Dique em Belém

Em 1942, o Serviço de Navegação e Administração do Porto de Belém (SNAPP), autarquia federal subordinada ao Ministério da Viação, iniciou a construção de um dique seco na orla da cidade de Belém. Em 1947 a obra foi suspensa, por razões administrativas.

Em 1948, a Marinha começou a planejar a implantação de uma Base Naval no mesmo lugar, em Val-de-Cans, iniciando a construção do dique em setembro do ano seguinte.

Em 1953, a Superintendência de Obras da Base de Val-de-Cans, que estava à frente da obra, foi extinta e em seu lugar assumiu a tarefa a Comissão de Construção de Bases Navais da Marinha. O dique nº 1, concluído em 1955, com 225 metros de comprimento por 33 metros de largura, era capaz de docar navios de até oito metros de calado.

Sua doca, constituída por dois “piers” fechados, com 200 metros de comprimento, podia manter atracada uma força mista de quatro navios de oceano com 12 mil toneladas, seis de 3 mil toneladas ou 10 costeiros fluviais de mil toneladas.

(Folha do Norte, Belém/PA, 01/11/1955)

Minério em Rondônia

Em 1955, a Unesco, órgão das Nações Unidas, colocou à disposição do governo do então território federal do Guaporé (hoje, Estado de Rondônia) o geólogo indiano Calamur Mahadevan, encarregando-o de fazer um levantamento da potencialidade mineral da região.

Ao final da sua primeira campanha de pesquisas, o geólogo destacou a variada riqueza mineral do território, especialmente em minérios radioativos. Submetendo amostras coletadas às margens do rio Gi-Paraná ao contador Geiser, o técnico constatou a presença nas rochas de zircônio, tungstênio e monazita.

Registrou também ocorrências ao longo do rio Madeira. Nessa época já havia sido detectada a presença de cassiterita, o minério do estanho, em todo Guaporé.

(Folha do Norte, Belém/PA, 01/11/1955)

Árvore mata geólogo

O geólogo inglês Herbert Kenneth Ward, contratado pela Petrobrás, morreu em outubro de 1956, num acidente durante os trabalhos de pesquisa na região de Abacaxis, no Amazonas. O técnico foi atingido por uma árvore que desabou inesperadamente sobre um barracão onde foi instalado o laboratório de análise de material extraído do poço aberto no local para a pesquisa de petróleo. Ward trabalhava no microscópio quando foi esmagado pela árvore. Seu corpo foi sepultado em Belém.

(Folha do Norte, Belém/PA, 03/10/1956)

Ameaça aos aforamentos

Em janeiro de 1956, o governador do Pará, general Alexandre Zacarias de Assunção, baixou ato condicionando a concessão de terras devolutas do Estado, através de aforamento, à aprovação da Assembleia Legislativa. Os aforamentos eram tradicionalmente usados pela indústria extrativa, para o aproveitamento de castanha, borracha ou balata.

Os foreiros não aceitaram a medida e recorreram ao Tribunal de Justiça do Estado, que, examinando os mandados de segurança, decidiu que o legislativo era incompetente para se pronunciar sobre os aforamentos de terras devolutas, restabelecendo a situação anterior.

(Folha do Norte, Belém/PA, 03/10/1956)

O Sesp

Os governos do Brasil e dos Estados Unidos assinaram contrato, em 17 de julho de 1942, para criar o Serviço de Saúde Pública (Sesp). Suas atribuições iniciais eram o saneamento do vale amazônico, o preparo de profissionais para serviços de saúde pública e a colaboração com as repartições sanitárias existentes para o combate à lepra, cobrindo 75% do território brasileiro.

O Sesp integrava o esforço aliado na Segunda Guerra Mundial, visando suprir de borracha da Amazônia as tropas que combatiam as forças do Eixo.

(Folha do Norte, Belém/PA, 21/07/1957)

Novo grupo kayapó

Uma frente de contato do SPI (Serviço de Proteção aos Índios) localizou um novo grupo de índios kayapó no rio Curuá, afluente do Iriri, no sudoeste do Pará, em maio de 1957. Eram os Mekranotire, na época com 300 indivíduos, que viviam em sete grandes casas, cada uma ocupada por quatro ou cinco famílias.

A expedição foi organizada a partir de informações indiretas. O contato foi pacífico. A expedição, liderada pelo sertanista mineiro Walter Prado, permaneceu por alguns dias na aldeia.

(Folha do Norte, Belém/PA, 23/07/1957)

A borracha estatal

Com o fim da vigência dos Acordos de Washington, assinados pelo Brasil e os Estados Unidos como parte do esforço aliado para a Segunda Guerra Mundial, o presidente Eurico Gaspar Dutra sancionou a lei nº 86, de 8 de setembro de 1947. A lei se destinava a sustentar a atividade econômica na Amazônia, abalada pela redução dos investimentos públicos, voltados principalmente para a produção de borracha natural.

Manteve os preços vigentes da borracha, protegeu a indústria nacional, confirmou o monopólio do Banco de Crédito da Amazônia e assegurou o financiamento, pelo governo, dos excedentes de borracha não colocados no mercado no mercado interno.

Em consequência da lei, o BCA teve que imobilizar volume expressivo de recursos para custear a compra e a manutenção em estoque grande quantidade de borracha em São Paulo e no Rio Grande do Sul, necessária à indústria nacional, onerando sua operação. Em outubro de 1956 essa exigência foi eliminada, através de projeto de lei aprovado pela Câmara federal.

(Folha do Norte, Belém/PA, 10/10/1956)