As terras da Jari

Em abril de 1991, a Companhia Florestal Monte Dourado, sucessora do milionário americano Daniel Ludwig no Projeto Jari, encaminhou correspondência ao Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) alegando ser proprietária de 421.595 hectares dos 450 mil hectares que constituíam a Reserva Extrativista do Cajari, criada no final do governo Sarney.

A reserva foi estabelecida no Amapá com o apoio de diversas entidades ecológicas internacionais e do Ibama. Um pouco antes, o instituto embargara o trecho final da estrada Macapá-Jari porque a responsável pela obra, a C. R. Almeida, não apresentou o Relatório de Impacto Ambiental.

Fonte : O Globo (RJ), 27-04-1991

Calor e vegetação

O aumento da temperatura da Terra, provocado pela massiva emissão de gases na atmosfera, fenômeno conhecido como efeito estufa, acelerará a decomposição de material orgânico, aumentando o volume de nutrientes no solo. Mas como a decomposição será mais rápida do que o crescimento, haverá possivelmente uma redistribuição da vegetação, conforme hipótese apresentada pelo cientista William Schlesinger, do Departamento de Botânica e Geologia da Duke University, dos Estados Unidos, durante a II Conferência Internacional sobre Mudanças Climáticas, realizada em Genebra, no final de 1990.

O Globo (RJ), 01-11-1990

Dinheiro pelas florestas

Em fevereiro de 1989, o Senado dos Estados Unidos manifestou a intenção de pressionar o Fundo Monetário Internacional para que a instituição seguisse o exemplo do Banco Mundial e passasse também a vincular o desembolso de seus empréstimos à preservação das florestas. Para conseguir esse objetivo, o único capaz de preservar as florestas, os parlamentares sugeriam o uso de um eficiente instrumento de pressão: o capital americano.

Os senadores democratas John Kerry e Terry Stanford e os republicanos Richard Lugar e Budy Boschwitz pediram ao secretário do Tesouro, Nicholas Brady, para não apoiar a proposta de duplicação do capital do FMI, a menos que a diretoria do organismo criasse rigorosas regras para a proteção do meio ambiente. Os EUA são responsáveis por 20% do dinheiro do FMI. As preocupações dos parlamentares foram motivadas pelos desmatamentos no Brasil e nas Filipinas, principalmente.

O Globo (RJ), 23-02-1989

Sting e os índios

Na visita que fez ao Brasil, em fevereiro de 1989, o cantor inglês de rock Sting anunciou a criação da Fundação Mata Virgem para liderar uma campanha internacional para a criação de um grande parque nacional, reunindo as reservas indígenas Gorotire e Gurupi e o Parque Nacional do Xingu, entre o Pará e o Mato Grosso, com área de 270 mil quilômetros quadrados. A ideia foi comunicada ao presidente José Sarney, com quem Sting conversou, em Brasília, durante duas horas.
A Província do Pará (Belém), 20-02-1989

Americanos intercedem

Em julho de 1988, 38 senadores dos Estados Unidos, liderados pelo presidente da Comissão de Energia e Recursos Naturais, Dale Rumpers, encaminharam à Frente Nacional de Ação Ecológica, que funcionava junto à Assembleia Nacional Constituinte brasileira, um apelo para que o governo do Brasil ratificasse o quanto antes o Protocolo de Montreal e a Convenção de Viena, visando reduzir o uso das substâncias destruidoras da camada de ozônio na atmosfera. Se essa camada mantivesse o ritmo de destruição que foi observado nos anos mais recentes, o Sudeste e o Centro-Oeste dos Estados Unidos continuariam sofrendo secas ou ondas de calor capazes de arruinar as principais safras agrícolas do país.
Fonte : Jornal da Tarde (SP), 08-07-1988

Os generais e a Amazônia

O jornal New York Times defendeu, em editorial publicado em fevereiro de 1989, a utilização de parte da dívida externa brasileira, calculada então em 115 bilhões de dólares, para impedir a continuação da destruição da floresta amazônica. Observou o periódico novaiorquino que o ministro do exterior, o ex-governador de São Paulo Abreu Sodré, aprovou a iniciativa, mas ela foi vetada pelo presidente José Sarney. O presidente estava empenhado em não permitir que a Amazônia se transformasse num “Golfo Pérsico verde”. Esses temores, segundo o jornal, “carecem de fundamento e foram elaborados pelos generais”.

Fonte : O Liberal (Belém), 4 de fevereiro de 1989

O potencial de madeira

A. J. Evans, um dos diretores da Brible Brothers Lumber Co., de Houston, Texas, entrevistado por Henry Lee para The Journal of Commerce local, em fevereiro de 1960, disse que o comércio de madeiras na Amazônia, nos Estados do Amazonas, Amapá e Pará, que até então vinha sendo desenvolvido por 25 serrarias relativamente pequenas, deveria crescer de 500 a 1000% nos cinco meses seguintes.

Classificava de “inacreditável” o potencial de exportação de madeira da região, informando que ao longo do rio havia cerca de 30 variedades comerciais “que podem ser embarcadas de forma fácil e barata, para os mercados mundiais”.

Citou o exemplo da firma holandesa Burynzeel, que estava aplicando 7,5 milhões de dólares numa fábrica de madeira compensada no Amapá, em sociedade com a Bethelehem Steel, responsável por US$ 2,5 milhões desse to tal. O artigo de Henry Lee foi reproduzido na edição de fevereiro do Boletim Americano, publicação do Serviço de Propaganda e Expansão Comercial do Brasil (SEPRO), em Nova York.

Fonte: Folha do Norte (Belém/PA), 01/06/1960