A rodovia Transfronteira

Em 1989, a deputada federal Raquel Cândido, de Rondônia, apresentou na Câmara Federal projeto para a construção da rodovia Transfronteira. O objetivo era “eliminar e coibir o tráfico de drogas, as queimadas, o contrabando, a exploração mineral e vegetal ilegal, a ingerência nas tribos indígenas e possíveis movimentos guerrilheiros”.

A estrada teria 6.929 quilômetros de extensão ao longo da fronteira com a Guiana Francesa, Suriname, Guiana, Venezuela, Colômbia, Peru e Bolívia, com 1.730 quilômetros atravessando áreas indígenas, 587 quilômetros em parques de conservação, cortando 284 rios e seis serras nos Estados do Pará, Amapá, Amazonas, Roraima, Rondônia, Acre e Mato Grosso.

O projeto da parlamentar foi apresentado quatro anos depois que as forças armadas iniciaram outro empreendimento semelhante, o projeto Calha Norte, de natureza geopolítica. A Transfronteira também se confundia com a Perimetral Norte, rodovia projetada para ter 2.586 quilômetros, do Amapá ao Amazonas, que teve suas obras iniciadas em 1973, mais foi suspensa.

A Transfronteira também previa a instalação de agrovilas no seu traçado para servir de “apoio logístico permanente” às forças armadas brasileiras e dos países fronteiriços, que seriam previamente consultados.

FONTE: O Liberal (Belém/Pará), 10/11/1991

Origem de Rio Maria

A cidade de Rio Maria, no sul do Pará, foi criada a partir de uma invasão de terra, em 1972, quando ainda pertencia ao município de Conceição do Araguaia. O primeiro loteamento urbano foi realizado pela Madeireira Maginco, logo depois da abertura da rodovia PA-150, ligando a região a Belém.

O número de lotes, porém, foi insuficiente para todos os que se mudaram para a área, atraídos pela presença de mogno em grande quantidade e pela descoberta de ouro. Começou então a invasão das terras situadas em frente ao loteamento. Em 1982, Rio Maria se tornou município. Em 1980, passou a ser sede de comarca, ganhando independência judiciária.

FONTE: Jornal do Brasil (Rio de Janeiro/RJ), 12/03/1991

Assentamento de Tailândia

Em junho de 1978, o Iterpa (Instituto de Terras do Pará) iniciou o Projeto de Assentamento Dirigido de Tailândia, em uma faixa de 120 quilômetros ao longo da rodovia PA-150, com limites atingindo até seis quilômetros de cada margem da estrada, entre os municípios de São Domingos do Capim, Moju e Acará.

O projeto foi criado com a missão de evitar a invasão de terras e controlar o fluxo de colonização, fixando o agricultor à área. Já haviam sido assentados, até meados de 1979, mais de 70 famílias de posseiros oriundos de áreas de conflito, como da Fazenda Capaz. No primeiro ano de existência do projeto foram produzidas 800 toneladas de arroz, além de milho, mandioca, feijão e banana.

FONTE: O Estado do Pará (Belém/PA), 17/09/1979

Sarney revoga reserva indígena

No final de seu governo, em fevereiro de 1990, o presidente José Sarney assinou o decreto 98.894, revogando o decreto anterior, de 1985, que criou a área indígena Uru-Eu-Wau-Wau, em Rondônia. Essa reserva foi a primeira área de índios arredios demarcada pela Funai e a única também considerada reserva ambiental. Dos seus 18 mil quilômetros quadrados, onde viviam 1,2 mil índios, 7,5 mil km2 integravam o Parque Nacional de Paccas Novas.

O decreto do presidente, embora preservando o parque ecológico, determinou o “reestudo dos limites” da área indígena, cuja definição provocara polêmicas por causa de interesses econômicos sobre a cassiterita e a madeira existente dentro de seus limites.

A medida também causou apreensão entre os envolvidos no projeto de Manejo dos Recursos Naturais de Rondônia, a versão final de um plano até então conhecido como Panafloro, que começara a ser discutido em 1986. Ele visava reorientar a ocupação do Estado.

Promovida de forma desordenada, em 20 anos ela provocara a destruição de 42 mil km2 de florestas (17% de toda a extensão de Rondônia) e inchou a periferia de Porto Velho com favelas habitadas por ex-colonos.

Fonte: Folha de S. Paulo (São Paulo/SP), 09/02/1990

Japoneses no Pará

Uma missão técnica japonesa com 21 integrantes, chefiada pelo deputado Shiro Kyono, de São Paulo, esteve na Amazônia em outubro de 1964 para avaliar o potencial de vários produtos naturais da região, ainda em condições econômicas e de comercialização desconhecidas. O objetivo era definir as possibilidades de aproveitamento racional de diversos produtos da flora equatorial.

Um dos alvos era o babaçu. Os técnicos estiveram no município de Tomé-Açu, no Pará, onde visitaram os plantios de pimenta-do-reino feitos por imigrantes japoneses.

Fonte: Folha do Norte (Belém/PA), 14/10/1964

Conflito na área do reservatório

Com a formação do reservatório da hidrelétrica de Tucuruí, no Pará, em 1984,muitas árvores ficaram submersas, causando a formação de gases em virtude de seu apodrecimento. Uma das consequências desse fenômeno foi o aparecimento de moscas hematófagas, que passaram a atacar a população das margens do lago artificial. Cada morador podia chegar a sofrer 500 picadas por hora dessas moscas, segundo pesquisa feita na área pelo Instituto Evandro Chagas, de Belém.

Em 1991, o governo federal decretou estado de emergência nas glebas Parakanã, Pucuruí e Tucuruí, para onde foram remanejados lavradores das áreas alagadas. Em setembro de 1992, o Incra criou o Projeto de Assentamento Rio Gelado, no qual 1.250 famílias se estabeleceram.

Mas logo se desencadeou um conflito entre os assentados e a madeireira Abrolho Verde. Com um projeto de manejo florestal aprovado pelo Ibama, a empresa penetrou nas glebas dos agricultores para extrair madeira, principalmente mogno. Vários atritos ocorreram entre as partes a partir de então.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 17/03/1995