Madeira para o Japão

Preocupado com as declarações do secretário do meio ambiente do Brasil, José Lutzenberger, sobre o interesse japonês na construção da BR-364, no trecho entre Rio Branco e a costa do Pacífico, no Peru, a embaixada do Japão em Brasília distribuiu, em maio de 1990, uma nota. InformOU que a importação japonesa de madeira brasileira não ultrapassava 1,3% do total importado. Lutzenberger disse que, através da estrada, o Japão iria explorar a madeira da Amazônia.

Fonte: O Estado de S. Paulo (SP), 18-05-1990

Açúcar na Transamazônica

Em 1974 começou a funcionar a usina de açúcar Abraham Lincoln, construída no quilômetro 92 da rodovia Transamazônica, que se localizava então no município de Altamira, no Pará (hoje, em Medicilândia). A usina foi levantada em tempo recorde, de 12 meses, pela empresa paulista Zanini S/A e custou 45 milhões de cruzeiros da época. Foi inaugurada pelo então ministro da agricultura, Alysson Paulinelli.

Sua capacidade de produção, de 500 mil sacas de açúcar e 3,5 milhões de litros de álcool, deveria ser atingida plenamente em três ou quatro anos. Garantiria um terço de todo o abastecimento da Amazônia, que necessitava de 1,5 milhão de sacas/ano, importadas principalmente do Nordeste.

A usina, ocupando área de 9.750 metros quadrados, empregaria diretamente 120 pessoas e, indiretamente, outras 1.2000, envolvidas na produção de cana de açúcar em uma área de cinco mil hectares. Nela, com incentivo do Incra, fora obtido um excelente índice de produtividade: 100 toneladas por hectare.

(Fonte: Arquivo Pessoal, 01-11-1990)

As cooperativas e a colonização

Em junho de 1975, o Incra anunciou a execução de um programa para a instalação de oito cooperativas na Amazônia. Em quatro anos, elas iriam triplicar a produção agrícola da região. Todas seriam cooperativas originárias do sul do país, com boa capacidade técnica, mas enfrentando um grande problema: a falta de terras em regiões minifundiárias.

A primeira dessas cooperativas, do município gaúcho de Tenente Portela, se instalou em 1974, em Barra do Garças, Mato Grosso, com 80 associados, conseguindo bons resultados. A segunda seria a Cooperativa Tritícola de Ijuí, da região serrana do Rio Grande do Sul, que pretendia ocupar 400 mil hectares no vale do rio Iriri, na Transamazônica, no Pará, com dois mil associados. Eles desenvolveriam plantios comerciais, como a soja tropical e o café. Outra cooperativa visada era a Central dos Produtores do Oeste Paranaense, que era então a maior produtora de soja do país.

Arquivo Pessoal, 01-11-1990

Conflito com os assurini

Em 1976, o governo do Pará construiu a PA-156, que ficou conhecida como Transtucuruí, ligando Tucuruí a Cametá, no Baixo Tocantins. Numa extensão de nove quilômetros, por 60 metros de largura, essa estrada cortou a reserva Trocará, dos índios assurini, nessa época com uma população de 60 indivíduos.

Como não receberam qualquer indenização, os índios decidiram criar uma barreira na rodovia para a cobrança de pedágio. O governo do Estado decidiu então pagar uma indenização, no valor de 4 milhões de cruzeiros (moeda da época).

Em setembro de 1991, os índios voltaram a pressionar e o governo assinou um acordo com eles, referendado pela Funai, comprometendo-se a realizar várias benfeitorias na área, incluindo uma estrada vicinal, instalação de água potável, escola, farmácia, barco, pequena serraria, motor de luz.

A secretaria de Transporte ficaria encarregada de controlar as obras para evitar o uso de bebida alcoólica e invasão nas terras indígenas. O prazo para a execução dos serviços venceu e não foi cumprido.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 29/10/1992

Início da Sinop

Em 1971, a Sinop Colonizadora, do empresário paranaense Enio Pipino, assumiu o controle da Gleba Celeste, com 200 mil hectares, no norte de Mato Grosso. A área, cortada pela rodovia Santarém-Cuiabá, na época em construção, seria utilizada para um projeto de colonização particular, à semelhança dos empreendimentos realizados por Pipino numa gleba de 302 mil hectares no norte do Paraná.

No dia 27 de julho de 1972, com a presença do ministro do Interior, Costa Cavalcanti, a Sinop inaugurou a Cidade Vera, o primeiro dos três núcleos urbanos que seriam formados na área, o maior dos quais seria a Cidade Sinop, onde a empresa pretendia construir um hotel turístico inteiramente de mogno.

Fonte: Veja (São Paulo/SP), 09/08/1972

Waimiri atacam Funai

Em janeiro de 1973, os índios waimiri-atroari atacaram o posto de atração no rio Alalaú, no Estado do Amazonas, matando três dos quatro funcionários da Funai que se encontravam na base e tocando fogo nas casas. O único sobrevivente conseguiu escapar se escondendo, atirando foguetes para assustar os índios e nadando pelo rio.

O ataque, feito de surpresa, teria sido motivado por um atrito dos índios com um transportador de mercadorias contratado por um dos empreiteiros que trabalhava na construção da BR-174, a estrada ligando Manaus à Venezuela, através de Boa Vista, em Roraima.

Os waimiri-atroari mantiveram, ao longo de muitos anos, relações difíceis com as frentes de penetração em seu território, culminando com o massacre, em 1968, de uma expedição de pacificação comandada pelo missionário católico italiano Calleri. Todos os integrantes da expedição foram mortos.

A abertura da estrada pela área indígena fez a Funai intensificar a frente de atração dos índios, comandada pelo sertanista Gilberto Pinto Figueiredo Costa.

Fonte: Jornal do Brasil (Rio de Janeiro/RJ), 01/02/1973

Colonos assentados

Em julho de 1971, o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) havia assentado mais de 2.700 famílias de colonos, totalizando 15 mil famílias, às margens da rodovia Transamazônica, no Pará. Gastava em média 500 cruzeiros (valor da época) por cada assentamento. Cada colono recebia como adiantamento, durante os primeiros seis meses, um salário mínimo por mês. Cada lote de 100 hectares custava Cr$ 3,7 mil, que podia ser pago em 30 anos, com cinco de carência.

Fonte: O Estado de S. Paulo (São Paulo/SP), 22/07/1971