As baixadas de Belém

Em maio de 1976, o DNOS (Departamento Nacional de Obras de Saneamento) deu início ao programa emergencial, a primeira etapa do Plano de Recuperação das Baixadas de Belém, no Pará, que o presidente Ernesto Geisel aprovara, no início desse ano. Visava beneficiar 320 mil pessoas, residentes nas áreas alagáveis da capital paraense, abrangendo 40% da primeira légua patrimonial da cidade. A fase emergencial atingiria 18 hectares, menos de 1% dos 2 mil hectares de baixadas de Belém, ao longo do igarapé São Joaquim, remanejando do local 500 famílias para uma vila temporária às proximidades.

Fonte: Arquivo Pessoal, 07/05/1976

Albrás atrasa

Em maio de 1976, o consórcio japonês LMSA (Light Metal Smelter Association) anunciou sua decisão de suspender, por dois anos, o início da implantação da fábrica de alumínio da Albrás, no Pará, que conduzia em conjunto com a Companhia Vale do Rio Doce.

Os japoneses alegaram que estavam implantando uma outra fábrica de alumínio nas Filipinas naquele momento e que a instabilidade do mercado internacional do metal desaconselhava o investimento simultâneo. Pelo cronograma original, a Albrás deveria iniciar suas atividades em 1979, produzindo 80 mil toneladas de alumínio primário. Cinco anos depois, chegaria à sua plena capacidade, de 320 mil toneladas.

O governo brasileiro não gostou da decisão dos japoneses, mas a aceitou porque o cronograma da hidrelétrica de Tucuruí, que deveria fornecer energia ao empreendimento, estava também atrasado, por não dispor de recursos para conduzir sozinho o projeto e por não ter encontrado outro sócio.

Fonte: Arquivo Pessoal, 10/05/1976

A ferrovia de Carajás

Em 1972, a Valuec, empresa de consultoria formada pela Companhia Vale do Rio Doce e a United States Steel, concluiu os estudos sobre a melhor alternativa para o escoamento da produção de minério de ferro da jazida de Serra dos Carajás, no Pará, considerada a melhor do mundo.

Depois de um ano de trabalho, envolvendo 600 pessoas e 20 empresas nacionais e estrangeiras, que resultaram em 59 relatórios parciais e gasto de nove milhões de dólares, a Valuec indicou a solução ferroviária, com uma linha de trem entre a mina e a baía de São Marcos, no litoral do Maranhão, onde o minério seria embarcado para o exterior.

Em maio de 1976 o presidente Ernesto Geisel assinou decreto outorgando à Amazônia Mineração (Amza), por 50 anos, a concessão para a exploração da ferrovia Carajás-Itaqui.

Fonte: Arquivo Pessoal, 14/05/1976

Pará com DDI

Em 27 de abril de 1976, o Pará passou a fazer parte do sistema nacional de Discagem Direta Internacional (DDI) para a Europa e Estados Unidos. Nesse dia, o governador do Estado, Aloysio Chaves, fez, a partir de Belém, uma ligação para Roma, conversando com o embaixador do Brasil na Itália, Jorge de Carvalho e Silva.

Logo em seguida, o governador passou o telefone para o ministro das comunicações, Euclides Quandt de Oliveira, que falou com o ministro das comunicações da Itália, Giulio Orlando. A ligação, que durou seis minutos e meio, demorou 10 segundos para ser completada.

Fonte: Arquivo Pessoal, 27/04/1976

Marinha na A,azônia

Em abril de 1972, o IV Distrito Naval, com sede em Belém, no Pará, dobrou sua frota de navios de patrulhamento costeiro, que tinha três embarcações, com a incorporação do Piratini, do Pampeiro e do Parati, construídos nos estaleiros do Arsenal de Marinha, no Rio de Janeiro. Os navios-patrulha da classe Piratini têm capacidade para deslocar 105 toneladas a uma velocidade de 15,5 nós.

Fonte: A Província do Pará (Belém/PA), 19/04/1972

Colonização em Rondônia

O deputado federal Jerônimo Santana, do MDB de Rondônia, enviou carta ao presidente da república, em fevereiro de 1972, denunciando o abandono e os maus tratos do Incra aos colonos do projeto de assentamento Siney Girão, em Ribeirão, no Estado, como a causa da morte de 30 das 100 famílias que foram transferidas para o local a partir de Mato Grosso e Paraná.

O principal problema dos colonos foi a malária, que provocou muitas mortes. Havia apenas um enfermeiro para atender toda a população. Restavam no projeto na ocasião 400 pessoas, de 70 famílias de colonos. Outro problema eram os altos preços cobrados na cantina do Incra por comida e ferramentas de trabalho, contrariando as promessas feitas.

Fonte: O Estado de S. Paulo (São Paulo/SP), 27/02/1972

Início da Sinop

Em 1971, a Sinop Colonizadora, do empresário paranaense Enio Pipino, assumiu o controle da Gleba Celeste, com 200 mil hectares, no norte de Mato Grosso. A área, cortada pela rodovia Santarém-Cuiabá, na época em construção, seria utilizada para um projeto de colonização particular, à semelhança dos empreendimentos realizados por Pipino numa gleba de 302 mil hectares no norte do Paraná.

No dia 27 de julho de 1972, com a presença do ministro do Interior, Costa Cavalcanti, a Sinop inaugurou a Cidade Vera, o primeiro dos três núcleos urbanos que seriam formados na área, o maior dos quais seria a Cidade Sinop, onde a empresa pretendia construir um hotel turístico inteiramente de mogno.

Fonte: Veja (São Paulo/SP), 09/08/1972