O retorno dos “arigós”

Em agosto de 1946, 16 imigrantes nordestinos registraram queixa na polícia civil do Pará contra os maus tratos que estariam sofrendo na Hospedaria do Tapanã, em Belém. O diretor do local, mantido pela CAETA, responsável pelo recrutamento de mão-de-obra para trabalhar nos seringais, condicionou o fornecimento de alimentação à prestação de algum tipo de serviço. Só quem trabalhasse poderia comer.

O problema é que os homens, depois de produzir borracha nos seringais nos altos rios da Amazônia, se encontravam muito debilitados. Eles informaram que haviam chegado a Manaus juntamente com outros 170 nordestinos, que também foram atraídos para produzir borracha para os países aliados durante a Segunda Guerra Mundial.

Terminado o conflito, foram abandonados à própria sorte e com muito custo conseguiram alcançar a capital amazonense, de onde prosseguiram viagem, no navio Cambridge, para Belém. Queriam ajuda para retornar aos seus pontos de origem, no Nordeste. Foram convocados como “soldados da borracha”. Mas a população da região os tratava pejorativamente de “arigós”.

Fonte: Folha do Norte (Belém/PA), 09/08/1946

O IAN e a pesquisa agronômica

Em julho de 1954, nove anos depois que o governo brasileiro adquiriu a grande área no vale do Tapajós, no Pará, na qual a Ford pretendia implantar um plantio industrial de seringueiras, o diretor do Serviço Nacional de Pesquisas Agronômicas, Felisberto Camargo, fez um balanço do que estava sendo feito em toda a área, com mais de 1,2 milhão de hectares.

Ele apresentou um relato das pesquisas e experimentos conduzidos pelo Instituto Agronômico do Norte (IAN), que dirigira até um pouco antes. Destacou a introdução de três mil cabeças de gado importado, sendo mil de gado branco (Nelore e Jersey) e duas mil de búfalos do Oriente, entre os quais o Redshind, do Paquistão, que Camargo acreditava que iria provocar “uma verdadeira revolução na pecuária de leite no Brasil”.

Garantiu que nas antigas concessões da Ford havia então um milhão de pés de seringueira em condições de sangramento, mas que apenas metade delas haviam sido cortadas em 1953, por falta de mão de obra, “que é o problema geral da Amazônia”.

Referiu-se ao experimento de desviar e provocar a sedimentação dos nutrientes carregados pelo rio Amazonas, a “colmatagem”, numa estação em funcionamento no Baixo Amazonas, no Maicuru. Assegurou que cinco mil toneladas de húmus haviam sido depositadas nos campos dessa região, através de canais artificialmente criados para desviar as águas do rio.

Nesses novos campos seria possível criar gado, desenvolver plantios perenes (como seringueira e dendê) e cultivos alimentares intensivos, como arroz, feijão e soja.

Informou ainda que no estuário do rio Amazonas, na foz do rio Guamá, o IAN estava conseguido obter quatro toneladas por hectare de arroz irrigado, quando a média nacional era de 1,5 hectares. Esses resultados permitiriam à Amazônia “vir a ser dentro de algum tempo o maior centro exportador de arroz de todo o Brasil”.

O IAN também estava dando apoio ao cultivo de juta, fornecendo 100 toneladas de semente, com as quais asseguraria a produção regional, de 40 mil toneladas anuais, suficiente para suprir de fibra a indústria nacional de fiação e tecelagem.

Fonte: Folha do Norte (Belém/PA), 28/07/1954

Os “soldados da borracha”

Em agosto de 1946, 16 imigrantes nordestinos registraram queixa na polícia civil do Pará contra os maus tratos que estariam sofrendo na Hospedaria do Tapanã, em Belém. O diretor do local, mantido pela CAETA, órgão público responsável pelo recrutamento de mão-de-obra para trabalhar nos seringais, condicionou o fornecimento de alimentação à prestação de algum tipo de serviço. Só quem trabalhasse poderia comer.

O problema era que os homens, depois de produzir borracha nos seringais nos altos rios da Amazônia, se encontravam muito debilitados. Eles informaram que haviam chegado a Manaus juntamente com outros 170 nordestinos, que também foram atraídos para produzir borracha para os países aliados durante a Segunda Guerra Mundial.

Terminado o conflito, foram abandonados à própria sorte e com muito custo conseguiram alcançar a capital amazonense, de onde prosseguiram viagem, no navio Cambridge, para Belém. Queriam ajuda para retornar aos seus pontos de origem, no Nordeste. Foram convocados como “soldados da borracha”. Mas a população da região os tratava pejorativamente de “arigós”.

Fonte: Folha do Norte (Belém/PA), 09/08/1946

Primeiro projeto Probor

O primeiro seringal de cultivo financiado pelo Probor a entrar em produção no Pará, numa área de 400 hectares plantados e mais 32 hectares de viveiros, foi “sangrado” em outubro de 1980 para a retirada de látex. O seringal era de propriedade do médico Ronaldo Fonteles de Lima e se localizava na Baía do Sol, no distrito de Mosqueiro, a 60 quilômetros de Belém. O projeto serviria de modelo para um empreendimento ainda maior, o projeto Moju, que a Sudhevea estava apoiando para ampliar a heveacultura no Estado.

(O Liberal, Belém/PA, 05/10/1980)

Plantio de borracha

O primeiro seringal de cultivo financiado pelo Probor a entrar em produção no Pará, numa área de 400 hectares plantados e mais 32 hectares de viveiros, foi “sangrado” em outubro de 1980 para a retirada de látex. O seringal era de propriedade do médico Ronaldo Fonteles de Lima e se localizava na baía do Sol, no distrito de Mosqueiro, a 60 quilômetros de Belém. O projeto serviria de modelo para um empreendimento ainda maior, o projeto Moju, que a Sudhevea estava apoiando para ampliar a heveicultura no Estado.

(O Liberal, Belém/PA, 05/10/1980)

Reservas extrativistas

Durante o governo Sarney foram criadas quatro reservas extrativistas na Amazônia, abrigando 6.250 famílias em 2,2 milhões de hectares. As áreas criadas foram: Alto Juruá e Chico Mendes, no Acre; Ouro Preto, em Rondônia; e Rio Cajari, no Amapá.

A que alcançou melhor desenvolvimento foi a Chico Mendes: seus integrantes conseguiram organizar a Cooperativa de Xapuri, reunidos famílias dos municípios de Assis Brasil, Brasiléia, Rio Branco, Sena Madureira e Xapuri, no Acre.

Segundo o secreto 98.987, de janeiro de 1989, a União, proprietária das áreas das reservas, concedeu por 30 anos o uso das terras, concessão renovável, exigindo um plano de exploração dos recursos naturais com a devida proteção ambiental.

Em maio de 1990, o IEA (Instituto de Estudos Amazônicos) e o CNS (Conselho Nacional dos Seringueiros) propuseram a ampliação da área das reservas para que alcançassem um total de 25 milhões de hectares.

Também sugeriram o redirecionamento da TORMB (Taxa de Organização e Regulamentação do Mercado de Borracha), que foi instituída durante a Segunda Guerra Mundial como forma de proteção à borracha natural, nivelando seu preço ao produto importado, mais barato.

A taxa, que em 1989 proporcionou receita equivalente a 53 milhões de dólares, seria parcialmente destinada a modernizar as estruturas de ensino, transporte e proteção das reservas.

(Jornal da Tarde, São Paulo/SP, 31/05/1990

A produção de borracha

Em 1915, no preâmbulo do parecer que O. Labroy apresentou ao Ministério da Agricultura, Pereira da Silva afirmou que a Amazônia possuía pelo menos 300 milhões de árvores em seus seringais silvestres, mas que apenas 6% das árvores estavam em exploração.

Em relatório que apresentou em março de 1944, assinalando o primeiro ano de funcionamento da instituição, o presidente do Banco de Crédito da Borracha, José Carneiro da Gama Malcher, calculou que nem um terço das árvores existentes em condições de ser exploradas estavam efetivamente sendo cortadas para a produção de borracha, a despeito dos esforços para fornecer o produto para o esforço aliado de guerra, coordenado pela Comissão de Controle dos Acordos de Washington, que o Brasil e os Estados Unidos assinaram.

O principal problema enfrentado era o transporte, sem o qual seria impossível alcançar as zonas de produção, nos altos rios, ou garantir o abastecimento.

(Folha do Norte Belém/PA, 09/01/1945)