A proteção da Amazônia

O Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia) foi criado para servir de suporte ao Sipam (Sistema de Proteção da Amazônia), atuando sobre uma área que corresponde a 61% do território brasileiro e onde está localizada 30% da biodiversidade do planeta.

O projeto direcionará informações para os Centros Regionais de Vigilância (CRVs), instalados em Belém, Manaus e Porto Velho, através de satélites e aviões de vigilância e de sensoriamento remoto; estações, radares e satélites meteorológicos; plataformas de coletas de dados; radares fixos e transportáveis; usuários remotos; estações de recepção terrenas; estações meteorológicas de altitude; sensores de monitoração de comunicações e centros integrados de defesa aérea e controle de tráfego aéreo.

O sistema disporá de 940 terminais usuários, com instalação concluída em junho de 2002. Microcomputadores, faxes, terminais eletrônicos, estação terrena de pequeno porte e painéis solares possibilitarão um planejamento coordenado das ações. O principal objetivo é promover a integração dos Estados, municípios e órgãos do governo federal.

O primeiro radar do sistema foi instalado em Jaraeacanga, no Pará, em março de 1999. As demais unidades foram previstas para Santarém, São Félix do Xingu, Belém, Tiriós, Cachimbo e Conceição do Araguaia. As cinco aeronaves de vigilância R99-A monitorarão o tráfego aéreo, mesmo se os aparelhos visados voarem a baixa altitude.

Os três aviões de sensoriamento remoto irão gerar informações sobre as características do solo e de movimentos de superfície. Um Grand Caravan R-98 produzirá informações das características de superfície e sobre incêndios florestais. Quatro aeronaves do mesmo modelo farão o transporte de equipes de manutenção e de apoio logístico.

(O Liberal, Belém/PA, 26/06/2000)

O sargento heroico

Em 3 de outubro de 1972 o Comando Militar da Amazônia divulgou nota oficial, em Manaus, assinada pelo tenente coronel Paulo Henrique Lisboa, chefe da 5ª Seção, comunicando o assassinato do 2º sargento Mário Abrahim da Silva, do 1º Batalhão de Infantaria da Selva.

O militar foi baleado na noite de 28 de setembro, quando fazia “a fiscalização de postos de segurança instalados para o Exército”, como parte das “manobras que o Exército realizava naquela área, com a participação da 12ª Região Militar e de outras grandes unidades”.

O sargento foi “traiçoeiramente” atingido por um tiro disparado por um “inimigo da pátria”. A nota dizia que “um terrorista” foi o autor do disparo, admitindo que “o terror tombou mais um dedicado servidor da Pátria e exemplar chefe de família”.

Mas, “longe de representar uma vitória para maus brasileiros, constituirá mais uma motivação para que aqueles que amam a nossa terra lutem em todos os campos contra atentados de tal natureza”.

Segundo o comunicado, as últimas palavras ditas pelo sargento logo depois de ferido (“Aferrem-se ao terreno, varram a área com tiro e mantenham a segurança”) “hão de ecoar por toda a Amazônia como lição de responsabilidade e amor ao Brasil”.

Antes de morrer, Abrahim teria chamado o sargento Bonifácio e lhe passado o comando com as derradeiras palavras: “A boina-verde é sua, companheiro. Comande nossos homens para que a Pátria permaneça livre e democrática”. O CMA mandou reazar missa pela memória do sargento morto na Catedral Metropolitana de Manaus.

(Folha do Norte, Belém/PA, 4/10/1972)

Controle na fronteira

Em outubro de 2000 o governo brasileiro deu início à Operação Cobra, na fronteira com a Colômbia, planejada para durar três anos, com custo de 10,4 milhões de reais, mobilizando 180 agentes da Polícia Federal e efetivos do Exército, Marinha e Aeronáutica.

O objetivo declarado da operação é evitar que os guerrilheiros das Forças Revolucionárias da Colômbia (Farc) invadam o território brasileiro, numa eventual fuga da perseguição das autoridades colombianas.

Também foram previstas ações ambientais, além do controle da ocorrência nas águas dos rios da região de fungos que vierem a ser utilizados na destruição de 50 mil hectares de plantação de coca na região de Putumayo (rio que prossegue em território brasileiro com o nome de Içá).

Nessa região aproximadamente 50 mil agricultores colombianos vivem do plantio da coca, matéria-prima para a produção da cocaína. Os policiais teriam que controlar também a venda clandestina de produtos de origem animal e vegetal, inclusive a exploração de madeira e a comercialização de amostras dos recursos da biodiversidade.

Haveria ainda controle do ingresso e da saída de produtos estrangeiros e repressão ao trabalho escravo. Em Tabatinga, cidade fronteiriça, foi instalado o Grupo de Gerenciamento de Crise, coordenado pela PF, com representantes da Agência Brasileira de Informações (Abin), receita Federal, as três forças armadas, o Ministério das Relações Exteriores e o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). O grupo ficou encarregado de gerenciar a operação.

Foram instalados quatro Postos de Controle de Fronteira às margens dos rios Içá, Japurá, Uaupés e Negro, os dois últimos na região conhecida como Cabeça do Cachorro, e um posto avançado em São Gabriel da Cachoeira. Também foi formado um Grupo Tático de Patrulhamento Aéreo e uma base, localizada a 45 quilômetros de Tabatinga.

(Folha do Meio Ambiente, São Paulo/SP, 10/2000)

Abuso de meninas índias

Em outubro de 2000 os índios David Kopenawa e Peri Xirixana denunciaram publicamente que militares do 4º Pelotão de Fronteira do Exército, instalado dentro da reserva indígena Yanomami, em Roraima, estariam abusando de índias da tribo, algumas com apenas 12 anos de idade.

Segundo eles, na região de Surucucu, a noroeste de Boa Vista, existiriam pelo menos cinco crianças nascidas do relacionamento entre as índias Yanomami e soldados. Os militares manteriam relações promíscuas, aliciando e seduzindo as índias em troca de alimentação, utensílios domésticos e bebida alcoólica.

Os líderes Yanomami também acusaram a Funai de não exercer qualquer fiscalização para coibir o abuso, conforme documento que apresentaram ao Cimi. O Conselho Indigenista Missionário o encaminhou à própria Funai, pedindo providências.

(Diário do Pará, Belém/PA, 02/11/2000)

Energia entre Brasil e Venezuela

Os presidentes Fernando Henrique Cardoso, pelo Brasil, e Rafael Caldera, pela Venezuela, assinaram em 1995 um conjunto de acordos para promover a integração regional entre os dois países no âmbito do Mercosul.

Um dos itens principais do entendimento foi a construção de uma linha de transmissão de energia proveniente do complexo hidrelétrico de Guri, situado no rio Caroni, no sul da Venezuela, até Boa Vista, a capital do Estado de Roraima, do lado brasileiro.

A linha cortaria o Parque Nacional Canaima, na Gran Sabana, até a cidade venezuelana de Santa Elena de Uairén. Em seguida, cruzaria a fronteira, conectando-se com o linhão brasileiro em Pacaraima, seguindo o traçado da BR-174 até Boa Vista, atravessando 65 quilômetros da Reserva Indígena São Marcos.

Em agosto de 2000, ONGs venezuelanas iniciaram uma campanha contra a linha, que ameaçaria de destruição as “únicas e espetaculares” paisagens da Gran Sabana, de grande valor para os índios Pemon, Akawaio e Kariná.

Já do lado brasileiro a Eletronorte assinou acordo com os índios de São Marcos, em abril de 1988, compensando a construção da linha com medidas compensatórias, dentre as quais a retirada dos ocupantes ilegais da reserva.

(Folha do Meio Ambiente,São Paulo/SP, 10/2000)

A FAO na Amazônia

A FAO (Organização Mundial para a Agricultura e Alimentação, órgão da ONU com sede em Roma, na Itália) começou a atuar em pesquisas florestais na Amazônia em 1956, na região de Santarém, no Pará, estendendo seu raio de ação até Curuá-Una, dois anos depois. Montou uma serraria modelo e realizou experimentos, juntamente com a SPVEA (Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia).

Em julho de 1971 a FAO assinou um convênio com o governo brasileiro para ampliar e dar prioridade aos estudos que realizou desde então, em parceria com o IBDF (Instituto Brasileiro do Desenvolvimento Florestal).

O convênio teria a duração de cinco anos, dividido em duas etapas. A cooperação visava uma ampla ação, desde o plano da pesquisa e do manejo até a introdução de novas tecnologias e identificação de mercado.

(Folha do Norte, Belém/PA, 18/07/1971)