Grilagem em Belém

A grilagem de terras criou uma situação inusitada no Pará: em junho de 1995, o delegado da Divisão de Investigações e Operações Especiais da Secretaria de Segurança Pública do Estado. Gilvandro Furtado, requereu na justiça um habeas corpus para poder continuar presidindo inquérito instaurado para apurar denúncias de grilagem sobre uma área equivalente a 8% de todo o território estadual, o segundo maior do Brasil.

Um pouco antes, o desembargador Calistrato Alves de Mattos, acolhendo recurso de um dos acusados de grilagem, determinara liminarmente o trancamento do inquérito. Ao recorrer ao HC, o delegado argumentou que a decisão do desembargador o impedia de cumprir o prazo legal para concluir o inquérito, expondo-o a sanções. O inquérito fora instaurado a pedido do Iterpa (Instituto de Terras do Pará), que denunciara a apropriação irregular de terras estaduais por particulares.

Fonte: A Província do Pará (Belém/PA), 24/06/1995

Conflito na reserva Mãe Maria

No início de 1986, era tensa a situação na área da reserva indígena Mãe Maria, dos índios gavião, a 30 quilômetros da cidade de Marabá, no Pará. A área estava ocupada por 39 posseiros assentados dentro da reserva pelo Mirad (Ministério da Reforma e do Desenvolvimento Agrário) e outros 139 invasores, que penetraram na terra indígena por conta própria. Os gavião pressionavam o governo para desocupar a área.

Fonte: Arquivo Pessoal, 17/03/1986

Doença e conflito em Tucuruí

Com a formação do reservatório da hidrelétrica de Tucuruí, no Pará, em 1984,muitas árvores ficaram submersas, causando a formação de gases em virtude de seu apodrecimento. Uma das consequências desse fenômeno foi o aparecimento de moscas hematófagas, que passaram a atacar a população das margens do lago artificial. Cada morador podia chegar a sofrer 500 picadas por hora dessas moscas, segundo pesquisa feita na área pelo Instituto Evandro Chagas, de Belém.

Em 1991, o governo federal decretou estado de emergência nas glebas Parakanã, Pucuruí e Tucuruí, para onde foram remanejados lavradores das áreas alagadas. Em setembro de 1992, o Incra criou o Projeto de Assentamento Rio Gelado, no qual 1.250 famílias se estabeleceram. Mas logo se desencadeou um conflito entre os assentados e a madeireira Abrolho Verde.

Com um projeto de manejo florestal aprovado pelo Ibama, a empresa penetrou nas glebas dos agricultores para extrair madeira, principalmente mogno. Vários atritos ocorreram entre as partes a partir de então.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 17/03/1995

Conflito da Paraporã

Em julho de 1971, a polícia do Pará expulsou dezenas de famílias de lavradores que ocupavam uma área de mais de 17 mil hectares, no município de São Domingos do Capim. As terras eram reivindicadas como suas pela Companhia Agropecuária Paraporã, que conseguiu liminar da justiça para retirar os ocupantes da área.

A empresa tinha um projeto agropecuário aprovado pela Sudam (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia). Os lavradores alegavam ocupar há pelo menos um século a área, que lhes teria sido doada pela antiga Secretaria de Terras do Estado. Criado o conflito, a Corregedoria Geral de Justiça do Pará determinou a suspensão da liminar concedida à empresa.

Fonte: O Estado de S. Paulo (São Paulo/SP), 30/07/1971

Fazendeiro é morto

O fazendeiro Tarley Andrade e seu empregado, João Gonçalves, foram mortos no dia 19 de dezembro de 1986, durante um confronto com posseiros, na fazenda Forkilha, em Santana do Araguaia, no sul do Pará. Houve tiroteio, do qual teriam participado três pistoleiros: Errol Flyn, Nélio e Paraguaio. O lavrador Raimundo Modesto foi o primeiro a ser baleado, com tiros de cartucheira disparados por Tarley. Mas conseguiu escapar e foi transferido, preso, para Belém.

FONTE: O Liberal (Belém/PA), 03/01/1987

O MST chega ao Pará

Em junho de 1991, a Polícia Federal e a Polícia Militar do Pará, em operação conjunta, prenderam cinco homens e duas mulheres acusados de organizar e patrocinar a invasão de terras no sul do Estado. Os sete integravam a Associação Nacional de Cooperação Agrícola (Anca), entidade ligada ao Movimento dos Sem Terra, com sede em São Paulo e representação em todos os Estados brasileiros.

No Pará. a organização se instalou em 1990 e em Marabá, onde os sete foram presos, três meses antes da operação policial. Ao invadir a sede da entidade em Marabá, a polícia não encontrou nenhuma arma, nem houve resistência, mas os sete presos foram acusados de “formação de bando, por armazenar farto material de propaganda ideológica, folhetos de instrução para invasão de terra, relatórios e panfletos”.

Eles estariam planejando a invasão da fazenda Ponta de Pedras, que já havia sido desapropriada. O mesmo grupo teria liderado a invasão da sede do Incra em Conceição do Araguaia. O líder do grupo seria Dimas Pereira de Melo, que havia feito um curso em Havana. A Anca era responsável pela edição do jornal “Sem Terra”.

FONTE: O Liberal (Belém/PA), 19/06/1991

Curió e os padres

Quando estava em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, onde passava as férias com a família, em outubro de 1981, o tenente-coronel Sebastião Rodrigues de Moura, mais conhecido como major Curió, admitiu que conhecia havia mais de 12 anos cinco dos 13 posseiros que participaram de uma emboscada contra funcionários do Getat (Grupo Executivo de Terras do Araguaia-Tocantins), em São Geraldo do Araguaia, no sul do Pará.

Do ataque resultou um morto e ferimentos em funcionários do Getat e agentes da Polícia Federal, que davam cobertura a uma missão de demarcação de terras, contestada pelos lavradores. Segundo Curió, os cinco posseiros seus conhecidos já estavam na região há mais de 14 anos, “enquanto os demais são invasores”.

O militar repetiu a acusação de que os posseiros foram incitados a armar a emboscada pelos padres franceses Aristides Camio e François Gouriou, presos com os 13 lavradores e enquadrados por subversão na Lei de Segurança Nacional.

FONTE: O Estado de S. Paulo (São Paulo/SP), 29/12/1981