Água contaminada

Em 1989, o Departamento de Saúde da Mineração Rio do Norte coletou amostras de água do rio Trombetas, no oeste do Pará, constatando a existência de 23 coliformes fecais em um ponto distante 10 quilômetros a montante de Oriximiná, na direção da sede da mineradora de bauxita, e 34 mil coliformes em frente à sede municipal, local da tomada de água para o abastecimento de sua população.

O Ministério da Saúde considera aceitáveis apenas mil coliformes por 100 ml de amostra. Analisando as 32 amostras reunidas, o departamento da empresa concluiu que a causa da poluição estava dentro da própria cidade, nada tendo a ver com a lavagem do minério, realizada rio acima. Um surto de gastroenterite provocou 12 mortes em Oriximiná, atribuídas à má qualidade da água.

Fonte : O Liberal (Belém/PA),  07-12-1989

Criada Mamirauá

Em 1990, o governo do Amazonas criou a Estação Ecológica do Lago Mamirauá (peixe-boi na língua tupi), com área de 1,2 milhão de hectares, equivalente a um quarto do território da Irlanda. Seria a maior reserva de floresta inundada do mundo, já que passa quase a metade do ano coberta ou semicoberta pelas águas da chuva e dos rios que a banham. A água chega a subir 12 metros, transformando todo o solo em viveiro para diversas espécies de peixes, fazendo esse ecossistema abrigar muitas espécies animais e vegetais.

Fonte: Jornal do Brasil (Rio de Janeiro/RJ), 01-05-1991

Estação Mamirauá

Em 1990, o governo do Amazonas criou a Estação Ecológica do Lago Mamirauá (peixe-boi na língua tupi), com área de 1,2 milhão de hectares, equivalente a um quarto do território da Irlanda. Seria a maior reserva de floresta inundada do mundo, já que passa quase a metade do ano coberta ou semicoberta pelas águas da chuva e dos rios que a banham. A água chega a subir 12 metros, transformando todo o solo em viveiro para diversas espécies de peixe, fazendo esse ecossistema abrigar muitas espécies animais e vegetais.

Fonte: Jornal do Brasil, (Rio de Janeiro/RJ), 01-05-1991

Sedimentação do rio Amazonas

O processo de sedimentação e erosão do rio Amazonas provocou um fenômeno natural observado em Santarém, no Pará. Em 1967, a 1.200 metros da cidade, havia um canal de navegação que, medido pela Marinha nesse mesmo ano, tinha 53 metros de profundidade. Cinco anos depois, a profundidade se havia reduzido para apenas 22 metros.

Em 1977, no lugar do canal, que permitia a passagem de grandes navios, formou-se uma praia, a princípio ainda submersa, que começou a provocar encalhes. O principal deles foi o do petroleiro Liliana, que ficou retido vários dias até ser liberado. Em 1978 a praia emergiu.

Em 1985, ainda sem nome, ela já abrigava seu primeiro morador e estava coberta de vegetação. Duas outras ilhas, a Caquetá e a Urucurituba, também situadas na margem esquerda do Amazonas, desapareceram nesse período, formando-se um canal de navegação no local. A Ponta Negra, outra ilha, a maior, cresceu mais ainda no mesmo período.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 10-02-1985

Parauapebas contaminado

Em novembro de 1986, o Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da Secretaria de Planejamento, Ciência e Tecnologia da Bahia realizou uma análise físico-química das águas do rio Parauapebas, um afluente do Itacaiúnas, na Serra dos Carajás, no Pará, a pedido da Companhia Vale do Rio Doce.

Constatou a ocorrência mínima variável de três miligramas de mercúrio por cada litro de água, quando a legislação brasileira estabelece o limite de duas miligramas. A análise dos peixes coletados revelou índices de mercúrio de 0,02 partes por milhão nos músculos e 0.09 p.p.m. em suas vísceras.

Fonte: Correio do Tocantins (PA), 19-09-1987

Mercúrio no Tapajós

Em meados de 1988, a Sudepe (Superintendência do Desenvolvimento da Pesca) calculava que haviam sido despejados no rio Tapajós, desde 1983, cerca de 250 toneladas de mercúrio, usado pelo garimpeiro para separar o ouro. E que os despejos no rio Madeira, em Rondônia, em 10 anos, tinham sido de 78 toneladas. O cálculo foi estabelecido a partir da constatação de que cada tonelada de ouro produzida exige de 1,5 a 2 toneladas de mercúrio.

Fonte: Jornal da Tarde (SP), 27-06-1988

A descarga do rio Amazonas

Um grupo de geólogos americanos refez, em 1971, a medição da descarga líquida do rio Amazonas efetuada pela primeira vez em 1963, a pedido do governo brasileiro. Em agosto de 1972, um dos integrantes da equipe, o hidrólogo George F. Smoot, anunciou o principal resultado do trabalho: o Amazonas despeja no Atlântico 254 milhões de metros cúbicos de água por segundo, o equivalente a 15% da soma das contribuições de todos os rios do planeta aos oceanos.

Nessa época, o governo brasileiro teria planos a longo prazo para o aproveitamento do potencial hidrelétrico do rio. A medição do Amazonas foi realizada no estreito de Óbidos, no Pará, a 640 quilômetros de sua desembocadura.

Fonte: Folha do Norte (Belém/PA), 11/08/1972

O Brasil e os grandes lagos

Por causa do impacto que a apresentação do projeto sobre um sistema de grandes lagos na América Latina, tendo como um dos principais eixos o Brasil e sua bacia amazônica, o Ministério das Relações Exteriores realizou, em 1967, um levantamento confidencial sobre o Hudson Institute, de Nova York, que formulou os projetos.

Três diplomatas brasileiros, encarregados pelo Itamaraty de preparar um relatório reservado sobre o tema, descobriram que o Hudson era uma entidade de pesquisa e planejamento de política internacional e dos problemas de segurança dos Estados Unidos.

Caracterizada como entidade privativa sem fins lucrativos, trabalhava em estreita vinculação com o governo americano. Mais de 85% do seu orçamento provinham então de contratos com agências oficiais dos EUA, especialmente com o Departamento de Defesa.

O autor dos projetos dos lagos latino-americanos era Robert Panero, americano, mas de origem colombiana, que recebeu o apoio de Herman Kahn, diretor do Hudson. O instituto gozava de prestígio junto à Comissão Interamericana da Aliança para o Progresso e aos governos da Colômbia e do Peru. Apresentara às autoridades colombianas o projeto de criação de um canal-lago transoceânico na região do Chocó.

O único contato oficial do Hudson no Brasil era, na ocasião, com o ministro do planejamento, Roberto Campos. Mas para os estudos que estava realizando o instituto americano contava com dois consultores privados: Eudes Prado Lopes e Felisberto Camargo.

Fonte: Correio da Manhã (Rio de Janeiro/RJ), 14/07/1968