As terras da Jari

Em abril de 1991, a Companhia Florestal Monte Dourado, sucessora do milionário americano Daniel Ludwig no Projeto Jari, encaminhou correspondência ao Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) alegando ser proprietária de 421.595 hectares dos 450 mil hectares que constituíam a Reserva Extrativista do Cajari, criada no final do governo Sarney.

A reserva foi estabelecida no Amapá com o apoio de diversas entidades ecológicas internacionais e do Ibama. Um pouco antes, o instituto embargara o trecho final da estrada Macapá-Jari porque a responsável pela obra, a C. R. Almeida, não apresentou o Relatório de Impacto Ambiental.

Fonte : O Globo (RJ), 27-04-1991

Madeira para o Japão

Preocupado com as declarações do secretário do meio ambiente do Brasil, José Lutzenberger, sobre o interesse japonês na construção da BR-364, no trecho entre Rio Branco e a costa do Pacífico, no Peru, a embaixada do Japão em Brasília distribuiu, em maio de 1990, uma nota. InformOU que a importação japonesa de madeira brasileira não ultrapassava 1,3% do total importado. Lutzenberger disse que, através da estrada, o Japão iria explorar a madeira da Amazônia.

Fonte: O Estado de S. Paulo (SP), 18-05-1990

Dinheiro pelas florestas

Em fevereiro de 1989, o Senado dos Estados Unidos manifestou a intenção de pressionar o Fundo Monetário Internacional para que a instituição seguisse o exemplo do Banco Mundial e passasse também a vincular o desembolso de seus empréstimos à preservação das florestas. Para conseguir esse objetivo, o único capaz de preservar as florestas, os parlamentares sugeriam o uso de um eficiente instrumento de pressão: o capital americano.

Os senadores democratas John Kerry e Terry Stanford e os republicanos Richard Lugar e Budy Boschwitz pediram ao secretário do Tesouro, Nicholas Brady, para não apoiar a proposta de duplicação do capital do FMI, a menos que a diretoria do organismo criasse rigorosas regras para a proteção do meio ambiente. Os EUA são responsáveis por 20% do dinheiro do FMI. As preocupações dos parlamentares foram motivadas pelos desmatamentos no Brasil e nas Filipinas, principalmente.

O Globo (RJ), 23-02-1989

Fábrica de celulose

Apenas a metade da produção da Fábrica de Celulose e Papel da Amazônia, de 4 mil toneladas anuais, instalada em Belém, era suficiente para abastecer, no início de 1972, o Pará inteiro de papel de embrulho, papel de embalagem, papel higiênico e papel-toalha. A outra metade era mandada para o Norte e a parte mais próxima do Nordeste, a partir de Pernambuco, um “imenso mercado dominado pela Facepa”.

A fábrica já havia crescido “39 vezes em 8 anos”, mas em 1973 estaria produzindo o dobro, como prometia um anúncio que a empresa divulgou. Utilizando pasta mecânica e celulose à base de madeiras brancas amazônicas, a Facepa dizia produzir “papel de qualidade superior e com matéria-prima de custo 50% mais econômico”. Transformaria a floresta tropical em “floresta de progresso”.

(Arquivo Pessoal, 1973)

Os generais e a Amazônia

O jornal New York Times defendeu, em editorial publicado em fevereiro de 1989, a utilização de parte da dívida externa brasileira, calculada então em 115 bilhões de dólares, para impedir a continuação da destruição da floresta amazônica. Observou o periódico novaiorquino que o ministro do exterior, o ex-governador de São Paulo Abreu Sodré, aprovou a iniciativa, mas ela foi vetada pelo presidente José Sarney. O presidente estava empenhado em não permitir que a Amazônia se transformasse num “Golfo Pérsico verde”. Esses temores, segundo o jornal, “carecem de fundamento e foram elaborados pelos generais”.

Fonte : O Liberal (Belém), 4 de fevereiro de 1989

Vale: plano de meio ambiente

A Companhia Vale do Rio Doce aprovou, em 1990, um novo plano diretor de meio ambiente. Ele previa a aplicação de 20 milhões de dólares até 1993 nas suas áreas de atuação. Um dos projetos contemplados, o reflorestamento da Serra de Carajás, previa a aplicação de 900 mil dólares no plantio de espécies nativas para proteger o solo contra a erosão ao longo da ferrovia de Carajás à Ponta da Madeira, no Maranhão. Outro projeto, de US$ 400 mil, era para implementar a “faixa verde” no terminal portuário, em São Luís.

Fonte : Gazeta Mercantil (SP), 4 de janeiro de 1990

O potencial de madeira

A. J. Evans, um dos diretores da Brible Brothers Lumber Co., de Houston, Texas, entrevistado por Henry Lee para The Journal of Commerce local, em fevereiro de 1960, disse que o comércio de madeiras na Amazônia, nos Estados do Amazonas, Amapá e Pará, que até então vinha sendo desenvolvido por 25 serrarias relativamente pequenas, deveria crescer de 500 a 1000% nos cinco meses seguintes.

Classificava de “inacreditável” o potencial de exportação de madeira da região, informando que ao longo do rio havia cerca de 30 variedades comerciais “que podem ser embarcadas de forma fácil e barata, para os mercados mundiais”.

Citou o exemplo da firma holandesa Burynzeel, que estava aplicando 7,5 milhões de dólares numa fábrica de madeira compensada no Amapá, em sociedade com a Bethelehem Steel, responsável por US$ 2,5 milhões desse to tal. O artigo de Henry Lee foi reproduzido na edição de fevereiro do Boletim Americano, publicação do Serviço de Propaganda e Expansão Comercial do Brasil (SEPRO), em Nova York.

Fonte: Folha do Norte (Belém/PA), 01/06/1960