assentada às margens do reservatório. Em abril de 1991, foi declarado estado de calamidade pública na gleba Parakanan. A partir de 1989, uma Comissão de Estudos da Proliferação de Mosquitos a Montante de Tucuruí passou a atuar tentando resolver o problema.

Fonte: O Liberal (Belém), 07-05-1991.

Padre expulso do Brasil

Em dezembro de 1976, o vigário de Vila Rondon, no Pará, padre Giuseppe Fontanella, foi expulso do Brasil. A acusação oficial apresentada era a de que se encontrava em situação irregular no país, mas o objetivo seria político: intimidar a ala da Igreja que se chocava com o governo.

Durante os oito anos em que esteve no Brasil, o padre tentou sem sucesso transformar seu visto de turista em autorização para morar no país. Depois de ser interrogado durante dois dias, por mais de 11 horas, no quartel da 8ª Região Militar do Exército, em Belém, por dois coronéis e um major, o padre recebeu prazo de três dias, posteriormente prorrogado para oito, para deixar o Brasil. Um agente da Polícia Federal o acompanhou de Belém ao Rio de Janeiro, de onde seguiu para a Europa.

Fonte: A Província do Pará (Belém), 01-01-1980.