O custo da Transamazônica

Em relatório encaminhado ao presidente da república no final de novembro de 1972, o ministro dos transportes, Mário Andreazza, informou que o trecho Estreito-Itaituba da rodovia Transamazônica, com 1.253 quilômetros de extensão, havia custado até aquela data Cr$ 384.620.652,35, dos quais Cr$ 373.939.799,28 referentes à construção em si e Cr$ 10.680.853,07 em consultoria. O custo médio por quilômetro atingiu Cr$ 306.715,03.

No mesmo relatório, o ministro comunicou a instalação de sinalização, a implantação de cinco postos de abastecimento e a criação de postos rodoviários ao longo desse trecho, a primeira infraestrutura de apoio na estrada.

(Jornal do Brasil, Rio de Janeiro/RJ, 21/11/1972)

Começo da Perimetral

Em setembro de 1971, o DNER (Departamento Nacional de Estradas de Rodagem) publicou edital para a seleção de empresas de consultoria, que iriam realizar os serviços de levantamento aerofotogramétrico, fotointerpretação, restituição aerofotogramétrica e anteprojeto de engenharia da Perimetral Norte, que o governo federal então projetava para a Amazônia.

Ela deveria ter 4.400 quilômetros de extensão, cortando os Estados do Acre, Amazonas e Pará, e os então territórios de Roraima e Amapá, permitindo o acesso à região mais setentrional da bacia amazônica. Segundo o ministro dos transportes, Mário Anddreazza, a Perimetral teria “particular significação para a segurança e a nacionalização da faixa de fronteira, numa área até agora despovoada e inexplorada”, que se constituía num “completo vazio demográfico e econômico”.

(O Estado de S. Paulo, São Paulo/SP, 12/09/1971)

Descoberta de bauxita

Em fevereiro de 1974, a Ethyl Corporation anunciou em Richmond, na Virgínia (EUA), a descoberta de um grande depósito de bauxita na região amazônica, através de sua subsidiária brasileira, a empresa Santa Rita de Mineração Limitada. A Ethyl informou ainda que os estudos de aviação e de engenharia de pesquisa ainda exigiriam pelo menos dois anos de trabalho, tal a extensão e a profundidade da jazida descobertas. Mas não deu indicação sobre a localização exata da ocorrência.

(O Estado de S. Paulo, São Paulo/SP, 26/02/1974)

A cana de açúcar na Transamazônica

Em 1974, começou a funcionar a usina de açúcar Abraham Lincoln, construída no quilômetro 92 da rodovia Transamazônica, no município de Altamira, no Pará. A usina foi levantada em tempo recorde, de 12 meses, pela empresa paulista Zanini. Custou 54 milhões de cruzeiros (valor da época), sendo inaugurada pelo então ministro da agricultura, Alysson Paulinelli.

Sua capacidade de produção, de 500 mil sacas de açúcar e 3,5 milhões de litros de álcool, deveria ser atingida plenamente em três ou quatro anos. Garantiria um terço do abastecimento da Amazônia, que necessitava de 1,5 milhão de sacas/ano de açúcar, importadas principalmente do Nordeste.

A usina, ocupando área de 2.750 metros quadrados, empregaria diretamente 120 pessoas e, indiretamente, outras 1.200 pessoas, envolvidas na produção de cana de açúcar em uma área de cinco mil hectares. Nela, com incentivo do Incra, fora obtido um excelente índice de produtividade: 100 toneladas por hectare.

(Arquivo Pessoal/1974)

Primeira safra da Transamazônica

A primeira safra agrícola obtida pelas 10 mil famílias assentadas pelo Incra no município de Altamira, na Transamazônica, no Pará, foi de 150 mil sacas, metade delas de arroz e o restante de milho, feijão e outras pequenas culturas, como amendoim e mandioca. Quase toda a produção foi comercializada na própria área. Grande parte do milho serviu de ração para a criação de porcos e aves.

Durante os oito meses do plantio, cada família de colono recebeu um salário mínimo por mês, além de alimentação, ferramentas, remédios, ou, quando o caso, financiamento através do Banco do Brasil. Só em salários mínimos, a dívida de cada colono junto ao Incra era, então, de 1,3 milhão de cruzeiros, mas a amortização só poderia absorver 30% dos rendimentos de cada família. Em toda a área, havia nessa época apenas 180 cabeças de gado.

(Arquivo Pessoal, s/d, mas do início da década de 1970)

Gerente de fazenda do Bradesco

O gerente da Companhia Agro-Pecuária Rio Araguaia (CAPRA), pertencente ao Bradesco, matou o lavrador Francisco Moura Leite, de 24 anos, que ocupava um lote dentro da propriedade. O crime ocorreu em frente a uma escola de Conceição do Araguaia, no sul do Pará, em junho de 1973.

Aigon Hudson Pyles vinha sendo acusado de praticar violências contra lavradores desde 1971. A direção do Bradesco só tomou providências depois do crime e da prisão do gerente. O presidente do banco, Amador Aguiar, enviou uma carta ao prefeito de Conceição repudiando a “desatinada atitude” do seu gerente,

(Arquivo Pessoal, 01/08/1973)