Produção de bauxita da MRN

Em 1990, a Mineração Rio do Norte produziu oito milhões de toneladas de bauxita, extraídas de sua mina no vale do rio Trombetas, no Pará, faturando 250 milhões de dólares. Para o mercado externo, que consome bauxita seca por causa das dificuldades de estocar minério durante o inverno, o preço, estabelecido em 1988, era de US$ 28,50 a tonelada.

No mercado interno, que recebe bauxita úmida, o preço era de US$ 24,50 por tonelada. As exportações da MRN, controlada pela Companhia Vale do Rio Doce, com 46% das ações, foram feitas para o Canadá, Estados Unidos e Trinidad-Tobago

(Gazeta Mercantil, São Paulo/SP, 13/03/1991)

Caulim do Jari

 

A Caulim da Amazônia S/A (Cadam), a maior produtora de caulim da América Latina, comercializou, em 1990, 340 mil toneladas de caulim “amazon 99”, faturando 53,2 milhões de dólares. Para o mercado externo foram 301 mil toneladas e internamente (com demanda estimada em 500 mil toneladas) foram vendidas 39 mil toneladas.

Em 1991, a Cadam iria produzir 385 mil toneladas. A empresa, subsidiária da Companhia do Jari, era então controlada pelo empresário Augusto Trajano de Azevedo Antunes. A reserva que explora, no Morro do Felipe, no Amapá, era de 500 milhões de toneladas.

No Brasil todo, quarto maior produtor mundial, as reservas somavam 2,5 bilhões de toneladas. A oferta mundial de caulim era de pouco mais de 22 milhões de toneladas. Com um total de 14 milhões de toneladas, Estados Unidos, Inglaterra e a ex-União Soviética controlavam mais de 60% da oferta mundial.

(Gazeta Mercantil, São Paulo/SP, 16/02/1991)

O manganês do Amapá

A Icomi (Indústria e Comércio de Minérios), do grupo Azevedo Antunes, produziu 565 mil toneladas de manganês na mina de Serra do Navio, no Amapá, em 1990. Foram exportadas 482 mil toneladas de minério e vendidas no mercado interno 83 mil toneladas.

O faturamento com a exportação foi de 41,1 milhões de dólares, enquanto as vendas internas foram de US$ 7,1 milhões. As reservas mundiais de manganês estavam estimadas então em quase 16 bilhões de toneladas, sendo 240 milhões no Brasil, distribuídas entre Mato Grosso (40%), Pará (34%) e Amapá.

(Gazeta Mercantil, São Paulo/SP, 01/03/1981)

Cotas na Zona Franca

A partir de 1988, a cota de importação das empresas instaladas na Zona Franca de Manaus passou a ser de 800 milhões de dólares. Foi a maior elevação feita até então, desde o contingenciamento das importações daquela zona, estabelecido em 1976. A medida foi adotada pelo presidente José Sarney, através do decreto 95.780.

Ao mesmo tempo, a Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) decidiu que nenhuma empresa comercial receberia cota inicial inferior a US$ 50 mil, nem superior a 5% do valor da cota atribuída ao setor da distribuição inicial.

(O Liberal, Belém/PA, 18/03/1988)

Orsa assume Jari

Em 2000, o grupo Orsa, do empresário Sérgio Amoroso, assumiu o controle da Jari Celulose pelo valor simbólico de um real. Para isso, incorporou uma dívida equivalente a 415 milhões de dólares junto a 17 bancos credores. Pelo esquema acertado, o novo controlador deveria amortizar US$ 112 milhões até 2010.

Em 2000 ele pagou US$ 12 milhões. Em 2001, foram apenas US$ 6 milhões. O valor das parcelas ficaria vinculado ao faturamento, que em 2001 foi de US$ 155 milhões.

A Orsa investiu US$ 54 milhões para permitir a continuidade da produção, de 300 mil toneladas anuais de celulose, representando 5% da produção nacional. O Projeto Jari surgiu em 1967, criado pelo milionário americano Daniel Ludwig.

(O Liberal, Belém/PA, 30/01/2002)

Japão fora da Alunorte

Em 1988, o consórcio japonês NAAC (Nippon Amazon Alumminium Company) abandonou o projeto Alunorte, destinado a produzir alumina em Barcarena, a 25 quilômetros de Belém, no Pará, em associação com a Companhia Vale do Rio Doce.

A razão apresentada para a decisão foi a queda no preço do produto, que chegou a 90 dólares a tonelada. Até o início de 1990, no projeto já haviam sido investidos 300 milhões de dólares, mas ainda faltavam US$ 500 milhões para concluí-lo.

A fábrica foi dimensionada para produzir 1,1 milhão de toneladas anuais, das quais 640 mil para suprir de alumina a fábrica de alumínio da Albrás, também controlada pela Vale e japoneses.

(O Liberal, Belém/PA, 28/07/1990)

Os japoneses no Pará

Os governos do Brasil e do Japão iniciaram, em 1963, o plano de assentamento de 600 famílias japonesas no Pará no espaço de três anos, em levas que se seguiriam em intervalos de quatro meses.

Os colonos se apresentariam voluntariamente. Os governos se limitariam a divulgar a emigração para o Brasil, através de propaganda feita no Japão, e a supervisionar a viagem, mas a seleção seria rigorosa.

Só seriam aceitos os emigrantes que dispusessem, no mínimo, do equivalente a um milhão de cruzeiros para as despesas de instalação na colônia de Tomé-Açu, onde se dedicariam ao cultivo de pimenta-do-reino para exportação, além de custear as despesas da viagem da família, que deveria possuir pelo menos três elementos em condições de trabalho.

Deveriam poder levar consigo os equipamentos e ferramentas agrícolas necessários ao trabalho. Na colônia cada família receberia 30 hectares de terra. Nessa área, além da pimenta, poderiam plantar cereais e criar gado.

(Folha do Norte, Belém/PA, 17/07/1963)