Os japoneses no Pará

Os governos do Brasil e do Japão iniciaram, em 1963, o plano de assentamento de 600 famílias japonesas no Pará no espaço de três anos, em levas que se seguiriam em intervalos de quatro meses.

Os colonos se apresentariam voluntariamente. Os governos se limitariam a divulgar a emigração para o Brasil, através de propaganda feita no Japão, e a supervisionar a viagem, mas a seleção seria rigorosa.

Só seriam aceitos os emigrantes que dispusessem, no mínimo, do equivalente a um milhão de cruzeiros para as despesas de instalação na colônia de Tomé-Açu, onde se dedicariam ao cultivo de pimenta-do-reino para exportação, além de custear as despesas da viagem da família, que deveria possuir pelo menos três elementos em condições de trabalho.

Deveriam poder levar consigo os equipamentos e ferramentas agrícolas necessários ao trabalho. Na colônia cada família receberia 30 hectares de terra. Nessa área, além da pimenta, poderiam plantar cereais e criar gado.

(Folha do Norte, Belém/PA, 17/07/1963)

BR-163 asfaltada

Em novembro de 2000, o empresário Blairo Maggi apresentou ao Ministério dos Transportes proposta para o asfaltamento da rodovia BR-163 (Santarém-Cuiabá) com recursos da iniciativa. A obra seria concluída em dois anos, ao custo de 200 milhões de dólares.

O empresário, principal executivo do grupo AMaggi, o maior produtor de soja do Brasil, garantiu poder atrair grupos como a japonesa Sumitomo, a Cargill, a Ceval e a Dreyfus, complementando os investimentos com financiamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

O asfaltamento da estrada facilitaria a produção de soja da região Centro-Oeste, tornando mais competitiva a sua comercialização.

(Gazeta Mercantil/Pará. Belém/PA, 08/11/2000)

Ocupação pela pata do boi

O ministro do Interior, Costa Cavalcanti, ao presidir uma reunião do Conselho Deliberativo da Sudam (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia), em Belém, em agosto de 1969, fez um balanço dos dois anos e meio de existência do órgão, que substituiu a SPVEA (Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia), em 1966.

No período, a Sudam aprovara 259 projetos, dos quais 134 agropecuários, 120 industriais e cinco de serviços básicos. O ministro destacou como positivo “o equilíbrio existente entre os projetos agropecuários e industriais, pois o progresso de uma região como a Amazônia precisa ser equilibrado”.

Argumentou que a concentração de projetos no sul do Pará e norte de Mato Grosso e Goiás (atual Tocantins) “são vitais ao processo de ocupação dos espaços vazios e demonstram o acerto da nova geração, empregando o processo histórico de interiorização do Brasil através da pata do boi”.

(Folha do Norte, Belém/PA, 13/08/1969)

O governo federal na Amazônia

O orçamento militar para a Amazônia passou de 176 milhões de reais em 1999 para R$ 731 milhões em 2000. Inicialmente devia representar 13% do orçamento federal para a região, mas se elevou para 44% dos gastos efetivamente realizados, graças a verbas suplementares consignadas ao Ministério da Defesa.

A rubrica atendeu as necessidades de dois projetos da área: o Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia) e o Calha Norte, voltado para a defesa das fronteiras brasileiras na Amazônia Em apenas um ano foi gasto o dobro do previsto para o período 2000/2003 pelo Plano Plurianual Avança Brasil.

Os dados fizeram parte de um estudo divulgado pelo Inesc (Instituto de Estudos Socioeconômicos. no início de 2001. O Inesc é uma organização nãogovernamental especializada em acompanhar os gastos do governo federal, financiada, entre outros, pela União Europeia e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

Além das aplicações nos projetos do setor militar, o programa federal para a região apoiou a construção de corredores de exportação, o terminal graneleiro do porto de Itacoatiara e a implantação da hidrovia Araguaia-Tocantins.

Em 2000, os R$ 390 milhões do orçamento do Fundo Constitucional Norte (FNO) foram integralmente aplicados. Para os projetos de desenvolvimento sustentável foram reservados 2% do orçamento, empregados em programas de proteção ambiental.

(Gazeta Mercantil, São Paulo/SP, 24/03/2001)

Soja pelo Madeira

Em julho de 2001 o grupo Maggi começou a exportação de farejo de soja produzido em Mato Grosso através da hidrovia do Madeira, no Amazonas. A fábrica, arrendada à empresa concordatária Olvebra, em Cuiabá, com capacidade para processar 1,5 mil toneladas por dia de soja.

O grupo Maggi esperava, nesse ano, transportar 1,1 milhão de toneladas de soja pelo rio Madeira até o terminal privativo de Itacoatiara, no Estado do Amazonas, de onde a carga embarcaria em navios para o exterior. Outras 400 mil toneladas deveriam sair, em 2001, através dos portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR).

(Valor, São Paulo/SP, 03/05/2001)

FNO: nova etapa do Basa

O Banco de Crédito da Borracha foi criado em 1942 para financiar a produção de borracha da Amazônia, da qual os países aliados necessitavam no esforço da Segunda Guerra Mundial, por terem sido privados das fontes de suprimento no Oriente.

Em 1950 a instituição mudou de nome, passando a se chamar Banco de Crédito da Amazônia, para ampliar suas atividades e passar a financiar outras atividades, além da produção de borracha. Em 1966, com nova mudança institucional, passou a ser Banco da Amazônia (Basa), atuando ao mesmo tempo como banco de desenvolvimento e comercial.

Em decorrência da Constituição de 1988, passou a ser o gestor do Fundo Constitucional Norte (FNO), formado por 1,2% da receita líquida da União.

(Gazeta Mercantil Pará, Belém/PA, 07/07/2000)

Banco Mundial em Rondônia

Em abril de 1990 o Banco Mundial decidiu suspender, por seis meses, um empréstimo de 220 milhões de dólares destinado ao Projeto de Manejo dos Recursos Naturais de Rondônia, uma das bases de apoio ao Panafloro, destinado à reforma ambiental de Rondônia e Mato Grosso.

A causa do adiamento foi uma carta pessoal do secretário nacional de meio ambiente, José Lutzenberger, ao presidente do BIRD, Barber Conable, pedindo que antes as organizações não governamentais fossem consultadas.

O Panafloro começou a ser elaborado em 1986. Seu objetivo era o de reorientar a ocupação desordenada de Rondônia, que, em duas décadas, destruiu 42 mil quilômetros quadrados de floresta (17% do território do Estado) e provocou o inchamento da periferia de Porto Velho.

Baseado em um zoneamento agroecológico, o projeto previa a divisão de Rondônia em seis zonas: duas para desenvolvimento agrícola, três para extrativismo e preservação florestal e uma para reservas indígenas. Das 17 áreas indígenas criadas em Rondônia como condição imposta pelo Banco Mundial para financiar o Polonoroeste, 10 anos antes, 10 ainda não tinham sido regularizadas em 1990, quando o BIRD decidiu suspender a votação de um novo empréstimo.

(Folha de S. Paulo, São Paulo/SP, 08/04/1990)