Menos castanhais

Em 1978, técnicos do Centro de Pesquisa Agropecuária dos Trópicos Úmidos (CPATU), da Embrapa, estimavam a existência de 260 mil hectares de castanhais nativos na região do Tocantins, no Pará, tendo como principal centro o município de Marabá, dos quais 201 mil hectares estavam destinados à exploração.

Cinco anos depois a área em produção foi reduzida em 11% e a extração de castanha-do-pará cedeu lugar a novas atividades, mais intensivas no uso da terra, como a pecuária de corte e a extração de madeira.

Fonte : Jornal do Brasil (Belém), 19-01-1987

Conflito da Paraporã

Em julho de 1971, a polícia do Pará expulsou dezenas de famílias de lavradores que ocupavam uma área de mais de 17 mil hectares, no município de São Domingos do Capim. As terras eram reivindicadas como suas pela Companhia Agropecuária Paraporã, que conseguiu liminar da justiça para retirar os ocupantes da área.

A empresa tinha um projeto agropecuário aprovado pela Sudam (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia). Os lavradores alegavam ocupar há pelo menos um século a área, que lhes teria sido doada pela antiga Secretaria de Terras do Estado. Criado o conflito, a Corregedoria Geral de Justiça do Pará determinou a suspensão da liminar concedida à empresa.

Fonte: O Estado de S. Paulo (São Paulo/SP), 30/07/1971

Denúncias de trabalho escravo

Em agosto de 1972, a Polícia Federal abriu inquérito, no Pará, com a finalidade de apurar denúncia de trabalho escravo em duas fazendas do Estado: a Fazenda Nova, no município de Ipixuna, e a Fazendas Reunidas, em São Domingos do Capim. A denúncia foi apresentada inicialmente à polícia civil estadual pelo lavrador Ailton Farias de Souza.

Outro lavrador, José de Souza Alves, acusou a firma Serviços Florestais Ltda. de também obrigar seus contratados a trabalhar em regime de semiescravidão, relatando seu próprio caso: foi contratado em Belém pela empresa, mas só teve acesso ao contrato durante a viagem para Monte Dourado, sede do Projeto Jari.

Ali, deveria trabalhar em plantio e conservação de floresta, mas foi obrigado a fazer parte das frentes de desmatamento. Mesmo com a perna ferida num acidente, continuou a trabalhar, até que suas condições físicas o inabilitaram. Foi dispensado sem receber o que tinha direito.

Fonte: Folha do Norte (Belém/PA), 03/08/1972

Tensão em Tomé-Açu

Em 1968, a Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara Federal que investigava a venda de terras a estrangeiros esteve em Tomé-Açu, a 130 quilômetros de Belém, no Pará. Foi verificar denúncias de segregação racial entre colonos japoneses e brasileiros.

Os agricultores nacionais seriam discriminados não só na atividade produtiva como na própria vida social do lugar em favor de migrantes japoneses, trazidos para a região num projeto comum entre os governos dos dois países.

Os primeiros casamentos mistos estavam ocorrendo pela primeira vez exatamente no momento da viagem da CPI, 30 anos depois do início da colonização japonesa. Os japoneses mais antigos impediam que esse tipo de casamento ocorresse, segundo as denúncias.

Foi apontado outro problema: a transferência de pelo menos 10 órfãos de guerra, filhos de pais americanos pretos e de mães japonesas. Por serem segregados em seu próprio país, a solução encontrada por uma sociedade protetora de órfãos, dirigida por Miki Sawada, fora a migração para a Amazônia.

Tomé-Açu se transformou num dos maiores produtores mundiais de pimenta-do-reino com a chegada dos japoneses. Em 1967, a produção tinha sido de oito mil toneladas, 90% dela exportada para México, Argentina, Estados Unidos e União Soviética. Os parlamentares da CPI chegaram à

à conclusão de que havia uma tensão entre brasileiros e japoneses, mas não propriamente segregação.

Fonte: O Estado de S. Paulo (São Paulo/SP), 05/05/1968

A justiça e o trabalho escravo

Em novembro de 1991, pela primeira vez o Ministério Público denunciou na justiça proprietários de terras que se utilizavam de trabalho escravo.

Raimundo Pereira da Silva, Raimundo Alves da Costa e Ilson Moreira da Silva foram presos em flagrante por manter 126 pessoas sob regime de trabalho forçado nas fazendas Califórnia e São Carlos, próximas do povoado de Sapucaia, no município de Xinguara, no sul do Pará.

Os dois primeiros, ambos fazendeiros, e o terceiro, comerciante, foram denunciados pela CPT (Comissão Pastoral da Terra) à Procuradoria Geral da República. Ilson mantinha um barracão, para onde os trabalhadores recém-recrutados eram levados. Em dois dias já existia um débito capaz de prender o lavrador e, então, o comerciante entregava os homens aos fazendeiros.

Na maioria dos casos, os salários eram inferiores a um salário mínimo e os lavradores eram obrigados a comprar comida a preços exorbitantes. Os três acusados foram presos.

FONTE: O Liberal (Belém/PA), 15/11/1991

Fazenda do Bradesco

Em 1967, a Sudam aprovou o projeto da Companhia Melhoramentos da Ligação Agro-Pecuária, com sede no quilômetro 278 da rodovia Belém-Brasília, no município de Paragominas, no Pará. Além da cria, recria e engorda de boi, e a criação de cavalos, jumentos e porcos de raça, a empresa se propunha a fazer a industrialização da madeira da região, o beneficiamento de arroz e a produção de ração animal.

Os sócios no empreendimento eram o banqueiro Amador Aguiar, presidente do Bradesco. Jayme Watt e José Teles de Menezes, ambos fazendeiros com tradição no setor. O projeto seria implantado em seis anos, com investimento de 9,5 bilhões de cruzeiros antigos (moeda da época).

Fonte: Folha do Norte (Belém/PA), 02/07/1967

Sudam aprova projetos

O Conselho Técnico da Sudam (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia), reunido em Belém, em julho de 1967, aprovou dois projetos econômicos. Um, da Companhia Agro-Pastoril do Vale do Campo Alegre, com sede no município de Santana do Araguaia, no Pará, com investimento de 6,3 milhões de cruzeiros novos (valor da época). Outro, da Ovecosa (Óleos Vegetais Coroatá S/A), no município de Coroatá, no Maranhão, destinada a fabricar óleos vegetais de sementes produzidas na região, especialmente de babaçu e algodão, assim como industrialização e comercialização de subprodutos, com investimento de 618 mil cruzeiros novos.

O conselho concedeu isenção total de imposto de renda e adicionais à empresa Produtos Vitória, de Belém. Foi aprovado ainda um termo aditivo a um contrato de 1964, assinado ainda na época da SPVEA (Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia), para a construção de esgotos sanitários em Belém, com a participação da Fundação Sesp (Serviço Especial de Saúde Pública) e Departamento de Águas e Esgotos do Pará.

Fonte: Folha do Norte (Belém/PA), 21/07/1967