Pepsi em Belém

O “refrigerante da amizade”, concorrente mundial da Coca-Cola a partir do quartel-general nos Estados Unidos, a Pepsi-Cola, chegou a Belém no dia 9 de setembro de 1958, depois de se instalar em apenas outras cinco cidades brasileiras até então. (Manaus, Recife, Porto Alegre, Pelotas e Belo Horizonte). Na capital dos paraenses, o refrigerante seria engarrafado e distribuído por Produtos Vitória, com sua fábrica instalada na então distante avenida Almirante Barroso 1885, em meio a uma das maiores campanhas de publicidade já realizadas.

Os fabricantes manifestavam a convicção de que o consumidor de Belém  iria adorar o novo produto, “por sua alta qualidade, por seu sabor inigualável, por sua pureza e integridade”. Depois do “grande lançamento”, cujo sucesso “superou a expectativa”,  a Vitória prometia que a Pepsi servida aos paraenses continuaria a ser “o mesmo delicioso refrigerante, inalterável, puríssimo, saudável, refrescante”.

(Arquivo Pessoal, 1958)

Fábrica de celulose

Apenas a metade da produção da Fábrica de Celulose e Papel da Amazônia, de 4 mil toneladas anuais, instalada em Belém, era suficiente para abastecer, no início de 1972, o Pará inteiro de papel de embrulho, papel de embalagem, papel higiênico e papel-toalha. A outra metade era mandada para o Norte e a parte mais próxima do Nordeste, a partir de Pernambuco, um “imenso mercado dominado pela Facepa”.

A fábrica já havia crescido “39 vezes em 8 anos”, mas em 1973 estaria produzindo o dobro, como prometia um anúncio que a empresa divulgou. Utilizando pasta mecânica e celulose à base de madeiras brancas amazônicas, a Facepa dizia produzir “papel de qualidade superior e com matéria-prima de custo 50% mais econômico”. Transformaria a floresta tropical em “floresta de progresso”.

(Arquivo Pessoal, 1973)

O potencial de madeira

A. J. Evans, um dos diretores da Brible Brothers Lumber Co., de Houston, Texas, entrevistado por Henry Lee para The Journal of Commerce local, em fevereiro de 1960, disse que o comércio de madeiras na Amazônia, nos Estados do Amazonas, Amapá e Pará, que até então vinha sendo desenvolvido por 25 serrarias relativamente pequenas, deveria crescer de 500 a 1000% nos cinco meses seguintes.

Classificava de “inacreditável” o potencial de exportação de madeira da região, informando que ao longo do rio havia cerca de 30 variedades comerciais “que podem ser embarcadas de forma fácil e barata, para os mercados mundiais”.

Citou o exemplo da firma holandesa Burynzeel, que estava aplicando 7,5 milhões de dólares numa fábrica de madeira compensada no Amapá, em sociedade com a Bethelehem Steel, responsável por US$ 2,5 milhões desse to tal. O artigo de Henry Lee foi reproduzido na edição de fevereiro do Boletim Americano, publicação do Serviço de Propaganda e Expansão Comercial do Brasil (SEPRO), em Nova York.

Fonte: Folha do Norte (Belém/PA), 01/06/1960

Origem do Banpará

Em 13 de março de 1952, o governador Alexandre Zacarias de Assunção sancionou a lei, aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado, que autorizou a criação do Banco Rural e Hipotecário do Pará S/A (futuro Banco do Estado do Pará). A lei previa que o governo do Estado subscreveria 55% do capital inicial do banco, no valor de 20 milhões de cruzeiros (moeda da época).
Fonte: Folha Vespertina (Belém/PA), 13/03/1952

O manganês de Urucum

Os Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul venderam à Companhia Vale do Rio Doce, em outubro de 1994, pelo equivalente a 14,6 milhões de dólares, os 46,66% das ações da Urucum Mineração S/A, que ainda detinham.

O valor era inferior ao faturamento previsto para aquele ano pela Urucum, detentora da maior jazida de manganês do país, situado em Corumbá, no Mato Grosso do Sul. Na partilha da renda da alienação, 60% ficou com o governo do norte e 40% com o do sul. Até então, os dois Estados vinham litigando em torno dos direitos sobre a jazida.

Com a aquisição da jazida de Urucum, com depósitos calculados em 70 milhões de toneladas de manganês, a CVRD se tornava praticamente monopolista desse minério no Brasil. A empresa já era dona da jazida de Carajás, com 60 milhões de toneladas.

O ex-governador de Mato Grosso, José Fragelli, propôs ação popular na justiça contra a transação. Alegou que a jazida, com os equipamentos e as plantas de mineração e beneficiamento, valeria pelo menos US$ 170 milhões.

Fonte: O Estado de S. Paulo (São Paulo/SP), 06/10/1994

A constituição da Albrás

A Albrás (Alumínio do Brasil), localizada a 40 quilômetros de Belém, no Pará, no município de Barcarena, resultou de uma associação da Companhia Vale do Rio Doce, detentora de 51% do capital, com 32 empresas japonesas, reunidas no consórcio Nippon Amazon Aluminium (NAAC), com os restantes 49% das ações.

Toda a produção da Albrás, então de 345 mil toneladas de alumínio primário, na forma de lingote, se destinava à exportação. Com o aquecimento da demanda brasileira por alumínio, em 1994, nesse ano cinco mil toneladas foram comercializadas no mercado interno. Outra empresa de alumínio, controlada pela Aluvale, a holding da CVRD para o setor, a Valesul, do Rio de Janeiro, não conseguiu atender todos os pedidos dos seus clientes com suas 93 mil toneladas de produção.

Fonte: Gazeta Mercantil (São Paulo/SP), 25/04/1995

Áreas de livre comércio

Em abril de 1992, o governo federal criou, nos municípios de Macapá e Santana, no Estado do Amapá, a Área de Livre Comércio de Macapá e Santana. A ALCMS permitiria liberdade de importação e exportação, sob regime fiscal especial, com a finalidade de promover o desenvolvimento do Amapá “e de incrementar as relações bilaterais com os países vizinhos, segundo a política de integração latino-americana”.

Os benefícios atingiram uma área de 26 quilômetros contínuos ao longo da margem esquerda do rio Amazonas, tendo como vértice a Fortaleza de São José, em Macapá. Todas as empresas que quisessem importar ou exportar utilizando-se das vantagens do livre comércio teriam que estabelecer entrepostos na área.

Ela seria administrada pela Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), que adotaria suas próprias normas e regulamentos, no que coubesse. A cada ano o governo federal estabeleceria o limite global para as importações destinadas à comercialização, no mesmo ato que definisse as cotas para as demais áreas de livre comércio. As isenções concedidas a Macapá e Santana vigorariam por 25 anos.

Fonte: Gazeta Mercantil (São Paulo/SP), 14/01/1992