Eleição de 1965

Votaram 244.455 eleitores para o governo do Pará em 1965. Alacid Nunes, ex-prefeito de Belém, eleito indiretamente pelos vereadores, e candidato da situação, teve 163.527 votos. O ex-governador e ex-senador Alexandre Zacrias de Assunção, pela oposição, ficou com 67.166 votos. Houve 5.056 votos em branco e 8.806 nulos. Foi o momento de maior popularidade do recém-estabelecido regime militar. O então governador, Jarbas Passarinho, apoiou seu ex-colega de caserna. Depois se afastariam até o rompimento total.

O potencial de madeira

A. J. Evans, um dos diretores da Brible Brothers Lumber Co., de Houston, Texas, entrevistado por Henry Lee para The Journal of Commerce local, em fevereiro de 1960, disse que o comércio de madeiras na Amazônia, nos Estados do Amazonas, Amapá e Pará, que até então vinha sendo desenvolvido por 25 serrarias relativamente pequenas, deveria crescer de 500 a 1000% nos cinco meses seguintes.

Classificava de “inacreditável” o potencial de exportação de madeira da região, informando que ao longo do rio havia cerca de 30 variedades comerciais “que podem ser embarcadas de forma fácil e barata, para os mercados mundiais”.

Citou o exemplo da firma holandesa Burynzeel, que estava aplicando 7,5 milhões de dólares numa fábrica de madeira compensada no Amapá, em sociedade com a Bethelehem Steel, responsável por US$ 2,5 milhões desse to tal. O artigo de Henry Lee foi reproduzido na edição de fevereiro do Boletim Americano, publicação do Serviço de Propaganda e Expansão Comercial do Brasil (SEPRO), em Nova York.

Fonte: Folha do Norte (Belém/PA), 01/06/1960

Quem destrói a floresta?

Em artigo publicado no jornal Folha do Norte, de Belém, em agosto de 1968, o engenheiro agrônomo Humberto Marinho Koury apresentou dados sobre as relações desfavoráveis no comércio exterior enfrentadas pela atividade madeireira amazônica.

Argumentou que a tora de mogno (ou “aguano”), “uma das espécies florestais mais importantes do Estado do Pará e uma das madeiras mais luxuosas do mundo”, estava sendo vendida por 100 dólares o metro cúbico para o exterior.

Os compradores desdobravam a tora em lâminas muito delgadas, vendendo cada metro quadrado a US$ 3. Esse rendimento permitia que o metro cúbico da madeira laminada pudesse alcançar US$ 14 mil o metro cúbico.

Como para cada metro cúbico de madeira laminada são necessários de dois a três m3 de madeira bruta, para um custo máximo de US$ 300, obtinha-se um rendimento de US$ 14 mil.

A situação se aplicava à comercialização de outra madeira valiosa que o Pará exportava, a virola ou ucuúba. Saíam anualmente de 4 milhões a 6 milhões de pés quadrados de ucuúba do Pará, por aquisição de empresas estrangeiras, como a Georgia Pacific Corporation, a Lumquar Limited e a Bruynzeel Suriname Houtmaatschappy.

Fonte: Folha do Norte (Belém/PA), 08/08/1968

A busca pelo carvão

Em 1968, o Idesp (Instituto do Desenvolvimento Econômico Social do Pará), órgão do governo estadual (já extinto), assinou um convênio com a Comissão do Plano do Carvão Nacional. A Cepican repassou ao instituto 70 mil cruzeiros novos (valor da época) para o prosseguimento das pesquisas carboníferas que vinha realizando no vale do rio Fresco, no sul do Estado.

Os trabalhos começariam em agosto daquele mesmo ano e se prolongariam ao longo do primeiro semestre de 1969. O material coletado em campo seria analisado em laboratórios do sul do país, por impossibilidade de realizar esse serviço no próprio Pará. Um geólogo da Cepican acompanharia os trabalhos dos geólogos paraenses.

Fonte: Folha do Norte (Belém/PA), 18/08/1968

Projetos de mineração

Em 1968, o DNPM (Departamento Nacional da Produção Mineral) anunciou que iria executar seis projetos de pesquisa mineral na Amazônia. Seriam:

1) Projeto Grão-Pará, objetivando a busca de materiais de construção nas imediações de Belém.

2) Projeto Cobre, a ser executado no município de São Félix do Xingu, no Pará. Nessa área havia a possibilidade de mineralização de cobre e chumbo.

3) Projeto Xingu, numa área de 50 mil quilômetros quadrados, abrangendo a bacia do rio Fresco, afluente do Xingu, onde se acreditava na mineralização de sulfetos, especialmente cobre.

4) Projeto Trombetas-Maecuru [ou Maicuru], em áreas de quatro municípios da margem esquerda do rio Amazonas, no Pará (Óbidos, Alenquer, Oriximiná e Monte Alegre), para estudar as ocorrências de galena, barita, prata, cristal de rocha, ouro e argilas, mas também a possibilidade de existir áreas sulfetadas.

5) Projeto Baixo Rio Negro-Jatapu, para a verificação da presença de cromita, talco, rutilo, ilmenita, ouro, grafita, cinábrio, ferro e manganês nas bacias dos rios Preto, da Erva, Uatumã, Jatapu e Urubu, todos na margem esquerda do rio Amazonas, no Estado do Amazonas.

6) Projeto Tapajós, numa área de 40 mil quilômetros quadrados, na drenagem dos rios Tapajós e Jamanxim, no Pará, tendo ouro e cassiterita como objetivos principais.

Fonte: Folha do Norte (Belém/PA), 30/08/1968

Pimeira televisão da Amazônia

A primeira emissora de televisão do Norte do país foi inaugurada em 30 de setembro de 1961. Era a TV Marajoara, Canal 2, dos Diários e Emissoras Associados, sediada em Belém, no Pará. O padrinho da estação foi o empresário Augusto Trajano de Azevedo Antunes, um dos donos da Icomi, que explorava a jazida de manganês de Serra do Navio, no então Território Federal do Amapá.

O primeiro diretor da TV Marajoara foi Frederico Barata. Em seu discurso, na solenidade de inauguração, ele destacou o espírito pioneiro de Assis Chateaubriand, o criador dos Diários Associados, por decidir criar a emissora de televisão independentemente de haver ou não condições econômicas para suportá-la através de receita publicitária. Chateaubriand acreditava no “futuro certo e positivo” da Amazônia, segundo Barata.

Fonte: A Província do Pará (Belém/PA), 01/10/1961

Acidentes da navegação

Um dos trechos mais perigosos para a navegação na entrada da barra de Belém, a capital do Pará, é no banco do Mandii (ou Mandy), em frente ao farol com o mesmo nome. Esse banco de areia passou a ser conhecido também como do Otelo por causa do acidente ali ocorrido com o navio Otelo, em 11 de novembro de 1912.

A embarcação, de aproximadamente quatro mil toneladas, transportava 400 homens, principalmente cubanos, que iam trabalhar na construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. O navio encalhou e se partiu ao meio, naufragando em seguida. Mas o “Pará”, do Lóide Brasileiro, conseguiu chegar a tempo ao local para resgatar todos os passageiros e tripulantes.

Outros acidentes foram registrados antes e depois, como o do navio Moa, que naufragou e dele não sobraram nem os destroços. O trecho se tornava mais perigoso para a navegação em noites escuras.

Fonte: Folha do Norte (Belém/PA), 02/10/1964

Terras com estrangeiros

Em sua edição de 22 de dezembro de 1967, a revista Time informou que nos últimos anos investidores estrangeiros haviam comprado mais terras no Brasil do que a soma de cinco Estados americanos (Delaware, Connecticut. Rhode Island, Massachussets e New Hampshire).

Dizia que alguns desses compradores de grandes áreas não passavam de especuladores, que adquiriam  terra de sete centavos o acre e as revendendiam por dois dólares. Mas que havia também verdadeiros investidores, como Henry Fuller, da cidade de Houston, “que possui meio milhão de acres cultivados e que pretende construir nas suas terras uma escola, uma igreja e uma cooperativa”.

A revista dizia que a disponibilidade de vastas extensões de terra na fronteira brasileira, sobretudo com a conclusão da rodovia Belém-Brasília, em 1966, estava atraindo especuladores da Alemanha, Japão, Estados Unidos e outros países, atraídos pela riqueza de alguns solos, como os de Goiás e da Bahia.

Mas que os proprietários se assustaram com a oposição a essas aquisições, criando pressão junto ao governo para suspendê-las, como ameaça à soberania nacional. O senador Marcelo Alencar, do MDB, assegurando que um terço do Brasil já estavam nas mãos de estrangeiros, propôs uma emenda constitucional para desencorajar futuros compradores.

Uma comissão federal de investigação havia recomendado a exigência de legitimação das vendas já efetuadas aos estrangeiros. Mas o governo brasileiro não parecia disposto a endossar essas mudanças.

Fonte: Folha do Norte (Belém/PA), 11/01/1968

O projeto do grande lago

Os estudos do Hudson Institute, de Nova York, sobre a formação de grandes lagos interiores na América do Sul foram submetidos à apreciação do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) em 6 de novembro de 1964, após seis meses de trabalho, sob o comando de Robert Panero.

Em fevereiro de 1967, o documento foi apresentado pela primeira vez a uma autoridade brasileira, o economista Roberto Campos, que então chefiava o Ministério do Planejamento e Coordenação Econômica.

A proposta do Hudson era formar cinco lagos artificiais, que ligariam as grandes bacias do continente sul-americano, estabelecendo uma ligação Norte-Sul por dentro, sem depender do mar. A ligação mais ao norte seria entre os rios Orenoco, na Venezuela, e Negro, no Brasil, com o que seria possível navegar de Manaus até Caracas. Também seriam feitas barragens nos rios Caquetá, na Colômbia, e Ucaiali, no Peru.r

Na altura de Óbidos, no Pará, uma outra barragem conteria a corrente do rio Amazonas, inundando uma área que iria além do oeste de Manaus, com extensão de mil quilômetros, atingindo as bacias do Negro, Madeira e Caquetá.

Mais ao sul, um novo lago seria formado entre as nascentes dos rios Guaporé e Paraguai, completando assim a ligação Norte/Sul do continente, entre a foz do Orenoco, na Venezuela, e a foz do Paraná/Paraguai, entre Argentina e Uruguai.

O investimento total nesse sistema era calculado pelo Hudson, na época, entre um mínimo de 215 milhões de dólares e o máximo de US$ 430 milhões.

Fonte: Última Hora (Rio de Janeiro/RJ), 18/01/1968