A ciência vê a Amazônia

No final de 1998 foi iniciado o projeto internacional LBA (Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia), com a participação de mais de 200 cientistas, sob a liderança do Brasil, e orçamento de 80 milhões de dólares.

A proposta do programa era tentar entender como a Amazônia funciona em termos climáticos, ecológicos, biogeoquímicos e hidrológicos, e sua influência no clima global do planeta.

Também procuraria entender como as mudanças nos usos da terra (desmatamento e queimada) e do clima (efeito estufa) na região afetam esse funcionamento, e quais as implicações dessas mudanças para a sustentabilidade biológica, química e física da Amazônia.

Doze áreas foram selecionadas na região para pesquisas contínuas,que ajudarão a entender a forma através da qual se processa a interação da vegetação com a atmosfera e a influência desse processo nas mudanças climáticas.

A rede de experimentos do LBA foi distribuída ao longo de duas seções principais, atravessando regiões com diferentes tipos de vegetação, clima e estágios de exploração pelo homem.

A primeira transseção abrange o noroeste da Amazônia, passando por Manaus e Santarém e terminando na região do cerrado, em torno de Brasília. A segunda transseção incluiu o oeste da Amazônia, próximo ao Peru, seguindo por Rondônia até o norte de Mato Grosso.

A primeira pesquisa de campo ocorreu entre janeiro e março de 1999, na região de Ji-Paraná, em Rondônia. Para as pesquisas de campo são usados equipamentos instalados no solo e no alto de torres instrumentadas, 15 metros acima da copa das árvores. Pesquisas de maior abrangência contam com o suporte de aviões-laboratório, balões, sondas e satélites.

(Gazeta Mercantil, São Paulo/SP, 11/10/1999)

A proteção da Amazônia

O Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia) foi criado para servir de suporte ao Sipam (Sistema de Proteção da Amazônia), atuando sobre uma área que corresponde a 61% do território brasileiro e onde está localizada 30% da biodiversidade do planeta.

O projeto direcionará informações para os Centros Regionais de Vigilância (CRVs), instalados em Belém, Manaus e Porto Velho, através de satélites e aviões de vigilância e de sensoriamento remoto; estações, radares e satélites meteorológicos; plataformas de coletas de dados; radares fixos e transportáveis; usuários remotos; estações de recepção terrenas; estações meteorológicas de altitude; sensores de monitoração de comunicações e centros integrados de defesa aérea e controle de tráfego aéreo.

O sistema disporá de 940 terminais usuários, com instalação concluída em junho de 2002. Microcomputadores, faxes, terminais eletrônicos, estação terrena de pequeno porte e painéis solares possibilitarão um planejamento coordenado das ações. O principal objetivo é promover a integração dos Estados, municípios e órgãos do governo federal.

O primeiro radar do sistema foi instalado em Jaraeacanga, no Pará, em março de 1999. As demais unidades foram previstas para Santarém, São Félix do Xingu, Belém, Tiriós, Cachimbo e Conceição do Araguaia. As cinco aeronaves de vigilância R99-A monitorarão o tráfego aéreo, mesmo se os aparelhos visados voarem a baixa altitude.

Os três aviões de sensoriamento remoto irão gerar informações sobre as características do solo e de movimentos de superfície. Um Grand Caravan R-98 produzirá informações das características de superfície e sobre incêndios florestais. Quatro aeronaves do mesmo modelo farão o transporte de equipes de manutenção e de apoio logístico.

(O Liberal, Belém/PA, 26/06/2000)

Uso da biodiversidade

Em 30 de maio de 2000 a Associação Brasileira para o Uso Sustentável da Biodiversidade da Amazônia (Bioamazônia) assinou com a empresa Novartis Pharma AG, com sede na Suíça, um acordo que dava a essa multinacional a exclusividade sobre o uso do material genético coletado na região amazônica.

Pelo acordo, previsto para durar três anos, movimentando quatro milhões de dólares, a Novartis investiria em pesquisas científicas e no desenvolvimento de tecnologias e produtos “com base no uso sustentável da biodiversidade da Amazônia”.

A Bioamazônoia foi qualificada pelo governo federal para participar da implementação do Programa Brasileiro de Ecologia Molecular para o Uso Sustentável da Biodiversidade da Amazônia (Probem), destinado a desenvolver a bioindústria do país.

(O Liberal, Belém/PA, 26/06/2000)

A FAO na Amazônia

A FAO (Organização Mundial para a Agricultura e Alimentação, órgão da ONU com sede em Roma, na Itália) começou a atuar em pesquisas florestais na Amazônia em 1956, na região de Santarém, no Pará, estendendo seu raio de ação até Curuá-Una, dois anos depois. Montou uma serraria modelo e realizou experimentos, juntamente com a SPVEA (Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia).

Em julho de 1971 a FAO assinou um convênio com o governo brasileiro para ampliar e dar prioridade aos estudos que realizou desde então, em parceria com o IBDF (Instituto Brasileiro do Desenvolvimento Florestal).

O convênio teria a duração de cinco anos, dividido em duas etapas. A cooperação visava uma ampla ação, desde o plano da pesquisa e do manejo até a introdução de novas tecnologias e identificação de mercado.

(Folha do Norte, Belém/PA, 18/07/1971)

 

O ensino agrícola

Foi realizada em Belém, no Pará, em maio de 1971, a Iª Reunião Internacional de Reitores das Universidades e Decanos das Universidades e das Escolas de Agronomia do Trópico Americano. Participaram do encontro 14 universidades, escolas e faculdades de agronomia de seus países latino-americanos. A reunião foi promovida pela OEA (Organização dos Estados Americanos), através do IICA (Instituto Interamericano de Ciências Agrícolas).

(Folha Vespertina, Belém/PA, 24/05/1971)

Belo Monte: a licença ambiental

Em maio de 2001 o juiz Rubens Rollo d’Oliveira, da 3ª vara da justiça federal no Pará, acolheu liminarmente ação civil pública proposta pela Procuradoria Regional da República, suspendendo a execução do EIA/Rima (Estudo de Impacto Ambiental/Relatório de Impacto Ambiental) da hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, no Pará.

O MPF alegou irregularidade na contratação, sem licitação pública, da Fadesp, a fundação de pesquisa da Universidade Federal do Pará, uma entidade de direito privado e sem credenciais que pudessem enquadrá-la no caso de inexigibilidade de concorrência.

O MP argumentou também que a obra precisava ser previamente autorizada pelo Congresso Nacional e seu licenciamento ambiental ser processado pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), porque o Xingu, atravessando os territórios de dois Estados (Mato Grosso e Pará), estar sob jurisdição federal. O EIA-Rima foi apresentado à Sectam, a secretaria de meio ambiente do Pará.

A Eletronorte recorreu da decisão de primeira instância, conseguindo suspendê-la. O MP também apelou. A liminar foi restabelecida, em setembro de 2001, pelo juiz Alexandre Machado Vasconcelos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, que manteve a suspensão do EIA/Rima.

O projeto da hidrelétrica de Belo Monte foi elaborado pela Eletronorte. A usina deverá produzir mais de 11 mil megawatts, tornando-se a segunda maior do país, depois de Itaipu. Seu reservatório deveria ter 1.200 quilômetros quadrados, mas a área foi reduzida para 400 mil km2 com a versão final. A energia produzida no Xingu deverá ser transferida para o sul do país.

(Gazeta Mercantil Pará, Belém/PA, 04/09/2001)

Agenda positiva para a Amazônia

Em julho de 2000, representantes do governo e da sociedade civil apresentaram o texto de uma agenda positiva para a Amazônia. O documento tomou como base 37 itens das agendas estaduais e estudos elaborados por pesquisadores da região.  Foram selecionadas 10 prioridades para cada Estado amazônico e diretrizes para toda a região.

As prioridades foram o zoneamento ecológico-econômico, que deveria ser concluído em 2003, no âmbito do Plano Plurianual (PPA) do governo federal e ter atualização permanente; a adoção de regulamentos para a pesca, e a criação de uma política para o setor fundiário. A agenda destacou ainda o extrativismo, a infraestrutura e a geração de emprego e renda, subdividida entre os setores de agropecuária e produção florestal.

A secretário da Amazônia Legal do Ministério do Meio Ambiente, Mary Allegretti, coordenou o encontro de técnicos e pesquisadores que elaborou a agenda positiva.

(Gazeta Mercantil, São Paulo/SP, 04/07/2000)