Menos castanhais

Em 1978, técnicos do Centro de Pesquisa Agropecuária dos Trópicos Úmidos (CPATU), da Embrapa, estimavam a existência de 260 mil hectares de castanhais nativos na região do Tocantins, no Pará, tendo como principal centro o município de Marabá, dos quais 201 mil hectares estavam destinados à exploração.

Cinco anos depois a área em produção foi reduzida em 11% e a extração de castanha-do-pará cedeu lugar a novas atividades, mais intensivas no uso da terra, como a pecuária de corte e a extração de madeira.

Fonte : Jornal do Brasil (Belém), 19-01-1987

Os matadores de Chico Mendes

Em fevereiro de 1992. a Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Acre anulou, por dois votos contra um, o julgamento do Tribunal do Júri de Xapuri, que condenou o fazendeiro Darli Alves da Silva a 19 anos de prisão por ter sido o mandante da morte do ecologista e líder seringueiro Chico Mendes. Dois desembargadores consideraram que os jurados de Xapuri tomaram uma decisão “manifestamente contrária à prova dos autos”, o único argumento que permite anular uma decisão do Tribunal do Júri e fazer realizar nova sessão. Os três desembargadores da câmara decidiram manter a pena de 19 anos de cadeia para Darci Alves da Silva, filho de Darli, que confessou ter atirado em Chico Mendes e que já cumpria mais 12 anos de prisão por outro assassinato.

Jornal do Brasil (RJ), 29-02-1992

Quem destrói a floresta?

Em artigo publicado no jornal Folha do Norte, de Belém, em agosto de 1968, o engenheiro agrônomo Humberto Marinho Koury apresentou dados sobre as relações desfavoráveis no comércio exterior enfrentadas pela atividade madeireira amazônica.

Argumentou que a tora de mogno (ou “aguano”), “uma das espécies florestais mais importantes do Estado do Pará e uma das madeiras mais luxuosas do mundo”, estava sendo vendida por 100 dólares o metro cúbico para o exterior.

Os compradores desdobravam a tora em lâminas muito delgadas, vendendo cada metro quadrado a US$ 3. Esse rendimento permitia que o metro cúbico da madeira laminada pudesse alcançar US$ 14 mil o metro cúbico.

Como para cada metro cúbico de madeira laminada são necessários de dois a três m3 de madeira bruta, para um custo máximo de US$ 300, obtinha-se um rendimento de US$ 14 mil.

A situação se aplicava à comercialização de outra madeira valiosa que o Pará exportava, a virola ou ucuúba. Saíam anualmente de 4 milhões a 6 milhões de pés quadrados de ucuúba do Pará, por aquisição de empresas estrangeiras, como a Georgia Pacific Corporation, a Lumquar Limited e a Bruynzeel Suriname Houtmaatschappy.

Fonte: Folha do Norte (Belém/PA), 08/08/1968

O retorno dos “arigós”

Em agosto de 1946, 16 imigrantes nordestinos registraram queixa na polícia civil do Pará contra os maus tratos que estariam sofrendo na Hospedaria do Tapanã, em Belém. O diretor do local, mantido pela CAETA, responsável pelo recrutamento de mão-de-obra para trabalhar nos seringais, condicionou o fornecimento de alimentação à prestação de algum tipo de serviço. Só quem trabalhasse poderia comer.

O problema é que os homens, depois de produzir borracha nos seringais nos altos rios da Amazônia, se encontravam muito debilitados. Eles informaram que haviam chegado a Manaus juntamente com outros 170 nordestinos, que também foram atraídos para produzir borracha para os países aliados durante a Segunda Guerra Mundial.

Terminado o conflito, foram abandonados à própria sorte e com muito custo conseguiram alcançar a capital amazonense, de onde prosseguiram viagem, no navio Cambridge, para Belém. Queriam ajuda para retornar aos seus pontos de origem, no Nordeste. Foram convocados como “soldados da borracha”. Mas a população da região os tratava pejorativamente de “arigós”.

Fonte: Folha do Norte (Belém/PA), 09/08/1946

Contrabando de peles

Em setembro de 1971, a 7ª Companhia de Fronteira do Exército apreendeu 50 mil peles de animais, incluindo onças e macacos, na cidade de Benjamin Constant, no Estado do Amazonas. A carga estava em nome de empresas de Manaus e se destinavam a Letícia, na Colômbia. A operação foi realizada em sigilo porque as autoridades acreditavam estar na pista dos “reis” do contrabando de peles.

Fonte: O Estado de S. Paulo (São Paulo/SP), 11/11/1971

O fim dos curtumes

Em 1972, restava funcionando apenas um dos seis curtumes que havia em Belém, o Santo Antônio. Os demais fecharam por causa da competição dos curtumes de São Paulo e pela proibição à caça de jacaré, que era a principal fonte de matéria prima. A proibição foi adotada para evitar a extinção da espécie.

O Santo Antônio foi impedido pelo IBDF (Instituto Brasileiro do Desenvolvimento Florestal) de exportar uma grande partida de peles e jacaré para a Suíça e passou a operar com couro de boi e de búfalo, mas sem condições de competir com os concorrentes sulistas.

Fonte: O Estado de S. Paulo (São Paulo/SP), 30/09/1972

O IAN e a pesquisa agronômica

Em julho de 1954, nove anos depois que o governo brasileiro adquiriu a grande área no vale do Tapajós, no Pará, na qual a Ford pretendia implantar um plantio industrial de seringueiras, o diretor do Serviço Nacional de Pesquisas Agronômicas, Felisberto Camargo, fez um balanço do que estava sendo feito em toda a área, com mais de 1,2 milhão de hectares.

Ele apresentou um relato das pesquisas e experimentos conduzidos pelo Instituto Agronômico do Norte (IAN), que dirigira até um pouco antes. Destacou a introdução de três mil cabeças de gado importado, sendo mil de gado branco (Nelore e Jersey) e duas mil de búfalos do Oriente, entre os quais o Redshind, do Paquistão, que Camargo acreditava que iria provocar “uma verdadeira revolução na pecuária de leite no Brasil”.

Garantiu que nas antigas concessões da Ford havia então um milhão de pés de seringueira em condições de sangramento, mas que apenas metade delas haviam sido cortadas em 1953, por falta de mão de obra, “que é o problema geral da Amazônia”.

Referiu-se ao experimento de desviar e provocar a sedimentação dos nutrientes carregados pelo rio Amazonas, a “colmatagem”, numa estação em funcionamento no Baixo Amazonas, no Maicuru. Assegurou que cinco mil toneladas de húmus haviam sido depositadas nos campos dessa região, através de canais artificialmente criados para desviar as águas do rio.

Nesses novos campos seria possível criar gado, desenvolver plantios perenes (como seringueira e dendê) e cultivos alimentares intensivos, como arroz, feijão e soja.

Informou ainda que no estuário do rio Amazonas, na foz do rio Guamá, o IAN estava conseguido obter quatro toneladas por hectare de arroz irrigado, quando a média nacional era de 1,5 hectares. Esses resultados permitiriam à Amazônia “vir a ser dentro de algum tempo o maior centro exportador de arroz de todo o Brasil”.

O IAN também estava dando apoio ao cultivo de juta, fornecendo 100 toneladas de semente, com as quais asseguraria a produção regional, de 40 mil toneladas anuais, suficiente para suprir de fibra a indústria nacional de fiação e tecelagem.

Fonte: Folha do Norte (Belém/PA), 28/07/1954