Primeira safra na Transamazônica

A primeira safra agrícola obtida pelas 10 mil famílias assentadas pelo Incra em Altamira, na Transamazônica, no Estado do Pará, atingiu 150 mil sacos, metade de arroz e o restante de milho, feijão e outras pequenas culturas, como amendoim e mandioca. Quase toda a produção foi comercializada na própria área, mas grande parte do milho serviu de ração para as criações de porcos e aves.

Durante os oito meses do plantio, cada família de colono recebeu um salário mínimo por mês, além de alimentação, ferramentas, remédios ou, quando foi o caso, financiamento através do Banco do Brasil. Só em salários mínimos, a dívida de cada colono junto ao Incra era, então, de 1,3 milhão de cruzeiros (valor da época), mas a amortização do débito só poderia absorver 36% dos rendimentos de cada família. Havia na época 180 cabeças de gado em toda a área.

Fonte : Arquivo Pessoal (Belém/PA), 21-06-1989

Gaúchos na Transamazônica

Em 1978, a Cooperativa Regional Tritícola Serrana Limitada (Cotrijuí), do Rio Grande do Sul, comprou do Incra uma área de 397.944 hectares, entre os quilômetros 85 e 175 da rodovia Transamazônica, nos municípios de Prainha e Altamira, no Pará.

Nessa área começou, em 1978, a assentar agricultores associados, mas teve que suspender o projeto. Em março do ano anterior, a Funai interditou a área alegando que nela havia índios Arara. Enquanto esperava por uma definição, a Cotrijuí assumiu a administração da usina de açúcar Abraham Lincoln, do Incra, em fevereiro de 1979.

A usina, à margem da Transamazônica, absorvia a produção de aproximadamente 500 pequenos plantadores de cana, transformando-a em 300 mil toneladas de açúcar e beneficiando, direta ou indiretamente, 1.500 pessoas.

Fonte: O Estado de S. Paulo (SP), 15-02-1981

Açúcar na Transamazônica

Em 1974 começou a funcionar a usina de açúcar Abraham Lincoln, construída no quilômetro 92 da rodovia Transamazônica, que se localizava então no município de Altamira, no Pará (hoje, em Medicilândia). A usina foi levantada em tempo recorde, de 12 meses, pela empresa paulista Zanini S/A e custou 45 milhões de cruzeiros da época. Foi inaugurada pelo então ministro da agricultura, Alysson Paulinelli.

Sua capacidade de produção, de 500 mil sacas de açúcar e 3,5 milhões de litros de álcool, deveria ser atingida plenamente em três ou quatro anos. Garantiria um terço de todo o abastecimento da Amazônia, que necessitava de 1,5 milhão de sacas/ano, importadas principalmente do Nordeste.

A usina, ocupando área de 9.750 metros quadrados, empregaria diretamente 120 pessoas e, indiretamente, outras 1.2000, envolvidas na produção de cana de açúcar em uma área de cinco mil hectares. Nela, com incentivo do Incra, fora obtido um excelente índice de produtividade: 100 toneladas por hectare.

(Fonte: Arquivo Pessoal, 01-11-1990)

As cooperativas e a colonização

Em junho de 1975, o Incra anunciou a execução de um programa para a instalação de oito cooperativas na Amazônia. Em quatro anos, elas iriam triplicar a produção agrícola da região. Todas seriam cooperativas originárias do sul do país, com boa capacidade técnica, mas enfrentando um grande problema: a falta de terras em regiões minifundiárias.

A primeira dessas cooperativas, do município gaúcho de Tenente Portela, se instalou em 1974, em Barra do Garças, Mato Grosso, com 80 associados, conseguindo bons resultados. A segunda seria a Cooperativa Tritícola de Ijuí, da região serrana do Rio Grande do Sul, que pretendia ocupar 400 mil hectares no vale do rio Iriri, na Transamazônica, no Pará, com dois mil associados. Eles desenvolveriam plantios comerciais, como a soja tropical e o café. Outra cooperativa visada era a Central dos Produtores do Oeste Paranaense, que era então a maior produtora de soja do país.

Arquivo Pessoal, 01-11-1990

Japoneses em Itacoatiara

Em 1957, o governo do Amazonas e a Jamic, uma entidade japonesa que cuidava da imigração e da colonização, iniciaram o assentamento de 45 famílias de imigrantes japoneses na colônia Efigênio Sales, a 45 quilômetros de Manaus, no município de Itacoatiara. A principal cultura explorada na área era a pimenta-do-reino. Durante o inverno produziam também hortaliças e verduras.

Fonte: Arquivo Pessoal, 1957

Usina de açúcar na Transamazônica

Em setembro de 1976, entrou em funcionamento a primeira usina de açúcar e álcool da Transamazônica, no município de Altamira, no Pará. A usina Abraham Lincoln, administrada pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), deveria produzir nesse ano seis milhões de litros de álcool anidro e 600 mil sacas de açúcar, beneficiando a terceira safra colhida na região, numa área plantada de 600 hectares. Naquele ano mesmo seriam formados mais 1.200 hectares de plantio.

Fonte: O Estado do Pará (Belém/PA), 17/09/1976

Cacau em Rondônia

 No início de 1972, o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) abriu licitação pública para a alienação de 200 lotes de 500 hectares cada um e de outros 118 de aproximadamente mil hectares. Esses 218 mil hectares foram postos à venda na Gleba Burareiro, em Rondônia, que somava 468 mil hectares, dos quais 250 mil hectares já haviam sido usados pelo Projeto de Assentamento Dirigido Burareiro.

A nova gleba seria utilizada para o plantio de cacau. O Incra havia identificado 700 mil hectares em Rondônia aptos para a cacauicultura, que já vinha sendo desenvolvida nos projetos integrados de colonização Ouro Preto, Paraná e Padre Adolfo Rohl.

Rondônia podia atingir 100 mil toneladas anuais de cacau em oito anos com esses projetos, segundo a previsão do Incra.

Fonte: A Província do Pará (Belém/PA), 18/02/1977

Russos levam sementes

Uma missão científica russa esteve por 24 horas em Belém, em abril de 1968, para coletar variedades de sementes de plantas tropicais amazônicas. A missão viera da União Soviética ao Brasil para uma viagem de 45 dias com o objetivo de recolher sementes para o Instituto Vailislov, de Leningrado.

Apesar de ter uma coleção de quase 200 mil tipos de plantas das mais diferentes regiões do planeta, o instituto não possuía até então nenhum exemplar de planta brasileira.

A delegação era formada por três cientistas russos: Timofei Scheutcuk, cehefe do grupo e vice-diretor do Instituto das Plantas da URSS; Wladimir Borissov, professor do Instituto da América Latina da Academia de Ciências da URSS, e Alexey Zerin. Borissov, que falava fluentemente o português. As sementes amazônicas foram doadas pelo Ipean (Instituto de Pesquisa Agropecuária do Norte, atual Embrapa).

Fonte: A Província do Pará (Belém/PA), 20/04/1968

O IAN e a pesquisa agronômica

Em julho de 1954, nove anos depois que o governo brasileiro adquiriu a grande área no vale do Tapajós, no Pará, na qual a Ford pretendia implantar um plantio industrial de seringueiras, o diretor do Serviço Nacional de Pesquisas Agronômicas, Felisberto Camargo, fez um balanço do que estava sendo feito em toda a área, com mais de 1,2 milhão de hectares.

Ele apresentou um relato das pesquisas e experimentos conduzidos pelo Instituto Agronômico do Norte (IAN), que dirigira até um pouco antes. Destacou a introdução de três mil cabeças de gado importado, sendo mil de gado branco (Nelore e Jersey) e duas mil de búfalos do Oriente, entre os quais o Redshind, do Paquistão, que Camargo acreditava que iria provocar “uma verdadeira revolução na pecuária de leite no Brasil”.

Garantiu que nas antigas concessões da Ford havia então um milhão de pés de seringueira em condições de sangramento, mas que apenas metade delas haviam sido cortadas em 1953, por falta de mão de obra, “que é o problema geral da Amazônia”.

Referiu-se ao experimento de desviar e provocar a sedimentação dos nutrientes carregados pelo rio Amazonas, a “colmatagem”, numa estação em funcionamento no Baixo Amazonas, no Maicuru. Assegurou que cinco mil toneladas de húmus haviam sido depositadas nos campos dessa região, através de canais artificialmente criados para desviar as águas do rio.

Nesses novos campos seria possível criar gado, desenvolver plantios perenes (como seringueira e dendê) e cultivos alimentares intensivos, como arroz, feijão e soja.

Informou ainda que no estuário do rio Amazonas, na foz do rio Guamá, o IAN estava conseguido obter quatro toneladas por hectare de arroz irrigado, quando a média nacional era de 1,5 hectares. Esses resultados permitiriam à Amazônia “vir a ser dentro de algum tempo o maior centro exportador de arroz de todo o Brasil”.

O IAN também estava dando apoio ao cultivo de juta, fornecendo 100 toneladas de semente, com as quais asseguraria a produção regional, de 40 mil toneladas anuais, suficiente para suprir de fibra a indústria nacional de fiação e tecelagem.

Fonte: Folha do Norte (Belém/PA), 28/07/1954

Pesquisador confirma uso do agente laranja

O antigo Instituto de Pesquisa e Experimentação Agropecuária do Norte (Ipean, depois Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) foi o único órgão oficial a admitir, em fevereiro de 1976, o uso do “agente laranja” no Pará. A aplicação ocorreu entre 1971 e o início de 1974, nas plantações experimentais de seringueiras da Pirelli e da Good-Year, próximas a Belém.

Quem comandou a experiência foi o agrônomo Vicente Moraes, que admitiu o uso no final de 1973. Em 1974, a aplicação do “agente laranja” foi suspensa e Moraes se transferiu para o Centro de Pesquisas da Seringueira, em Manaus, que passou a dirigir. Ele considerou excelentes os resultados da experiência.

O produto permitiu a queda e renovação da seringueira, reduzindo ao mínimo o uso de fungicidas. Ele desfolha sem matar a planta, atuando eficientemente no combate às doenças que afetam a árvore, atestou o pesquisador. Mas Moraes foi criticado por conduzir a experiência numa área habitada, pensando apenas nas plantas e esquecendo os efeitos negativos sobre as pessoas.

Fonte: Arquivo Pessoal, 02/1976