Malária assola Mato Grosso

Em julho de 1989, o prefeito de Peixoto de Azevedo, Vilmar Antônio Pinto, decretou estado de calamidade pública nesse município do norte de Mato Grosso, porque 25% de seus 80 mil habitantes estavam com malária. O número de novos casos aumentara de 100 para 300. O estoque de medicamentos fora reduzido a zero. Estavam com malária 40% dos 160 mil garimpeiros da região, que, em 30 áreas auríferas, produziam 500 quilos de ouro por mês.

Fonte: O Globo (RJ), 09-07-1989

Ataque de garimpeiros

Em março de 1984, garimpeiros invadiram as instalações da mineradora Ouronorte, no igarapé do Cuca, em Tucumã, município de São Félix do Xingu, no Pará. Mataram dois seguranças da empresa com mais de 100 tiros. A firma detinha direitos de lavra sobre 22 mil hectares, para ouro. A notícia da descoberta do metal atraiu levas de garimpeiros. A Ouronorte alegou que a invasão foi planejada por aventureiros, que se faziam passar por garimpeiros.
Fonte : Diário do Pará (Belém), 6 de maio de 1984

A terra dos yanomami

No dia 25 de maio de 1993, em uma solenidade realizada no Palácio do Planalto, em Brasília, na presença do presidente Fernando Collor de Mello, foi oficializada a demarcação da reserva dos índios yanomami.

O trabalho, iniciado em 27 de janeiro do mesmo ano, foi concluído oito dias antes do prazo estabelecido. Ele abrangeu uma área de 94 mil quilômetros quadrados, em Roraima e no Amazonas, que resultou na abertura de 691 quilômetros de picadas, com seis metros de largura.

Foram afixados 60 marcos geodésicos (usados para identificar os pontos determinados pelas coordenadas geográficas obtidas por rastreamento de satélite) e 632 marcos de monumentação (colocados no centro da linha de picadas, de dois em dois quilômetros, para fixar os limites da área).

Cem placas foram colocadas ao longo do perímetro da demarcação, onde é fácil o acesso de não índios. Com um metro de largura e 67 centímetros de altura, as placas continham a seguinte inscrição: “Área proibida. Terra indígena com acesso interditado a pessoas estranhas”.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 26/05/1993

Japão interessado no mercúrio

O uso de mercúrio na Amazônia foi proibido pelo governo federal em 1989, por representar um grande perigo para todas as formas de vida, mas o produto continuou a ser empregado nos garimpos da região. Em 1993 a CPRM (Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais) anunciou, em Manaus, os primeiros resultados de uma pesquisa que constatara a presença de mercúrio em teores acima dos normais em peixes do Madeira, rio que corta os Estados do Amazonas e Rondônia.

O problema interessou o Instituto Nacional de Pesquisas Ambientais do Japão, que assinou um convênio com o DNPM (Departamento Nacional da Produção Mineral) para estudar a presença do mercúrio na região.

Fonte: Jornal do Brasil (Rio de Janeiro/RJ), 03/01/1993

Garimpo contamina índios

Uma pesquisa realizada por Antônio Carneiro Barbosa, professor do Departamento de Química da Universidade de Brasília, mostrou que a maioria dos índios kayapó, do sul do Pará, havia sido contaminada pelo mercúrio usado nos garimpos da região. O pesquisador apresentou os resultados da pesquisa durante o 32º Congresso Brasileiro de Química, realizado em Belém, em outubro de 1992.

Barbosa analisou 126 amostras de sangue, 178 de urina e 203 de cabelos dos índios, que habitavam principalmente as aldeias Gorotire e Kikretum, às margens do rio Freco. A contaminação era feita principalmente através dos peixes desse rio, base da alimentação das tribos, que absorviam o mercúrio nas águas, transformando-o em metilmercúrio.

O percentual de contaminação por mercúrio no sangue atingiu níveis acima do limite crítico estabelecido pela OMS (Organização Mundial da Saúde) em 50,5% dos índios da aldeia Gorotire e em 85.7% dos kayapó da aldeia Kikretum. Nos garimpeiros, esse percentual foi de 33,3%. Na urina, os percentuais foram de 35,7%, 9,3% e 37,6%, respectivamente.

A contaminação encontrada no cabelo foi de 30,5% na aldeia Gorotire, 51,1% na aldeia Kikretum e de 0,8% entre os garimpeiros. O pesquisador também constatou elevados índices de contaminação entre os moradores das margens do rio Madeira, onde fez outro levantamento sobre o uso do mercúrio por garimpos.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 29/10/1992

Garimpeiros atacam mineradora

Em fevereiro de 1986, cerca de 1.500 garimpeiros invadiram a mina de ouro da Oca Mineração no garimpo de Itatá, em Altamira, no Pará. Dias depois da invasão, que interrompeu as atividades da empresa, os garimpeiros montaram uma emboscada, da qual agentes da Polícia Federal e funcionários da empresa saíram feridos.

O governo do Estado interveio para tentar negociar uma saída, mas os garimpeiros, para pressionar pela saída da empresa da área, ocuparam durante quatro horas a cidade de Altamira, depredaram e saquearam prédios públicos, desligando a energia e bloqueando o tráfego na rodovia Transamazônica. A situação só se normalizou com a intervenção do 51º Batalhão de Infantaria de Selva do Exército.

Fonte: Arquivo Pessoal, 03/03/1986