Orsa assume Jari

Em 2000, o grupo Orsa, do empresário Sérgio Amoroso, assumiu o controle da Jari Celulose pelo valor simbólico de um real. Para isso, incorporou uma dívida equivalente a 415 milhões de dólares junto a 17 bancos credores. Pelo esquema acertado, o novo controlador deveria amortizar US$ 112 milhões até 2010.

Em 2000 ele pagou US$ 12 milhões. Em 2001, foram apenas US$ 6 milhões. O valor das parcelas ficaria vinculado ao faturamento, que em 2001 foi de US$ 155 milhões.

A Orsa investiu US$ 54 milhões para permitir a continuidade da produção, de 300 mil toneladas anuais de celulose, representando 5% da produção nacional. O Projeto Jari surgiu em 1967, criado pelo milionário americano Daniel Ludwig.

(O Liberal, Belém/PA, 30/01/2002)

O cobre do Sossego

Em março de 2002, a Mineração Serra do Sossego, controlada pela Companhia Vale do Rio Doce, iniciou a implantação do Projeto do Sossego, para a exploração de duas jazidas de cobre – Squeiro e Sequeirinho – na serra dos Carajás, no sul do Pará, no valor de um bilhão de reais.

Em sete anos, o empreendimento deveria alcançar a produção de 650 mil toneladas de concentrado de cobre, possibilitando ao Brasil deixar de importar 300 mil toneladas anuais de cobre, no valor de 500 milhões de dólares. O excedente, de 350 mil toneladas, poderá ser exportado.

A implantação do projeto teria início com a construção de 100 casas para empregados da empresa, a abertura de uma estrada de 102 quilômetros entre a mina, a sede do município de Canaã dos Carajás e Parauapebas, e a construção de uma linha de transmissão de energia em alta tensão. As obras iniciais mobilizariam 512 empregados.

(O Liberal, Belém/PA, 30/01/2002)

O Japão e a recuperação da floresta

A Jica (Agência de Cooperação Internacional do Japão) iniciou, em maio de 2001, a terceira etapa do projeto Estudos das Alternativas para Recuperação de Áreas Alteradas e Degradadas no Estado do Pará, juntamente com a Sectam (Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente do Estado). A meta era reintegrar no processo de reflorestamento 100 mil hectares por ano.

A principal área, conhecida como “arco do desmatamento”, abrange terras que mais foram atingidas por queimadas e desmatamentos na Amazônia. O Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (Proeco) seria coordenado por Yukihide Katsuta, diretor da Jica.

(O Liberal, Belém/PA, 24/05/2001)

Poluição em Barcarena

A balsa Miss Rondônia, a serviço da Texaco do Brasil, afundou no dia 4 de fevereiro de 2001, próximo ao porto de Vila do Conde, no município de Barcarena, no Pará, com aproximadamente 1.900 toneladas de óleo combustível.

Os levantamentos realizados não conseguiram medir o quanto de óleo vazou para o estuário do rio Pará, às proximidades de Belém. Mas a avaliação realizada por equipes do Museu Paraense Emílio Goeldi atestaram haver sido temporário e reversível o impacto ambiental causado pelo acidente. A dinâmica do rio, coincidindo com as marés lançantes que ocorriam na época, teria contribuído para que o impacto fosse passageiro.

(O Liberal, Belém/PA, 14/11/2001)

A hidrovia do Marajó

O governo do Pará, em parceria com a Companhia Docas do Pará, através de sua subordinada, a Ahimor (Administração de Hidrovias da Amazônia Oriental), elaborou o projeto da hidrovia do Marajó.

O objetivo era a construção de um canal com 32 quilômetros de extensão, que possibilitaria abrir um novo trajeto entre Belém e Macapá, com uma redução de 148 quilômetros em relação ao caminho utilizado atualmente entre as duas cidades.

Pelo canal poderiam passar embarcações com 2.600 toneladas de capacidade de carga. Também permitiria o acesso ao centro do Marajó, no estuário do rio Amazonas, a maior ilha fluvial do mundo.

Em 2000 a tramitação do EIA-Rima para o licenciamento ambiental da obra foi interrompida por uma ação civil pública proposta pelo Ministério Público Federal. O MP suscitou dúvidas sobre o impacto ambiental da construção do canal artificial, interligando cursos d’água naturais.

(Gazeta Mercantil/Pará, Belém/PA, 11/09/2000)

Grilagem em terra kayapó

Em novembro de 2000, o juiz federal substituto de Marabá, no Pará, Francisco Alexandre Ribeiro, concedeu tutela antecipada à ação civil pública proposta pela Procuradoria Regional da República no Pará. Com a decisão judicial, ninguém poderia ocupar os imóveis rurais denominados Gleba Carapanã, Fazenda Carapanã e Fazenda Santa Margarida, no município de São Félix do Xingu. Ao mesmo tempo, os registros dessas áreas ficariam indisponíveis.

Segundo o Ministério Público, essas terras, ocupando três milhões de hectares, se superpõem à reserva indígena kayapó, que teve sua demarcação homologada e registrada em cartório, em 1991. Apesar da restrição, as áreas foram negociadas com vários particulares e as empresas Worldwide Ecological e Allied Cambridge LCC.

O preço de venda foi de 2,3 milhões de reais, quando, pelos valores de mercado, a área devia valer R$ 300 milhões, 100 vezes mais. A operação caracterizaria uma grilagem e esbulho aos direitos dos índios, segundo a ação do MP.

(O Liberal, Belém/PA, 20/11/2000)

Madeira ilegal no Xingu

A Operação Xingu, comandada pelo Ibama e pelo Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, à frente de outros órgãos da administração federal, foi encerrada em novembro de 2000 com a apreensão de 15 mil metros cúbicos de madeiras nobres, principalmente mogno, extraídas ilegalmente da reserva indígena Kayapó, no sul do Pará.

O Ibama constatou ser irregular o funcionamento da maioria das madeireiras e serrarias de São Félix do Xingu e Tucumã, os maiores centros de produção da região.

A segunda etapa da operação consistiu na implantação de postos de controle ao longo do rio Xingu para impedir o transporte fluvial de madeira ilegal. Embora retiradas de áreas protegidas, as árvores são acompanhadas de autorizações do Ibama, que são concedidas para uma área e desviadas para outra, caracterizando a fraude.

(Diário do Pará, Belém/PA, 08/11/2000)