Kayapós expulsam garimpeiros

Cerca de 200 índios kayapó, da aldeia Gorotire, no sul do Pará, expulsaram cinco mil garimpeiros que ocupavam o garimpo Maria Bonita, e Redenção, agindo de surpresa, no dia 1º de abril de 1985. Os índios reclamavam do não pagamento do dízimo da exploração do ouro pela Caixa Econômica Federal. Ante a iminência de um conflito, o governo mobilizou até um avião Búfalo para evacuar os garimpeiros da área, situada no interior da reserva indígena. A maioria dos garimpeiros ficou em Redenção.

(O Liberal, Belém/PA, 12/04/1985)

Morte entre garimpeiros

Doze garimpeiros morreram e cerca de 10 ficaram feridos em dois tiroteios ocorridos em novembro de 1989, nos garimpos da região de Parima, em Roraima, região habitada pelos índios Yanomami. Os tiroteios foram provocados por desavenças entre os próprios garimpeiros, em incidentes envolvendo mulheres e bebidas.

(Folha de S. Paulo, São Paulo/SP, 24/11/1989)

Os japoneses e o ouro

Em agosto de 1989, a firma Rio Amazonas Representações, do economista japonês Akio Miyake, assinou convênio com a Bishmetal Exploration, subsidiária da Mitsubish Metal Company, e o Sindicato Nacional dos Garimpeiros, para o fornecimento de tecnologia de exploração do ouro de Serra Pelada, no Pará, e administração da compra de ouro.

Uma equipe de técnicos da Bishmetal esteve no garimpo fazendo levantamentos nos rejeitos da extração manual, onde ainda seria possível fazer a recuperação do ouro através de uma mina, que custaria 15 milhões de dólares.

O projeto foi apresentado na época ao governo federal, mas não evoluiu, até que o jornal O Globo, do Rio de Janeiro, o apresentou – em fevereiro de 1990 – como parte de um projeto ainda mais amplo para os japoneses comprarem a dívida externa brasileira em troca do direito de explorar todas as jazidas de ouro existentes na Amazônia. As reservas medidas de ouro do Brasil eram, na época, de 1.500 toneladas, colocando-o em quinto lugar no “ranking” mundial.

Vários técnicos, porém, consideravam que as reservas podiam chegar a 33 mil toneladas, superiores às da África do Sul. Em 1987 a produção oficial de ouro no Brasil foi de 35,8 toneladas, inferior às da África do Sul, União Soviética, Estados Unidos, Canadá, Austrália e China.

Técnicos do DNPM (Departamento Nacional da Produção Mineral) achavam, entretanto, que a produção declarada dos garimpos era apenas 20% da produção efetiva. Havia no Brasil 17 áreas reservadas à garimpagem legal, com uma população de 283.800 pessoas.

(O Globo, Rio de Janeiro/RJ, 06/02/1990)

Polícia prende polícia

O delegado da polícia civil do Pará no garimpo de Serra Pelada, Édson Oliveira Ferreira, e os investigadores Paulo Gomes da Silva e José Silva, foram presos, em dezembro de 1987, por um delegado e quatro agentes da Polícia Federal. Ao ser preso e algemado, o delegado estava com uma substância conhecida como bucha, que era vendida na região como se fosse ouro por sua semelhança com o metal.

Os agentes federais, armados de metralhadora, acusaram o delegado da polícia civil de enganar os garimpeiros, prendendo-o, junto com os investigadores, no quartel do 4º Batalhão da Polícia Militar, em Marabá. No mesmo dia os três foram soltos, graças a um mandado judicial, e retornaram a Serra Pelada.

O comandante da PM, tenente-coronel Reinaldo Pessoa Chaves, disse que a prisão fora ilegal porque a bucha estava dentro de uma repartição pública, depois de ter sido apreendida pelo delegado, que a mantivera guardada à espera de reclamação/ Atribuiu o incidente à “incompatibilidade que sempre existiu entre as polícias federal e estadual”.

(O Liberal, Belém/PA, 22/12/1987)

Bolsa do ouro

Em agosto de 1994, foi instalado o Mercado Secundário de Ouro do Pará e criada a Bolsa de Ouro, no município de Itaituba, funcionando na agência local do Banco do Brasil. Na época havia oito corretoras credenciadas pelo banco para operar no mercado de ouro, que passava a contar também com a fundidora Degussa.

(Diário do Pará, Belém/PA, 08/08/1994)

Disputa no garimpo

Em agosto de 1986, 200 soldados da Polícia Militar do Pará deram cumprimento a um mandado judicial de reintegração de posse e expulsaram 400 garimpeiros do garimpo Machadinho, no município de Santana do Araguaia. A ordem foi em favor de Limério Antônio da Costa Filho, proprietário da Mineradora Morada da Prata, que reclamava o domínio do garimpo. Durante os sete anos em que vinham trabalhando no local, os garimpeiros entregavam 10% do ouro a Limério, que entrou na justiça contra três dos seus empregados, conseguindo a reintegração de posse.

(O Liberal, Belém/PA, 28/08/1986)

Kayapós e os garimpos

Em janeiro de 1990, os índios Kayapó da aldeia Kokraimoro estariam recebendo, segundo relatório preparado na época pela Polícia federal, dois milhões de cruzeiros todo mês com a exploração de garimpo em suas terras e outros Cr$ 20 milhões com a venda de madeira nobre, graças a contrato feito entre a madeireira Maginco e os caciques, liderados pelo chefe Francisco Xavier Kayapó.

Os garimpeiros do garimpo Maria Bonita descontavam 12% sobre o valor de toda a produção de ouro, a título de royalties para os índios. Na época, os Kayapós ameaçavam atacar os proprietários das fazendas Iucatã, Serra Pelada e Fortaleza, acusando-os de estarem retirando ilegalmente madeira da reserva e de terem alongado os limites de suas propriedades para o interior das terras indígenas.

(Jornal do Brasil, Rio de Janeiro/RJ, 18/01/990)