Pneu de borracha natural do Acre

No final de 2000 a Pirelli lançou, inicialmente apenas nos mercados do Norte e Nordeste do Brasil, o pneu Xapuri, o primeiro fabricado no país a utilizar apenas borracha natural. As 150 toneladas usadas pela empresa provinham de uma área de 90 mil hectares de seringais nativos da Amazônia, principalmente dos municípios de Xapuri e Sena Madureira, no Estado do Acre, beneficiando aproximadamente 300 famílias de seringueiros.

Para fazer o lançamento, a Pirelli firmou em 1998 uma parceria com a Cooperativa dos Seringueiros do Acre, dentro do Programa de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva da Borracha, idealizado pelo governo acreano para retomar e viabilizar economicamente essa atividade extrativista.

No Estado havia então 20 mil famílias de seringueiros, índios e ribeirinhos, segundo estimativa da Secretaria Executiva de Floresta e Extrativismo. Em janeiro de 1999 o governo estadual instituiu o subsídio à borracha, que nesse ano foi de R$ 0,40 por quilo, alcançando R$ 322 mil, distribuídos através de 74 associações e beneficiando 1.300 famílias.

Em Xapuri e Sena Madureira havia cerca de 70 cooperativas de produtores. As usinas de borracha são de propriedade dos próprios seringueiros.

(Gazeta Mercantil/Pará, Belém/PA, 06/11/2000)

Contra a borracha amazônica

Em dezembro de 1961 o presidente do Conselho de Ministros, Tancredo Neves, assinou decreto liberando a borracha sintética fabricada pela Petrobrás do monopólio estatal exercido pelo Banco de Crédito da Amazônia. A medida foi criticada por representantes da região e pelo próprio presidente do BCA, Raimundo de Alcântara Figueira, por contrariar a lei 1.184, de 30 de agosto de 1950, que criou o monopólio estatal da borracha.

(Folha do Norte, Belém/PA, 07/12/1961)

Os soldados da borracha

Pelos Acordos de Washington, que assinou com os Estados Unidos, o Brasil se comprometeu a recrutar 50 mil trabalhadores para produzir a borracha necessária aos países aliados durante a Segunda Guerra Mundial, assentando-os nos seringais da Amazônia.

O contrato inicial, assinado entre a Rubber Development Corporation e a SEMTA, criada para realizar o recrutamento de mão-de-obra (sucedida posteriormente pela CAETA), não foi cumprido integralmente, exigindo um aditivo.

Encerrada a conflagração, 48.891 trabalhadores, de retorno dos seringais nos altos rios amazônicos, passaram, em 1946, pelas hospedarias do serviço de imigração, em Belém, dos quais 15.547 sob a responsabilidade dos seringalistas.

(A Província do Pará, Belém/PA, 19/04/1947)

FNO: nova etapa do Basa

O Banco de Crédito da Borracha foi criado em 1942 para financiar a produção de borracha da Amazônia, da qual os países aliados necessitavam no esforço da Segunda Guerra Mundial, por terem sido privados das fontes de suprimento no Oriente.

Em 1950 a instituição mudou de nome, passando a se chamar Banco de Crédito da Amazônia, para ampliar suas atividades e passar a financiar outras atividades, além da produção de borracha. Em 1966, com nova mudança institucional, passou a ser Banco da Amazônia (Basa), atuando ao mesmo tempo como banco de desenvolvimento e comercial.

Em decorrência da Constituição de 1988, passou a ser o gestor do Fundo Constitucional Norte (FNO), formado por 1,2% da receita líquida da União.

(Gazeta Mercantil Pará, Belém/PA, 07/07/2000)