Canuto é assassinado

O sindicalista João Canuto de Oliveira, ex-presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Rio Maria, no Pará, foi assassinado com 19 tiros dados à queima-roupa, em 18 de dezembro de 1985. O ex-prefeito de Rio Maria, Adilson Laranjeira, foi acusado de mandante do crime, executado por pistoleiros contratados por um taxista e um mecânico da cidade, localizada no sul do Estado, que teriam funcionado apenas como intermediários. Canuto era líder dos sem-terra da região e contava com o apoio da CPT (Comissão Pastoral da Terra).

(O Liberal, Belém/PA, 30/10/1999)

Líder sindical assassinado

Em novembro de 2000, o diretor do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rondon do Pará, José Dutra da Costa, de 43 anos, casado, maranhense, mais conhecido como Dezim, foi assassinado com seis tiros, no início da noite, quando caminhava por uma das ruas da sede do município, no Pará.

O assassino foi preso por populares quando tentava fugir e espancado, mas não chegou a ser identificado no momento da sua captura. Ele se recusava a falar e não tinha nenhum documento de identificação. Ainda com o revólver que usara, foi enquadrado em flagrante delito e mantido preso.

O crime foi associado ao apoio dado pelo dirigente sindical às 40 famílias que ocuparam as terras da fazenda Tulipa Negra.

(Diário do Pará, Belém/PA, 22/11/2000)

Mortes em conflitos de terra

A Comissão Pastoral da Terra (CPT) entregou ao secretário de segurança pública do Pará, em junho de 1997, uma lista com os nomes de 629 pessoas assassinadas em consequência de conflitos fundiários no Estado, entre 1964 e 1995. Do rol, 196 das pessoas citadas não estavam com seus nomes completos.

Essa foi uma das dificuldades apontadas pelo secretário Paulo Sette Câmara para dar uma resposta à cobrança. Fatos mais remotos também seriam de difícil apuração. O secretário propôs a criação de uma comissão para averiguar os casos relatados pela CPT.

(Diário do Pará, Belém/PA, 05/06/1997)

Fazenda ocupada em Marabá

O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra) liderou 450 famílias na ocupação da Fazenda Cabeceiras, de 10 mil hectares, no município de Marabá, no Pará, em junho de 1999. Um mês depois os invasores deixaram a área, com a promessa do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) de investigar a situação legal do imóvel.

Sem uma resposta, os sem-terra reocuparam a fazenda por mais duas semanas. Ao deixarem a sede, mantiveram-se num dos limites da propriedade, do fazendeiro Benedito Mutran. Em julho de 200 houve a terceira ocupação. O MST alegou que a área era improdutiva e a documentação do domínio, inconsistente.

(A Província do Pará, Belém/PA, 05/07/2000)

Filho de fazendeiro assassinado

Em dezembro de 1986, Tarley Lemos Andrade, filho de Jairo de Andrade, dono da Fazenda Forkilha e membro da direção nacional da UDR (União Democrática Ruralista), foi morto a tiros juntamente com um empregado, o mecânico João Batista Gonçalves.

O assassinato aconteceu em meio a uma discussão travada entre Tarley e um grupo de homens, que se apresentaram como ocupantes de propriedades vizinhas, sobre várias toras de mogno empilhadas sobre uma esplanada na divisa entre as fazendas, no município de Redenção, no sul do Pará.

Depois de atirarem no filho do fazendeiro e no mecânico, os assassinos fugiram. Alguns deles foram presos depois e responderam a processo criminal.

(Arquivo Pessoal, dezembro de 1986)

O pistoleiro de Marabá

O pistoleiro conhecido como Sebastião da Terezona, um dos mais famosos e temidos do Pará, chegou a Marabá em 1960, quando tinha 16 anos. Alguns anos depois foi contratado para trabalhar no Castanhal Tona, de propriedade da CIB (Companhia Industrial do Brasil), de Salim Carlos Chamié, para fiscalizar os limites da propriedade e impedir que ela fosse invadida.

Sua fama de pistoleiro começou quando matou num duelo um homem que o havia ameaçado de morte, segundo a versão que Terezona apresentou ao ser preso, em 1986. Ele negou sua participação em todos os crimes de que foi acusado:

*O assassinato de dois homens, em agosto de 1985, na Folha (bairro) 28, em Marabá;

*Ter comandado um massacre de posseiros no Castanhal Surubim, de propriedade de João Almeida, no município de Xinguara;

*De ter assassinado Antônio Pereira da Silva, depois queimando o corpo dele, às margens da rodovia PA-150, em 1985;

*E de ter comandado a chacina de cinco posseiros no Castanhal Ubá, em junho do mesmo ano.

(O Liberal, Belém/PA, 10/10/1986)

Conflito em seringal

Um juiz federal chegou a ameaçar recrutar tropa do Exército, em julho de 1976, para expulsar 300 posseiros que haviam ocupado o seringal Catuaba, no Acre. Os lavradores invadiram a gleba para tentar assegurar sua posse, mas a propriedade havia sido sequestrada pela justiça em 1974, para definir um litígio fundiário, a pedido da Procuradoria da República.

Na área, um posseiro, Raul, tinha matado a tiros de espingarda o gerente de um dos donos e aleijado um fiscal. Os posseiros acusaram a polícia de usar a violência para forçá-los a sair. Eles entraram no seringal Catuaba depois de terem abandonado outro seringal, o Panorama, que o Estado já havia comprado e loteado.

(O Estado de S. Paulo, São Paulo/SP, 28/07/1976)