BP desmata em Rondônia

Em junho de 1989, o jornal inglês Sunday Times denunciou a empresa British Petroleum, também da Inglaterra, por desmatar 100 mil hectares dentro da Floresta Nacional do Jamari, em Rondônia. O delegado regional do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), Luis Alberto Cantanhese, desmentiu imediatamente a acusação.

Segundo ele, o desmatamento atingiu apenas 1.500 hectares, em área onde a mineradora fazia a lavra de cassiterita. A empresa começou o desmatamento em 1963, logo depois de ter-se instalado na área, mas a lavra de cassiterita só foi iniciada em 1969.

A Floresta Nacional do Jamari foi criada em setembro de 1984, quatro anos depois que o órgão antecessor do Ibama, o extinto IBDF (Instituto Brasileiro do Desenvolvimento Florestal) se implantou em Rondônia. O IBDF só montou uma base física na floresta em 1985 e até 1987 os desmatamentos prosseguiram.

Se a denúncia do jornal inglês fosse verdadeira, a subsidiária da British Petroleum teria destruído quase metade da Floresta, que tem área de 235 mil hectares. A BP recebeu do DNPM concessão para lavra de cassiterita em 59.527 hectares.

Fonte: O Estado de S. Paulo (S. Paulo/SP), 21-06-1989

Ibama começa a usar helicóptero

O combate do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) às queimadas no Pará se tornou mais eficiente em 1988, graças à utilização de um helicóptero, alugado a uma empresa particular. Com a ajuda do aparelho, os fiscais do Ibama passaram a chegar aos locais de queimadas e desmatamentos poucos minutos após a detecção da irregularidade.

Os fiscais começaram a receber ameaças anônimas, entre as quais de que o helicóptero seria derrubado a tiros. Os disparos não aconteceram, mas os pilotos encontraram excesso de água na gasolina e peças com aparência suspeita, obrigando-os a recorrer a perícia para verificar se teria havido sabotagem.

A melhoria das condições de fiscalização foi proporcionada por recursos financeiros do Banco Mundial. Até o final de agosto de 1989 o Ibama t inha recebido no Pará mais de 500 pedidos de autorização para desmatamento, mas só havia liberado 200. O órgão dispunha, para o trabalho naquele ano, de seis carros, 15 agentes de defesa e 8 técnicos, equipe apoiada por oito agentes da Polícia Federal.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 31-06-1989

A maior queimada

Um mês antes da conclusão do trabalho, o pesquisador Alberto Setzer divulgou alguns dados do levantamento sobre desmatamento na Amazônia que o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) realizou com base em imagens de satélite.

Setzer aproveitou sua palestra na I Semana de Meteorologia, em Belém, em março de 1988, para revelar que as queimadas praticadas em 1987 na Amazônia resultaram da destruição de 200 mil quilômetros quadrados de floresta, área superior à extensão territorial do Acre.

Durante os cerca de 80 dias que constituem o período de queimadas na região, foram jogadas na atmosfera aproximadamente cinco milhões de toneladas de monóxido de carbono, uma quantidade de gases 100 vezes maior do que a expelida pelo vulcão El Chinchon, no México, numa das maiores erupções vulcânicas de todos os tempos. A terrível poluição atmosférica que atinge São Paulo resulta do despejo diário de oito mil toneladas de monóxido de carbono.

Interpretando as fotos do satélite interpolar NOAA, os técnicos do Inpe chegaram à conclusão de que a Amazônia perdeu 4,7% da sua cobertura vegetal em 1987. O desmatamento maior foi em Rondônia, que perdeu 18,7% de suas matas. Em algumas fotos, Setzer chegou a detectar oito mil pontos de queimadas ocorrendo simultaneamente.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 26-03-1988

Jari invade área

Em julho de 1980, o Iterpa (Instituto de Terras do Pará) denunciou a Jari Florestal e Agropecuária, de propriedade do milionário americano Daniel Ludwig, de ter invadido terras estaduais situadas ao norte de sua propriedade, onde desmatou 3.800 hectares.

Essa área era compreendida por duas glebas – Paru I e Paru II -, somando 800 mil hectares, que o Estado arrecadou e matriculou em seu nome para usá-las em um projeto de colonização.

Ao entrar na área, a empresa teria praticado quatro crimes: esbulho possessório, dano qualificado, invasão de terra pública e contravenção penal, por derrubar árvores sem a autorização do IBDF (Instituto Brasileiro do Desenvolvimento Florestal).

Fonte: O Estado de S. Paulo (SP), 19-07-1980

Viroses da Amazônia

Até 1989, o Instituto Evandro Chagas, de Belém, já havia isolado 160 tipos diferentes de arbovirus, transmissores de doenças que se encontram nos insetos e animais silvestres. Dois terços desses arbovirus foram isolados no Pará pela primeira vez. Trinta deles foram comprovados como causadores de doenças, mas somente quatro tinham a capacidade de ocasionar grandes epidemias.

O primeiro vírus a ser isolado foi o da febre amarela, em 1954. O último caso de epidemia de febre amarela registrada até então na Amazônia ocorrera em 1984, com 31 casos e 12 mortes. A mais perigosa das viroses desde então identificada foi a da dengue.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 21-07-1989

Sem efeito estufa

No início de 1989, o ministério das Relações Exteriores do Brasil criou a Divisão de Assuntos Humanitários e Meio Ambiente, como resposta às pressões internacionais sobre o governo em relação à Amazônia. A primeira tarefa da nova divisão foi preparar um relatório “técnico-científico” negando a tese do “efeito estufa”, segundo a qual as queimadas da Amazônia estariam entre os fatores que provocam alterações na temperatura do planeta.

Outro objetivo seria consolidar o direito dos brasileiros de acesso tanto às fontes de financiamento internacional, como aos recursos e riquezas de uma parte de seu território.

Fonte: Folha de S. Paulo (São Paulo/SP), 21-02-1989

Desperdício de madeira

O processo de ocupação da Amazônia, com a implantação de projetos agrícolas, pecuários, minerais, hidrelétricas e estradas, foi responsável pela remoção de 1,6 milhão de hectares de cobertura vegetal entre 1975 e 1978 e por 2,6 milhões de hectares entre 1978 e 1980.

Esses dados foram apresentados em abril de 1985 pela Associação das Indústrias Exportadoras de Madeira do Baixo Amazonas, com base em levantamento realizado pelo IBDF e a Sudam a partir de imagens do satélite Landsat.

Nesse documento, a Aibam deplorava a perda anual de 200 milhões de metros cúbicos de madeira, com diâmetro superior a 60 centímetros, “devoradas pelo fogo”, madeiras “cujas toras representariam, se aproveitadas, um valor de mercado internacional correspondente a 8 milhões de hectares”.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 01-05-1985

Capemi em Tucuruí

Em julho de 1980, o presidente do IBDF, Mauro Reis, assinou portaria autorizando a Capemi (Caixa de Pecúlio dos Militares) a derrubar e extrair árvores numa área de 200 mil hectares, que seria inundada com o represamento do rio Tocantins pela barragem da hidrelétrica de Tucuruí, no Pará.

A exploração do potencial madeireiro dessa área seria feita pela Agropecuária Capemi Indústria e Comércio, subsidiária da Capemi. O Instituto Brasileiro do Desenvolvimento Florestal já promovera duas concorrências anteriores, mas nenhuma empresa apresentara proposta, atrasando em quase um ano a exploração da madeira do reservatório.

Fonte: O Estado do Pará (Belém), 24-07-1980

Madeira para o Japão

Preocupado com as declarações do secretário do meio ambiente do Brasil, José Lutzenberger, sobre o interesse japonês na construção da BR-364, no trecho entre Rio Branco e a costa do Pacífico, no Peru, a embaixada do Japão em Brasília distribuiu, em maio de 1990, uma nota. InformOU que a importação japonesa de madeira brasileira não ultrapassava 1,3% do total importado. Lutzenberger disse que, através da estrada, o Japão iria explorar a madeira da Amazônia.

Fonte: O Estado de S. Paulo (SP), 18-05-1990

Calor e vegetação

O aumento da temperatura da Terra, provocado pela massiva emissão de gases na atmosfera, fenômeno conhecido como efeito estufa, acelerará a decomposição de material orgânico, aumentando o volume de nutrientes no solo. Mas como a decomposição será mais rápida do que o crescimento, haverá possivelmente uma redistribuição da vegetação, conforme hipótese apresentada pelo cientista William Schlesinger, do Departamento de Botânica e Geologia da Duke University, dos Estados Unidos, durante a II Conferência Internacional sobre Mudanças Climáticas, realizada em Genebra, no final de 1990.

O Globo (RJ), 01-11-1990