Açúcar na Transamazônica

Em 1974 começou a funcionar a usina de açúcar Abraham Lincoln, construída no quilômetro 92 da rodovia Transamazônica, que se localizava então no município de Altamira, no Pará (hoje, em Medicilândia). A usina foi levantada em tempo recorde, de 12 meses, pela empresa paulista Zanini S/A e custou 45 milhões de cruzeiros da época. Foi inaugurada pelo então ministro da agricultura, Alysson Paulinelli.

Sua capacidade de produção, de 500 mil sacas de açúcar e 3,5 milhões de litros de álcool, deveria ser atingida plenamente em três ou quatro anos. Garantiria um terço de todo o abastecimento da Amazônia, que necessitava de 1,5 milhão de sacas/ano, importadas principalmente do Nordeste.

A usina, ocupando área de 9.750 metros quadrados, empregaria diretamente 120 pessoas e, indiretamente, outras 1.2000, envolvidas na produção de cana de açúcar em uma área de cinco mil hectares. Nela, com incentivo do Incra, fora obtido um excelente índice de produtividade: 100 toneladas por hectare.

(Fonte: Arquivo Pessoal, 01-11-1990)

As cooperativas e a colonização

Em junho de 1975, o Incra anunciou a execução de um programa para a instalação de oito cooperativas na Amazônia. Em quatro anos, elas iriam triplicar a produção agrícola da região. Todas seriam cooperativas originárias do sul do país, com boa capacidade técnica, mas enfrentando um grande problema: a falta de terras em regiões minifundiárias.

A primeira dessas cooperativas, do município gaúcho de Tenente Portela, se instalou em 1974, em Barra do Garças, Mato Grosso, com 80 associados, conseguindo bons resultados. A segunda seria a Cooperativa Tritícola de Ijuí, da região serrana do Rio Grande do Sul, que pretendia ocupar 400 mil hectares no vale do rio Iriri, na Transamazônica, no Pará, com dois mil associados. Eles desenvolveriam plantios comerciais, como a soja tropical e o café. Outra cooperativa visada era a Central dos Produtores do Oeste Paranaense, que era então a maior produtora de soja do país.

Arquivo Pessoal, 01-11-1990

As cidades incham

Em 1992, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apresentou os primeiros mapas demográficos e econômicos da Amazônia, que serviriam para compor o diagnóstico ambiental da região, primeira etapa do seu zoneamento ecológico-econômico, coordenado pela Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos.

Os pesquisadores, utilizando dados dos censos, constataram um acentuado incremento na população dos centros urbanos da Amazônia durante a década anterior. Essa urbanização seria resultante do poder de atração dos garimpos e da expulsão dos habitantes rurais de suas antigas áreas de colonização, ocupadas por um número mais concentrado de proprietários.

O crescimento desordenado das periferias das cidades estava criando sérios problemas devido à inexistência de infraestrutura de saneamento e pelo alastramento de doenças como a malária, que em 10 anos havia aumentado 841% em Mato Grosso, e a leishmaniose (que se manifesta através de feridas na pele do doente), que crescera 7.519% na área do Maranhão que faz parte da Amazônia Legal.

No aspecto demográfico, a pesquisa do IBGE destaca dados como a evolução populacional de 63,4% de Manaus entre 1980 e 1991. Nesse mesmo período, Parauapebas e Paragominas, ambas no Pará, cresceram 518% e 153%, respectivamente, por causa do poder de atração de Carajás, a grande província mineral no sul do Estado.

Fonte: Gazeta Mercantil (São Paulo/SP), 14/05/1992

Japoneses em Itacoatiara

Em 1957, o governo do Amazonas e a Jamic, uma entidade japonesa que cuidava da imigração e da colonização, iniciaram o assentamento de 45 famílias de imigrantes japoneses na colônia Efigênio Sales, a 45 quilômetros de Manaus, no município de Itacoatiara. A principal cultura explorada na área era a pimenta-do-reino. Durante o inverno produziam também hortaliças e verduras.

Fonte: Arquivo Pessoal, 1957

Colonização em Rondônia

O deputado federal Jerônimo Santana, do MDB de Rondônia, enviou carta ao presidente da república, em fevereiro de 1972, denunciando o abandono e os maus tratos do Incra aos colonos do projeto de assentamento Siney Girão, em Ribeirão, no Estado, como a causa da morte de 30 das 100 famílias que foram transferidas para o local a partir de Mato Grosso e Paraná.

O principal problema dos colonos foi a malária, que provocou muitas mortes. Havia apenas um enfermeiro para atender toda a população. Restavam no projeto na ocasião 400 pessoas, de 70 famílias de colonos. Outro problema eram os altos preços cobrados na cantina do Incra por comida e ferramentas de trabalho, contrariando as promessas feitas.

Fonte: O Estado de S. Paulo (São Paulo/SP), 27/02/1972

Início da Sinop

Em 1971, a Sinop Colonizadora, do empresário paranaense Enio Pipino, assumiu o controle da Gleba Celeste, com 200 mil hectares, no norte de Mato Grosso. A área, cortada pela rodovia Santarém-Cuiabá, na época em construção, seria utilizada para um projeto de colonização particular, à semelhança dos empreendimentos realizados por Pipino numa gleba de 302 mil hectares no norte do Paraná.

No dia 27 de julho de 1972, com a presença do ministro do Interior, Costa Cavalcanti, a Sinop inaugurou a Cidade Vera, o primeiro dos três núcleos urbanos que seriam formados na área, o maior dos quais seria a Cidade Sinop, onde a empresa pretendia construir um hotel turístico inteiramente de mogno.

Fonte: Veja (São Paulo/SP), 09/08/1972

Mudança na colonização

Em novembro de 1971, o Incra modificou o sistema adotado até então, decidindo enviar para a Transamazônica apenas o colono nordestino, sem sua família. A mudança foi provocada pelo grande índice de desistência de colonos que se apresentavam voluntariamente nos locais de recrutamento, no Nordeste.

A partir de então, enquanto o colono estivesse na Amazônia, sua família receberia metade do salário mínimo que o Incra se comprometera a pagar-lhe durante seis meses. O próprio Incra, avaliando a adaptação do colono à região, decidiria sobre o momento oportuno para transferir também a família para as margens da rodovia.

Fonte: O Estado de S. Paulo (São Paulo/SP), 17/11/1971