Ouro de aluvião no Madeira

O ouro de aluvião foi descoberto no rio Madeira em 1977. De 8 mil a 10 mil garimpeiros passaram a ocupar, todos os anos, 200 quilômetros de margens do rio, entre as vilas de Jaci-Paraná e Abunã, em Rondônia, extraindo ouro entre maio e novembro, período no qual as águas do Madeira baixam.

Fonte: O Estado de S. Paulo (S. Paulo/SP), 31-07-1985

O garimpo como reduto eleitoral

Entre maio de 1980 e 12 de dezembro de 1982, o garimpo de Serra Pelada, em Marabá, no Pará, produziu 15.848 quilos de ouro, no valor de 230 milhões de dólares, segundo dados citados pelo tenente-coronel (da reserva) Sebastião Rodrigues de Moura, num manifesto divulgado em dezembro de 1982.

Como candidato eleito a deputado federal pelo PDS paraense, o militar, mais conhecido como Curió, protestou contra a impugnação das eleições em Serra Pelada pelo TRE, sob o argumento de que houvera irregularidades na votação e que o garimpo se localizava em propriedade particular. Em Serra Pelada residiam, na época, 35 mil pessoas.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 31-07-1985

PM mata garimpeiros na ponte

Como numa operação de guerra, 340 homens da Polícia Militar do Pará desobstruíram, no dia 29 de dezembro de 1987, a ponte rodoferroviária sobre o rio Tocantins, em Marabá. Na véspera, a ponte foi ocupada por aproximadamente 2.500 garimpeiros, numa manifestação em favor da reabertura do garimpo de Serra Pelada.

O comandante da tropa pediu que os garimpeiros abandonassem a ponte, mas eles decidiram permanecer no local, cantando o hino nacional. Um garimpeiro teria atirado uma pedra e ferido um soldado. Os militares reagiram, a princípio atirando para o ar, mas depois investindo contra a massa.

Oficialmente, foram admitidas apenas duas mortes, embora os manifestantes falassem em dezenas de mortos ou desaparecidos: José dos Santos, de 33 anos, piauiense de Teresina, recebeu um tiro de fuzil nos rins; e um garimpeiro de identidade desconhecida, de cor branca, louro, forte, levou um tiro no pulmão.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 31-07-1985

Cassiterita de Rondônia

Em 1987, a Companhia Estanífera Brasileira (Cesbra) e a Companhia de Mineração Jacundá foram responsáveis por 1,94% da produção mineral brasileira e 14,8% da produção nacional de estanho. As duas empresas eram controladas pela holding Cesbra – Administração e Participações, por sua vez com o controle dividido em partes iguais pela empresa canadense Brascan Brasil e pela inglesa British Petroleum Mineração. A Cesbra, através da Jacundá, lavrava cassiterita na região de Santa Bárbara, em Porto Velho, Rondônia.

Fonte: Gazeta Mercantil (São Paulo/SP), 02-02-1988

Japoneses prospectam negócios com ouro

Em 1982, técnicos da Bishimetal Exploration Co. Ltd., subsidiária da Mitsubish Metal Corporation, iniciaram um levantamento geral das reservas minerais brasileiras. Um dos trabalhos contidos nesse levantamento era a avaliação do potencial das jazidas de ouro. Importando mais de 300 toneladas de ouro anualmente, o Japão tinha interesse em buscar novas fontes de suprimento.

O objetivo da Mitsubish, no entanto, não seria fazer diretamente a exploração, mas apenas intermediar a atividade, atuando como firma de consultoria sobre recursos naturais. O trabalho fazia parte do programa japonês de ajuda externa ao desenvolvimento, o Ovserseas Development Aid. As áreas visadas na Amazônia eram os distritos de mineração de Serra Pelada, Cymaru e Tapajós, no Estado do Pará.

Fonte: O Globo (Rio de Janeiro/RJ), 06-02-1990

Japoneses de olho no ouro da Amazônia

Em fevereiro de 1990, o jornal O Globo, do Rio de Janeiro, revelou que um grupo de investidores privados japoneses pretendia apresentar ao presidente eleito Fernando Collor um projeto para a compra, com deságio, de toda a dívida externa brasileira, em troca do direito de explorar as jazidas de ouro existentes na Amazônia. A dívida, de 115 bilhões de dólares, poderia ser adquirida por US$ 46,5 bilhões, com deságio de 70%. Os depósitos de ouro da Amazônia foram avaliados preliminarmente em US$ 260 bilhões.

Sob rigoroso sigilo, a Mitsubish teria começado a estudar o projeto em 1987, liderando um grupo de investidores, ao qual se associou um consultor nacional, o economista Akio Miyake, dono da Rio Amazonas Representações Ltda.

Segundo o jornal, a Mitsubish confirmou querer encarregar-se da prospecção de urânio na área do rio Fresco, no sul do Pará, e estudar a viabilidade de criar uma associação com a Cooperativa dos Garimpeiros de Serra Pelada e participar de subsidiárias dos governos federal e do Pará, num empreendimento para recuperar o ouro contido nos rejeitos abandonados no garimpo.

Fonte: O Globo (Rio de Janeiro/RJ), 04-02-1990

Invasões em áreas indígenas

Em setembro de 1993, o Departamento do Patrimônio Indígena da Fundação Nacional do Índio (Funai) concluiu um levantamento mostrando que metade das 532 áreas indígenas do Brasil estavam enfrentando 300 problemas ambientais, incluindo invasões de garimpeiros, exploração indiscriminada de madeira e contaminação dos rios por mercúrio.

O Núcleo de Direitos Indígenas (NDI) tinha na época pelo menos 15 ações na justiça contra instituições que estavam explorando ilegalmente minérios ou madeira em áreas indígenas.

Fonte: O Estado de S. Paulo (São Paulo/SP), 14-09-1993

Garimpeiros invadem área yanomami

Cerca de 30 garimpeiros, aproveitando-se do carnaval, em fevereiro de 1985, tentaram invadir a reserva yanomami de Surucucus, em Roraima, e ali reabrir o garimpo, que tinha sido proibido pelo governo federal. A área é rica em ouro e cassiterita. Tropa da Polícia Militar, com o apoio da FAB, da Polícia Federal e da Funai, conseguiu impedir a invasão, organizada por José Altino Machado, dono de uma empresa de táxi aéreo e fazendeiro. Ele foi preso e transferido para um hospital em Boa Vista porque começou a fazer greve de fome. Altino pretendia colocar 300 garimpeiros na área.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 21-01-1985

Contaminação por mercúrio

Técnicos da Fundação Oswaldo Cruz e da Secretaria de Saúde do Pará, em pesquisa para o Departamento Nacional da Produção Mineral, analisaram 24 amostras de cabelos de pessoas, 16 de garimpeiros e 8 de índios kayapó. Atestaram que 31% das amostras continham teores de mercúrio acima do tolerável, que é de 6 ppm (partes por milhão) no organismo humano.

Nos índios esse índice ficou em 25%. Na região do Gurupi, ainda no Pará, em 11 amostras colhidas entre os garimpeiros de Cachoeira, foi verificada uma média de 11,49 ppm, mas cinco dos garimpeiros chegaram a apresentar teores na faixa de 6 a 50 ppm.

Em exames de urina e de sangue feitos em garimpeiros, moradores e queimadores de amálgama no Tapajós, nos últimos o teor chegou a ser de 0,227 ppm, quando o tolerável nesse caso é de apenas 0,02 ppm. Em Serra Pelada foram coletadas apenas duas amostras: em um garimpeiro o índice foi de 9,25 ppm e em um funcionário da Caixa Econômica Federal foi de 2,9 ppm.

Fonte : O Liberal (Belém), 06-09-1988

O major Curió

Sebastião Rodrigues de Moura, que ficou conhecido como Curió ao participar da repressão à guerrilha do Araguaia e da coordenação do garimpo de Serra Pelada, nasceu em São Sebastião do Paraíso, sul de Minas Gerais, a 15/12/1934, filho de um barbeiro.

Começou a trabalhar muito cedo para ajudar no sustento da família, como engraxate. Entrou para o Exército, frequentando a Escola Preparatória de Cadetes de Fortaleza. Para aumentar sua renda, participava de lutas de boxe. Por causa dos ataques rápidos e do jogo de corpo, ganhou então o apelido de Curió. Em 1968, fez o curso de guerra na selva. Em agosto de 1980, tornou-se tenente coronel por merecimento.

Sua primeira missão foi num conflito armado pela posse de terras no interior do Paraná. Para obter informações, se apresentou como vendedor de quadros de santos. O Exército h avia deslocado 250 homens fortemente armados para enfrentar o problema, mas Curió diz que o resolveu pacificamente.

Fonte: O Liberal (Belém), 19-07-1981