Conflito com os assurini

Em 1976, o governo do Pará construiu a PA-156, que ficou conhecida como Transtucuruí, ligando Tucuruí a Cametá, no Baixo Tocantins. Numa extensão de nove quilômetros, por 60 metros de largura, essa estrada cortou a reserva Trocará, dos índios assurini, nessa época com uma população de 60 indivíduos.

Como não receberam qualquer indenização, os índios decidiram criar uma barreira na rodovia para a cobrança de pedágio. O governo do Estado decidiu então pagar uma indenização, no valor de 4 milhões de cruzeiros (moeda da época).

Em setembro de 1991, os índios voltaram a pressionar e o governo assinou um acordo com eles, referendado pela Funai, comprometendo-se a realizar várias benfeitorias na área, incluindo uma estrada vicinal, instalação de água potável, escola, farmácia, barco, pequena serraria, motor de luz.

A secretaria de Transporte ficaria encarregada de controlar as obras para evitar o uso de bebida alcoólica e invasão nas terras indígenas. O prazo para a execução dos serviços venceu e não foi cumprido.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 29/10/1992

Início da Sinop

Em 1971, a Sinop Colonizadora, do empresário paranaense Enio Pipino, assumiu o controle da Gleba Celeste, com 200 mil hectares, no norte de Mato Grosso. A área, cortada pela rodovia Santarém-Cuiabá, na época em construção, seria utilizada para um projeto de colonização particular, à semelhança dos empreendimentos realizados por Pipino numa gleba de 302 mil hectares no norte do Paraná.

No dia 27 de julho de 1972, com a presença do ministro do Interior, Costa Cavalcanti, a Sinop inaugurou a Cidade Vera, o primeiro dos três núcleos urbanos que seriam formados na área, o maior dos quais seria a Cidade Sinop, onde a empresa pretendia construir um hotel turístico inteiramente de mogno.

Fonte: Veja (São Paulo/SP), 09/08/1972

Waimiri atacam Funai

Em janeiro de 1973, os índios waimiri-atroari atacaram o posto de atração no rio Alalaú, no Estado do Amazonas, matando três dos quatro funcionários da Funai que se encontravam na base e tocando fogo nas casas. O único sobrevivente conseguiu escapar se escondendo, atirando foguetes para assustar os índios e nadando pelo rio.

O ataque, feito de surpresa, teria sido motivado por um atrito dos índios com um transportador de mercadorias contratado por um dos empreiteiros que trabalhava na construção da BR-174, a estrada ligando Manaus à Venezuela, através de Boa Vista, em Roraima.

Os waimiri-atroari mantiveram, ao longo de muitos anos, relações difíceis com as frentes de penetração em seu território, culminando com o massacre, em 1968, de uma expedição de pacificação comandada pelo missionário católico italiano Calleri. Todos os integrantes da expedição foram mortos.

A abertura da estrada pela área indígena fez a Funai intensificar a frente de atração dos índios, comandada pelo sertanista Gilberto Pinto Figueiredo Costa.

Fonte: Jornal do Brasil (Rio de Janeiro/RJ), 01/02/1973

Colonos assentados

Em julho de 1971, o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) havia assentado mais de 2.700 famílias de colonos, totalizando 15 mil famílias, às margens da rodovia Transamazônica, no Pará. Gastava em média 500 cruzeiros (valor da época) por cada assentamento. Cada colono recebia como adiantamento, durante os primeiros seis meses, um salário mínimo por mês. Cada lote de 100 hectares custava Cr$ 3,7 mil, que podia ser pago em 30 anos, com cinco de carência.

Fonte: O Estado de S. Paulo (São Paulo/SP), 22/07/1971

Usina de açúcar na Transamazônica

Em setembro de 1976, entrou em funcionamento a primeira usina de açúcar e álcool da Transamazônica, no município de Altamira, no Pará. A usina Abraham Lincoln, administrada pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), deveria produzir nesse ano seis milhões de litros de álcool anidro e 600 mil sacas de açúcar, beneficiando a terceira safra colhida na região, numa área plantada de 600 hectares. Naquele ano mesmo seriam formados mais 1.200 hectares de plantio.

Fonte: O Estado do Pará (Belém/PA), 17/09/1976

Colonização pelas estradas

Em 27 de outubro de 1971, o presidente Emílio Garrastazu Médici aprovou o Programa de Integração nacional (PIN) para a Amazônia. Depois de mais de um ano de sua criação, o programa foi submetido a avaliação pelo Ministério do Planejamento.

O ministro João Paulo dos Reis Veloso apresentou o relatório de avaliação ao presidente Médici em janeiro de 1973. Registrava que as estradas pioneiras, a Transamazônica e a Santarém-Cuiabá, já estavam em operação.

A primeira, num trecho de 1.254 quilômetros, entre Altamira e Itaituba, inaugurado pelo próprio Médici, que correspondia a um terço do total do traçado da rodovia dentro da Amazônia. Quanto à segunda, dois trechos de 240 quilômetros haviam sido abertos a partir das duas frentes, nas quais atuavam o 8º e o 8º Batalhões de Engenharia de Construção do Exército.

Faltava iniciar a Perimetral Norte, que iria de Macapá, no litoral Atlântico, até Benjamin Constant, no Estado do Amazonas, na fronteira do Brasil com o Peru.

Destacava ainda o relatório que as 286 folhas com imagens em foto-mosaicos semi-contratados, produzidas pelo Projeto Radam, abrangendo uma área de 4,6 milhões de quilômetros quadrados da Amazônia, já estavam disponíveis para uso. Representavam “um dos maiores esforços jamais realizados em todo o mundo para levantar recursos naturais de forma cientificamente controlada, e analisar fatores ambientais”.

A prioridade dada pelo PIN à pesquisa mineral também já havia permitido à CPRM (Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais) descobrir molibdênio em Roraima; caulim, zinco, prata e chumbo no Pará; e diamante industrial em Goiás. Já a Petrobrás chegara a importantes depósitos de sal-gema no Pará.

-Com isso, surgira um quadro de riquezas minerais expressivo: cassiterita em Rondônia; minério de ferro em Carajás, no Pará; bauxita nas regiões de Oriximiná e Paragominas, também no Pará; manganês no Amapá e salgema no Baixo Tapajós, no Pará.

O Ministério do Interior, por sua vez, trabalhava em sete núcleos urbanos considerados prioritários: Santarém, Altamira, Marabá e Itaituba, no Pará, Humaitá, no Amazonas, Imperatriz, no Maranhão, e Picos, no Piauí.

Fonte: Jornal do Brasil (Rio de Janeiro/RJ), 06/01/1973

Gaúchos na Transamazônica

Em maio de 1976, a Cotrijuí (Cooperativa Tritícola Serrana de Ijuí, no Rio Grande do Sul) anunciou seu propósito de transferir dois mil agricultores a ela associados para assentamento numa área de 400 mil hectares, às margens da Transamazônica, no Pará. Metade da área seria usada para o assentamento e a outra metade permaneceria na condição de reserva florestal.

Poderiam participar do projeto colonos que tivessem, no máximo, 36 hectares de propriedade no sul, já que o objetivo era combater a estrutura minifundiária dominante na região de origem, onde mais de 88% dos imóveis estavam classificados como minifúndios.

Na Amazônia, os lotes dos assentados poderiam variar entre o mínimo de 36 hectares e o máximo de 150 hectares. As novas propriedades seriam apenas familiares, desenvolvendo plantios de cana, feijão, arroz, cacau, dendê, soja e café.

Fonte: O Estado de S. Paulo (São Paulo/SP), 21/05/1976