Gaúchos na Transamazônica

Em 1978, a Cooperativa Regional Tritícola Serrana Limitada (Cotrijuí), do Rio Grande do Sul, comprou do Incra uma área de 397.944 hectares, entre os quilômetros 85 e 175 da rodovia Transamazônica, nos municípios de Prainha e Altamira, no Pará.

Nessa área começou, em 1978, a assentar agricultores associados, mas teve que suspender o projeto. Em março do ano anterior, a Funai interditou a área alegando que nela havia índios Arara. Enquanto esperava por uma definição, a Cotrijuí assumiu a administração da usina de açúcar Abraham Lincoln, do Incra, em fevereiro de 1979.

A usina, à margem da Transamazônica, absorvia a produção de aproximadamente 500 pequenos plantadores de cana, transformando-a em 300 mil toneladas de açúcar e beneficiando, direta ou indiretamente, 1.500 pessoas.

Fonte: O Estado de S. Paulo (SP), 15-02-1981

Imigrantes no sul do Pará

Uma área de 100 mil quilômetros quadrados no vale do rio Araguaia, apesar de integrar o território do Estado do Pará, estava se tornando cada vez menos paraense, segundo um estudo elaborado em 1976 pela assistente social Alice de Souza Melo e o engenheiro-agrônomo Janildo de Souza Campos para a Sudam (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia).

Com dados de 1974, o trabalho mostra que das 78 mil pessoas que moravam nessa região na época, 44 mil não haviam nascido no Pará. Vieram das regiões Nordeste (26,7 mil), Centro-Oeste (16,5 mil) e Sudeste (1,3 mil).

Embora individualmente ainda fossem mais numerosos (33 mil), os paraenses já haviam sido superados no conjunto numérico e, sobretudo, na qualidade da forma de ocupação dessa área.

Sua feição estava marcada pelo migrante, originário, principalmente, do Maranhão (19 mil) e de Goiás (16,5 mil), que procurava emprego nas terras de mais de 100 fazendas ali existentes (60 das quais recebendo incentivos fiscais do governo).

Fonte: O Estado de S. Paulo (SP), 19-12-1976

Açúcar na Transamazônica

Em 1974 começou a funcionar a usina de açúcar Abraham Lincoln, construída no quilômetro 92 da rodovia Transamazônica, que se localizava então no município de Altamira, no Pará (hoje, em Medicilândia). A usina foi levantada em tempo recorde, de 12 meses, pela empresa paulista Zanini S/A e custou 45 milhões de cruzeiros da época. Foi inaugurada pelo então ministro da agricultura, Alysson Paulinelli.

Sua capacidade de produção, de 500 mil sacas de açúcar e 3,5 milhões de litros de álcool, deveria ser atingida plenamente em três ou quatro anos. Garantiria um terço de todo o abastecimento da Amazônia, que necessitava de 1,5 milhão de sacas/ano, importadas principalmente do Nordeste.

A usina, ocupando área de 9.750 metros quadrados, empregaria diretamente 120 pessoas e, indiretamente, outras 1.2000, envolvidas na produção de cana de açúcar em uma área de cinco mil hectares. Nela, com incentivo do Incra, fora obtido um excelente índice de produtividade: 100 toneladas por hectare.

(Fonte: Arquivo Pessoal, 01-11-1990)

As cooperativas e a colonização

Em junho de 1975, o Incra anunciou a execução de um programa para a instalação de oito cooperativas na Amazônia. Em quatro anos, elas iriam triplicar a produção agrícola da região. Todas seriam cooperativas originárias do sul do país, com boa capacidade técnica, mas enfrentando um grande problema: a falta de terras em regiões minifundiárias.

A primeira dessas cooperativas, do município gaúcho de Tenente Portela, se instalou em 1974, em Barra do Garças, Mato Grosso, com 80 associados, conseguindo bons resultados. A segunda seria a Cooperativa Tritícola de Ijuí, da região serrana do Rio Grande do Sul, que pretendia ocupar 400 mil hectares no vale do rio Iriri, na Transamazônica, no Pará, com dois mil associados. Eles desenvolveriam plantios comerciais, como a soja tropical e o café. Outra cooperativa visada era a Central dos Produtores do Oeste Paranaense, que era então a maior produtora de soja do país.

Arquivo Pessoal, 01-11-1990

As cidades incham

Em 1992, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apresentou os primeiros mapas demográficos e econômicos da Amazônia, que serviriam para compor o diagnóstico ambiental da região, primeira etapa do seu zoneamento ecológico-econômico, coordenado pela Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos.

Os pesquisadores, utilizando dados dos censos, constataram um acentuado incremento na população dos centros urbanos da Amazônia durante a década anterior. Essa urbanização seria resultante do poder de atração dos garimpos e da expulsão dos habitantes rurais de suas antigas áreas de colonização, ocupadas por um número mais concentrado de proprietários.

O crescimento desordenado das periferias das cidades estava criando sérios problemas devido à inexistência de infraestrutura de saneamento e pelo alastramento de doenças como a malária, que em 10 anos havia aumentado 841% em Mato Grosso, e a leishmaniose (que se manifesta através de feridas na pele do doente), que crescera 7.519% na área do Maranhão que faz parte da Amazônia Legal.

No aspecto demográfico, a pesquisa do IBGE destaca dados como a evolução populacional de 63,4% de Manaus entre 1980 e 1991. Nesse mesmo período, Parauapebas e Paragominas, ambas no Pará, cresceram 518% e 153%, respectivamente, por causa do poder de atração de Carajás, a grande província mineral no sul do Estado.

Fonte: Gazeta Mercantil (São Paulo/SP), 14/05/1992

Japoneses em Itacoatiara

Em 1957, o governo do Amazonas e a Jamic, uma entidade japonesa que cuidava da imigração e da colonização, iniciaram o assentamento de 45 famílias de imigrantes japoneses na colônia Efigênio Sales, a 45 quilômetros de Manaus, no município de Itacoatiara. A principal cultura explorada na área era a pimenta-do-reino. Durante o inverno produziam também hortaliças e verduras.

Fonte: Arquivo Pessoal, 1957

Colonização em Rondônia

O deputado federal Jerônimo Santana, do MDB de Rondônia, enviou carta ao presidente da república, em fevereiro de 1972, denunciando o abandono e os maus tratos do Incra aos colonos do projeto de assentamento Siney Girão, em Ribeirão, no Estado, como a causa da morte de 30 das 100 famílias que foram transferidas para o local a partir de Mato Grosso e Paraná.

O principal problema dos colonos foi a malária, que provocou muitas mortes. Havia apenas um enfermeiro para atender toda a população. Restavam no projeto na ocasião 400 pessoas, de 70 famílias de colonos. Outro problema eram os altos preços cobrados na cantina do Incra por comida e ferramentas de trabalho, contrariando as promessas feitas.

Fonte: O Estado de S. Paulo (São Paulo/SP), 27/02/1972