Ataque aos suruí

Em 1964, Durval Augusto dos Reis comandou uma invasão das terras dos índios suruí, localizadas no grotão dos Caboclos, em São João do Araguaia, no Pará. A denúncia foi apresentada em Belém pelo frei Gil Gomes, da missão religiosa dominicana estabelecida naquele município.

(Folha do Norte, Belém/PA, 17/04/1964)

A vazão do rio Amazonas

Em julho e outubro de 1963 foram realizadas duas campanhas de medição da descarga líquida do rio Amazonas, a mais importante até então realizada.

Utilizando a corveta Iguatemi, da Marinha brasileira, pesquisadores da Universidade do Brasil, da Diretoria de Hidrografia e Navegação da Marinha e da Flotilha do Amazonas, com a participação de técnicos do Serviço Geológico dos Estados Unidos (Geological Survey), passaram 19 dias na pesquisa, utilizando os mais modernos equipamentos de medição.

Constataram que no trecho mais estreito do seu curso no Brasil, em Óbidos, no Pará, o Amazonas tem uma vazão média de 150 mil metros cúbicos de água por segundo. Na embocadura, essa média chega a 250 mil metros cúbicos.

(A Província do Pará, Belém/PA, 16/12/1966)

Os japoneses no Pará

Os governos do Brasil e do Japão iniciaram, em 1963, o plano de assentamento de 600 famílias japonesas no Pará no espaço de três anos, em levas que se seguiriam em intervalos de quatro meses.

Os colonos se apresentariam voluntariamente. Os governos se limitariam a divulgar a emigração para o Brasil, através de propaganda feita no Japão, e a supervisionar a viagem, mas a seleção seria rigorosa.

Só seriam aceitos os emigrantes que dispusessem, no mínimo, do equivalente a um milhão de cruzeiros para as despesas de instalação na colônia de Tomé-Açu, onde se dedicariam ao cultivo de pimenta-do-reino para exportação, além de custear as despesas da viagem da família, que deveria possuir pelo menos três elementos em condições de trabalho.

Deveriam poder levar consigo os equipamentos e ferramentas agrícolas necessários ao trabalho. Na colônia cada família receberia 30 hectares de terra. Nessa área, além da pimenta, poderiam plantar cereais e criar gado.

(Folha do Norte, Belém/PA, 17/07/1963)

O começo da Jari de Ludwig

Em outubro de 1967 o deputado federal Haroldo Veloso, da Arena do Pará, relator da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre terras de estrangeiros na Amazônia, comunicou ter recebido informações sobre a aquisição de dois milhões de hectares no vale do rio Jari, entre o Pará e o Amapá, pela empresa americana Bolt Carriers Co.

Embora não constasse nos arquivos do Ibra (Instituto Brasileiro de Reforma Agrária, antecessor do Incra) nenhum registro sobre a transferência de uma propriedade desse tamanho, moradores da região comunicaram ao parlamentar que a empresa realmente tinha se tornado dona dessas terras.

Ela as teria comprado a área em lotes menores ao longo de mais de um ano, até totalizar os dois milhões de hectares. A área era quatro vezes maior do que o então Estado da Guanabara. O DNPM (Departamento Nacional da Produção Mineral) considerava essa região promissora para diamante, ouro e cassiterita.

(Folha do Norte (Belém/PA), 31/10/67)

O ferro de Carajás

Em outubro de 1967 a Companhia Meridional de Mineração, subsidiária da United States Steel, dos Estados Unidos, anunciou, no Rio de Janeiro, a descoberta de ricas jazidas de minério de ferro na Serra dos Carajás, no município de Marabá, sul do Pará. Afloramentos pesquisados às proximidades do rio Itacaiúnas indicaram a existência de extensas faixas de minério de ferro em potencial, provavelmente um minério de tipo comercial, que poderia vir a ter exploração comercial, associado a outras ocorrências.

(Folha do Norte, Belém, PA, 01/11/1967)

O “olheiro” de Washington

O coronel Vernon Walters, adido militar da embaixada dos Estados Unidos no Brasil, gastou quatro dias e meio, em janeiro de 1965, no percurso de Brasília a Belém pela BR-14, a estrada construída pelo presidente Juscelino Kubitscheck para ligar pela primeira vez, por terra, a Amazônia ao restante do Brasil.

Já em Belém, o militar disse que percorrer a Belém-Brasília foi a maior emoção da sua vida desde a Segunda Guerra Mundial, da qual participou como elemento de ligação entre as tropas brasileiras e o comando americano, nas operações realizadas na Itália.

Por causa do seu desempenho, Walters recebeu várias condecorações, entre as quais a Cruz de Combate, que lhe foi conferida pelo governo brasileiro. Várias vezes acompanhou presidentes e autoridades brasileiras em visita aos EUA, servindo também de intérprete para os presidentes Truman e Eisenhower nas visitas que fizeram ao Brasil.

O adido americano elogiou as condições de tráfego da estrada, de terraplenagem primária, que lhe permitiram sempre desenvolver a velocidade de 80 quilômetros por hora em seu jipão, e da infraestrutura de apoio já existente em seu percurso, tornando desnecessária a carga que levara, inclusive com gasolina.

Opinou que o programa Aliança para o Progresso devia dar apoio integral à rodovia, que iria permitir à Amazônia se libertar do isolamento em que estava, sendo “o maior empreendimento brasileiro do século XX”. Acrescentou que gostaria de rever a região 10 anos depois, para comprovar essa opinião.

Confessou que sua maior emoção durante a viagem, em companhia de dois outros oficiais americanos, que estavam fazendo curso no Brasil, foi descobrir a existência, em Goiás, de uma cidadezinha denominada Presidente Kennedy.

(Folha do Norte, Belém/PA, 19/01/1965)

Os EUA de olho na Amazônia

Em setembro de 1967, funcionários do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, por solicitação do ministro Magalhães Pinto, mantiveram contato com o Hudson Institute, em Nova York. O objetivo era “colher dados que permitissem avaliar, de forma precisa, a natureza e o alcance” do projeto que o instituto apresentara, para a formação de um sistema de grandes lagos na Amazônia latino-americana, o principal dos quais seria o Grande Lago do rio Amazonas, à altura de Óbidos, no Pará.

A informação foi prestada pelo ministro, em 1968, à Comissão Parlamentar de Inquérito instaurada na Câmara Federal para apreciar o projeto. Magalhães Pinto disse que 85% do orçamento do Hudson, uma entidade voltada para a pesquisa e o planejamento político, sobretudo dos campos internacional e de segurança dos Estados Unidos, provinha de contratos com agências oficiais norte-americanas. A principal delas era o Departamento de Defesa.

O interesse do Hudson pela Amazônia seria um dos reflexos da importância assumida pela região, “à medida que se tornam escassas as matérias primas de que necessitam os grandes centros industriais do mundo”.

O plano dos grandes lagos, além dos seus objetivos econômicos, teria a finalidade de facilitar as comunicações no interior do continente “e evitar que se forme na área um maior adensamento demográfico e, consequentemente, um foco de poder que modifique o equilíbrio continental”.

(Folha do Norte, Belém/PA, 27/08/1968)