Morte de advogado de posseiros

Em 1982, foi assassinado, em Marabá, o advogado Gabriel Pimenta, que se especializara na defesa de trabalhadores rurais e agricultores. Como suspeitos de terem ordenado o crime ficaram presos, durante 21 dias, os fazendeiros Manoel Cardoso Neto, o Nelito, e José Pereira da Nóbrega, o Marinheiro.

Este último foi solto graças à interferência do então governador da Bahia, Antônio Carlos Magalhães, que comunicou o fato ao ministro da Justiça à época, Ibrahim Abi-Ackel. Marinheiro havia sido correligionário de ACM na Bahia, onde morou durante muitos anos antes de se estabelecer no Pará com duas fazendas. Marinheiro também obteve um habeas corpus na justiça.

Gabriel Pimenta era advogado dos posseiros do castanhal Cametaú, com seis mil hectares, localizado em Itupiranga, que Nelito e Marinheiro tinham comprado em sociedade, em 1980. Depois do assassinato, os dois abandonaram a propriedade.

Fonte : O Liberal (Belém/PA), 21-04-1985

Os matadores de Chico Mendes

Em fevereiro de 1992. a Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Acre anulou, por dois votos contra um, o julgamento do Tribunal do Júri de Xapuri, que condenou o fazendeiro Darli Alves da Silva a 19 anos de prisão por ter sido o mandante da morte do ecologista e líder seringueiro Chico Mendes. Dois desembargadores consideraram que os jurados de Xapuri tomaram uma decisão “manifestamente contrária à prova dos autos”, o único argumento que permite anular uma decisão do Tribunal do Júri e fazer realizar nova sessão. Os três desembargadores da câmara decidiram manter a pena de 19 anos de cadeia para Darci Alves da Silva, filho de Darli, que confessou ter atirado em Chico Mendes e que já cumpria mais 12 anos de prisão por outro assassinato.

Jornal do Brasil (RJ), 29-02-1992

A lista dos marcados para morrer

Em junho de 1987, o bispo de Bragança, no Pará, dom Miguel Giambelli, denunciou, em carta enviada ao governador do Estado, Hélio Gueiros, ameaças de morte feitas ao vigário do município de Irituia, padre Luiz Carrá, e ao presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Antônio Lopes.

Segundo o bispo, no dia 17 de junho, 10 pessoas – dentre as quais os presidentes dos diretórios municipais do PMDB e PFL, alguns dos quais com mandato eletivo – se reuniram no quilômetro 48 da rodovia Belém-Brasília, em Vila Mãe do Rio, e decidiram eliminar o padre e o dirigente sindical.

Um dos participantes, porém, entregou uma carta assinada e datada dirigida ao bispo, com os nomes de todos os 10 integrantes da reunião, para uso apenas se o crime fosse executado. O padre, um italiano, na época com 48 anos de idade, havia chegado ao Brasil em 1978, trabalhando no município de Paragominas e no Seminário de Bragança. Em 1986 assumiu o vicariato de Irituia.

Na sua carta ao governador, o bispo lembrou o “bárbaro homicídio do então prefeito José Leônidas”, dois anos antes, e o “macabro assassinato do Dr. Paulo Fonteles”, três meses antes.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 26/06/1987

Assassinato de João Batista

Em dezembro de 1990, o fazendeiro e comerciante Jeová de Souza Campos, acusado de ser um dos mandantes do assassinato do deputado João Carlos Batista, do PSB do Pará, foi morto. O assassino era um dos quatro passageiros de um automóvel Gol. No intervalo de quatro horas, o carro esteve duas vezes na Fazenda Santa Helena, de Jeová, no município de Capanema.

Aparentemente, o criminoso era amigo do fazendeiro, que o recebeu com um copo de  cerveja e com ele conversou. Antes de ser morto com seis tiros, desferidos à queima-roupa, Jeová pediu uma caneta a um vaqueiro. Nesse dia ele teria preenchido um cheque de 10 mil cruzeiros.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 27/12/1990

Canuto é assassinado

O sindicalista João Canuto de Oliveira, ex-presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Rio Maria, no Pará, foi assassinado com 19 tiros dados à queima-roupa, em 18 de dezembro de 1985. O ex-prefeito de Rio Maria, Adilson Laranjeira, foi acusado de mandante do crime, executado por pistoleiros contratados por um taxista e um mecânico da cidade, localizada no sul do Estado, que teriam funcionado apenas como intermediários. Canuto era líder dos sem-terra da região e contava com o apoio da CPT (Comissão Pastoral da Terra).

(O Liberal, Belém/PA, 30/10/1999)

Líder sindical assassinado

Em novembro de 2000, o diretor do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rondon do Pará, José Dutra da Costa, de 43 anos, casado, maranhense, mais conhecido como Dezim, foi assassinado com seis tiros, no início da noite, quando caminhava por uma das ruas da sede do município, no Pará.

O assassino foi preso por populares quando tentava fugir e espancado, mas não chegou a ser identificado no momento da sua captura. Ele se recusava a falar e não tinha nenhum documento de identificação. Ainda com o revólver que usara, foi enquadrado em flagrante delito e mantido preso.

O crime foi associado ao apoio dado pelo dirigente sindical às 40 famílias que ocuparam as terras da fazenda Tulipa Negra.

(Diário do Pará, Belém/PA, 22/11/2000)

O assassinato dos Canuto

Os irmãos Paulo e José Canuto foram mortos em Rio Maria, no sul do Pará, por quatro pistoleiros, no dia 23 de abril de 1990. O terceiro irmão, Orlando Canuto, conseguiu sobreviver, embora gravemente ferido, fugindo para a mata. Seus perseguidores confundiram uma ambulância que se aproximava do local com um carro de polícia e fugiram.

Todas as vítimas do atentado eram militantes do Partido Comunista do Brasil, como o pai, assassinado em 1985, e os mecânicos Braz Antônio de Oliveira e Ronan Rafael Ventura.

A polícia identificou como mandantes do crime o ex-proprietário da fazenda Suaçuí, Geraldo de Oliveira Braga, o Braguinha; seu sucessor na propriedade, Gerdeice Ferreira Marques, e o gerente da fazenda, Francisco Murta. O gerente relacionou 20 armas que estavam na sede da fazenda, mas a polícia só encontrou 11. Entre as que estavam faltando havia uma metralhadora Thompson calibre 45.

(Folha do Norte, Belém/PA, 03/05/1990)