Primeiro embarque de Carajás

A 30 de abril de 1985, a Companhia Vale do Rio Doce realizou, pelo porto de Ponta da Madeira, no Maranhão, o primeiro embarque de minério de ferro oriundo da Serra de Carajás, no Pará. A carga foi embarcada para o Japão no navio Docevirgo, da Docenave, subsidiária da CVRD.

O minério foi extraído de uma jazida com reservas estimadas em 18 bilhões de toneladas, representando uma parcela das 35 milhões de toneladas anuais que a empresa iria produzir, esperando com isso alcançar receita anual de 700 milhões de dólares.

Fonte: O Liberal (Belém), 30-04-1985.

Padre se diz perseguido

O missionário xaveriano Ângelo Pansa ficou desaparecido entre 14 e 22 de abril de 1985 nas matas do Curuá, afluente do rio Iriri, no Pará. O padre se disse perseguido por pistoleiros da empresa de segurança Sacopã, contratados pela Brasinor, mineradora ligada à Carbonífera Criciúma, de Santa Catarina, que extraía ouro na região nessa época.

Pansa disse que se tornou incômodo por defender as pessoas que a Brasinor pretendia expulsar da área de seu interesse, o que estava levando a conflitos com moradores locais, entre eles índios kayapó da reserva Baú e Chipaias-Curuaias.

Muitos moradores já tinham sido expulsos de suas terras. Pansa procurou defendê-los e foi perseguido, internando-se na mata durante oito dias para escapar.

Fonte: O Liberal (Belém), 30-04-1985.

O fim do manganês do Amapá

Em 1991, a Icomi (Indústria e Comércio de Minérios) e a Universidade de São Paulo começaram a implantar um campus de pesquisa em Serra do Navio, no Amapá. O objetivo era estudar os efeitos da exploração de minério no local, onde a Icomi começou a atuar na década de 1950.

O contrato de arrendamento sobre os três mil hectares onde foi instalada a mina tinha prazo para se encerrar em 2003, mas o esgotamento do minério de mais alto teor já havia provocado uma redução no nível de produção. Em 1991, foram extraídas 100 mil toneladas de manganês, para uma média em anos anteriores de 500 mil toneladas.

Fonte: O Liberal (Belém), 09-04-1991.

A bauxita de Paragominas

Em 1991, a Companhia Vale do Rio Doce e a Companhia Paraibuna de Metais criaram a Companhia de Mineração Vera Cruz para explorar as reservas de bauxita de Paragominas, no Pará. Na nova empresa, a Paraibuna, segunda maior produtora de metais de zinco do país, e o grupo Ficap (de fios e cabos) dividiriam em partes iguais 64% das ações da Vera Cruz, ficando os outros 36% com a CVRD.

Originalmente, os depósitos de bauxita pertenciam ao grupo inglês Rio Tinto Zinc (RTZ), que os transferiu à Vale. O projeto, no valor de 10 milhões de dólares, previa a produção de 80 mil toneladas anuais de bauxita refratária, a ser escoada através da ferrovia de Carajás, pela estação de Açailândia, no Maranhão.

 Fonte: Gazeta Mercantil (SP), 16-05-1991.

Padre expulso do Brasil

Em dezembro de 1976, o vigário de Vila Rondon, no Pará, padre Giuseppe Fontanella, foi expulso do Brasil. A acusação oficial apresentada era a de que se encontrava em situação irregular no país, mas o objetivo seria político: intimidar a ala da Igreja que se chocava com o governo.

Durante os oito anos em que esteve no Brasil, o padre tentou sem sucesso transformar seu visto de turista em autorização para morar no país. Depois de ser interrogado durante dois dias, por mais de 11 horas, no quartel da 8ª Região Militar do Exército, em Belém, por dois coronéis e um major, o padre recebeu prazo de três dias, posteriormente prorrogado para oito, para deixar o Brasil. Um agente da Polícia Federal o acompanhou de Belém ao Rio de Janeiro, de onde seguiu para a Europa.

Fonte: A Província do Pará (Belém), 01-01-1980.

As terras da Jari

Em abril de 1991, a Companhia Florestal Monte Dourado, sucessora do milionário americano Daniel Ludwig no Projeto Jari, encaminhou correspondência ao Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) alegando ser proprietária de 421.595 hectares dos 450 mil hectares que constituíam a Reserva Extrativista do Cajari, criada no final do governo Sarney.

A reserva foi estabelecida no Amapá com o apoio de diversas entidades ecológicas internacionais e do Ibama. Um pouco antes, o instituto embargara o trecho final da estrada Macapá-Jari porque a responsável pela obra, a C. R. Almeida, não apresentou o Relatório de Impacto Ambiental.

Fonte : O Globo (RJ), 27-04-1991

Calor e vegetação

O aumento da temperatura da Terra, provocado pela massiva emissão de gases na atmosfera, fenômeno conhecido como efeito estufa, acelerará a decomposição de material orgânico, aumentando o volume de nutrientes no solo. Mas como a decomposição será mais rápida do que o crescimento, haverá possivelmente uma redistribuição da vegetação, conforme hipótese apresentada pelo cientista William Schlesinger, do Departamento de Botânica e Geologia da Duke University, dos Estados Unidos, durante a II Conferência Internacional sobre Mudanças Climáticas, realizada em Genebra, no final de 1990.

O Globo (RJ), 01-11-1990