A rodovia Transfronteira

Em 1989, a deputada federal Raquel Cândido, de Rondônia, apresentou na Câmara Federal projeto para a construção da rodovia Transfronteira. O objetivo era “eliminar e coibir o tráfico de drogas, as queimadas, o contrabando, a exploração mineral e vegetal ilegal, a ingerência nas tribos indígenas e possíveis movimentos guerrilheiros”.

A estrada teria 6.929 quilômetros de extensão ao longo da fronteira com a Guiana Francesa, Suriname, Guiana, Venezuela, Colômbia, Peru e Bolívia, com 1.730 quilômetros atravessando áreas indígenas, 587 quilômetros em parques de conservação, cortando 284 rios e seis serras nos Estados do Pará, Amapá, Amazonas, Roraima, Rondônia, Acre e Mato Grosso.

O projeto da parlamentar foi apresentado quatro anos depois que as forças armadas iniciaram outro empreendimento semelhante, o projeto Calha Norte, de natureza geopolítica. A Transfronteira também se confundia com a Perimetral Norte, rodovia projetada para ter 2.586 quilômetros, do Amapá ao Amazonas, que teve suas obras iniciadas em 1973, mais foi suspensa.

A Transfronteira também previa a instalação de agrovilas no seu traçado para servir de “apoio logístico permanente” às forças armadas brasileiras e dos países fronteiriços, que seriam previamente consultados.

FONTE: O Liberal (Belém/Pará), 10/11/1991

Contrabando de peles

Em setembro de 1971, a 7ª Companhia de Fronteira do Exército apreendeu 50 mil peles de animais, incluindo onças e macacos, na cidade de Benjamin Constant, no Estado do Amazonas. A carga estava em nome de empresas de Manaus e se destinavam a Letícia, na Colômbia. A operação foi realizada em sigilo porque as autoridades acreditavam estar na pista dos “reis” do contrabando de peles.

Fonte: O Estado de S. Paulo (São Paulo/SP), 11/11/1971

Militares na fronteira

As forças armadas brasileiras realizaram, em outubro de 1993, a “Operação Surumu”, um treinamento nas selvas dos Estados do Amazonas e Roraima que mobilizou mais de cinco mil homens, simulando um ataque ao país através das fronteiras amazônicas e a expulsão dos invasores.

O treinamento foi acompanhado por adidos militares de países sul-americanos e pelo brigadeiro Joseph Singh, chefe do Estado Maior das Forças Armadas da Guiana. Seis meses antes, os Estados Unidos realizaram exercício semelhante na Guiana, antiga colônia inglesa.

Fonte: O Globo (Rio de Janeiro/RJ), 07/10/1993

Perimetral Norte

Em setembro de 1971, o DNER (Departamento Nacional de Estradas de Rodagem, atual Dnit) publicou edital para a seleção de empresas de consultoria, que iriam realizar os serviços de levantamento aerofotogramétrico, fotointerpretação, restituição aerofotogramétrica e anteprojeto de engenharia da Perimetral Norte, que o governo federal então projetava para a Amazônia.

A estrada deveria ter 4.400 quilômetros de extensão, cortando os Estados do Acre, Amazonas e Pará, e os então territórios de Roraima e Amapá, permitindo o acesso à região mais setentrional da bacia amazônica.

Segundo o ministro dos transportes, Mário Anddreazza, a Perimetral teria “particular significação para a segurança e a nacionalização da faixa de fronteira, numa área até agora despovoada e inexplorada”, que se constituía num “completo vazio demográfico e econômico”.

(O Estado de S. Paulo, São Paulo/SP, 12/09/1971)

Macuxis são presos

Em julho de 1987, o juiz da 1ª circunscrição de Roraima, Antônio Ferreira Anunciação Neto, determinou a prisão de 14 índios da tribo macuxi. Eles foram acusados de agredir e deter por 16 horas três funcionários da Fazenda Guanabara, no município de Normandia, no norte do então Território Federal (hoje Estado).

O episódio resultou de uma antiga disputa entre os índios da maloca Santa Cruz, habitada por 100 macuxis, e os proprietários da fazenda, que bloquearam o único acesso dos índios, obrigando-os a enfrentar uma montanha íngreme para chegar à sua terra. Os índios foram libertados graças a um habeas corpus. Outros cinco índios foram presos e deixados sob a custódia da Funai.

(Jornal do Brasil, Rio de Janeiro/RJ, 28/07/1987)

Atrito governo/Cimi

Dois advogados e dois jornalistas do Cimi (Conselho Indigenista Missionário), que assessoravam e documentavam assembleia indígenas no Alto Rio Negro, no Estado do Amazonas, foram detidos, em junho de 1989, pelo comandante do 1º Batalhão de Fronteira, na área indígena Iauareté, próximo à fronteira do Brasil com a Colômbia.

Os índios protestaram, mas os quatro foram levados de barco para o município de São Gabriel da Cachoeira. Depois de interrogados e perderem a documentação que carregavam (filmes, fitas de vídeo, mapas e cadernos de anotações), foram liberados. Os jornalistas eram Honória Garcia Rocha e Júlio Azcarete, este espanhol, e os advogados Felisberto Damasceno e Judithe Moreira.

(Jornal do Brasil, Rio de Janeiro/RJ, 01/07/1989)