Alvo japonês

Uma missão técnica japonesa com 21 integrantes, chefiada pelo deputado Shiro Kyono, de São Paulo, esteve na Amazônia em outubro de 1964 para avaliar o potencial de vários produtos naturais da região, ainda em condições econômicas e de comercialização desconhecidas. O objetivo era definir as possibilidades de aproveitamento racional de diversos produtos da flora equatorial. Um dos alvos era o babaçu. Os técnicos estiveram no município de Tomé-Açu, no Pará, onde visitaram os plantios de pimenta-do-reino feitos por imigrantes japoneses.

(Folha do Norte (Belém/PA), 14/10/1964)

A ação da Rio Impex

Em abril de 1961, o deputado estadual Cléo Bernardo criticou, da tribuna da Assembleia Legislativa do Pará, a Rio Impex, estabelecida no município de Itupiranga. A empresa alemã teria obstruído o igarapé Lago Vermelho, tributário do rio Tocantins, com cerca de 700 toros de mogno, impedindo assim o escoamento de mais de mil hectolitros de castanha que seriam levados para Belém e exportados.

Esse seria mais um dos abusos praticados pela empresa contra a população da região. Já antes ela teria comprado todo o estoque de boi em pé existente no município, “controlando o preço e as condições de venda”. Também estaria se recusando a pagar os impostos lançados pela prefeitura de Itupiranga, obrigando o poder público a cobrá-los judicialmente.

(Folha do Norte, Belém/PA, 20/04/1961)

Plantio de borracha

O primeiro seringal de cultivo financiado pelo Probor a entrar em produção no Pará, numa área de 400 hectares plantados e mais 32 hectares de viveiros, foi “sangrado” em outubro de 1980 para a retirada de látex. O seringal era de propriedade do médico Ronaldo Fonteles de Lima e se localizava na baía do Sol, no distrito de Mosqueiro, a 60 quilômetros de Belém. O projeto serviria de modelo para um empreendimento ainda maior, o projeto Moju, que a Sudhevea estava apoiando para ampliar a heveicultura no Estado.

(O Liberal, Belém/PA, 05/10/1980)

Reservas extrativistas

Durante o governo Sarney foram criadas quatro reservas extrativistas na Amazônia, abrigando 6.250 famílias em 2,2 milhões de hectares. As áreas criadas foram: Alto Juruá e Chico Mendes, no Acre; Ouro Preto, em Rondônia; e Rio Cajari, no Amapá.

A que alcançou melhor desenvolvimento foi a Chico Mendes: seus integrantes conseguiram organizar a Cooperativa de Xapuri, reunidos famílias dos municípios de Assis Brasil, Brasiléia, Rio Branco, Sena Madureira e Xapuri, no Acre.

Segundo o secreto 98.987, de janeiro de 1989, a União, proprietária das áreas das reservas, concedeu por 30 anos o uso das terras, concessão renovável, exigindo um plano de exploração dos recursos naturais com a devida proteção ambiental.

Em maio de 1990, o IEA (Instituto de Estudos Amazônicos) e o CNS (Conselho Nacional dos Seringueiros) propuseram a ampliação da área das reservas para que alcançassem um total de 25 milhões de hectares.

Também sugeriram o redirecionamento da TORMB (Taxa de Organização e Regulamentação do Mercado de Borracha), que foi instituída durante a Segunda Guerra Mundial como forma de proteção à borracha natural, nivelando seu preço ao produto importado, mais barato.

A taxa, que em 1989 proporcionou receita equivalente a 53 milhões de dólares, seria parcialmente destinada a modernizar as estruturas de ensino, transporte e proteção das reservas.

(Jornal da Tarde, São Paulo/SP, 31/05/1990

Ameaça aos aforamentos

Em janeiro de 1956, o governador do Pará, general Alexandre Zacarias de Assunção, baixou ato condicionando a concessão de terras devolutas do Estado, através de aforamento, à aprovação da Assembleia Legislativa. Os aforamentos eram tradicionalmente usados pela indústria extrativa, para o aproveitamento de castanha, borracha ou balata.

Os foreiros não aceitaram a medida e recorreram ao Tribunal de Justiça do Estado, que, examinando os mandados de segurança, decidiu que o legislativo era incompetente para se pronunciar sobre os aforamentos de terras devolutas, restabelecendo a situação anterior.

(Folha do Norte, Belém/PA, 03/10/1956)

Trabalho escravo em S. Félix

Em outubro de 1987, Carlos Augusto Alves Oliveira, 21 anos, estudante, natural de Águas Brancas, no Piauí, denunciou à imprensa de Belém ter trabalhado durante 10 dias, sob regime de escravidão, numa plantação de jaborandi da empresa Vegetex, em São Félix do Xingu, no Pará.

Disse ter conseguido fugir aproveitando a fuga de dois menores, que também trabalhavam na plantação. O regime de trabalho ia das 5 da manhã às 15 horas e os empregados eram alimentados apenas com arroz e feijão.

(O Liberal, Belém/PA, 16/10/1987)

A produção de borracha

Em 1915, no preâmbulo do parecer que O. Labroy apresentou ao Ministério da Agricultura, Pereira da Silva afirmou que a Amazônia possuía pelo menos 300 milhões de árvores em seus seringais silvestres, mas que apenas 6% das árvores estavam em exploração.

Em relatório que apresentou em março de 1944, assinalando o primeiro ano de funcionamento da instituição, o presidente do Banco de Crédito da Borracha, José Carneiro da Gama Malcher, calculou que nem um terço das árvores existentes em condições de ser exploradas estavam efetivamente sendo cortadas para a produção de borracha, a despeito dos esforços para fornecer o produto para o esforço aliado de guerra, coordenado pela Comissão de Controle dos Acordos de Washington, que o Brasil e os Estados Unidos assinaram.

O principal problema enfrentado era o transporte, sem o qual seria impossível alcançar as zonas de produção, nos altos rios, ou garantir o abastecimento.

(Folha do Norte Belém/PA, 09/01/1945)