Primeira safra da Transamazônica

A primeira safra agrícola obtida pelas 10 mil famílias assentadas pelo Incra no município de Altamira, na Transamazônica, no Pará, foi de 150 mil sacas, metade delas de arroz e o restante de milho, feijão e outras pequenas culturas, como amendoim e mandioca. Quase toda a produção foi comercializada na própria área. Grande parte do milho serviu de ração para a criação de porcos e aves.

Durante os oito meses do plantio, cada família de colono recebeu um salário mínimo por mês, além de alimentação, ferramentas, remédios, ou, quando o caso, financiamento através do Banco do Brasil. Só em salários mínimos, a dívida de cada colono junto ao Incra era, então, de 1,3 milhão de cruzeiros, mas a amortização só poderia absorver 30% dos rendimentos de cada família. Em toda a área, havia nessa época apenas 180 cabeças de gado.

(Arquivo Pessoal, s/d, mas do início da década de 1970)

A abertura da PA-70

Em 1962, foi iniciada a construção da rodovia ligando a Belém-Brasília (na época, BR-14; hoje, BR-10) a Marabá, no Pará (que viria a ser conhecida como PA-70 e, atualmente, BR-222). A obra foi financiada pela SPVEA (Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia). A estrada, começando no quilômetro 314 da Belém-Brasília, teria 180 quilômetros de extensão. A vencedora da concorrência, aberta pela Rodobrás, foi a Delta Engenharia Construtora.

(Folha do Norte, Belém/PA, 01/01/1963)

A construção da estrada

A primeira etapa da construção da rodovia Transamazônica, entre Estreito e Itaituba, no Pará, foi iniciada em setembro de 1970, com duas frentes de serviço partindo dos dois pontos entremos para se juntarem no meio do percurso. Foram mobilizados seis mil trabalhadores nessa empreitada.

A segunda etapa, de Itaituba a Humaitá, começou em março de 1971, em pleno período de chuvas fortes na região, o que dificultou muito o trabalho de fixação da linha base dessa segunda etapa da estrada. Para dar apoio à construção foram abertos 12 campos de pouco ao longo do traçado.

Pequenos aviões faziam voos diários entre os vários trechos, mantendo as comunicações, impossíveis por terra. Os aviões também levavam alimentos, mas a comida básica dos trabalhadores provinha de caça. Por isso, foram contratados caçadores da própria região.

A construção da estrada de processava em sete fases distintas: 1 – Abertura da linha base, que é a locação inicial do traçado; 2 – Desmatamento e derrubada, segundo a linha locada; 3 – Destocamento e limpeza de uma área de 70 metros de largura em toda a extensão da linha da estrada; 4 – Projeto topográfico; 5 – Terraplenagem; 6 – Caminho de serviço; e 7 – Revestimento primário, que é o encascalhamento da pista.

(O Estado de S. Paulo, São Paulo/SP, 01/07/1971)

Transamazônica: 5 mil quilômetros

Encerrando uma visita de cinco dias à região amazônica, o presidente Garrastazu Médici, juntamente com vários ministros, inaugurou o primeiro trecho da rodovia Transamazônica em Marabá, no Pará, no dia 1º de outubro de 1971. O trecho inaugurado, entre Estreito, na Belém-Brasília, e Marabá, no rio Tocantins, tinha 260 quilômetros de extensão.

A inauguração ocorreu 15 meses depois que Médici criou, através de decreto-lei, o Programa de Integração Nacional. Os dois principais objetivos do PIN seriam a construção de duas grandes rodovias, a Transamazônica e a Cuiabá-Santarém, e a implantação de projetos de colonização às suas margens.

Poucos meses depois de tomar posse na presidência, Médici lançou – em fevereiro de 1970 – o Plano de Base de Integração da Amazônia, “destinado a estimular a penetração e a fixação do homem na região, através da ocupação de suas terras, pelo estabelecimento de um programa integrado de colonização e de desenvolvimento”.

Cinco meses depois, ele agregaria às rodovias incluídas nesse primeiro programa as duas novas do PIN. Falando em nome do presidente na entrega simbólica do primeiro trecho da Transamazônica, o ministro dos Transportes, Mário Andreazza, anunciou para 1972 a conclusão do segundo trecho, de Marabá a Itaituba, e para meados de 1973 a conclusão do trecho seguinte, de Itaituba a Humaitá, já no Estado do Amazonas.

Assim, seria possível ir por terra de João Pessoa, no Atlântico, até Boqueirão da Esperança, na fronteira do Acre com o Peru. numa linha de mais de cinco mil quilômetros atravessando a floresta amazônica.

(Correio da Manhã, Rio de Janeiro/RJ, 02/10/1971)

Presidente na Transamazônica

Em 28 de setembro de 1971, o presidente Garrastazu Médici iniciou, em Itaituba, no Pará, sua primeira visita de inspeção às obras da rodovia Transamazônica, à frente de uma comitiva de ministros. O presidente percorreu 11 quilômetros de estrada, de revestimento primário, e fez a travessia do rio Tapajós, entre Itaituba e Miritituba. Depois, ouviu uma palestra sobre o andamento da construção da estrada.

O diretor-geral do DNER, Eliseu Resende, informou que no percurso integral da Transamazônica, de 5.449 quilômetros, desde João Pessoa até a fronteira com o Peru, nove balsas seriam usadas para a travessia dos rios, além de construídas muitas pontes de madeira. Até 31 de dezembro de 1971 estava previsto a terraplenagem de 1.500 quilômetros de estrada.

O DNER estava gastando 150 mil cruzeiros (da época) por quilômetro construído. Contava com o trabalho de quase quatro mil homens, sendo 3.600 peões e 400 administradores e engenheiros. O investimento total previsto então era de 390 milhões de cruzeiros.

(O Estado de S. Paulo, São Paulo/SP, 29/09/1971)

Custo da Transamazônica

Em relatório encaminhado ao presidente da república no final de novembro de 1972, o ministro dos transportes, Mário Andreazza, informou que o trecho Estreito-Itaituba da rodovia Transamazônica, com 1.253 quilômetros de extensão, havia custado até aquela data Cr$ 384.620.652,35, dos quais Cr$ 373.939.799,28 referentes à construção em si e Cr$ 10.680.853,07 em consultoria. O custo médio por quilômetro atingiu Cr$ 306.715,03.

No mesmo relatório, o ministro comunicou a instalação de sinalização, a implantação de cinco postos de abastecimento e a criação de postos rodoviários ao longo desse trecho, a primeira infraestrutura de apoio na estrada.

(Jornal do Brasil, Rio de Janeiro/RJ, 21/11/1972)