O potencial de madeira

A. J. Evans, um dos diretores da Brible Brothers Lumber Co., de Houston, Texas, entrevistado por Henry Lee para The Journal of Commerce local, em fevereiro de 1960, disse que o comércio de madeiras na Amazônia, nos Estados do Amazonas, Amapá e Pará, que até então vinha sendo desenvolvido por 25 serrarias relativamente pequenas, deveria crescer de 500 a 1000% nos cinco meses seguintes.

Classificava de “inacreditável” o potencial de exportação de madeira da região, informando que ao longo do rio havia cerca de 30 variedades comerciais “que podem ser embarcadas de forma fácil e barata, para os mercados mundiais”.

Citou o exemplo da firma holandesa Burynzeel, que estava aplicando 7,5 milhões de dólares numa fábrica de madeira compensada no Amapá, em sociedade com a Bethelehem Steel, responsável por US$ 2,5 milhões desse to tal. O artigo de Henry Lee foi reproduzido na edição de fevereiro do Boletim Americano, publicação do Serviço de Propaganda e Expansão Comercial do Brasil (SEPRO), em Nova York.

Fonte: Folha do Norte (Belém/PA), 01/06/1960

A constituição da Albrás

A Albrás (Alumínio do Brasil), localizada a 40 quilômetros de Belém, no Pará, no município de Barcarena, resultou de uma associação da Companhia Vale do Rio Doce, detentora de 51% do capital, com 32 empresas japonesas, reunidas no consórcio Nippon Amazon Aluminium (NAAC), com os restantes 49% das ações.

Toda a produção da Albrás, então de 345 mil toneladas de alumínio primário, na forma de lingote, se destinava à exportação. Com o aquecimento da demanda brasileira por alumínio, em 1994, nesse ano cinco mil toneladas foram comercializadas no mercado interno. Outra empresa de alumínio, controlada pela Aluvale, a holding da CVRD para o setor, a Valesul, do Rio de Janeiro, não conseguiu atender todos os pedidos dos seus clientes com suas 93 mil toneladas de produção.

Fonte: Gazeta Mercantil (São Paulo/SP), 25/04/1995

ONGs fora

O governo federal decidiu, em 25 de fevereiro de 1992, excluir as ONGs (Organizações Não-Governamentais) da Comissão de Coordenação do Programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil. O PPG-7 é financiado pelos sete países mais ricos do mundo, através do G-7. A decisão se baseou na premissa de que a comissão coordenadora representava uma instância de governo, para expressar posições oficiais, e, como tal, teria acesso a informações privilegiadas. Representantes de 98 ONGs brasileiras protestaram contra a medida.

Fonte: Jornal do Brasil (Rio de Janeiro/RJ), 29/02/1992

Quem destrói a floresta?

Em artigo publicado no jornal Folha do Norte, de Belém, em agosto de 1968, o engenheiro agrônomo Humberto Marinho Koury apresentou dados sobre as relações desfavoráveis no comércio exterior enfrentadas pela atividade madeireira amazônica.

Argumentou que a tora de mogno (ou “aguano”), “uma das espécies florestais mais importantes do Estado do Pará e uma das madeiras mais luxuosas do mundo”, estava sendo vendida por 100 dólares o metro cúbico para o exterior.

Os compradores desdobravam a tora em lâminas muito delgadas, vendendo cada metro quadrado a US$ 3. Esse rendimento permitia que o metro cúbico da madeira laminada pudesse alcançar US$ 14 mil o metro cúbico.

Como para cada metro cúbico de madeira laminada são necessários de dois a três m3 de madeira bruta, para um custo máximo de US$ 300, obtinha-se um rendimento de US$ 14 mil.

A situação se aplicava à comercialização de outra madeira valiosa que o Pará exportava, a virola ou ucuúba. Saíam anualmente de 4 milhões a 6 milhões de pés quadrados de ucuúba do Pará, por aquisição de empresas estrangeiras, como a Georgia Pacific Corporation, a Lumquar Limited e a Bruynzeel Suriname Houtmaatschappy.

Fonte: Folha do Norte (Belém/PA), 08/08/1968

Acidentes da navegação

Um dos trechos mais perigosos para a navegação na entrada da barra de Belém, a capital do Pará, é no banco do Mandii (ou Mandy), em frente ao farol com o mesmo nome. Esse banco de areia passou a ser conhecido também como do Otelo por causa do acidente ali ocorrido com o navio Otelo, em 11 de novembro de 1912.

A embarcação, de aproximadamente quatro mil toneladas, transportava 400 homens, principalmente cubanos, que iam trabalhar na construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. O navio encalhou e se partiu ao meio, naufragando em seguida. Mas o “Pará”, do Lóide Brasileiro, conseguiu chegar a tempo ao local para resgatar todos os passageiros e tripulantes.

Outros acidentes foram registrados antes e depois, como o do navio Moa, que naufragou e dele não sobraram nem os destroços. O trecho se tornava mais perigoso para a navegação em noites escuras.

Fonte: Folha do Norte (Belém/PA), 02/10/1964

A polêmica do Sivam

Em 1994, o presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, enviou uma carta ao presidente do Brasil, Itamar Franco, para recomendar a escolha da empresa americana Raytheon como fornecedora de equipamentos para o Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia), um projeto no valor de 1,4 bilhão de dólares para controlar o espaço aéreo na Amazônia e produzir informações sobre a região. a partir de uma rede de radares fixos e móveis, sensores colocados em aviões e satélites.

Alguns meses depois, o presidente brasileiro adotou iniciativa semelhante, recomendando a Embraer numa licitação do Pentágono do qual a então estatal do Brasil participava. Em abril de 1995, o novo presidente brasileiro, Fernando Henrique Cardoso, visitou os Estados Unidos. Foi no momento em que a assinatura do contrato do Sivam foi suspensa devido a acusações sobre a situação de ilegalidade da parceira da Raytheon, a brasileira Esca.

FHC pretendia assinar o contrato antes da viagem. Dois meses depois, porém, ele ligou para Clinton comunicando-lhe que acabara de assinar o contrato. O presidente americano o cumprimentou e manifestou a esperança de que o Senado, vencendo as barreiras ainda existentes, aprovasse o ato para que a Raytheon iniciasse a execução do Sivam.

Clinton classificou de “modelo” o projeto, que iria gerar 20 mil novos empregos nos EUA, o que levou o Departamento de Comércio a ter participação ativa no processo de escolha do fornecedor de equipamentos. Uma das exigências era de que o vencedor obtivesse o financiamento necessário, o que a Raytheon conseguiu junto ao Eximbank americano.

A empresa também teria recebido informações da CIA, a agência de inteligência dos Estados Unidos, sobre o pagamento de propina a autoridades brasileiras pela Thomson, uma empresa francesa que já havia participado da implantação de sistemas de controle de tráfego aéreo no Brasil e era a principal concorrente da Raytheon.

Fonte: Folha de S. Paulo (São Paulo/SP), 21/06/1995

Japão interessado no mercúrio

O uso de mercúrio na Amazônia foi proibido pelo governo federal em 1989, por representar um grande perigo para todas as formas de vida, mas o produto continuou a ser empregado nos garimpos da região. Em 1993 a CPRM (Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais) anunciou, em Manaus, os primeiros resultados de uma pesquisa que constatara a presença de mercúrio em teores acima dos normais em peixes do Madeira, rio que corta os Estados do Amazonas e Rondônia.

O problema interessou o Instituto Nacional de Pesquisas Ambientais do Japão, que assinou um convênio com o DNPM (Departamento Nacional da Produção Mineral) para estudar a presença do mercúrio na região.

Fonte: Jornal do Brasil (Rio de Janeiro/RJ), 03/01/1993