Barco estrangeiro apresado

Uma corveta da Marinha brasileira apresou o barco pesqueiro americano King West, em julho de 1971, no litoral norte. A embarcação foi flagrada quando operava nos limites das 200 milhas territoriais brasileiras, mas seu comandante se recusou a sair, alegando que estava em águas internacionais. O navio brasileiro disparou então dois tiros de canhão, acertando a proa do pesqueiro. Em seguida, o apresou e o transportava para Belém quando uma ordem do ministro da Marinha, almirante Adalberto de Barros Nunes, dada por rádio, determinou a soltura do barco estrangeiro.

(Folha do Norte, Belém/PA, 11/07/1971)

Explosão mata colonos

Em julho de 1971 a lancha Anamã, a serviço do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), explodiu quando conduzia 73 colonos paranaenses e nordestinos de Belém para Altamira, no Pará. Os colonos, originários de Tapira, no Paraná, iam ser assentados na Transamazônica.

A explosão foi originada de um incêndio no motor-gerador a gasolina, que ocorreu quase à meia-noite, quando a embarcação se aproximava do estreito de Breves, no rio Amazonas. Apesar da morte de nove crianças e vários adultos, os colonos decidiram prosseguir a viagem, enterrando os mortos em Breves.

(Folha do Norte, Belém/PA, 08/07/1971)

Proteção à pesca

Em 1971 a Sudepe (Superintendência de Desenvolvimento da Pesca) considerou Belém área prioritária para ocupar, com a indústria nacional, a área do mar territorial de 200 milhas no litoral norte, na qual vinham atuando principalmente empresas estrangeiras.

Essa área abrange quase 500 milhas, com potencialidade então estimada de 45 mil toneladas de camarão, sendo considerado o maior banco camaroneiro do mundo. Belém foi selecionada para basear o plano por ser o ponto de convergência de toda a região litorânea do Maranhão ao Amapá.

Na cidade estavam instaladas oito indústrias pesqueiras, com uma frota de 29 navios. No litoral, antes do decreto do mar territorial de 200 milhas, atuavam mais de 500 barcos estrangeiros, dos quais 450 do Suriname, com capacidade de capturar até 5 mil toneladas de camarão, processadas em alto mar por um navio-fábrica com capacidade para 3 mil toneladas. O destino do produto eram os Estados Unidos.

A Sudepe pretendia apoiar a compra de 25 novos barcos nacionais e a instalação de mais uma empresa de pesca. Para ampliar o conhecimento sobre a área, estava deslocando dois barcos de pesquisa, batizados de Riobaldo e Diadorim, com o apoio de várias instituições científicas. Além do camarão, uma das espécies de maior interesse era a piramutaba, peixe que pode alcançar 100 quilos, muito consumido nos EUA.

(Folha do Norte, Belém/PA, 11/07/1971)

Médici na Transamazônica

O presidente Emílio Garrastazu Médici visitou pela primeira vez a Amazônia, em 9 de outubro de 1970, para dar início, em Altamira, no Pará, à construção da rodovia Transamazônica.

Seria “uma arrancada histórica para conquista e colonização desse gigantesco  mundo verde”, conforme a inscrição de uma placa de bronze que foi encravada no tronco de uma árvore, a 6 quilômetros de Altamira, centro da colonização, então uma cidade com 15 mil habitantes.

Em setembro de 1971, Médici voltou à região para percorrer uma parte do trecho já aberto da estrada. E em 27 de setembro de 1972 comandou a solenidade de inauguração do primeiro grande segmento da estrada, entre os rios Tocantins e Tapajós, “traduzindo a determinação do povo brasileiro de construir um grande e vigoroso País”, conforme os dizeres de uma nova placa de bronze, afixada no mesmo local, transformado em praça-monumento. Esse trecho tinha 1.253 quilômetros, entre Estreito, no Maranhão, e Itaituba, no Pará, inteiramente terraplanados, pista de mão dupla, com uma plataforma de 8.60 metros.

O presidente também inaugurou a Agrovila Brasil Novo, no km 50, pernoitando com sua comitiva no motel construído pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária). Antes de inaugurar a Transamazônica, Médici esteve em Santarém para inspecionar as obras do porto local e a abertura da rodovia Cuiabá-Santarém (BR-163).

(Folha do Norte, Belém/PA, 01/10/1972)

O sargento heroico

Em 3 de outubro de 1972 o Comando Militar da Amazônia divulgou nota oficial, em Manaus, assinada pelo tenente coronel Paulo Henrique Lisboa, chefe da 5ª Seção, comunicando o assassinato do 2º sargento Mário Abrahim da Silva, do 1º Batalhão de Infantaria da Selva.

O militar foi baleado na noite de 28 de setembro, quando fazia “a fiscalização de postos de segurança instalados para o Exército”, como parte das “manobras que o Exército realizava naquela área, com a participação da 12ª Região Militar e de outras grandes unidades”.

O sargento foi “traiçoeiramente” atingido por um tiro disparado por um “inimigo da pátria”. A nota dizia que “um terrorista” foi o autor do disparo, admitindo que “o terror tombou mais um dedicado servidor da Pátria e exemplar chefe de família”.

Mas, “longe de representar uma vitória para maus brasileiros, constituirá mais uma motivação para que aqueles que amam a nossa terra lutem em todos os campos contra atentados de tal natureza”.

Segundo o comunicado, as últimas palavras ditas pelo sargento logo depois de ferido (“Aferrem-se ao terreno, varram a área com tiro e mantenham a segurança”) “hão de ecoar por toda a Amazônia como lição de responsabilidade e amor ao Brasil”.

Antes de morrer, Abrahim teria chamado o sargento Bonifácio e lhe passado o comando com as derradeiras palavras: “A boina-verde é sua, companheiro. Comande nossos homens para que a Pátria permaneça livre e democrática”. O CMA mandou reazar missa pela memória do sargento morto na Catedral Metropolitana de Manaus.

(Folha do Norte, Belém/PA, 4/10/1972)

Colonização na Transamazônica

Em julho de 1971, o presidente do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), José de Moura Cavalcanti, anunciou que em três anos, até 1974, 100 mil famílias de colonos estariam assentadas ao longo da Transamazônica, principalmente num polígono de terras Altamira, no Pará, com solos de alta fertilidade.

A média seria de seis mil famílias assentadas por mês. Cada uma delas receberia do Incra um lote de 100 hectares, uma casa de 52 metros quadrados e um salário mínimo durante seis meses. O instituto custearia todas as despesas de recrutamento e transferência de colonos.

Eles receberiam na Transamazônica financiamento do Banco do Brasil, principalmente para cultivos de café e cacau, com carência de três anos e oito para quitar a dívida. Todas as famílias teriam acesso à educação nos seus lotes.

(Folha do Norte, Belém/PA, 16/07/1971)

A FAO na Amazônia

A FAO (Organização Mundial para a Agricultura e Alimentação, órgão da ONU com sede em Roma, na Itália) começou a atuar em pesquisas florestais na Amazônia em 1956, na região de Santarém, no Pará, estendendo seu raio de ação até Curuá-Una, dois anos depois. Montou uma serraria modelo e realizou experimentos, juntamente com a SPVEA (Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia).

Em julho de 1971 a FAO assinou um convênio com o governo brasileiro para ampliar e dar prioridade aos estudos que realizou desde então, em parceria com o IBDF (Instituto Brasileiro do Desenvolvimento Florestal).

O convênio teria a duração de cinco anos, dividido em duas etapas. A cooperação visava uma ampla ação, desde o plano da pesquisa e do manejo até a introdução de novas tecnologias e identificação de mercado.

(Folha do Norte, Belém/PA, 18/07/1971)