Madeireiras em ação

Em 1997 a produção de madeira em toras na Amazônia chegou a 29,5 milhões de metros cúbicos e 85% desse volume foi consumido no Brasil, segundo dados do Imazon (Instituto do Homem e do Meio Ambiente Amazônico).

O Pará, com 13,5 milhões de m3, foi responsável por 46% dessa produção. Mato Grosso contribuiu com 33%, ou 9,8 milhões de m3. Rondônia, com 13,2$, ou 3,9 milhões de m3.

A já então extinta Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), do governo federal, considerava que 80% das madeireiras da Amazônia eram ilegais. O Greenpeace dizia haver 27 empresas estrangeiras atuando na região em 1999, principalmente asiáticas e europeias.

Das oito maiores madeireiras do Estado do Amazonas, quatro eram européias (Gethal, Mil Madeireira, Brasport e Agromadeiral), duas malaias (Carolina e Amaplac), uma de Hong-Kong (Compensa) e uma chinesa, estatal (Cifec).

(Gazeta Mercantil, São Paulo/SP, 14/09/1999)

A ciência vê a Amazônia

No final de 1998 foi iniciado o projeto internacional LBA (Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia), com a participação de mais de 200 cientistas, sob a liderança do Brasil, e orçamento de 80 milhões de dólares.

A proposta do programa era tentar entender como a Amazônia funciona em termos climáticos, ecológicos, biogeoquímicos e hidrológicos, e sua influência no clima global do planeta.

Também procuraria entender como as mudanças nos usos da terra (desmatamento e queimada) e do clima (efeito estufa) na região afetam esse funcionamento, e quais as implicações dessas mudanças para a sustentabilidade biológica, química e física da Amazônia.

Doze áreas foram selecionadas na região para pesquisas contínuas,que ajudarão a entender a forma através da qual se processa a interação da vegetação com a atmosfera e a influência desse processo nas mudanças climáticas.

A rede de experimentos do LBA foi distribuída ao longo de duas seções principais, atravessando regiões com diferentes tipos de vegetação, clima e estágios de exploração pelo homem.

A primeira transseção abrange o noroeste da Amazônia, passando por Manaus e Santarém e terminando na região do cerrado, em torno de Brasília. A segunda transseção incluiu o oeste da Amazônia, próximo ao Peru, seguindo por Rondônia até o norte de Mato Grosso.

A primeira pesquisa de campo ocorreu entre janeiro e março de 1999, na região de Ji-Paraná, em Rondônia. Para as pesquisas de campo são usados equipamentos instalados no solo e no alto de torres instrumentadas, 15 metros acima da copa das árvores. Pesquisas de maior abrangência contam com o suporte de aviões-laboratório, balões, sondas e satélites.

(Gazeta Mercantil, São Paulo/SP, 11/10/1999)

O ferro de Carajás

Em outubro de 1967 a Companhia Meridional de Mineração, subsidiária da United States Steel, dos Estados Unidos, anunciou, no Rio de Janeiro, a descoberta de ricas jazidas de minério de ferro na Serra dos Carajás, no município de Marabá, sul do Pará. Afloramentos pesquisados às proximidades do rio Itacaiúnas indicaram a existência de extensas faixas de minério de ferro em potencial, provavelmente um minério de tipo comercial, que poderia vir a ter exploração comercial, associado a outras ocorrências.

(Folha do Norte, Belém, PA, 01/11/1967)

O “olheiro” de Washington

O coronel Vernon Walters, adido militar da embaixada dos Estados Unidos no Brasil, gastou quatro dias e meio, em janeiro de 1965, no percurso de Brasília a Belém pela BR-14, a estrada construída pelo presidente Juscelino Kubitscheck para ligar pela primeira vez, por terra, a Amazônia ao restante do Brasil.

Já em Belém, o militar disse que percorrer a Belém-Brasília foi a maior emoção da sua vida desde a Segunda Guerra Mundial, da qual participou como elemento de ligação entre as tropas brasileiras e o comando americano, nas operações realizadas na Itália.

Por causa do seu desempenho, Walters recebeu várias condecorações, entre as quais a Cruz de Combate, que lhe foi conferida pelo governo brasileiro. Várias vezes acompanhou presidentes e autoridades brasileiras em visita aos EUA, servindo também de intérprete para os presidentes Truman e Eisenhower nas visitas que fizeram ao Brasil.

O adido americano elogiou as condições de tráfego da estrada, de terraplenagem primária, que lhe permitiram sempre desenvolver a velocidade de 80 quilômetros por hora em seu jipão, e da infraestrutura de apoio já existente em seu percurso, tornando desnecessária a carga que levara, inclusive com gasolina.

Opinou que o programa Aliança para o Progresso devia dar apoio integral à rodovia, que iria permitir à Amazônia se libertar do isolamento em que estava, sendo “o maior empreendimento brasileiro do século XX”. Acrescentou que gostaria de rever a região 10 anos depois, para comprovar essa opinião.

Confessou que sua maior emoção durante a viagem, em companhia de dois outros oficiais americanos, que estavam fazendo curso no Brasil, foi descobrir a existência, em Goiás, de uma cidadezinha denominada Presidente Kennedy.

(Folha do Norte, Belém/PA, 19/01/1965)

Os EUA de olho na Amazônia

Em setembro de 1967, funcionários do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, por solicitação do ministro Magalhães Pinto, mantiveram contato com o Hudson Institute, em Nova York. O objetivo era “colher dados que permitissem avaliar, de forma precisa, a natureza e o alcance” do projeto que o instituto apresentara, para a formação de um sistema de grandes lagos na Amazônia latino-americana, o principal dos quais seria o Grande Lago do rio Amazonas, à altura de Óbidos, no Pará.

A informação foi prestada pelo ministro, em 1968, à Comissão Parlamentar de Inquérito instaurada na Câmara Federal para apreciar o projeto. Magalhães Pinto disse que 85% do orçamento do Hudson, uma entidade voltada para a pesquisa e o planejamento político, sobretudo dos campos internacional e de segurança dos Estados Unidos, provinha de contratos com agências oficiais norte-americanas. A principal delas era o Departamento de Defesa.

O interesse do Hudson pela Amazônia seria um dos reflexos da importância assumida pela região, “à medida que se tornam escassas as matérias primas de que necessitam os grandes centros industriais do mundo”.

O plano dos grandes lagos, além dos seus objetivos econômicos, teria a finalidade de facilitar as comunicações no interior do continente “e evitar que se forme na área um maior adensamento demográfico e, consequentemente, um foco de poder que modifique o equilíbrio continental”.

(Folha do Norte, Belém/PA, 27/08/1968)

Inventário da floresta

Em 1957 a SPVEA (Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia) anunciou haver concluído, com a colaboração da FAO, órgão das Nações Unidas, o inventário florestal de 15 milhões de hectares. A área, indo do rio Purus ao Gurupi, atingia a faixa de transição de floresta típica, talvez a maior área contínua conhecida coberta por serviço dessa natureza.

(Folha do Norte, Belém/PA, 19/01/1958)

Pneu de borracha natural do Acre

No final de 2000 a Pirelli lançou, inicialmente apenas nos mercados do Norte e Nordeste do Brasil, o pneu Xapuri, o primeiro fabricado no país a utilizar apenas borracha natural. As 150 toneladas usadas pela empresa provinham de uma área de 90 mil hectares de seringais nativos da Amazônia, principalmente dos municípios de Xapuri e Sena Madureira, no Estado do Acre, beneficiando aproximadamente 300 famílias de seringueiros.

Para fazer o lançamento, a Pirelli firmou em 1998 uma parceria com a Cooperativa dos Seringueiros do Acre, dentro do Programa de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva da Borracha, idealizado pelo governo acreano para retomar e viabilizar economicamente essa atividade extrativista.

No Estado havia então 20 mil famílias de seringueiros, índios e ribeirinhos, segundo estimativa da Secretaria Executiva de Floresta e Extrativismo. Em janeiro de 1999 o governo estadual instituiu o subsídio à borracha, que nesse ano foi de R$ 0,40 por quilo, alcançando R$ 322 mil, distribuídos através de 74 associações e beneficiando 1.300 famílias.

Em Xapuri e Sena Madureira havia cerca de 70 cooperativas de produtores. As usinas de borracha são de propriedade dos próprios seringueiros.

(Gazeta Mercantil/Pará, Belém/PA, 06/11/2000)