Pesquisa sobre queimadas

Em maio de 1989, a Universidade de São Paulo concluiu a construção do “Cena-1”, o primeiro navio de pesquisas em água doce do país, iniciada cinco anos antes. Com 150 toneladas de peso, 30 metros de comprimento por sete metros de largura e laboratório ocupando 126 metros quadrados, o navio permitiria a realização de pesquisas múltiplas, abrigando 17 pesquisadores e cinco tripulantes. O custo foi financiado pelo governo federal.

O navio passaria a ser comandado por cientistas brasileiros com a ajuda financeira da Agência Internacional de Energia Atômica, da ONU. Com autonomia de combustível para 2.500 milhas e suprimento de alimentos para um mês, o “Cena-1” possibilitaria viagens de investigação ao longo de toda a bacia amazônica.

Uma de suas primeiras pesquisas seria sobre a concentração de carbono na atmosfera e nas águas dos rios amazônicos. Com isso, os cientistas poderiam medir a amplitude das queimadas.

(O Estado de S. Paulo. São Paulo/SP, 09/05/1989)

Sindicato em Conceição do Araguaia

Em agosto de 1985, chegou ao fim o domínio que, durante nove anos, Bertoldo Lira Siqueira exerceu no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Conceição do Araguaia, considerado, na época, o mais importante do Pará. A oposição vinha tentando, sem sucesso, afastar Bertoldo do cargo.

Em 1980, Raimundo Ferreira Lima, mais conhecido como Gringo, que pretendia assumir a presidência, foi assassinado. Para empossar a nova diretoria, eleita um mês antes, o juiz Enivalgo Gama Ferreira teve que mandar arrombar a sede do sindicato porque Bertoldo não apareceu para transmitir o cargo e trancou a porta do prédio.

(O Liberal, Belém/PA, 20/08/1985)

Primeiro projeto Probor

O primeiro seringal de cultivo financiado pelo Probor a entrar em produção no Pará, numa área de 400 hectares plantados e mais 32 hectares de viveiros, foi “sangrado” em outubro de 1980 para a retirada de látex. O seringal era de propriedade do médico Ronaldo Fonteles de Lima e se localizava na Baía do Sol, no distrito de Mosqueiro, a 60 quilômetros de Belém. O projeto serviria de modelo para um empreendimento ainda maior, o projeto Moju, que a Sudhevea estava apoiando para ampliar a heveacultura no Estado.

(O Liberal, Belém/PA, 05/10/1980)

Morte “ao vivo” na TV

No dia 26 de julho de 1985, Salvador Chamon invadiu o estúdio da TV Tocantins, em Marabá, no sul do Pará. Lá dentro, ajudado por um capanga, matou Robson José Costa Abade, de 37 anos, com seis tiros de pistola 7.65.

Robson estava dando entrevista a um programa da emissora, acusando Salvador e seu irmão, José Chamon Neto, vereador e candidato a prefeito pelo PMDB à prefeitura de Marabá. Salvador era delegado de polícia em Serra Pelada. Com o irmão, teria roubado e depois vendido 34 armas apreendidas pela polícia. O vereador estaria circulando num carro Del Rey roubado no Maranhão.

O programa estava no ar quando Salomão e seu capanga, conhecido como Bodão, entraram no estúdio. Focados pela câmera, atiraram em Robson, matando-o no local, e depois fugiram.

(A Província do Pará, Belém/PA, 27/07/1985)

Policiais mortos em conflito

Dois policiais civis do Distrito Federal, Bruno Erickman Fernandes e Cláudio Acioly, foram mortos por posseiros emboscados na Fazenda Nazaré, em Conceição do Araguaia, no sul do Pará, no final de março de 1987. Os agentes teriam sido contratados pelo dono da fazenda, juntamente com outros dois fazendeiros, para expulsar posseiros da área. O padre Ricardo Rezende, da Comissão Pastoral da Terra, acreditava no envolvimento de mais dois policiais.

Alguns dias depois do choque, um telefonema anônimo fez a polícia descobrir, a oito quilômetros de distância da cidade, na PA-150, no rumo de Xinguara, a metralhadora INA nº 0016M953, de fabricação nacional e de uso privativo das forças policiais regulares. A metralhadora teria sido usada pelos policiais de Brasília. Das 30 balas que cabem no pente, apenas seis cartuchos já haviam sido deflagrados.

A Fazenda Nazaré pertencia à Araguaia Agrícola e Pecuária, da família Gomes dos Reis, de São Paulo, com área de 12 mil hectares. A família possuía mais quatro propriedades de grande extensão: Três Irmãos (na época em processo de desapropriação para o programa de reforma agrária), Santa Maria da Conceição, Maria Luiza e Agrisa. Na Fazenda Nazaré havia 80 famílias de posseiros.

(Jornal do Brasil (Rio de Janeiro/RJ), 03/04/1987)

Conflito de terra no Maranhão

Um grave conflito de terra ocorreu em agosto de 1987 na região de Buriticupu, município de Monção, na Pré-Amazônia maranhense. De um lado 108 jagunços contratados pelos proprietários de nove fazendas, espalhadas sobre uma área de 35 mil hectares. Essa área era também ocupada por 400 famílias de lavradores, que se armaram para resistir aos agressores. A terra já estava em processo de desapropriação pelo Ministério da Reforma Agrária, mas sem conclusão.

(O Liberal, Belém/PA, 07/08/1987)