Desperdício de madeira

O processo de ocupação da Amazônia, com a implantação de projetos agrícolas, pecuários, minerais, hidrelétricas e estradas, foi responsável pela remoção de 1,6 milhão de hectares de cobertura vegetal entre 1975 e 1978 e por 2,6 milhões de hectares entre 1978 e 1980.

Esses dados foram apresentados em abril de 1985 pela Associação das Indústrias Exportadoras de Madeira do Baixo Amazonas, com base em levantamento realizado pelo IBDF e a Sudam a partir de imagens do satélite Landsat.

Nesse documento, a Aibam deplorava a perda anual de 200 milhões de metros cúbicos de madeira, com diâmetro superior a 60 centímetros, “devoradas pelo fogo”, madeiras “cujas toras representariam, se aproveitadas, um valor de mercado internacional correspondente a 8 milhões de hectares”.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 01-05-1985

Parauapebas contaminado

Em novembro de 1986, o Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da Secretaria de Planejamento, Ciência e Tecnologia da Bahia realizou uma análise físico-química das águas do rio Parauapebas, um afluente do Itacaiúnas, na Serra dos Carajás, no Pará, a pedido da Companhia Vale do Rio Doce.

Constatou a ocorrência mínima variável de três miligramas de mercúrio por cada litro de água, quando a legislação brasileira estabelece o limite de duas miligramas. A análise dos peixes coletados revelou índices de mercúrio de 0,02 partes por milhão nos músculos e 0.09 p.p.m. em suas vísceras.

Fonte: Correio do Tocantins (PA), 19-09-1987

Reserva de Caxiuanã

Em outubro de 1990, o governo inglês assinou um convênio com o governo brasileiro, concedendo 2,7 milhões de dólares para apoiar a implantação da estação de pesquisas de Caxiuanã, no Pará, pertencente ao Museu Paraense Emílio Goeldi, de Belém, destinada ao estudo de ecossistemas da Amazônia.

O projeto fazia parte de uma lista de nove projetos identificados em 1989 pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC) e a Overseas Development Agency (ODA). Em 1989, o governo inglês concedeu US$ 3,5 milhões para a observação do clima amazônico, projeto a cargo do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), de São Paulo.

Fonte : Gazeta Mercantil (SP), 09-11-1990

Crescimento da população no Pará

Jacundá e Tucuruí foram os municípios que mais cresceram no Pará entre as décadas de 1970 e 1980. Jacundá tinha uma população de 2.225 habitantes em 1970. Em 1980 passou para 14.997, com taxa de crescimento de 20,93% ao ano. Tucuruí passou de 9.936 habitantes em 1970 para 61.319 em 1980, com 19,96% de taxa média anual. Os dois únicos municípios que registraram decréscimo populacional nesse período foram Chaves (menos 2,95%) e Santa Cruz do Arari (menos 1,06%), na ilha de Marajó.
Fonte: O Liberal (Belém), 19-03-1992

Pepsi em Belém

O “refrigerante da amizade”, concorrente mundial da Coca-Cola a partir do quartel-general nos Estados Unidos, a Pepsi-Cola, chegou a Belém no dia 9 de setembro de 1958, depois de se instalar em apenas outras cinco cidades brasileiras até então. (Manaus, Recife, Porto Alegre, Pelotas e Belo Horizonte). Na capital dos paraenses, o refrigerante seria engarrafado e distribuído por Produtos Vitória, com sua fábrica instalada na então distante avenida Almirante Barroso 1885, em meio a uma das maiores campanhas de publicidade já realizadas.

Os fabricantes manifestavam a convicção de que o consumidor de Belém  iria adorar o novo produto, “por sua alta qualidade, por seu sabor inigualável, por sua pureza e integridade”. Depois do “grande lançamento”, cujo sucesso “superou a expectativa”,  a Vitória prometia que a Pepsi servida aos paraenses continuaria a ser “o mesmo delicioso refrigerante, inalterável, puríssimo, saudável, refrescante”.

(Arquivo Pessoal, 1958)

Ver-o-Peso

No início de 1972, no mercado do Ver-o-Peso, em Belém, ainda estavam de pé os clippers, terminais de ônibus e pontos de venda. Eles atravancavam o trânsito e se tornaram lugares anti-higiênicos pelo mau uso. Mas certamente teria sido melhor que fossem mantidos, desde que submetidos a nova regulamentação. Eram um elemento de época, de que davam testemunho suas linhas arquitetônicas. O maior problema não eram essas construções, mas o caótico transporte coletivo, ontem e hoje.

(Arquivo Pessoal, 1972)

As cidades incham

Em 1992, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apresentou os primeiros mapas demográficos e econômicos da Amazônia, que serviriam para compor o diagnóstico ambiental da região, primeira etapa do seu zoneamento ecológico-econômico, coordenado pela Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos.

Os pesquisadores, utilizando dados dos censos, constataram um acentuado incremento na população dos centros urbanos da Amazônia durante a década anterior. Essa urbanização seria resultante do poder de atração dos garimpos e da expulsão dos habitantes rurais de suas antigas áreas de colonização, ocupadas por um número mais concentrado de proprietários.

O crescimento desordenado das periferias das cidades estava criando sérios problemas devido à inexistência de infraestrutura de saneamento e pelo alastramento de doenças como a malária, que em 10 anos havia aumentado 841% em Mato Grosso, e a leishmaniose (que se manifesta através de feridas na pele do doente), que crescera 7.519% na área do Maranhão que faz parte da Amazônia Legal.

No aspecto demográfico, a pesquisa do IBGE destaca dados como a evolução populacional de 63,4% de Manaus entre 1980 e 1991. Nesse mesmo período, Parauapebas e Paragominas, ambas no Pará, cresceram 518% e 153%, respectivamente, por causa do poder de atração de Carajás, a grande província mineral no sul do Estado.

Fonte: Gazeta Mercantil (São Paulo/SP), 14/05/1992