Cemitério clandestino em fazenda

Seguindo denúncia feita pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura, uma diligência policial constatou a prática de trabalho escravo na fazenda Nova Délhi, no município de Vila Rondon, no Pará, de propriedade de Josélio Carneiro Barros. Sete peões que foram ouvidos declararam que em quatro anos de trabalho jamais receberam um pagamento.

Tinham direito apenas a alimentação. Jamais tiveram acesso a uma prestação de contas sobre quanto deveriam ganhar e quanto deviam. Numa fazenda vizinha, a Techaugau, do mesmo proprietário, a polícia localizou um cemitério clandestino, ossadas e sinais de incineração de corpos cobertos por pneus e plástico preto.

Fonte: O Globo (Rio de Janeiro/RJ), 20/06/1995

Pistoleiros de Josélio

Em 1995, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Pará acusou o fazendeiro capixaba Josélio Barros Carneiro de utilizar pelo menos uma de suas duas fazendas, às proximidades da rodovia Belém-Brasília, para encobrir assassinatos cometidos por pistoleiros a seu mando. Em uma dessas fazendas o delegado João Moraes, da Polícia Civil, encontrou várias ossadas.

O principal pistoleiro seria o mineiro Aldércio Nunes Leite, procurado em seu Estado de origem por vários crimes, entre os quais a matança de cinco pessoas, em 1990, que ficou conhecido como a chacina de Marcancheta.

Aldércio fugiu para o Pará, sendo contratado por Josélio, juntamente com outro pistoleiro, conhecido como Raí. Eles teriam praticado vários assassinatos nos municípios de Dom Eliseu e Rondon do Pará, onde ficam as fazendas Techagaú e Nova Délhi, de Josélio.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 06/07/1995

Conflito da Paraporã

Em julho de 1971, a polícia do Pará expulsou dezenas de famílias de lavradores que ocupavam uma área de mais de 17 mil hectares, no município de São Domingos do Capim. As terras eram reivindicadas como suas pela Companhia Agropecuária Paraporã, que conseguiu liminar da justiça para retirar os ocupantes da área.

A empresa tinha um projeto agropecuário aprovado pela Sudam (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia). Os lavradores alegavam ocupar há pelo menos um século a área, que lhes teria sido doada pela antiga Secretaria de Terras do Estado. Criado o conflito, a Corregedoria Geral de Justiça do Pará determinou a suspensão da liminar concedida à empresa.

Fonte: O Estado de S. Paulo (São Paulo/SP), 30/07/1971

Terras para grandes proprietários

Em abril de 1972, o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) começou a selecionar áreas na Amazônia para serem licitadas, em grandes lotes, para empresas rurais. Os lotes máximos iriam variar entre 72 mil hectares (para reflorestamento) e 66 mil hectares (para agropecuária).

Em Mato Grosso a área selecionada abrangeu 100 mil hectares, entre os rios Peixoto de Azevedo e Teles Pires, às proximidades da rodovia Santarém-Cuiabá. Em Roraima, as áreas destinadas a grandes propriedades somaram dois milhões de hectares; no Amapá, 100 mil ha; no Pará, 1,7 milhão de hectares; em Rondônia, 200 mil hectares, mas destinados a regularizar a propriedade de até dois mil hectares. Até então, o Incra só fizera colonização com pequenos proprietários.

Fonte: O Estado de S. Paulo (São Paulo/SP), 24/04/1976

Denúncias de trabalho escravo

Em agosto de 1972, a Polícia Federal abriu inquérito, no Pará, com a finalidade de apurar denúncia de trabalho escravo em duas fazendas do Estado: a Fazenda Nova, no município de Ipixuna, e a Fazendas Reunidas, em São Domingos do Capim. A denúncia foi apresentada inicialmente à polícia civil estadual pelo lavrador Ailton Farias de Souza.

Outro lavrador, José de Souza Alves, acusou a firma Serviços Florestais Ltda. de também obrigar seus contratados a trabalhar em regime de semiescravidão, relatando seu próprio caso: foi contratado em Belém pela empresa, mas só teve acesso ao contrato durante a viagem para Monte Dourado, sede do Projeto Jari.

Ali, deveria trabalhar em plantio e conservação de floresta, mas foi obrigado a fazer parte das frentes de desmatamento. Mesmo com a perna ferida num acidente, continuou a trabalhar, até que suas condições físicas o inabilitaram. Foi dispensado sem receber o que tinha direito.

Fonte: Folha do Norte (Belém/PA), 03/08/1972

Terras com estrangeiros

Em sua edição de 22 de dezembro de 1967, a revista Time informou que nos últimos anos investidores estrangeiros haviam comprado mais terras no Brasil do que a soma de cinco Estados americanos (Delaware, Connecticut. Rhode Island, Massachussets e New Hampshire).

Dizia que alguns desses compradores de grandes áreas não passavam de especuladores, que adquiriam  terra de sete centavos o acre e as revendendiam por dois dólares. Mas que havia também verdadeiros investidores, como Henry Fuller, da cidade de Houston, “que possui meio milhão de acres cultivados e que pretende construir nas suas terras uma escola, uma igreja e uma cooperativa”.

A revista dizia que a disponibilidade de vastas extensões de terra na fronteira brasileira, sobretudo com a conclusão da rodovia Belém-Brasília, em 1966, estava atraindo especuladores da Alemanha, Japão, Estados Unidos e outros países, atraídos pela riqueza de alguns solos, como os de Goiás e da Bahia.

Mas que os proprietários se assustaram com a oposição a essas aquisições, criando pressão junto ao governo para suspendê-las, como ameaça à soberania nacional. O senador Marcelo Alencar, do MDB, assegurando que um terço do Brasil já estavam nas mãos de estrangeiros, propôs uma emenda constitucional para desencorajar futuros compradores.

Uma comissão federal de investigação havia recomendado a exigência de legitimação das vendas já efetuadas aos estrangeiros. Mas o governo brasileiro não parecia disposto a endossar essas mudanças.

Fonte: Folha do Norte (Belém/PA), 11/01/1968

Fazendeiro é morto

O fazendeiro Tarley Andrade e seu empregado, João Gonçalves, foram mortos no dia 19 de dezembro de 1986, durante um confronto com posseiros, na fazenda Forkilha, em Santana do Araguaia, no sul do Pará. Houve tiroteio, do qual teriam participado três pistoleiros: Errol Flyn, Nélio e Paraguaio. O lavrador Raimundo Modesto foi o primeiro a ser baleado, com tiros de cartucheira disparados por Tarley. Mas conseguiu escapar e foi transferido, preso, para Belém.

FONTE: O Liberal (Belém/PA), 03/01/1987