Carvão no Amazonas

A existência de carvão no oeste do Estado do Amazonas, no vale do rio Solimões, é conhecida desde o século XIX, mas só em 1966 foi realizada uma pesquisa preliminar no local. Com as imagens de radar produzidas pelo Projeto Radam (Radar da Amazônia), no início da década de 1970, foi executada uma análise mais detalhada das ocorrências.

Mesmo sem chegar a uma cubagem, que definiria a jazida, os técnicos já dispunham de uma estimativa, levantada entre 1956 e 1962, de que na área poderia haver 2,2 trilhões de toneladas de linhito, uma espécie de carvão de uso para fins energéticos. Conseguiram, pela primeira vez, dividir e individualizar três unidades geológicas dentro do conjunto de rochas terciários do Alto Amazonas. O linhito podia ocupar uma área superior a 300 mil quilômetros quadrados, o que a credenciaria a ser a maior jazida desse minério do mundo.

Fonte: O Estado de S. Paulo (São Paulo/SP), 20/02/1974

Urânio em Mato Grosso

Uma equipe do Projeto Radam (Radar da Amazônia) localizou uma ocorrência de minério de titânio no município de Aripuanã, no norte de Mato Grosso, às proximidades da cidade científica Humboldt, implantada pela Universidade Federal de Mato Grosso. Mesmo sem uma avaliação do volume de minério existente na ocorrência, a descoberta foi considerada importante pelo teor registrado, variando entre 46% e 50%, “um dos mais elevados do mundo”, segundo os técnicos do Radam. Eles também detectaram no local a presença de “terras raras”, composição geológica favorável à presença de minérios. O Brasil importava então grande quantidade de urânio, utilizado principalmente na pigmentação de tintas e na indústria metalúrgica.

Fonte: Jornal do Brasil (Rio de Janeiro/RJ), 02/08/1974

Sarney revoga reserva indígena

No final de seu governo, em fevereiro de 1990, o presidente José Sarney assinou o decreto 98.894, revogando o decreto anterior, de 1985, que criou a área indígena Uru-Eu-Wau-Wau, em Rondônia. Essa reserva foi a primeira área de índios arredios demarcada pela Funai e a única também considerada reserva ambiental. Dos seus 18 mil quilômetros quadrados, onde viviam 1,2 mil índios, 7,5 mil km2 integravam o Parque Nacional de Paccas Novas.

O decreto do presidente, embora preservando o parque ecológico, determinou o “reestudo dos limites” da área indígena, cuja definição provocara polêmicas por causa de interesses econômicos sobre a cassiterita e a madeira existente dentro de seus limites.

A medida também causou apreensão entre os envolvidos no projeto de Manejo dos Recursos Naturais de Rondônia, a versão final de um plano até então conhecido como Panafloro, que começara a ser discutido em 1986. Ele visava reorientar a ocupação do Estado.

Promovida de forma desordenada, em 20 anos ela provocara a destruição de 42 mil km2 de florestas (17% de toda a extensão de Rondônia) e inchou a periferia de Porto Velho com favelas habitadas por ex-colonos.

Fonte: Folha de S. Paulo (São Paulo/SP), 09/02/1990

O IAN e a pesquisa agronômica

Em julho de 1954, nove anos depois que o governo brasileiro adquiriu a grande área no vale do Tapajós, no Pará, na qual a Ford pretendia implantar um plantio industrial de seringueiras, o diretor do Serviço Nacional de Pesquisas Agronômicas, Felisberto Camargo, fez um balanço do que estava sendo feito em toda a área, com mais de 1,2 milhão de hectares.

Ele apresentou um relato das pesquisas e experimentos conduzidos pelo Instituto Agronômico do Norte (IAN), que dirigira até um pouco antes. Destacou a introdução de três mil cabeças de gado importado, sendo mil de gado branco (Nelore e Jersey) e duas mil de búfalos do Oriente, entre os quais o Redshind, do Paquistão, que Camargo acreditava que iria provocar “uma verdadeira revolução na pecuária de leite no Brasil”.

Garantiu que nas antigas concessões da Ford havia então um milhão de pés de seringueira em condições de sangramento, mas que apenas metade delas haviam sido cortadas em 1953, por falta de mão de obra, “que é o problema geral da Amazônia”.

Referiu-se ao experimento de desviar e provocar a sedimentação dos nutrientes carregados pelo rio Amazonas, a “colmatagem”, numa estação em funcionamento no Baixo Amazonas, no Maicuru. Assegurou que cinco mil toneladas de húmus haviam sido depositadas nos campos dessa região, através de canais artificialmente criados para desviar as águas do rio.

Nesses novos campos seria possível criar gado, desenvolver plantios perenes (como seringueira e dendê) e cultivos alimentares intensivos, como arroz, feijão e soja.

Informou ainda que no estuário do rio Amazonas, na foz do rio Guamá, o IAN estava conseguido obter quatro toneladas por hectare de arroz irrigado, quando a média nacional era de 1,5 hectares. Esses resultados permitiriam à Amazônia “vir a ser dentro de algum tempo o maior centro exportador de arroz de todo o Brasil”.

O IAN também estava dando apoio ao cultivo de juta, fornecendo 100 toneladas de semente, com as quais asseguraria a produção regional, de 40 mil toneladas anuais, suficiente para suprir de fibra a indústria nacional de fiação e tecelagem.

Fonte: Folha do Norte (Belém/PA), 28/07/1954

Pesquisador confirma uso do agente laranja

O antigo Instituto de Pesquisa e Experimentação Agropecuária do Norte (Ipean, depois Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) foi o único órgão oficial a admitir, em fevereiro de 1976, o uso do “agente laranja” no Pará. A aplicação ocorreu entre 1971 e o início de 1974, nas plantações experimentais de seringueiras da Pirelli e da Good-Year, próximas a Belém.

Quem comandou a experiência foi o agrônomo Vicente Moraes, que admitiu o uso no final de 1973. Em 1974, a aplicação do “agente laranja” foi suspensa e Moraes se transferiu para o Centro de Pesquisas da Seringueira, em Manaus, que passou a dirigir. Ele considerou excelentes os resultados da experiência.

O produto permitiu a queda e renovação da seringueira, reduzindo ao mínimo o uso de fungicidas. Ele desfolha sem matar a planta, atuando eficientemente no combate às doenças que afetam a árvore, atestou o pesquisador. Mas Moraes foi criticado por conduzir a experiência numa área habitada, pensando apenas nas plantas e esquecendo os efeitos negativos sobre as pessoas.

Fonte: Arquivo Pessoal, 02/1976

Financiamento do Sivam

Para executar o Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia), o governo federal contraiu empréstimo de 1,4 bilhão de dólares, assim constituído: US$ 1 bilhão do Eximbank dos Estados Unidos; US$ 250 milhões da Raytheon; US$ 100 milhões do banco sueco EKN e US$ 50 milhões do Sivam Vendors Trust, consórcio formado por grupos de fornecedores.

Fonte: Jornal do Brasil (Rio de Janeiro/RJ), 26/04/1995

Disputa pelo Sivam

O vice-presidente da empresa norte-americana Raytheon, James Carter, admitiu, ao depor na Câmara dos Deputados, em Brasília, no final de abril de 1995, que a concorrência para a escolha da empresa encarregada de executar o projeto Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia), que acabou sendo a própria Raytheon, pode ter tido conexão com uma concorrência realizada simultaneamente nos Estados Unidos, o Joint Primary Aircraft Training System (Jpats).

Através desse projeto, a Embraer, privatizada pouco tempo antes, podia fornecer 712 aviões Tucano de treinamento, o mais vendido aparelho do seu gênero em todo o mundo. A compra americana seria no valor de 4 bilhões de dólares.

O dirigente da Raytheon admitiu, em seu depoimento, que a empresa francesa Thomson, concorrente da Raytheon na disputa pelo Sivam, podia fornecer um sistema de radar, o OTH (Over the Horizon Radar), que era US$ 600 milhões mais barato, conforme informação fornecida aos parlamentares pelo executivo da Thomson, Daniel Hener.

Mas explicou que o OTH só permitia rastrear o tráfego aéreo comum, enquanto o objetivo do Sivam era também fiscalizar voos clandestinos, para o qual o sistema francês não era indicado. O Sivam tinha um custo equivalente a US$ 1,4 bilhão.

Fonte: O Estado de S. Paulo (São Paulo/SP), 30/04/1995