Bispo nu?

Durante todo o tempo em que responderam a processo perante a justiça militar do Pará, os padres franceses Aristide Camio e François Gouriou permaneceram presos no quartel do 2º Batalhão de Infantaria de Selva do Exército, em Belém. Antes da condenação dos dois, as visitas podiam ser feitas duas vezes por semana, duas horas de cada vez, e o arcebispo coadjutor de Belém, d. Vicente Zico, podia visitar a ambos em qualquer dia.

Após a condenação, as visitas passaram a ser feitas apenas uma vez por semana, durante uma hora. D. Zico perdeu o privilégio e, em agosto de 1986, viu-se envolvido em um incidente. O soldado responsável pela revista dos visitantes exigiu que o arcebispo se despisse, como os demais, obrigados a tirar até as cuecas. Indignado, d. Zico se recusou a submeter-se à exigência e retirou-se.

O arcebispo de Belém, d. Alberto Ramos, emitiu uma nota oficial condenando a atitude. Mas o comandante da 8ª Região Militar, general Waltencir Costa, negou que a exigência tivesse sido feita ao religioso.

Fonte: A Província do Pará (Belém), 07-08-1986

Novo Estado

Em outubro de 1987, o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, vinculado ao Ministério da Justiça, defendeu a ideia da criação de um novo Estado, como uma forma de conter a violência praticada na disputa pela posse da terra na região.

Os membros do Conselho, que se reuniram em Conceição do Araguaia, admitiram que o governo do Pará estava completamente distanciado dos problemas locais e que a polícia servia aos proprietários particulares.

A necessidade de um novo Estado seria ainda mais reforçada pelo fato de que apenas 6% dos 500 mil habitantes desses municípios eram nativos do Pará. Os demais eram goianos, mineiros, gaúchos, paranaenses e nordestinos.

Fonte: O Liberal (Belém), 08-10-1987

Água em vez de gás

Em maio de 1980, as principais bolsas de valores do Brasil registraram uma alta imoderada das ações da Petrobrás. Foi devido à informação de que a empresa havia encontrado uma nova jazida de petróleo na costa do Amapá, onde perfurava o poço Amapá Submarino 31-A, situado a 150 quilômetros do litoral.

A expectativa favorável decorreu da constatação de uma elevada resistividade (resistência à passagem de corrente elétrica nos perfis elétricos extraídos do poço). Em geral, essa característica indica a existência de gás e petróleo nas rochas. Mas com a perfuração surgiu apenas água no poço.

Fonte: O Estado de S. Paulo (SP), 22-05-1980

Petróleo pelo Amazonas

A Companhia de Navegação da Amazônia, criada em novembro de 1957, foi a armadora pioneira no transporte de petróleo e derivados na Amazônia. A serviço da Petroperu, transportava o produto da costa peruana do Pacífico até Iquitos, Manaus, onde era feito o transbordo até Manaus. Os principais acionistas da empresa, em 1982, eram a armadora Libra (54,46%), o Lloyd Brasileiro (17,3%) e a Petrobrás (27,6%). Seu presidente era, então, Ronald Pinto Carreteiro.

Fonte: O Estado de S. Paulo (SP), 05-10-1982

Morte de advogado de posseiros

Em 1982, foi assassinado, em Marabá, o advogado Gabriel Pimenta, que se especializara na defesa de trabalhadores rurais e agricultores. Como suspeitos de terem ordenado o crime ficaram presos, durante 21 dias, os fazendeiros Manoel Cardoso Neto, o Nelito, e José Pereira da Nóbrega, o Marinheiro.

Este último foi solto graças à interferência do então governador da Bahia, Antônio Carlos Magalhães, que comunicou o fato ao ministro da Justiça à época, Ibrahim Abi-Ackel. Marinheiro havia sido correligionário de ACM na Bahia, onde morou durante muitos anos antes de se estabelecer no Pará com duas fazendas. Marinheiro também obteve um habeas corpus na justiça.

Gabriel Pimenta era advogado dos posseiros do castanhal Cametaú, com seis mil hectares, localizado em Itupiranga, que Nelito e Marinheiro tinham comprado em sociedade, em 1980. Depois do assassinato, os dois abandonaram a propriedade.

Fonte : O Liberal (Belém/PA), 21-04-1985

Primeiro embarque de Carajás

A 30 de abril de 1985, a Companhia Vale do Rio Doce realizou, pelo porto de Ponta da Madeira, no Maranhão, o primeiro embarque de minério de ferro oriundo da Serra de Carajás, no Pará. A carga foi embarcada para o Japão no navio Docevirgo, da Docenave, subsidiária da CVRD.

O minério foi extraído de uma jazida com reservas estimadas em 18 bilhões de toneladas, representando uma parcela das 35 milhões de toneladas anuais que a empresa iria produzir, esperando com isso alcançar receita anual de 700 milhões de dólares.

Fonte: O Liberal (Belém), 30-04-1985.

Mortes em Itaipavas

O fazendeiro Neif Murad, proprietário de 50 mil hectares espalhados por seis fazendas no sul do Pará, foi assassinato em abril de 1985 com mais de 100 tiros e decapitado. Ele teria sido vítima dos próprios pistoleiros que contratara.

Uma semana antes, o fazendeiro pediu a intervenção policial para forçar seus empregados a explicarem porque não queriam trabalhar. Menos de um mês antes, alguns pistoleiros ligados a Murad tinham assassinado o comissário distrital de polícia de Itaipavas, Policarpo Pereira, e baleado o soldado Francisco Moreira Filho, apesar por terem sido advertidos pelos dois para não andarem armados pelo povoado.

Em 1984, a Polícia Federal constatara a presença de 46 trabalhadores mantidos na fazenda de Neif Murad em regime de escravidão. Alguns desses trabalhadores estavam amarrados quando a polícia chegou. Eles disseram que tinham sido obrigados a comer carne crua com sal e foram urinados pelos pistoleiros.

Ao enterrar o pai, o filho de Neif prometeu mandar matar Oneide Lima, viúva de Raimundo Ferreira Lima, conhecido como Gringo, assassinado em 1980 por pistoleiros de Neif. Ele era dono das fazendas Novo Mundo, Aldeia, São José, Cigana e lotes 7 e 8 do Loteamento Itaipavas, em São Geraldo do Araguaia.

Fonte : O Liberal (Belém), 30-04-1985.