Advogados e jornalistas presos

Dois advogados do Cimi (Conselho Indigenista Missionário) e dois jornalistas foram presos, em julho de 1989, no distrito de Iauareté, município de São Gabriel da Cachoeira, no extremo oeste do Estado do Amazonas, por soldados do 1º Pelotão de Fronteiras do Exército. A ordem de prisão foi dada pelo coronel Romeu Dias Torres, comandante do 5º Batalhão Especial de Fronteira.

Os advogados Felisberto Damasceno e Judite Moreira e os jornalistas José Rocha e Júlio Azcarate, este de nacionalidade espanhola, participavam de uma assembleia indígena que discutia o Projeto Calha Norte e a demarcação de áreas indígenas. Eles acusaram a Funai e o Exército de violarem o direito de ingressarem nas reservas, a convite das lideranças indígenas.

Já a direção da Funai no Amazona alegou que os representantes do Cimi transgrediram as normas legais, ingressando na reserva sem autorização prévia do órgão responsável pela tutela dos índios. O grupo permaneceu por dois dias detido no quartel do 5º batalhão. Seus pertences foram confiscados e alguns documentos, copiados, antes de serem liberados e retornarem a Manaus. O Exército informou que a expulsão dos quatro da reserva indígena foi requisitada pela Funai.

(O Liberal, Belém/PA, 06/07/1989)

Conspiração contra Amazônia

Em julho de 1987 foi instalada, na Câmara Federal, a CPI destinada a investigar denúncias sobre uma conspiração internacional contra a soberania brasileira sobre áreas de mineração na Amazônia. As denúncias, feitas através do jornal O Estado de S. Paulo, diziam que a manobra envolvia o Conselho Mundial das Igrejas (CMI) e o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), órgão da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). O presidente da Comissão Parlamentar foi o deputado Roberto Cardoso Alves (PMDB-SP) e seu relator o senador Ronan Tito (PMDB-MG).

(O Liberal, Belém/PA, 12/07/1987)

O Pará e a energia

Em 1986 o Pará exportou para outros Estados brasileiros energia equivalente a 1,6 milhão de toneladas de petróleo, no valor de 232 milhões de dólares (US$ 20 o barril), graças ao excedente de geração da hidrelétrica de Tucuruí, inaugurada dois anos antes.

A segunda maior do país, ela deu início ao aproveitamento do potencial hidrelétrico dos rios do território paraense, representando 28% das reservas nacionais de hidreletricidade, segundo dados do balanço energético divulgado em 1988 (com dados de 1986) pelo Grupo de Estudos Energéticos do Idesp (Instituto do Desenvolvimento Econômico e Social do Pará), órgão do governo do Estado.

Segundo os técnicos, se o Pará recebesse a mesma remuneração paga aos Estados produtores de petróleo (royalty de 5% do valor da produção), sua receita teria sido engordada em mais US$ 12 milhões em função da geração hidrelétrica.

(O Liberal, Belém/PA, 23/06/1988)

O garimpo da Cutia

Em 1988 surgiu o garimpo da Cutia, no município de Curionópolis, no sul do Pará. Milhares de pessoas, muitas delas deslocadas do garimpo de Serra Pelada, às proximidades, já em decadência, foram atraídas pela notícia da descoberta de uma nova jazida de ouro.

Para poder reter o minério fino durante a lavagem do cascalho, os garimpeiros precisavam usar uma grande quantidade de mercúrio, que contaminou o único riacho da localidade, além de poluir o ar no momento da queima do metal. O garimpo, ocupando 150 hectares, evoluiu da mesma forma caótica de Serra Pelada, que surgiu em 1980.

(O Liberal, Belém/PA, 23/06/1988)

Filho de fazendeiro assassinado

Em dezembro de 1986, Tarley Lemos Andrade, filho de Jairo de Andrade, dono da Fazenda Forkilha e membro da direção nacional da UDR (União Democrática Ruralista), foi morto a tiros juntamente com um empregado, o mecânico João Batista Gonçalves.

O assassinato aconteceu em meio a uma discussão travada entre Tarley e um grupo de homens, que se apresentaram como ocupantes de propriedades vizinhas, sobre várias toras de mogno empilhadas sobre uma esplanada na divisa entre as fazendas, no município de Redenção, no sul do Pará.

Depois de atirarem no filho do fazendeiro e no mecânico, os assassinos fugiram. Alguns deles foram presos depois e responderam a processo criminal.

(Arquivo Pessoal, dezembro de 1986)

Madeira extraída dos kayapós

Em agosto de 1987 índios kayapó, da aldeia Gorotire, no sul do Pará, apreenderam 25 caminhões da madeireira Sebba carregados de mogno. Só se dispuseram a liberá-los, assim como a atividade da empresa na área, com o reajuste do preço pago pela extração de madeira dentro da reserva indígena.

Os índios de Gorotire queriam que cada metro cúbico passasse a render o equivalente a 8 OTNs (Obrigações do Tesouro Nacional) e não mais 5 OTNs, como vinha sendo praticado. Nas outras três aldeias da reserva (Kikretun, Kubenkankren e Kokraimoro), esse já era o preço cobrado pelos índios das madeireiras em atividade.

O contrato com a Sebba foi assinado em 1983. Além de remunerar os índios por cada metro cúbico de mogno extraído, até o limite de 25 mil m3, a empresa teria que construir 15 casas de alvenaria (além das 40 já existentes na aldeia), escola, enfermaria, abastecimento de água e uma estrada ligando a aldeia à cidade de Redenção.

Este seria o motivo para a Sebba pagar menos do que as outras madeireiras, desobrigadas de tais exigências, feitas apenas em Gorotire. Nenhum inventário florestal foi realizado antes da exploração da madeira, centrada no mogno, a espécie de maior valor comercial.

(O Liberal, Belém/PA, 16/08/1987)

Garimpeiros atacam mineradora

Uma semana depois de terem invadido e destruído as instalações da empresa Oca Mineração, no município de Senador José Porfírio, no Pará, garimpeiros organizaram uma emboscada e feriram nove pessoas na área, em fevereiro de 1986. Três dos feridos eram agentes da Polícia Federal, um funcionário do DNPM e três funcionários da própria empresa.

Outros dois feridos foram uma mulher e seu cachorro, que haviam embarcado como caronas no carro alvo da emboscada. O ataque foi para tentar forçar a empresa a abandonar a lavra experimental de ouro que havia montado na área, na mina do Itatá.

(A Província do Pará, Belém/PA, 14/02/1986)