Imigrantes no sul do Pará

Uma área de 100 mil quilômetros quadrados no vale do rio Araguaia, apesar de integrar o território do Estado do Pará, estava se tornando cada vez menos paraense, segundo um estudo elaborado em 1976 pela assistente social Alice de Souza Melo e o engenheiro-agrônomo Janildo de Souza Campos para a Sudam (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia).

Com dados de 1974, o trabalho mostra que das 78 mil pessoas que moravam nessa região na época, 44 mil não haviam nascido no Pará. Vieram das regiões Nordeste (26,7 mil), Centro-Oeste (16,5 mil) e Sudeste (1,3 mil).

Embora individualmente ainda fossem mais numerosos (33 mil), os paraenses já haviam sido superados no conjunto numérico e, sobretudo, na qualidade da forma de ocupação dessa área.

Sua feição estava marcada pelo migrante, originário, principalmente, do Maranhão (19 mil) e de Goiás (16,5 mil), que procurava emprego nas terras de mais de 100 fazendas ali existentes (60 das quais recebendo incentivos fiscais do governo).

Fonte: O Estado de S. Paulo (SP), 19-12-1976

Açúcar na Transamazônica

Em 1974 começou a funcionar a usina de açúcar Abraham Lincoln, construída no quilômetro 92 da rodovia Transamazônica, que se localizava então no município de Altamira, no Pará (hoje, em Medicilândia). A usina foi levantada em tempo recorde, de 12 meses, pela empresa paulista Zanini S/A e custou 45 milhões de cruzeiros da época. Foi inaugurada pelo então ministro da agricultura, Alysson Paulinelli.

Sua capacidade de produção, de 500 mil sacas de açúcar e 3,5 milhões de litros de álcool, deveria ser atingida plenamente em três ou quatro anos. Garantiria um terço de todo o abastecimento da Amazônia, que necessitava de 1,5 milhão de sacas/ano, importadas principalmente do Nordeste.

A usina, ocupando área de 9.750 metros quadrados, empregaria diretamente 120 pessoas e, indiretamente, outras 1.2000, envolvidas na produção de cana de açúcar em uma área de cinco mil hectares. Nela, com incentivo do Incra, fora obtido um excelente índice de produtividade: 100 toneladas por hectare.

(Fonte: Arquivo Pessoal, 01-11-1990)

Fábrica de celulose

Apenas a metade da produção da Fábrica de Celulose e Papel da Amazônia, de 4 mil toneladas anuais, instalada em Belém, era suficiente para abastecer, no início de 1972, o Pará inteiro de papel de embrulho, papel de embalagem, papel higiênico e papel-toalha. A outra metade era mandada para o Norte e a parte mais próxima do Nordeste, a partir de Pernambuco, um “imenso mercado dominado pela Facepa”.

A fábrica já havia crescido “39 vezes em 8 anos”, mas em 1973 estaria produzindo o dobro, como prometia um anúncio que a empresa divulgou. Utilizando pasta mecânica e celulose à base de madeiras brancas amazônicas, a Facepa dizia produzir “papel de qualidade superior e com matéria-prima de custo 50% mais econômico”. Transformaria a floresta tropical em “floresta de progresso”.

(Arquivo Pessoal, 1973)

Secretariado de Alacid

Secretariado com o qual o tenente-coronel Alacid da Silva Nunes iniciou o seu primeiro mandato como governador do Pará, em 1º de fevereiro de 1966 (até 1971, com um novo mandato entre 1979 e 1983):

CHEFIA DE GABINETE – Osvaldo Melo

FAZENDA – José Jacinto Aben-Athar

EDUCAÇÃO – Acy de Jesus Barros Pereira

AGRICULTURA – Walmyr Hugo dos Santos

OBRAS – José Maria Barbosa

DER – Alyrio César de Olivera

PROCURADORIA GERAL – Ofir Coutinho

DEA (Departamento de Águas e Esgotos) – Luís Gonzaga Baganha

IDESP – Adriano Veloso Menezes

POLÍCIA MILITAR – Antônio Cálvis Moreira

Os outros secretários e auxiliares do primeiro escalão, por ainda não terem sido colocados à disposição do Estado no dia da posse, só seriam nomeados depois, como Carlos Guimarães Pereira da Silva, José Magalhães e José Maria Condurú Pinto Marques.

CONSULTORIA GERAL – Otávio Mendonça

(Arquivo Pessoal s/d)

Ver-o-Peso

No início de 1972, no mercado do Ver-o-Peso, em Belém, ainda estavam de pé os clippers, terminais de ônibus e pontos de venda. Eles atravancavam o trânsito e se tornaram lugares anti-higiênicos pelo mau uso. Mas certamente teria sido melhor que fossem mantidos, desde que submetidos a nova regulamentação. Eram um elemento de época, de que davam testemunho suas linhas arquitetônicas. O maior problema não eram essas construções, mas o caótico transporte coletivo, ontem e hoje.

(Arquivo Pessoal, 1972)

As baixadas de Belém

Em maio de 1976, o DNOS (Departamento Nacional de Obras de Saneamento) deu início ao programa emergencial, a primeira etapa do Plano de Recuperação das Baixadas de Belém, no Pará, que o presidente Ernesto Geisel aprovara, no início desse ano. Visava beneficiar 320 mil pessoas, residentes nas áreas alagáveis da capital paraense, abrangendo 40% da primeira légua patrimonial da cidade. A fase emergencial atingiria 18 hectares, menos de 1% dos 2 mil hectares de baixadas de Belém, ao longo do igarapé São Joaquim, remanejando do local 500 famílias para uma vila temporária às proximidades.

Fonte: Arquivo Pessoal, 07/05/1976

Albrás atrasa

Em maio de 1976, o consórcio japonês LMSA (Light Metal Smelter Association) anunciou sua decisão de suspender, por dois anos, o início da implantação da fábrica de alumínio da Albrás, no Pará, que conduzia em conjunto com a Companhia Vale do Rio Doce.

Os japoneses alegaram que estavam implantando uma outra fábrica de alumínio nas Filipinas naquele momento e que a instabilidade do mercado internacional do metal desaconselhava o investimento simultâneo. Pelo cronograma original, a Albrás deveria iniciar suas atividades em 1979, produzindo 80 mil toneladas de alumínio primário. Cinco anos depois, chegaria à sua plena capacidade, de 320 mil toneladas.

O governo brasileiro não gostou da decisão dos japoneses, mas a aceitou porque o cronograma da hidrelétrica de Tucuruí, que deveria fornecer energia ao empreendimento, estava também atrasado, por não dispor de recursos para conduzir sozinho o projeto e por não ter encontrado outro sócio.

Fonte: Arquivo Pessoal, 10/05/1976