Água no Marajó

Em 1959, a ligação do rio Arari com o lago do mesmo nome, na ilha de Marajó, no Pará, ficou interrompida por causa do acúmulo de vegetação e de detritos no canal. A desobstrução só foi possível com o uso de uma draga do Departamento de Portos, Rios e Canais e a ajuda da Força Aérea Brasileira. O problema se repetiria, apesar de a SPVEA (Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia) destinar recursos para a regularização do regime de águas do Marajó.

(Folha do Norte, Belém/PA, 26/07/1959)

O começo do dendê

Em janeiro de 1962, uma missão do Instituto de Pesquisas para Óleos e Oleaginosas da França visitou Belém. Seu objetivo era estudar as possibilidades de implantar na Amazônia a cultura de oleaginosas de alto rendimento, por considerar que a região apresentava boas condições para esses cultivos.

Os técnicos da missão francesa consideravam aquele momento oportuno para a criação de um grande centro regional de exploração agrícola e industrial de oleaginosas, como já vinha sendo feito então na Colômbia. Os contatos iniciais foram estabelecidos com a SPVEA (Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia).

(Folha do Norte, Belém/PA, 13/01/1962)

Problema no Marajó

Em 1959, a ligação do rio Arari com o lago do mesmo nome, na ilha de Marajó, no Pará, ficou interrompida por causa do acúmulo de vegetação e de detritos no canal. A desobstrução só foi possível com o uso de uma draga do Departamento de Portos, Rios e Canais e a ajuda da Força Aérea Brasileira. O problema se repetiria, apesar de a SPVEA (Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia) destinar recursos para a regularização do regime de águas do Marajó.

(Folha do Norte, Belém/PA, 26/07/1959)

Chuva recorde em Belém

Em fevereiro de 1980, choveu 776 milímetros em Belém, o maior índice de precipitação de chuvas registrado em 50 anos até aquela data, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia. A previsão era de que chovesse 407,1 milímetros.

A causa principal foi a convergência intertropical, que ficou estacionada na região. Essa massa se formou no hemisfério norte, sobre o oceano, e se deslocou para o hemisfério sul. O maior índice anterior tinha sido o de 1964, com 669,1 milímetros, e em 1958, quando a chuva atingiu 644,7 milímetros.

(O Estado do Pará, Belém/PA, 04/03/1980)

A vazão do rio Amazonas

Em julho e outubro de 1963 foram realizadas duas campanhas de medição da descarga líquida do rio Amazonas, a mais importante até então realizada.

Utilizando a corveta Iguatemi, da Marinha brasileira, pesquisadores da Universidade do Brasil, da Diretoria de Hidrografia e Navegação da Marinha e da Flotilha do Amazonas, com a participação de técnicos do Serviço Geológico dos Estados Unidos (Geological Survey), passaram 19 dias na pesquisa, utilizando os mais modernos equipamentos de medição.

Constataram que no trecho mais estreito do seu curso no Brasil, em Óbidos, no Pará, o Amazonas tem uma vazão média de 150 mil metros cúbicos de água por segundo. Na embocadura, essa média chega a 250 mil metros cúbicos.

(A Província do Pará, Belém/PA, 16/12/1966)

A hidrovia do Marajó

O governo do Pará, em parceria com a Companhia Docas do Pará, através de sua subordinada, a Ahimor (Administração de Hidrovias da Amazônia Oriental), elaborou o projeto da hidrovia do Marajó.

O objetivo era a construção de um canal com 32 quilômetros de extensão, que possibilitaria abrir um novo trajeto entre Belém e Macapá, com uma redução de 148 quilômetros em relação ao caminho utilizado atualmente entre as duas cidades.

Pelo canal poderiam passar embarcações com 2.600 toneladas de capacidade de carga. Também permitiria o acesso ao centro do Marajó, no estuário do rio Amazonas, a maior ilha fluvial do mundo.

Em 2000 a tramitação do EIA-Rima para o licenciamento ambiental da obra foi interrompida por uma ação civil pública proposta pelo Ministério Público Federal. O MP suscitou dúvidas sobre o impacto ambiental da construção do canal artificial, interligando cursos d’água naturais.

(Gazeta Mercantil/Pará, Belém/PA, 11/09/2000)

Os EUA de olho na Amazônia

Em setembro de 1967, funcionários do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, por solicitação do ministro Magalhães Pinto, mantiveram contato com o Hudson Institute, em Nova York. O objetivo era “colher dados que permitissem avaliar, de forma precisa, a natureza e o alcance” do projeto que o instituto apresentara, para a formação de um sistema de grandes lagos na Amazônia latino-americana, o principal dos quais seria o Grande Lago do rio Amazonas, à altura de Óbidos, no Pará.

A informação foi prestada pelo ministro, em 1968, à Comissão Parlamentar de Inquérito instaurada na Câmara Federal para apreciar o projeto. Magalhães Pinto disse que 85% do orçamento do Hudson, uma entidade voltada para a pesquisa e o planejamento político, sobretudo dos campos internacional e de segurança dos Estados Unidos, provinha de contratos com agências oficiais norte-americanas. A principal delas era o Departamento de Defesa.

O interesse do Hudson pela Amazônia seria um dos reflexos da importância assumida pela região, “à medida que se tornam escassas as matérias primas de que necessitam os grandes centros industriais do mundo”.

O plano dos grandes lagos, além dos seus objetivos econômicos, teria a finalidade de facilitar as comunicações no interior do continente “e evitar que se forme na área um maior adensamento demográfico e, consequentemente, um foco de poder que modifique o equilíbrio continental”.

(Folha do Norte, Belém/PA, 27/08/1968)