Diagnóstico ambiental da Amazônia

Em junho de 1993, foi apresentado, pela primeira vez ao público, o documento preliminar do Diagnóstico Ambiental da Amazônia Legal, elaborado através de convênio pelo IBGE para a Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. O diagnóstico era uma das etapas do Zoneamento Ecológico e Econômico.

A apresentação foi no auditório da Sudam, em Belém, mas apenas dois governadores da região compareceram. O diagnóstico, o primeiro previsto para as regiões brasileiras, apresentou um retrato inédito da Amazônia. Ele identificou, entre outros itens, a dinâmica de funcionamento e a evolução das paisagens estudadas para determinar a capacidade e a vulnerabilidade de sustentação física do sistema natural com a intervenção do homem.

Fonte: A Província do Pará (Belém/PA), 19-06-1993

Vigilância da Amazônia

Em junho de 1993, o almirante Mário Cesar Flores, ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos, fez uma exposição para o presidente Itamar Franco e mais 14 ministros, mostrando a conveniência da adoção de um sistema de vigilância para a Amazônia. O encontro foi realizado no auditório do subsolo do Palácio do Planalto, em Brasília, para permitir a exibição de slides em um telão mostrando a situação da Amazônia.

Segundo nota oficial divulgada pela Presidência da República, o encontro teve o propósito de “apresentar a concepção técnica de um sistema de vigilância para a Amazônia”, composto por sensores (radares, monitoramento por satélite), comunicações e processamento de dados. O novo sistema teria a finalidade de inibir a prática de ilícitos, aumentar o controle das fronteiras e a segurança do tráfego aéreo e fluvial.

Fonte: Diário do Pará (Belém/PA), 13-06-1993

Criada Mamirauá

Em 1990, o governo do Amazonas criou a Estação Ecológica do Lago Mamirauá (peixe-boi na língua tupi), com área de 1,2 milhão de hectares, equivalente a um quarto do território da Irlanda. Seria a maior reserva de floresta inundada do mundo, já que passa quase a metade do ano coberta ou semicoberta pelas águas da chuva e dos rios que a banham. A água chega a subir 12 metros, transformando todo o solo em viveiro para diversas espécies de peixes, fazendo esse ecossistema abrigar muitas espécies animais e vegetais.

Fonte: Jornal do Brasil (Rio de Janeiro/RJ), 01-05-1991

Inpe começa a combater queimadas

No final de junho de 1989, o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), de São José dos Campos, em São Paulo, deu início ao Programa de Combate às Queimadas no Brasil, atuando principalmente na Amazônia.

Através do programa, o Inpe passou a poder acionar o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) três horas após os satélites norte-americanos da série NOAA passarem sobre a região e fotografarem um princípio de incêndio.

A informação sai diretamente de Cachoeira Paulista, no Vale do Paraíba, onde o Inpe mantém uma estação que capta imagens de satélite, para a regional do Ibama mais próxima da queimada. A informação é retransmitida pelo Sistema Ciranda, da Embratel, que interliga computadores através de linhas telefônicas.

Os dados do Inpe passa riam a servir para o governo federal tentar impedir as queimas irregulares, não autorizadas por não disporem do Rima (Relatório de Impacto Ambiental). A vigilância de satélites é feita em quase todo o território brasileiro abaixo da linha do Equador, já que acima a estação de Cachoeira não capta mais imagens de satélite.

Fonte: O Estado de S. Paulo (S. Paulo/SP), 21-06-1989

A maior queimada

Um mês antes da conclusão do trabalho, o pesquisador Alberto Setzer divulgou alguns dados do levantamento sobre desmatamento na Amazônia que o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) realizou com base em imagens de satélite.

Setzer aproveitou sua palestra na I Semana de Meteorologia, em Belém, em março de 1988, para revelar que as queimadas praticadas em 1987 na Amazônia resultaram da destruição de 200 mil quilômetros quadrados de floresta, área superior à extensão territorial do Acre.

Durante os cerca de 80 dias que constituem o período de queimadas na região, foram jogadas na atmosfera aproximadamente cinco milhões de toneladas de monóxido de carbono, uma quantidade de gases 100 vezes maior do que a expelida pelo vulcão El Chinchon, no México, numa das maiores erupções vulcânicas de todos os tempos. A terrível poluição atmosférica que atinge São Paulo resulta do despejo diário de oito mil toneladas de monóxido de carbono.

Interpretando as fotos do satélite interpolar NOAA, os técnicos do Inpe chegaram à conclusão de que a Amazônia perdeu 4,7% da sua cobertura vegetal em 1987. O desmatamento maior foi em Rondônia, que perdeu 18,7% de suas matas. Em algumas fotos, Setzer chegou a detectar oito mil pontos de queimadas ocorrendo simultaneamente.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 26-03-1988

Estação Mamirauá

Em 1990, o governo do Amazonas criou a Estação Ecológica do Lago Mamirauá (peixe-boi na língua tupi), com área de 1,2 milhão de hectares, equivalente a um quarto do território da Irlanda. Seria a maior reserva de floresta inundada do mundo, já que passa quase a metade do ano coberta ou semicoberta pelas águas da chuva e dos rios que a banham. A água chega a subir 12 metros, transformando todo o solo em viveiro para diversas espécies de peixe, fazendo esse ecossistema abrigar muitas espécies animais e vegetais.

Fonte: Jornal do Brasil, (Rio de Janeiro/RJ), 01-05-1991

Viroses da Amazônia

Até 1989, o Instituto Evandro Chagas, de Belém, já havia isolado 160 tipos diferentes de arbovirus, transmissores de doenças que se encontram nos insetos e animais silvestres. Dois terços desses arbovirus foram isolados no Pará pela primeira vez. Trinta deles foram comprovados como causadores de doenças, mas somente quatro tinham a capacidade de ocasionar grandes epidemias.

O primeiro vírus a ser isolado foi o da febre amarela, em 1954. O último caso de epidemia de febre amarela registrada até então na Amazônia ocorrera em 1984, com 31 casos e 12 mortes. A mais perigosa das viroses desde então identificada foi a da dengue.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 21-07-1989

Sem efeito estufa

No início de 1989, o ministério das Relações Exteriores do Brasil criou a Divisão de Assuntos Humanitários e Meio Ambiente, como resposta às pressões internacionais sobre o governo em relação à Amazônia. A primeira tarefa da nova divisão foi preparar um relatório “técnico-científico” negando a tese do “efeito estufa”, segundo a qual as queimadas da Amazônia estariam entre os fatores que provocam alterações na temperatura do planeta.

Outro objetivo seria consolidar o direito dos brasileiros de acesso tanto às fontes de financiamento internacional, como aos recursos e riquezas de uma parte de seu território.

Fonte: Folha de S. Paulo (São Paulo/SP), 21-02-1989

Sedimentação do rio Amazonas

O processo de sedimentação e erosão do rio Amazonas provocou um fenômeno natural observado em Santarém, no Pará. Em 1967, a 1.200 metros da cidade, havia um canal de navegação que, medido pela Marinha nesse mesmo ano, tinha 53 metros de profundidade. Cinco anos depois, a profundidade se havia reduzido para apenas 22 metros.

Em 1977, no lugar do canal, que permitia a passagem de grandes navios, formou-se uma praia, a princípio ainda submersa, que começou a provocar encalhes. O principal deles foi o do petroleiro Liliana, que ficou retido vários dias até ser liberado. Em 1978 a praia emergiu.

Em 1985, ainda sem nome, ela já abrigava seu primeiro morador e estava coberta de vegetação. Duas outras ilhas, a Caquetá e a Urucurituba, também situadas na margem esquerda do Amazonas, desapareceram nesse período, formando-se um canal de navegação no local. A Ponta Negra, outra ilha, a maior, cresceu mais ainda no mesmo período.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 10-02-1985

Contaminação por mercúrio

Técnicos da Fundação Oswaldo Cruz e da Secretaria de Saúde do Pará, em pesquisa para o Departamento Nacional da Produção Mineral, analisaram 24 amostras de cabelos de pessoas, 16 de garimpeiros e 8 de índios kayapó. Atestaram que 31% das amostras continham teores de mercúrio acima do tolerável, que é de 6 ppm (partes por milhão) no organismo humano.

Nos índios esse índice ficou em 25%. Na região do Gurupi, ainda no Pará, em 11 amostras colhidas entre os garimpeiros de Cachoeira, foi verificada uma média de 11,49 ppm, mas cinco dos garimpeiros chegaram a apresentar teores na faixa de 6 a 50 ppm.

Em exames de urina e de sangue feitos em garimpeiros, moradores e queimadores de amálgama no Tapajós, nos últimos o teor chegou a ser de 0,227 ppm, quando o tolerável nesse caso é de apenas 0,02 ppm. Em Serra Pelada foram coletadas apenas duas amostras: em um garimpeiro o índice foi de 9,25 ppm e em um funcionário da Caixa Econômica Federal foi de 2,9 ppm.

Fonte : O Liberal (Belém), 06-09-1988