Projeto Brasil-Inglaterra

Em julho de 1990, a Inglaterra abriu um crédito de 4,5 milhões de dólares para financiar, através de acordo bilateral, projetos brasileiros de estudo e preservação do meio ambiente.

O primeiro desses projetos envolveria o Instituto de Hidrologia de Oxford, o Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena), o Instituto de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e as universidades federais do Pará, Acre e Rondônia.

Seriam criadas quatro estações experimentais em regiões desmatadas e intactas da Amazônia. Os cientistas participantes do projeto montariam torres de observação para a coleta de dados sobre o clima e o estudo efetivo do desmatamento.

O projeto teria duração de cinco anos, cabendo à Inglaterra fornecer treinamentos, serviços profissionais de consultores e especialistas e equipamentos. O Brasil entraria com a mão de obra, pessoal qualificado, instalações e equipamentos.

(O Estado de S. Paulo, São Paulo/SP, 05/07/1990)

Minério em Rondônia

Em 1955, a Unesco, órgão das Nações Unidas, colocou à disposição do governo do então território federal do Guaporé (hoje, Estado de Rondônia) o geólogo indiano Calamur Mahadevan, encarregando-o de fazer um levantamento da potencialidade mineral da região.

Ao final da sua primeira campanha de pesquisas, o geólogo destacou a variada riqueza mineral do território, especialmente em minérios radioativos. Submetendo amostras coletadas às margens do rio Gi-Paraná ao contador Geiser, o técnico constatou a presença nas rochas de zircônio, tungstênio e monazita.

Registrou também ocorrências ao longo do rio Madeira. Nessa época já havia sido detectada a presença de cassiterita, o minério do estanho, em todo Guaporé.

(Folha do Norte, Belém/PA, 01/11/1955)

O desmatamento e o efeito estufa

Levantamento realizado pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), de São José dos Campos, São Paulo, divulgado em 1990, revelou que o desmatamento na Amazônia contribui com 254 milhões de toneladas por ano para as emissões globais de carbono na atmosfera, representando 3,7% do total.

Os quatro países que mais poluem a atmosfera são os Estados Unidos, a antiga União Soviética, China e Japão, responsáveis por 60% das emissões que provocam o efeito estufa. O desmatamento na Amazônia, ainda segundo o Inpe, atingia então a média anual de 22 mil quilômetros quadrados. Para reflorestar a região, à razão de mil dólares por hectare, seria preciso investir 2 bilhões de dólares anuais.

(Gazeta Mercantil, São Paulo/SP, 11/07/1990)

Cooperação Brasil-Japão

Os governos do Brasil e do Japão assinaram, em junho de 1990, um acordo de cooperação técnica para intensificar as atividades de pesquisa de recursos da flora e culturas específicas na região tropical úmida da Amazônia brasileira.

O acordo duraria até junho de 1995. Nesse período, o governo japonês investiria seis milhões de dólares, com doação de equipamentos e deslocamento de sete peritos. A execução do acordo no Brasil ficaria por conta do Centro de Pesquisa Agropecuária do Trópico Úmido da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária).

(O Liberal, Belém/PA, 01/07/1990)

Biopirataria com aranhas

Keila Cristina Gonçalves Marinho foi detida pela Polícia Federal ao desembarcar no aeroporto de Recife, em novembro de 1999. Ela conduzia 130 aranhas caranguejeiras vuvas em sua bagagem de mão. Os animais foram adquiridos em Santarém, no Pará, onde ela embarcou. O veneno das aranhas é usado pela indústria farmacêutica na produção de soros.

Esse interesse explicaria o envolvimento do suíço Hans Rechsteiner, que, segundo Cristina, pagou quatro reais por cada aranha e lhe daria R$ 15 por animal se ela levasse a encomenda até Laufenfingen, na Suíça, onde ele lhe disse que mora.

A PF pernambucana decidiu deter logo a mulher por temer que ela fugisse e expor os animais ao risco de morte ou extravio. Mas com isso não pôde caracterizar o crime de contrabando. Depois de ser autuada por técnicos do Ibama em R$ 45 mil pelo delito de transporte não-autorizado de aranhas e pagar fiança, Keila Cristina foi liberada e pôde seguir viagem para Zurique. Os insetos foram doados ao Departamento de Zoologia da Universidade Federal de Pernambuco.

(Diário do Pará, Belém/PA, 09/11/1999)

A origem do mercúrio

O Museu Paraense Emílio Goeldi e o Instituto Evandro Chagas, ambos sediados em Belém, no Pará, iniciaram em 1999 uma pesquisa sobre o “Fluxo e Comportamento Biogeoquímico do Mercúrio nos Ecossistemas de Terra Firme e Várzea na Amazônia”.

O projeto foi criado devido a ocorrências de mercúrio nos Estados do Pará, Amapá e Acre, em áreas até então intactas e onde não havia nenhum indício de atividade garimpeira.

A pesquisa, tomando como parâmetro o caso de contaminação da baía de Minamata, no Japão, e os conhecimentos adquiridos em intercâmbio com a Jica, a agência japonesa de cooperação internacional, partiu de duas hipóteses explicativas: o metal pode ter surgido das mudanças causadas na região por queimadas e desmatamentos, ou de poluição de origem atmosférica, sendo trazido dos garimpos mais próximos pela ação dos ventos e precipitação de chuvas.

(O Liberal, Belém/PA, 11/11/1999)

A ciência vê a Amazônia

No final de 1998 foi iniciado o projeto internacional LBA (Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia), com a participação de mais de 200 cientistas, sob a liderança do Brasil, e orçamento de 80 milhões de dólares.

A proposta do programa era tentar entender como a Amazônia funciona em termos climáticos, ecológicos, biogeoquímicos e hidrológicos, e sua influência no clima global do planeta.

Também procuraria entender como as mudanças nos usos da terra (desmatamento e queimada) e do clima (efeito estufa) na região afetam esse funcionamento, e quais as implicações dessas mudanças para a sustentabilidade biológica, química e física da Amazônia.

Doze áreas foram selecionadas na região para pesquisas contínuas,que ajudarão a entender a forma através da qual se processa a interação da vegetação com a atmosfera e a influência desse processo nas mudanças climáticas.

A rede de experimentos do LBA foi distribuída ao longo de duas seções principais, atravessando regiões com diferentes tipos de vegetação, clima e estágios de exploração pelo homem.

A primeira transseção abrange o noroeste da Amazônia, passando por Manaus e Santarém e terminando na região do cerrado, em torno de Brasília. A segunda transseção incluiu o oeste da Amazônia, próximo ao Peru, seguindo por Rondônia até o norte de Mato Grosso.

A primeira pesquisa de campo ocorreu entre janeiro e março de 1999, na região de Ji-Paraná, em Rondônia. Para as pesquisas de campo são usados equipamentos instalados no solo e no alto de torres instrumentadas, 15 metros acima da copa das árvores. Pesquisas de maior abrangência contam com o suporte de aviões-laboratório, balões, sondas e satélites.

(Gazeta Mercantil, São Paulo/SP, 11/10/1999)