O potencial de madeira

A. J. Evans, um dos diretores da Brible Brothers Lumber Co., de Houston, Texas, entrevistado por Henry Lee para The Journal of Commerce local, em fevereiro de 1960, disse que o comércio de madeiras na Amazônia, nos Estados do Amazonas, Amapá e Pará, que até então vinha sendo desenvolvido por 25 serrarias relativamente pequenas, deveria crescer de 500 a 1000% nos cinco meses seguintes.

Classificava de “inacreditável” o potencial de exportação de madeira da região, informando que ao longo do rio havia cerca de 30 variedades comerciais “que podem ser embarcadas de forma fácil e barata, para os mercados mundiais”.

Citou o exemplo da firma holandesa Burynzeel, que estava aplicando 7,5 milhões de dólares numa fábrica de madeira compensada no Amapá, em sociedade com a Bethelehem Steel, responsável por US$ 2,5 milhões desse to tal. O artigo de Henry Lee foi reproduzido na edição de fevereiro do Boletim Americano, publicação do Serviço de Propaganda e Expansão Comercial do Brasil (SEPRO), em Nova York.

Fonte: Folha do Norte (Belém/PA), 01/06/1960

ONGs fora

O governo federal decidiu, em 25 de fevereiro de 1992, excluir as ONGs (Organizações Não-Governamentais) da Comissão de Coordenação do Programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil. O PPG-7 é financiado pelos sete países mais ricos do mundo, através do G-7. A decisão se baseou na premissa de que a comissão coordenadora representava uma instância de governo, para expressar posições oficiais, e, como tal, teria acesso a informações privilegiadas. Representantes de 98 ONGs brasileiras protestaram contra a medida.

Fonte: Jornal do Brasil (Rio de Janeiro/RJ), 29/02/1992

Quem destrói a floresta?

Em artigo publicado no jornal Folha do Norte, de Belém, em agosto de 1968, o engenheiro agrônomo Humberto Marinho Koury apresentou dados sobre as relações desfavoráveis no comércio exterior enfrentadas pela atividade madeireira amazônica.

Argumentou que a tora de mogno (ou “aguano”), “uma das espécies florestais mais importantes do Estado do Pará e uma das madeiras mais luxuosas do mundo”, estava sendo vendida por 100 dólares o metro cúbico para o exterior.

Os compradores desdobravam a tora em lâminas muito delgadas, vendendo cada metro quadrado a US$ 3. Esse rendimento permitia que o metro cúbico da madeira laminada pudesse alcançar US$ 14 mil o metro cúbico.

Como para cada metro cúbico de madeira laminada são necessários de dois a três m3 de madeira bruta, para um custo máximo de US$ 300, obtinha-se um rendimento de US$ 14 mil.

A situação se aplicava à comercialização de outra madeira valiosa que o Pará exportava, a virola ou ucuúba. Saíam anualmente de 4 milhões a 6 milhões de pés quadrados de ucuúba do Pará, por aquisição de empresas estrangeiras, como a Georgia Pacific Corporation, a Lumquar Limited e a Bruynzeel Suriname Houtmaatschappy.

Fonte: Folha do Norte (Belém/PA), 08/08/1968

Japão interessado no mercúrio

O uso de mercúrio na Amazônia foi proibido pelo governo federal em 1989, por representar um grande perigo para todas as formas de vida, mas o produto continuou a ser empregado nos garimpos da região. Em 1993 a CPRM (Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais) anunciou, em Manaus, os primeiros resultados de uma pesquisa que constatara a presença de mercúrio em teores acima dos normais em peixes do Madeira, rio que corta os Estados do Amazonas e Rondônia.

O problema interessou o Instituto Nacional de Pesquisas Ambientais do Japão, que assinou um convênio com o DNPM (Departamento Nacional da Produção Mineral) para estudar a presença do mercúrio na região.

Fonte: Jornal do Brasil (Rio de Janeiro/RJ), 03/01/1993

Programa piloto de florestas

O I Encontro dos Participantes do Programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil (PPG7) foi realizado em Genebra, em julho de 1994. O segundo encontro foi em maio de 1995, em Belém, com a participação de representantes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha e Japão. A Itália não compareceu.

Foram então assinados os contratos dos acordos que haviam sido propostos durante o primeiro encontro, no valor de 41,4 milhões de dólares, sendo: 20 milhões de marcos, doados pelo governo alemão, para o detalhamento das responsabilidades operacionais para a execução do subprograma Projetos Demonstrativos; US$ 16,7 milhões para o fortalecimento dos órgãos estaduais de meio ambiente e executores do zoneamento ecológico-econômico; US$ 2,1 milhões (completando doação original do governo alemão, de 20 milhões de marcos) para reservas indígenas; 3,3 milhões de reais para o Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), de Manaus, e R$ 2,5 milhões para o Museu Paraense Emílio Goeldi, de Belém, dentro do projeto Centro de Excelência, totalizando nessa rubrica R$ 6,1 milhões.

Fonte: A Província do Pará (08/05/1995)

Áreas de queimadas

Junho é o mês em que mais queimadas ocorrem na Amazônia. Em junho de 1991, o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) registrou 5.687 focos de fogo na região. Em 1992, os incêndios em junho somaram 5.363. Foram 6.635 em 1993, 1.856 em 1994 e 5.974 em 1995.

As queimadas em 1995 ocorreram com maior intensidade junto à Chapada dos Parecis, onde tem início a BR-364, em Mato Grosso; e na Serra Geral e Chapada das Mangabeiras, no Estado do Tocantins.

A surpresa nesse ano foi o aparecimento de queimadas ao longo do rio Amazonas, desde Tefé até a foz, com destaque para a boca do rio Tocantins, no Pará, áreas nas quais as queimadas só ocorriam entre setembro e outubro, quando a vegetação fica mais seca. A antecipação do fogo nessa área preocupou os técnicos.

Fonte: Diário do Pará (Belém/PA), 01/07/1995

Ninho de guarás

Em 1995, um grupo de pesquisadores do Museu Paraense Emílio Goeldi, Universidade Federal do Pará e Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado do Pará localizaram o maior ninhal de guarás vermelhos do mundo, nas ilhas Canela e Manuel, na Baía de Maiaú. Situadas a 10 quilômetros do continente, essas ilhas são as mais distantes da costa do Pará, Estado que abriga 20% da população de guarás vermelhos (Eudocimus Ruber) do mundo.

No rápido levantamento que realizaram, os pesquisadores contaram entre 8 mil e 10 mil aves. A espécie estava ameaçada de extinção, depois de anos de caça indiscriminada em função de sua carne, dos seus ovos e de sua plumagem, usada como ornamento. Em 1895, o cientista suíço Emílio Goeldi escreveu uma carta ao governador do Pará denunciando a matança e o comércio ilegal dessa ave. Depois da expedição, os pesquisadores propuseram a criação de uma reserva para preservar a área de refúgio dos guarás.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 06/07/1995