Russos levam sementes

Uma missão científica russa esteve por 24 horas em Belém, em abril de 1968, para coletar variedades de sementes de plantas tropicais amazônicas. A missão viera da União Soviética ao Brasil para uma viagem de 45 dias com o objetivo de recolher sementes para o Instituto Vailislov, de Leningrado.

Apesar de ter uma coleção de quase 200 mil tipos de plantas das mais diferentes regiões do planeta, o instituto não possuía até então nenhum exemplar de planta brasileira.

A delegação era formada por três cientistas russos: Timofei Scheutcuk, cehefe do grupo e vice-diretor do Instituto das Plantas da URSS; Wladimir Borissov, professor do Instituto da América Latina da Academia de Ciências da URSS, e Alexey Zerin. Borissov, que falava fluentemente o português. As sementes amazônicas foram doadas pelo Ipean (Instituto de Pesquisa Agropecuária do Norte, atual Embrapa).

Fonte: A Província do Pará (Belém/PA), 20/04/1968

O IAN e a pesquisa agronômica

Em julho de 1954, nove anos depois que o governo brasileiro adquiriu a grande área no vale do Tapajós, no Pará, na qual a Ford pretendia implantar um plantio industrial de seringueiras, o diretor do Serviço Nacional de Pesquisas Agronômicas, Felisberto Camargo, fez um balanço do que estava sendo feito em toda a área, com mais de 1,2 milhão de hectares.

Ele apresentou um relato das pesquisas e experimentos conduzidos pelo Instituto Agronômico do Norte (IAN), que dirigira até um pouco antes. Destacou a introdução de três mil cabeças de gado importado, sendo mil de gado branco (Nelore e Jersey) e duas mil de búfalos do Oriente, entre os quais o Redshind, do Paquistão, que Camargo acreditava que iria provocar “uma verdadeira revolução na pecuária de leite no Brasil”.

Garantiu que nas antigas concessões da Ford havia então um milhão de pés de seringueira em condições de sangramento, mas que apenas metade delas haviam sido cortadas em 1953, por falta de mão de obra, “que é o problema geral da Amazônia”.

Referiu-se ao experimento de desviar e provocar a sedimentação dos nutrientes carregados pelo rio Amazonas, a “colmatagem”, numa estação em funcionamento no Baixo Amazonas, no Maicuru. Assegurou que cinco mil toneladas de húmus haviam sido depositadas nos campos dessa região, através de canais artificialmente criados para desviar as águas do rio.

Nesses novos campos seria possível criar gado, desenvolver plantios perenes (como seringueira e dendê) e cultivos alimentares intensivos, como arroz, feijão e soja.

Informou ainda que no estuário do rio Amazonas, na foz do rio Guamá, o IAN estava conseguido obter quatro toneladas por hectare de arroz irrigado, quando a média nacional era de 1,5 hectares. Esses resultados permitiriam à Amazônia “vir a ser dentro de algum tempo o maior centro exportador de arroz de todo o Brasil”.

O IAN também estava dando apoio ao cultivo de juta, fornecendo 100 toneladas de semente, com as quais asseguraria a produção regional, de 40 mil toneladas anuais, suficiente para suprir de fibra a indústria nacional de fiação e tecelagem.

Fonte: Folha do Norte (Belém/PA), 28/07/1954

Pesquisador confirma uso do agente laranja

O antigo Instituto de Pesquisa e Experimentação Agropecuária do Norte (Ipean, depois Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) foi o único órgão oficial a admitir, em fevereiro de 1976, o uso do “agente laranja” no Pará. A aplicação ocorreu entre 1971 e o início de 1974, nas plantações experimentais de seringueiras da Pirelli e da Good-Year, próximas a Belém.

Quem comandou a experiência foi o agrônomo Vicente Moraes, que admitiu o uso no final de 1973. Em 1974, a aplicação do “agente laranja” foi suspensa e Moraes se transferiu para o Centro de Pesquisas da Seringueira, em Manaus, que passou a dirigir. Ele considerou excelentes os resultados da experiência.

O produto permitiu a queda e renovação da seringueira, reduzindo ao mínimo o uso de fungicidas. Ele desfolha sem matar a planta, atuando eficientemente no combate às doenças que afetam a árvore, atestou o pesquisador. Mas Moraes foi criticado por conduzir a experiência numa área habitada, pensando apenas nas plantas e esquecendo os efeitos negativos sobre as pessoas.

Fonte: Arquivo Pessoal, 02/1976

Colonos japoneses no AM

Em 1957, o governo do Amazonas e a Jamig, uma entidade japonesa que cuidava da imigração e da colonização, iniciaram o assentamento de 45 famílias de imigrantes japoneses na colônia Efigênio Sales, a 45 quilômetros de Manaus, no município de Itacoatiara. A principal cultura explorada na área era a pimenta do reino. Durante o inverno produziam também hortaliças e verduras.

(Fonte: arquivo pessoal, 1957)

A cana de açúcar na Transamazônica

Em 1974, começou a funcionar a usina de açúcar Abraham Lincoln, construída no quilômetro 92 da rodovia Transamazônica, no município de Altamira, no Pará. A usina foi levantada em tempo recorde, de 12 meses, pela empresa paulista Zanini. Custou 54 milhões de cruzeiros (valor da época), sendo inaugurada pelo então ministro da agricultura, Alysson Paulinelli.

Sua capacidade de produção, de 500 mil sacas de açúcar e 3,5 milhões de litros de álcool, deveria ser atingida plenamente em três ou quatro anos. Garantiria um terço do abastecimento da Amazônia, que necessitava de 1,5 milhão de sacas/ano de açúcar, importadas principalmente do Nordeste.

A usina, ocupando área de 2.750 metros quadrados, empregaria diretamente 120 pessoas e, indiretamente, outras 1.200 pessoas, envolvidas na produção de cana de açúcar em uma área de cinco mil hectares. Nela, com incentivo do Incra, fora obtido um excelente índice de produtividade: 100 toneladas por hectare.

(Arquivo Pessoal/1974)

Primeira safra da Transamazônica

A primeira safra agrícola obtida pelas 10 mil famílias assentadas pelo Incra no município de Altamira, na Transamazônica, no Pará, foi de 150 mil sacas, metade delas de arroz e o restante de milho, feijão e outras pequenas culturas, como amendoim e mandioca. Quase toda a produção foi comercializada na própria área. Grande parte do milho serviu de ração para a criação de porcos e aves.

Durante os oito meses do plantio, cada família de colono recebeu um salário mínimo por mês, além de alimentação, ferramentas, remédios, ou, quando o caso, financiamento através do Banco do Brasil. Só em salários mínimos, a dívida de cada colono junto ao Incra era, então, de 1,3 milhão de cruzeiros, mas a amortização só poderia absorver 30% dos rendimentos de cada família. Em toda a área, havia nessa época apenas 180 cabeças de gado.

(Arquivo Pessoal, s/d, mas do início da década de 1970)

Policiais mortos em conflito

Dois policiais civis do Distrito Federal, Bruno Erickman Fernandes e Cláudio Acioly, foram mortos por posseiros emboscados na Fazenda Nazaré, em Conceição do Araguaia, no sul do Pará, no final de março de 1987. Os agentes teriam sido contratados pelo dono da fazenda, juntamente com outros dois fazendeiros, para expulsar posseiros da área. O padre Ricardo Rezende, da Comissão Pastoral da Terra, acreditava no envolvimento de mais dois policiais.

Alguns dias depois do choque, um telefonema anônimo fez a polícia descobrir, a oito quilômetros de distância da cidade, na PA-150, no rumo de Xinguara, a metralhadora INA nº 0016M953, de fabricação nacional e de uso privativo das forças policiais regulares. A metralhadora teria sido usada pelos policiais de Brasília. Das 30 balas que cabem no pente, apenas seis cartuchos já haviam sido deflagrados.

A Fazenda Nazaré pertencia à Araguaia Agrícola e Pecuária, da família Gomes dos Reis, de São Paulo, com área de 12 mil hectares. A família possuía mais quatro propriedades de grande extensão: Três Irmãos (na época em processo de desapropriação para o programa de reforma agrária), Santa Maria da Conceição, Maria Luiza e Agrisa. Na Fazenda Nazaré havia 80 famílias de posseiros.

(Jornal do Brasil (Rio de Janeiro/RJ), 03/04/1987)