Conflito de terra no Maranhão

Um grave conflito de terra ocorreu em agosto de 1987 na região de Buriticupu, município de Monção, na Pré-Amazônia maranhense. De um lado 108 jagunços contratados pelos proprietários de nove fazendas, espalhadas sobre uma área de 35 mil hectares. Essa área era também ocupada por 400 famílias de lavradores, que se armaram para resistir aos agressores. A terra já estava em processo de desapropriação pelo Ministério da Reforma Agrária, mas sem conclusão.

(O Liberal, Belém/PA, 07/08/1987)

Os índios e o cinema

Em agosto de 1989 os índios do Parque Nacional do Xingu propuseram uma ação na justiça federal, em Brasília, cobrando 10% da renda bruta de exibição do filme “Kuarup”, do diretor Ruy Guerra, e mais 10% sobre a renda apurada na exibição do filme na televisão e em fitas de vídeo, no Brasil e no exterior.

Na ação, os índios yawalapiti, kamaiurá e cuicuro admitem ter autorizado o livre acesso do pessoal e dos equipamentos para a produção do filme em troca de duas lanchas motorizadas e duas balsas com motor, que lhes foram doadas. Mas argumentaram ter direito a receber mais pela utilização de sua imagem, por entenderem que o ponto alto do filme foi sua dança ritual, o Kuarup.

(Jornal do Brasil, Rio de Janeiro/RJ, 27/08/1989)

Kayapós expulsam garimpeiros

Cerca de 200 índios kayapó, da aldeia Gorotire, no sul do Pará, expulsaram cinco mil garimpeiros que ocupavam o garimpo Maria Bonita, e Redenção, agindo de surpresa, no dia 1º de abril de 1985. Os índios reclamavam do não pagamento do dízimo da exploração do ouro pela Caixa Econômica Federal. Ante a iminência de um conflito, o governo mobilizou até um avião Búfalo para evacuar os garimpeiros da área, situada no interior da reserva indígena. A maioria dos garimpeiros ficou em Redenção.

(O Liberal, Belém/PA, 12/04/1985)

Pesquisa em água doce

Em maio de 1989, a Universidade de São Paulo concluiu a construção do “Cena-1”, o primeiro navio de pesquisas em água doce do país, iniciada cinco anos antes. Com 150 toneladas de peso, 30 metros de comprimento por sete metros de largura e laboratório ocupando 126 metros quadrados, o navio permitiria a realização de pesquisas múltiplas, abrigando 17 pesquisadores e cinco tripulantes. O custo foi financiado pelo governo federal.

O navio passaria a ser comandado por cientistas brasileiros com a ajuda financeira da Agência Internacional de Energia Atômica, da ONU. Com autonomia de combustível para 2.500 milhas e suprimento de alimentos para um mês, o “Cena-1” possibilitaria viagens de investigação ao longo de toda a bacia amazônica.

Uma de suas primeiras pesquisas seria sobre a concentração de carbono na atmosfera e nas águas dos rios amazônicos. Com isso, os cientistas poderiam medir a amplitude das queimadas.

(O Estado de S. Paulo, São Paulo/SP, 09/05/1989)

Controle do sindicato

Em agosto de 1985, chegou ao fim o domínio que, durante nove anos, Bertoldo Lira Siqueira exerceu no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Conceição do Araguaia, considerado, na época, o mais importante do Pará.

A oposição vinha tentando, sem sucesso, afastar Bertoldo do cargo. Em 1980, Raimundo Ferreira Lima, mais conhecido como Gringo, que pretendia assumir a presidência, foi assassinado. Para empossar a nova diretoria, eleita um mês antes, o juiz Enivaldo Gama Ferreira teve que mandar arrombar a sede do sindicato porque Bertoldo não apareceu para transmitir o cargo e trancou a porta do prédio.

(O Liberal, Belém/PA, 20/08/1985)

Plantio de borracha

O primeiro seringal de cultivo financiado pelo Probor a entrar em produção no Pará, numa área de 400 hectares plantados e mais 32 hectares de viveiros, foi “sangrado” em outubro de 1980 para a retirada de látex. O seringal era de propriedade do médico Ronaldo Fonteles de Lima e se localizava na baía do Sol, no distrito de Mosqueiro, a 60 quilômetros de Belém. O projeto serviria de modelo para um empreendimento ainda maior, o projeto Moju, que a Sudhevea estava apoiando para ampliar a heveicultura no Estado.

(O Liberal, Belém/PA, 05/10/1980)