Quem destrói a floresta?

Em artigo publicado no jornal Folha do Norte, de Belém, em agosto de 1968, o engenheiro agrônomo Humberto Marinho Koury apresentou dados sobre as relações desfavoráveis no comércio exterior enfrentadas pela atividade madeireira amazônica.

Argumentou que a tora de mogno (ou “aguano”), “uma das espécies florestais mais importantes do Estado do Pará e uma das madeiras mais luxuosas do mundo”, estava sendo vendida por 100 dólares o metro cúbico para o exterior.

Os compradores desdobravam a tora em lâminas muito delgadas, vendendo cada metro quadrado a US$ 3. Esse rendimento permitia que o metro cúbico da madeira laminada pudesse alcançar US$ 14 mil o metro cúbico.

Como para cada metro cúbico de madeira laminada são necessários de dois a três m3 de madeira bruta, para um custo máximo de US$ 300, obtinha-se um rendimento de US$ 14 mil.

A situação se aplicava à comercialização de outra madeira valiosa que o Pará exportava, a virola ou ucuúba. Saíam anualmente de 4 milhões a 6 milhões de pés quadrados de ucuúba do Pará, por aquisição de empresas estrangeiras, como a Georgia Pacific Corporation, a Lumquar Limited e a Bruynzeel Suriname Houtmaatschappy.

Fonte: Folha do Norte (Belém/PA), 08/08/1968

Áreas de queimadas

Junho é o mês em que mais queimadas ocorrem na Amazônia. Em junho de 1991, o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) registrou 5.687 focos de fogo na região. Em 1992, os incêndios em junho somaram 5.363. Foram 6.635 em 1993, 1.856 em 1994 e 5.974 em 1995.

As queimadas em 1995 ocorreram com maior intensidade junto à Chapada dos Parecis, onde tem início a BR-364, em Mato Grosso; e na Serra Geral e Chapada das Mangabeiras, no Estado do Tocantins.

A surpresa nesse ano foi o aparecimento de queimadas ao longo do rio Amazonas, desde Tefé até a foz, com destaque para a boca do rio Tocantins, no Pará, áreas nas quais as queimadas só ocorriam entre setembro e outubro, quando a vegetação fica mais seca. A antecipação do fogo nessa área preocupou os técnicos.

Fonte: Diário do Pará (Belém/PA), 01/07/1995