Capemi em Tucuruí

Em julho de 1980, o presidente do IBDF, Mauro Reis, assinou portaria autorizando a Capemi (Caixa de Pecúlio dos Militares) a derrubar e extrair árvores numa área de 200 mil hectares, que seria inundada com o represamento do rio Tocantins pela barragem da hidrelétrica de Tucuruí, no Pará.

A exploração do potencial madeireiro dessa área seria feita pela Agropecuária Capemi Indústria e Comércio, subsidiária da Capemi. O Instituto Brasileiro do Desenvolvimento Florestal já promovera duas concorrências anteriores, mas nenhuma empresa apresentara proposta, atrasando em quase um ano a exploração da madeira do reservatório.

Fonte: O Estado do Pará (Belém), 24-07-1980

Reserva de Caxiuanã

Em outubro de 1990, o governo inglês assinou um convênio com o governo brasileiro, concedendo 2,7 milhões de dólares para apoiar a implantação da estação de pesquisas de Caxiuanã, no Pará, pertencente ao Museu Paraense Emílio Goeldi, de Belém, destinada ao estudo de ecossistemas da Amazônia.

O projeto fazia parte de uma lista de nove projetos identificados em 1989 pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC) e a Overseas Development Agency (ODA). Em 1989, o governo inglês concedeu US$ 3,5 milhões para a observação do clima amazônico, projeto a cargo do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), de São Paulo.

Fonte : Gazeta Mercantil (SP), 09-11-1990

Interesse alemão

Em novembro de 1990, passou pela Amazônia uma missão do governo alemão chefiada pelo diretor geral para a América Latina do Ministério da Cooperação Econômica, Helmur Schaffer, com a participação de representantes do Banco Alemão de Desenvolvimento e da Sociedade Alemã de Cooperação Técnica.

O objetivo da missão era identificar os projetos formulados pelas principais instituições brasileiras que atuam na Amazônia visando a proteção da floresta tropical, a recuperação das áreas degradadas “e outras iniciativas que se adaptem aos anseios ecológicos da comunidade mundial”.

Fonte: O Liberal (Belém), 09-11-1990

Conflitos nos castanhais

Em fevereiro de 1984, o governo do Pará divulgou nota oficial esclarecendo que não havia respondido imediatamente a um apelo dos proprietários de castanhais de Marabá, que alegavam haver invasão de suas terras por ladrões de árvores de castanha, porque primeiro queria investigar os fatos.

Constatara então a presença na área “de posseiros e não ladrões de castanha, como se pretendeu fazer crer”. Nesse caso, “não cabe à polícia do governo desalojá-los, e sim assegurar o cumprimento da execução do mandado policial, através de processo regular”.

Na nota, o governo contestou que fossem “expressivas” as contrapartidas financeiras dadas ao Estado pelos donos de castanhais, ocupando área de 600 mil hectares, “recebidos gratuitamente através de aforamento”.

A receita de ICM (depois ICMS) em 1983 com a exploração da castanha havia gerado 285 milhões de cruzeiros (valor da época), mas o Estado “deixou de receber mais de 500 milhões a título de incentivo para a exportação do produto”. Já a receita dos foros anuais ficara em Cr$ 1,7 milhão.

Fonte: O Liberal (Belém), 04-02-1984

Banco Mundial financia Rondônia

Em março de 1992, o Banco Mundial aprovou um empréstimo de 167 milhões de dólares para o Estado de Rondônia. Esse valor cobriria 75% do custo de um projeto, de US$ 228,9 milhões, para a preservação de mais de quatro milhões de hectares de floresta amazônica e sua biodiversidade, proteção da população indígena em 4,7 milhões de hectares de reservas demarcadas e promoção do desenvolvimento sustentado.

Normalmente, o BIRD só financia 50% do valor dos projetos que aprova, mas já então havia aberto um precedente para o treinamento dos técnicos do Ibama em todo o Brasil. O projeto de Rondônia deveria beneficiar mais de cinco mil índios, 2.400 famílias de seringueiros e outros habitantes das margens da floresta, 900 famílias de pescadores e 52 mil famílias de baixa renda.

Rondônia experimentara um crescimento acelerado. A população local cresceu de 114 mil habitantes em 1970 para 491 mil em 1980 e 1,4 milhão em 1988. Cerca de 75% da área do Estado ainda se encontravam, à época, cobertas de floresta.

Apenas 2,6 milhões de hectares (11% do Estado) eram considerados de solos férteis e próprios para a agricultura. Outros 6,4 milhões de hectares eram de fertilidade média, apropriados apenas para culturas perenes e reflorestamento. Os 63% restantes apresentavam apenas uma frágil superfície de terra boa, inadequada para a agricultura e inteiramente recoberta pela floresta.

Fonte: Gazeta Mercantil (SP), 19-03-1992

As terras da Jari

Em abril de 1991, a Companhia Florestal Monte Dourado, sucessora do milionário americano Daniel Ludwig no Projeto Jari, encaminhou correspondência ao Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) alegando ser proprietária de 421.595 hectares dos 450 mil hectares que constituíam a Reserva Extrativista do Cajari, criada no final do governo Sarney.

A reserva foi estabelecida no Amapá com o apoio de diversas entidades ecológicas internacionais e do Ibama. Um pouco antes, o instituto embargara o trecho final da estrada Macapá-Jari porque a responsável pela obra, a C. R. Almeida, não apresentou o Relatório de Impacto Ambiental.

Fonte : O Globo (RJ), 27-04-1991

Madeira para o Japão

Preocupado com as declarações do secretário do meio ambiente do Brasil, José Lutzenberger, sobre o interesse japonês na construção da BR-364, no trecho entre Rio Branco e a costa do Pacífico, no Peru, a embaixada do Japão em Brasília distribuiu, em maio de 1990, uma nota. InformOU que a importação japonesa de madeira brasileira não ultrapassava 1,3% do total importado. Lutzenberger disse que, através da estrada, o Japão iria explorar a madeira da Amazônia.

Fonte: O Estado de S. Paulo (SP), 18-05-1990