Pepsi em Belém

O “refrigerante da amizade”, concorrente mundial da Coca-Cola a partir do quartel-general nos Estados Unidos, a Pepsi-Cola, chegou a Belém no dia 9 de setembro de 1958, depois de se instalar em apenas outras cinco cidades brasileiras até então. (Manaus, Recife, Porto Alegre, Pelotas e Belo Horizonte). Na capital dos paraenses, o refrigerante seria engarrafado e distribuído por Produtos Vitória, com sua fábrica instalada na então distante avenida Almirante Barroso 1885, em meio a uma das maiores campanhas de publicidade já realizadas.

Os fabricantes manifestavam a convicção de que o consumidor de Belém  iria adorar o novo produto, “por sua alta qualidade, por seu sabor inigualável, por sua pureza e integridade”. Depois do “grande lançamento”, cujo sucesso “superou a expectativa”,  a Vitória prometia que a Pepsi servida aos paraenses continuaria a ser “o mesmo delicioso refrigerante, inalterável, puríssimo, saudável, refrescante”.

(Arquivo Pessoal, 1958)

Ver-o-Peso

No início de 1972, no mercado do Ver-o-Peso, em Belém, ainda estavam de pé os clippers, terminais de ônibus e pontos de venda. Eles atravancavam o trânsito e se tornaram lugares anti-higiênicos pelo mau uso. Mas certamente teria sido melhor que fossem mantidos, desde que submetidos a nova regulamentação. Eram um elemento de época, de que davam testemunho suas linhas arquitetônicas. O maior problema não eram essas construções, mas o caótico transporte coletivo, ontem e hoje.

(Arquivo Pessoal, 1972)

As cidades incham

Em 1992, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apresentou os primeiros mapas demográficos e econômicos da Amazônia, que serviriam para compor o diagnóstico ambiental da região, primeira etapa do seu zoneamento ecológico-econômico, coordenado pela Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos.

Os pesquisadores, utilizando dados dos censos, constataram um acentuado incremento na população dos centros urbanos da Amazônia durante a década anterior. Essa urbanização seria resultante do poder de atração dos garimpos e da expulsão dos habitantes rurais de suas antigas áreas de colonização, ocupadas por um número mais concentrado de proprietários.

O crescimento desordenado das periferias das cidades estava criando sérios problemas devido à inexistência de infraestrutura de saneamento e pelo alastramento de doenças como a malária, que em 10 anos havia aumentado 841% em Mato Grosso, e a leishmaniose (que se manifesta através de feridas na pele do doente), que crescera 7.519% na área do Maranhão que faz parte da Amazônia Legal.

No aspecto demográfico, a pesquisa do IBGE destaca dados como a evolução populacional de 63,4% de Manaus entre 1980 e 1991. Nesse mesmo período, Parauapebas e Paragominas, ambas no Pará, cresceram 518% e 153%, respectivamente, por causa do poder de atração de Carajás, a grande província mineral no sul do Estado.

Fonte: Gazeta Mercantil (São Paulo/SP), 14/05/1992

Sivam no Amazonas

Em março de 1995, o juiz Carlos Zamith Júnior, da justiça do Estado do Amazonas, mandou embargar a construção de uma vila que serviria de alojamento para técnicos do Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia) no município de São Gabriel da Cachoeira.

Dois promotores, Mauro Veras e Paulo Stélio, pediram o embargo, alegando que a vila iria descaracterizar o centro histórico da cidade, onde estão as ruínas de um forte centenário. A área, que não estava tombada pelo Patrimônio Histórico, fora cedida pela prefeitura.

Fonte: Folha de S. Paulo (São Paulo/SP), 30/03/1995

Grilagem em Belém

A grilagem de terras criou uma situação inusitada no Pará: em junho de 1995, o delegado da Divisão de Investigações e Operações Especiais da Secretaria de Segurança Pública do Estado. Gilvandro Furtado, requereu na justiça um habeas corpus para poder continuar presidindo inquérito instaurado para apurar denúncias de grilagem sobre uma área equivalente a 8% de todo o território estadual, o segundo maior do Brasil.

Um pouco antes, o desembargador Calistrato Alves de Mattos, acolhendo recurso de um dos acusados de grilagem, determinara liminarmente o trancamento do inquérito. Ao recorrer ao HC, o delegado argumentou que a decisão do desembargador o impedia de cumprir o prazo legal para concluir o inquérito, expondo-o a sanções. O inquérito fora instaurado a pedido do Iterpa (Instituto de Terras do Pará), que denunciara a apropriação irregular de terras estaduais por particulares.

Fonte: A Província do Pará (Belém/PA), 24/06/1995

As baixadas de Belém

Em maio de 1976, o DNOS (Departamento Nacional de Obras de Saneamento) deu início ao programa emergencial, a primeira etapa do Plano de Recuperação das Baixadas de Belém, no Pará, que o presidente Ernesto Geisel aprovara, no início desse ano. Visava beneficiar 320 mil pessoas, residentes nas áreas alagáveis da capital paraense, abrangendo 40% da primeira légua patrimonial da cidade. A fase emergencial atingiria 18 hectares, menos de 1% dos 2 mil hectares de baixadas de Belém, ao longo do igarapé São Joaquim, remanejando do local 500 famílias para uma vila temporária às proximidades.

Fonte: Arquivo Pessoal, 07/05/1976

Origem de Rio Maria

A cidade de Rio Maria, no sul do Pará, foi criada a partir de uma invasão de terra, em 1972, quando ainda pertencia ao município de Conceição do Araguaia. O primeiro loteamento urbano foi realizado pela Madeireira Maginco, logo depois da abertura da rodovia PA-150, ligando a região a Belém.

O número de lotes, porém, foi insuficiente para todos os que se mudaram para a área, atraídos pela presença de mogno em grande quantidade e pela descoberta de ouro. Começou então a invasão das terras situadas em frente ao loteamento. Em 1982, Rio Maria se tornou município. Em 1980, passou a ser sede de comarca, ganhando independência judiciária.

FONTE: Jornal do Brasil (Rio de Janeiro/RJ), 12/03/1991