O drama dos índios Arara

Um quarto das terras dos índios Arara, 160 mil hectares, localizados na Transamazônica, no município de Altamira, no Pará, continuavam ocupados por posseiros no início de 1990. A invasão do território desses índios começou em 1973, com a construção da Transamazônica, agravando-se a partir daí.

Os Arara se dividiram em duas aldeias: uma na área do Laranjal, onde moravam 30 índios, e outra na altura do posto de vigilância da Funai, no km 120 Sul, onde viviam aproximadamente 80 índios. Além de perderem 25% de suas terras para os lavradores, os Araras poderiam ficar sem outros 25%, quando a hidrelétrica de Kararaô (atual Belo Monte) fosse construída. Para complicar, as terras dos índios são pobres e a mata estava sendo destruída pelos madeireiros.

(O Liberal, Belém/PA, 31/01/1990)

Sindicato em Conceição do Araguaia

Em agosto de 1985, chegou ao fim o domínio que, durante nove anos, Bertoldo Lira Siqueira exerceu no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Conceição do Araguaia, considerado, na época, o mais importante do Pará. A oposição vinha tentando, sem sucesso, afastar Bertoldo do cargo.

Em 1980, Raimundo Ferreira Lima, mais conhecido como Gringo, que pretendia assumir a presidência, foi assassinado. Para empossar a nova diretoria, eleita um mês antes, o juiz Enivalgo Gama Ferreira teve que mandar arrombar a sede do sindicato porque Bertoldo não apareceu para transmitir o cargo e trancou a porta do prédio.

(O Liberal, Belém/PA, 20/08/1985)

Gerente de fazenda do Bradesco

O gerente da Companhia Agro-Pecuária Rio Araguaia (CAPRA), pertencente ao Bradesco, matou o lavrador Francisco Moura Leite, de 24 anos, que ocupava um lote dentro da propriedade. O crime ocorreu em frente a uma escola de Conceição do Araguaia, no sul do Pará, em junho de 1973.

Aigon Hudson Pyles vinha sendo acusado de praticar violências contra lavradores desde 1971. A direção do Bradesco só tomou providências depois do crime e da prisão do gerente. O presidente do banco, Amador Aguiar, enviou uma carta ao prefeito de Conceição repudiando a “desatinada atitude” do seu gerente,

(Arquivo Pessoal, 01/08/1973)

Policiais mortos em conflito

Dois policiais civis do Distrito Federal, Bruno Erickman Fernandes e Cláudio Acioly, foram mortos por posseiros emboscados na Fazenda Nazaré, em Conceição do Araguaia, no sul do Pará, no final de março de 1987. Os agentes teriam sido contratados pelo dono da fazenda, juntamente com outros dois fazendeiros, para expulsar posseiros da área. O padre Ricardo Rezende, da Comissão Pastoral da Terra, acreditava no envolvimento de mais dois policiais.

Alguns dias depois do choque, um telefonema anônimo fez a polícia descobrir, a oito quilômetros de distância da cidade, na PA-150, no rumo de Xinguara, a metralhadora INA nº 0016M953, de fabricação nacional e de uso privativo das forças policiais regulares. A metralhadora teria sido usada pelos policiais de Brasília. Das 30 balas que cabem no pente, apenas seis cartuchos já haviam sido deflagrados.

A Fazenda Nazaré pertencia à Araguaia Agrícola e Pecuária, da família Gomes dos Reis, de São Paulo, com área de 12 mil hectares. A família possuía mais quatro propriedades de grande extensão: Três Irmãos (na época em processo de desapropriação para o programa de reforma agrária), Santa Maria da Conceição, Maria Luiza e Agrisa. Na Fazenda Nazaré havia 80 famílias de posseiros.

(Jornal do Brasil (Rio de Janeiro/RJ), 03/04/1987)

Conflito de terra no Maranhão

Um grave conflito de terra ocorreu em agosto de 1987 na região de Buriticupu, município de Monção, na Pré-Amazônia maranhense. De um lado 108 jagunços contratados pelos proprietários de nove fazendas, espalhadas sobre uma área de 35 mil hectares. Essa área era também ocupada por 400 famílias de lavradores, que se armaram para resistir aos agressores. A terra já estava em processo de desapropriação pelo Ministério da Reforma Agrária, mas sem conclusão.

(O Liberal, Belém/PA, 07/08/1987)

Gerente do Bradesco mata

O gerente da Companhia Agro-Pecuária Rio Araguaia (Capra), pertencente ao grupo Bradesco, matou o lavrador Francisco Moura Leite, de 24 anos, que ocupava um lote dentro da propriedade. O crime ocorreu em frente a uma escola de Conceição do Araguaia, no sul do Pará, em junho de 1973. Aigon Hudson Pyles era acusado de praticar violências contra lavradores desde 1971. A direção do Bradesco só tomou providências depois do crime e da prisão do gerente. O presidente do banco, Amador Aguiar, enviou uma carta ao prefeito de Conceição repudiando a “desatinada atitude” do seu gerente,

(Arquivo Pessoal, 01/08/1973)