Macuxis são presos

Em julho de 1987, o juiz da 1ª circunscrição de Roraima, Antônio Ferreira Anunciação Neto, determinou a prisão de 14 índios da tribo macuxi. Eles foram acusados de agredir e deter por 16 horas três funcionários da Fazenda Guanabara, no município de Normandia, no norte do então Território Federal (hoje Estado).

O episódio resultou de uma antiga disputa entre os índios da maloca Santa Cruz, habitada por 100 macuxis, e os proprietários da fazenda, que bloquearam o único acesso dos índios, obrigando-os a enfrentar uma montanha íngreme para chegar à sua terra. Os índios foram libertados graças a um habeas corpus. Outros cinco índios foram presos e deixados sob a custódia da Funai.

(Jornal do Brasil, Rio de Janeiro/RJ, 28/07/1987)

Atrito governo/Cimi

Dois advogados e dois jornalistas do Cimi (Conselho Indigenista Missionário), que assessoravam e documentavam assembleia indígenas no Alto Rio Negro, no Estado do Amazonas, foram detidos, em junho de 1989, pelo comandante do 1º Batalhão de Fronteira, na área indígena Iauareté, próximo à fronteira do Brasil com a Colômbia.

Os índios protestaram, mas os quatro foram levados de barco para o município de São Gabriel da Cachoeira. Depois de interrogados e perderem a documentação que carregavam (filmes, fitas de vídeo, mapas e cadernos de anotações), foram liberados. Os jornalistas eram Honória Garcia Rocha e Júlio Azcarete, este espanhol, e os advogados Felisberto Damasceno e Judithe Moreira.

(Jornal do Brasil, Rio de Janeiro/RJ, 01/07/1989)

Problema na fronteira com Suriname

Em julho de 1990, 860 índios do Suriname cruzaram a fronteira em direção ao Brasil, fugindo das lutas travadas entre as tropas do Exército surinamês e os rebeldes. Os índios receberam ajuda da Funai, mas o governo brasileiro não registrou nenhum pedido nesse sentido do governo vizinho.

Em 1989, os dois governos assinaram um acordo para agirem em conjunto na repressão ao narcotráfico. O governo brasileiro criou o Projeto Calha Norte para reforçar sua posição na fronteira. Mas dos sete pelotões, cada um com 40 homens, previstos para serem criados entre 1985 e 1991, foram implantados seis até o primeiro semestre de 1990, em Yauaretê, Kirare, São Joaquim de Maturacá, Surucucu. Auaris e Erikó.

(O Liberal, Belém/PA, 01/08/1990)

Conflito Venezuela-Guiana

Em 1999, a Venezuela voltou a se manifestar sobre o litígio secular com a vizinha Guiana sobre a região do Essequibo, os dois terços ocidentais, ricos em minério, da antiga possessão britânica no continente sul-americano. O Ministério das Relações Exteriores da Venezuela emitiu nota oficial criticando a arbitragem realizada em Paris, em 1889, que só reconheceu como venezuelanos 13 mil quilômetros quadrados dos 145 mil km2 do território contestado.

Essa região contém a maioria das jazidas de ouro da Guiana, que um pouco antes havia concedido licença para várias empresas estrangeiras prospectarem minérios, petróleo e gás. Uma das concessões, de uma subsidiária da multinacional americana Exxon, teria se estendido por território venezuelano, segundo queixa do governo de Caracas. Os dois países decidiram então retomar as negociações sobre essa pendência.

(Gazeta Mercantil, São Paulo/SP, 11/10/1999)

O transporte de droga

Em janeiro de 1999 a Polícia Federal apreendeu 200 quilos de cocaína em Tabatinga, a 1.100 quilômetros de Manaus, na fronteira do Amazonas com a Colômbia. Em maio do mesmo ano apreendeu mais 118 quilos da droga em Santa Isabel do Rio Negro, a 630 quilômetros de Manaus.

A carga era transportada no barco-recreio Catatau pelos colombianos Manoel Emílio Ospine Herédia e Meher Alimo Escobar, e os brasileiros Luciano Dias Gonçalves, Isaías da Silva Nunes e José Eraldo Duarte, que foram presos. As circunstâncias das duas apreensões levaram a PF a concluir que o transporte de droga pelos rios crescera muito devido ao aumento da fiscalização nos portos e aeroportos principais.

(O Globo, Rio de Janeiro/RJ, 08/05/1999)

Droga: menos controle

Por causa da falta de recursos, agentes e equipamentos, a Polícia Federal decidiu, em abril de 1999, fechar quatro postos de fiscalização na região de fronteira do Estado do Amazonas com os três principais produtores de drogas na América do Sul: Colômbia, Bolívia e Peru. Foram fechados os postos de Lábrea, Tefé, Eirunepé e Borba. Ficaram apenas os postos de Tabatinga e Benjamin Constant.

As fronteiras continentais brasileiras na Amazônia atingem 9.058 quilômetros, a maior parte em plena floresta, Só com a Colômbia, a fronteira se estende por 1.644 quilômetros. Em 1998 os agentes federais conseguiram apreender 600 quilos de cocaína no Estado do Amazonas.

Em março de 1999 um avião da FAB (Força Aérea Brasileira) que iria para a Europa foi retido em Recife. Dentro dele havia 32 quilos de cocaínas. Foi a primeira apreensão de droga em um avião da FAB. Mas a PF já flagrara soldados da Aeronáutica e do Exército transportando um ou dois quilos de cocaína no trajeto entre Tabatinga, na fronteira com a Colômbia, e Manaus. Até então eram casos isolados.

Com o fechamento das quatro bases, esse controle iria enfraquecer.

(O Globo, Rio de Janeiro/RJ, 25/04/1999)