Lixo nuclear

Em outubro de 1987, o presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear, Rex Nazareth, admitiu que entre 1981 e 1982 a CNEN realizou “estudos reservados” para usar a Serra do Cachimbo, no Pará, como depósito de rejeitos atômicos. Originalmente a área visada era o Raso da Catarina, na Bahia, onde a Petrobrás fez uma perfuração de 400 metros de profundidade. Mas a “reação política e popular” obrigou o governo a mudar a locação. Nazareth assegurou que no Cachimbo não haveria risco de contaminação.

Fonte : A Província do Pará (Belém), 23-09-1988

Multinacionais se unem em usina

Billiton, Alcoa, Alcan, Camargo Corrêa Metais e Dow Química estudaram, durante o ano de 1989, a formação de um consórcio para construir a hidrelétrica de Serra Quebrada, a 15 quilômetros de Imperatriz, no Maranhão. Obra para ser executada em seis anos, ao custo de US$ 1,2 bilhão, ela resolveria o problema de suprimento de energia dessas indústrias, consumidoras em alta escala, que temiam a elevação da tarifa praticada pela Eletronorte.

A construção da hidrelétrica privada dependia apenas da autorização do governo. A maior consumidora seria a Alumar, empresa controlada pela Alcoa e a Billiton, que elevaria seu consumo de 445 MW com o aumento da sua capacidade de produção de alumínio.

Fonte: O Estado de S. Paulo (SP), 20-08-1989

Capemi em Tucuruí

Em julho de 1980, o presidente do IBDF, Mauro Reis, assinou portaria autorizando a Capemi (Caixa de Pecúlio dos Militares) a derrubar e extrair árvores numa área de 200 mil hectares, que seria inundada com o represamento do rio Tocantins pela barragem da hidrelétrica de Tucuruí, no Pará.

A exploração do potencial madeireiro dessa área seria feita pela Agropecuária Capemi Indústria e Comércio, subsidiária da Capemi. O Instituto Brasileiro do Desenvolvimento Florestal já promovera duas concorrências anteriores, mas nenhuma empresa apresentara proposta, atrasando em quase um ano a exploração da madeira do reservatório.

Fonte: O Estado do Pará (Belém), 24-07-1980

Linha de Tucuruí passa por reserva

Em junho de 1980, após cinco anos de difíceis negociações, a Eletronorte conseguiu fechar um acordo com os índios gavião para permitir a passagem da linha de transmissão de energia da hidrelétrica de Tucuruí pelo interior da reserva Mãe Maria, em Marabá, no Pará, com área de 50 mil hectares.

Pelo acordo, a Eletronorte foi autorizada a desmatar uma faixa com 19 quilômetros de extensão por 108 metros de largura, ou 290 hectares, dentro da reserva. Como compensação, os índios seriam indenizados em 40 milhões de cruzeiros (valor da época) pelos prejuízos.

A empresa se comprometia ainda a relocar a antiga aldeia, constituída por uma única casa de alvenaria e vários barracos. Além de receber o dinheiro, os gaviões teriam direito a toda madeira abatida. A Eletronorte os ajudaria a fiscalizar os trabalhos de construção da linha e não permitiria a penetração de trabalhadores armados ao local.

Fonte: O Estado de S. Paulo (SP), 04-06-1980

As pragas de Tucuruí

Em 1986, os moradores de cinco glebas situadas às margens do reservatório da hidrelétrica de Tucuruí, no Pará, para onde foram relocados devido à inundação de suas terras, começaram a enfrentar pragas de mosquitos e moscas, que proliferaram nas reentrâncias dos lagos, transformados em viveiros. O problema atingiu quase cinco mil pessoas e 1.227 imóveis cadastrados. Em 1991, a praga era tão intensa que a prefeitura de Tucuruí decretou estado de calamidade pública na área.
Fonte : O Liberal (Belém), 16-06-1991

O atraso de Balbina

Pelo seu cronograma original, a hidrelétrica de Balbina, no Amazonas, deveria ter sido inaugurada em 1980, quando seus 250 mil kw seriam suficientes para garantir o abastecimento de Manaus, que então consumia 80 mil kw. Seu atraso, porém, impossibilitou-a de cumprir essa meta. A barragem inundaria uma área de 1.580 quilômetros quadrados.

Fonte : A Crítica (Manaus), 21-06-1986

O grande blecaute de Tucuruí

No dia 8 de março de 1991 ocorreu um acidente na linha de transmissão de energia da hidrelétrica de Tucuruí para Belém, no Pará, provocando um blecaute que durou 12 horas. A região atingida por esse acidente, provocado pelo rompimento de uma peça metálica de sustentação da linha, devido a fadiga mecânica, possuía então quatro milhões de habitantes.

O maior prejuízo foi causado à fábrica de alumínio da Albrás, em Barcarena, atingida pelo mais grave acidente já sofrido por uma indústria de alumínio em todo o mundo causado pela falta de energia. Os 846 fornos das quatro reduções da fábrica pararam e só voltaram a operar lentamente.

Nessa época, a fábrica tinha começado a produzir nove mil toneladas diárias de alumínio com teor acima de 99,8%. Ela pagava, então, sete milhões de dólares mensais de conta de energia à Eletronorte.

Fonte : A Província do Pará (Belém), 21-03-1991

Hidrelétrica no Araguaia

Na década de 1970, a Eletronorte concluiu o inventário para a construção, no rio Araguaia, de uma hidrelétrica com capacidade para 7.600 MW, inundando uma área de 1.680 quilômetros quadrados, dos quais 660 km2 correspondentes ao próprio leito do rio. A usina custaria, em valores de 1979, 775 milhões de dólares, mais US$ 126 milhões para as obras de transposição da barragem, as eclusas. Com essa regularização, seria criada uma hidrovia no Araguaia Tocantins com 2.200 quilômetros de extensão.

Fonte : O Estado do Pará (Belém), 09-09-1979

Projeto das eclusas

Em setembro de 1981, a diretoria da Portobrás aprovou o projeto básico e o orçamento da obra das eclusas de Tucuruí, no rio Tocantins, no Pará, prevendo investimento de 13 bilhões de cruzeiros (a preços de maio de 1980).

Para a transposição do desnível criado pela barragem, seriam construídas duas eclusas, de montante e de jusante, um canal de acesso e instalações hidráulicas. Ao mesmo tempo, a Portobrás aprovou a minuta de um contrato com a Construtora Camargo Correa, principal empreiteira da hidrelétrica, para a construção do sistema de transposição.

Fonte : O Liberal (Belém), 04-09-1981

Problema em Tucuruí

A hidrelétrica de Tucuruí, no rio Tocantins, no Pará, apresentou seu primeiro problema operacional em agosto de 1995, 12 anos depois de entrar em funcionamento comercial. Até então, os defeitos haviam aparecido nas linhas de transmissão e subestações. A primeira falha na própria usina ocorreu no serviço auxiliar de seis das 12 máquinas da hidrelétrica, cada uma capaz de gerar 330 megawatts de energia. Logo, todas as turbinas tiveram que ser desligadas, até ser restabelecido o sistema auxiliar.

O acidente provocou a suspensão, durante uma hora e 13 minutos, no início da manhã, no fornecimento de energia a dois milhões de pessoas nos Estados do Pará, Maranhão e Tocantins. Era o quatro blecaute em 1995 na área abastecida pela usina.

Fonte: A Província do Pará (Belém/PA), 09/08/1995