Estação Mamirauá

Em 1990, o governo do Amazonas criou a Estação Ecológica do Lago Mamirauá (peixe-boi na língua tupi), com área de 1,2 milhão de hectares, equivalente a um quarto do território da Irlanda. Seria a maior reserva de floresta inundada do mundo, já que passa quase a metade do ano coberta ou semicoberta pelas águas da chuva e dos rios que a banham. A água chega a subir 12 metros, transformando todo o solo em viveiro para diversas espécies de peixe, fazendo esse ecossistema abrigar muitas espécies animais e vegetais.

Fonte: Jornal do Brasil, (Rio de Janeiro/RJ), 01-05-1991

Sedimentação do rio Amazonas

O processo de sedimentação e erosão do rio Amazonas provocou um fenômeno natural observado em Santarém, no Pará. Em 1967, a 1.200 metros da cidade, havia um canal de navegação que, medido pela Marinha nesse mesmo ano, tinha 53 metros de profundidade. Cinco anos depois, a profundidade se havia reduzido para apenas 22 metros.

Em 1977, no lugar do canal, que permitia a passagem de grandes navios, formou-se uma praia, a princípio ainda submersa, que começou a provocar encalhes. O principal deles foi o do petroleiro Liliana, que ficou retido vários dias até ser liberado. Em 1978 a praia emergiu.

Em 1985, ainda sem nome, ela já abrigava seu primeiro morador e estava coberta de vegetação. Duas outras ilhas, a Caquetá e a Urucurituba, também situadas na margem esquerda do Amazonas, desapareceram nesse período, formando-se um canal de navegação no local. A Ponta Negra, outra ilha, a maior, cresceu mais ainda no mesmo período.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 10-02-1985

Parauapebas contaminado

Em novembro de 1986, o Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da Secretaria de Planejamento, Ciência e Tecnologia da Bahia realizou uma análise físico-química das águas do rio Parauapebas, um afluente do Itacaiúnas, na Serra dos Carajás, no Pará, a pedido da Companhia Vale do Rio Doce.

Constatou a ocorrência mínima variável de três miligramas de mercúrio por cada litro de água, quando a legislação brasileira estabelece o limite de duas miligramas. A análise dos peixes coletados revelou índices de mercúrio de 0,02 partes por milhão nos músculos e 0.09 p.p.m. em suas vísceras.

Fonte: Correio do Tocantins (PA), 19-09-1987

Mercúrio no Tapajós

Em meados de 1988, a Sudepe (Superintendência do Desenvolvimento da Pesca) calculava que haviam sido despejados no rio Tapajós, desde 1983, cerca de 250 toneladas de mercúrio, usado pelo garimpeiro para separar o ouro. E que os despejos no rio Madeira, em Rondônia, em 10 anos, tinham sido de 78 toneladas. O cálculo foi estabelecido a partir da constatação de que cada tonelada de ouro produzida exige de 1,5 a 2 toneladas de mercúrio.

Fonte: Jornal da Tarde (SP), 27-06-1988

A descarga do rio Amazonas

Um grupo de geólogos americanos refez, em 1971, a medição da descarga líquida do rio Amazonas efetuada pela primeira vez em 1963, a pedido do governo brasileiro. Em agosto de 1972, um dos integrantes da equipe, o hidrólogo George F. Smoot, anunciou o principal resultado do trabalho: o Amazonas despeja no Atlântico 254 milhões de metros cúbicos de água por segundo, o equivalente a 15% da soma das contribuições de todos os rios do planeta aos oceanos.

Nessa época, o governo brasileiro teria planos a longo prazo para o aproveitamento do potencial hidrelétrico do rio. A medição do Amazonas foi realizada no estreito de Óbidos, no Pará, a 640 quilômetros de sua desembocadura.

Fonte: Folha do Norte (Belém/PA), 11/08/1972

O Brasil e os grandes lagos

Por causa do impacto que a apresentação do projeto sobre um sistema de grandes lagos na América Latina, tendo como um dos principais eixos o Brasil e sua bacia amazônica, o Ministério das Relações Exteriores realizou, em 1967, um levantamento confidencial sobre o Hudson Institute, de Nova York, que formulou os projetos.

Três diplomatas brasileiros, encarregados pelo Itamaraty de preparar um relatório reservado sobre o tema, descobriram que o Hudson era uma entidade de pesquisa e planejamento de política internacional e dos problemas de segurança dos Estados Unidos.

Caracterizada como entidade privativa sem fins lucrativos, trabalhava em estreita vinculação com o governo americano. Mais de 85% do seu orçamento provinham então de contratos com agências oficiais dos EUA, especialmente com o Departamento de Defesa.

O autor dos projetos dos lagos latino-americanos era Robert Panero, americano, mas de origem colombiana, que recebeu o apoio de Herman Kahn, diretor do Hudson. O instituto gozava de prestígio junto à Comissão Interamericana da Aliança para o Progresso e aos governos da Colômbia e do Peru. Apresentara às autoridades colombianas o projeto de criação de um canal-lago transoceânico na região do Chocó.

O único contato oficial do Hudson no Brasil era, na ocasião, com o ministro do planejamento, Roberto Campos. Mas para os estudos que estava realizando o instituto americano contava com dois consultores privados: Eudes Prado Lopes e Felisberto Camargo.

Fonte: Correio da Manhã (Rio de Janeiro/RJ), 14/07/1968

Rockefeller e a Amazônia

Na sua campanha para a presidência dos Estados Unidos, em 1968, o governador de Nova York, Nelson Rockefeller disse que, se eleito, apoiaria um programa que incluía a construção de um gigantesco mar interior na América Latina, um canal interoceânico e uma via fluvial ligando o Caribe à Bacia do Prata.

O primeiro e mais dramático desses projetos era o barramento do rio Amazonas para a criação de um lago artificial duas vezes maior do que a Alemanha. O segundo em importância era a interconexão dos rios Orenoco, Amazonas, Paraguai e Prata, permitindo a navegação de alto bordo pelo interior da Venezuela, Colômbia, Brasil, Paraguai e Argentina. O terceiro era um projeto colombiano destinado a reter 400 polegadas de chuva, que caem anualmente na região, criando um lago artificial.

Rockefeller estava endossando  projetos que vinham sendo desenvolvidos pelo Hudson Institute, de Nova York, uma corporação que executava estudos estratégicos sob contrato para o Departamento de Defesa americano.

Segundo o Hudson, o canal interior sul-americano poderia ser desencadeado a partir de um pequeno lago na região colombo-venezuelana  de Pimichin, unindo o Orenoco ao rio Negro, um dos maiores tributários do Amazonas. Da mesma forma, o rio Guaporé poderia ser ligado ao sul, por uma serie de lagos, ao rio Paraguai, chegando até o Atlântico, através do Paraná e do Prata.

Fonte: Folha do Norte (Belém/PA), 23/07/1968