Invasão de terra na Transam

Em 1987, três empresas madeireiras – a Impar, de São Geraldo do Araguaia, no Pará, e a Somil e a Madescan, de Açailândia, no Maranhão – invadiram terras do projeto de colonização Tuerê, localizado na confluência dos municípios paraenses de Itupiranga, Portel e Jacundá, às proximidades da rodovia Transamazônica.

Nessa área, o Incra havia projetado o assentamento de três mil famílias de trabalhadores sem-terra, 800 dos quais tiveram suas glebas desapropriadas pela Eletronorte por se encontrarem na área de inundação da hidrelétrica de Tucuruí.

Fonte: A Província do Pará (Belém/PA), 16-08-1987

O garimpo como reduto eleitoral

Entre maio de 1980 e 12 de dezembro de 1982, o garimpo de Serra Pelada, em Marabá, no Pará, produziu 15.848 quilos de ouro, no valor de 230 milhões de dólares, segundo dados citados pelo tenente-coronel (da reserva) Sebastião Rodrigues de Moura, num manifesto divulgado em dezembro de 1982.

Como candidato eleito a deputado federal pelo PDS paraense, o militar, mais conhecido como Curió, protestou contra a impugnação das eleições em Serra Pelada pelo TRE, sob o argumento de que houvera irregularidades na votação e que o garimpo se localizava em propriedade particular. Em Serra Pelada residiam, na época, 35 mil pessoas.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 31-07-1985

PM mata garimpeiros na ponte

Como numa operação de guerra, 340 homens da Polícia Militar do Pará desobstruíram, no dia 29 de dezembro de 1987, a ponte rodoferroviária sobre o rio Tocantins, em Marabá. Na véspera, a ponte foi ocupada por aproximadamente 2.500 garimpeiros, numa manifestação em favor da reabertura do garimpo de Serra Pelada.

O comandante da tropa pediu que os garimpeiros abandonassem a ponte, mas eles decidiram permanecer no local, cantando o hino nacional. Um garimpeiro teria atirado uma pedra e ferido um soldado. Os militares reagiram, a princípio atirando para o ar, mas depois investindo contra a massa.

Oficialmente, foram admitidas apenas duas mortes, embora os manifestantes falassem em dezenas de mortos ou desaparecidos: José dos Santos, de 33 anos, piauiense de Teresina, recebeu um tiro de fuzil nos rins; e um garimpeiro de identidade desconhecida, de cor branca, louro, forte, levou um tiro no pulmão.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 31-07-1985

Redução da área dos apinajés

No início de 1985, o Conselho de Segurança Nacional vetou a proposta para demarcar uma área de 148.600 hectares para os índios apinajés, no norte de Goiás (depois Tocantins). O CSN recomendou que a área reivindicada (e objeto de um grande conflito fundiário) fosse reduzida em 60 mil hectares, limitando-se a oeste pela rodovia Transamazônica. O conselho não quis que um grande trecho na estrada fosse incorporado à área indígena.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 01-02-1985

Japoneses de olho no ouro da Amazônia

Em fevereiro de 1990, o jornal O Globo, do Rio de Janeiro, revelou que um grupo de investidores privados japoneses pretendia apresentar ao presidente eleito Fernando Collor um projeto para a compra, com deságio, de toda a dívida externa brasileira, em troca do direito de explorar as jazidas de ouro existentes na Amazônia. A dívida, de 115 bilhões de dólares, poderia ser adquirida por US$ 46,5 bilhões, com deságio de 70%. Os depósitos de ouro da Amazônia foram avaliados preliminarmente em US$ 260 bilhões.

Sob rigoroso sigilo, a Mitsubish teria começado a estudar o projeto em 1987, liderando um grupo de investidores, ao qual se associou um consultor nacional, o economista Akio Miyake, dono da Rio Amazonas Representações Ltda.

Segundo o jornal, a Mitsubish confirmou querer encarregar-se da prospecção de urânio na área do rio Fresco, no sul do Pará, e estudar a viabilidade de criar uma associação com a Cooperativa dos Garimpeiros de Serra Pelada e participar de subsidiárias dos governos federal e do Pará, num empreendimento para recuperar o ouro contido nos rejeitos abandonados no garimpo.

Fonte: O Globo (Rio de Janeiro/RJ), 04-02-1990

Pistoleiro acusa secretário

Depondo perante a CPI da pistolagem, instalada na Câmara Federal, em setembro de 1993, o pistoleiro Roberval Magalhães, o Polaco, revelou ter recebido, um ano antes, proposta para assumir a autoria do assassinato do ex-senador Olavo Pires. Segundo ele, o ex-secretário de Segurança Pública de Rondônia, Edson Simões, foi o autor da proposta.

Em troca do falso testemunho, Simões teria oferecido uma condenação máxima de 12 anos, a escolha da penitenciária onde cumpriria a pena e mais uma quantia em dinheiro. A proposta teria sido feita diante do procurador da Justiça Federal em Rondônia, Ivo Scherer, do representante da OAB no inquérito, advogado Paulo Luiz Sales, e de um dos delegados que faziam parte da investigação, Joveli Gonçalves, atual secretário de Segurança Pública do Estado. Todos negaram as acusações.

Fonte: O Globo (Rio de Janeiro/RJ), 24-09-1993

Primeiro Rima de rodovia

A BR-156, estrada que liga o Oiapoque ao Jari (norte e sul do Estado do Amapá), foi a primeira cuja construção resultou na apresentação de Relatório de Impacto Ambiental (Rima), submetido a audiência pública, realizada no município de Laranjal do Jari, em 1991.

Para conseguir a aprovação do Rima da obra, contestada por ONGs, o governo federal se comprometeu a adotar uma série de medidas contra a ocupação desordenada da região, dentre as quais a instalação de postos de fiscalização do Ibama ao longo da rodovia.

Como ela iria atravessar o Projeto de Assentamento Extrativista de Maracá, foi prometida a regularização dessa área e o apoio a suas atividades através de uma usina de beneficiamento de castanha para as comunidades extrativistas de Maracá e Cajari, além da doação de 100 b urros para o transporte da castanha.

Fonte: Jornal do Brasil (Rio de Janeiro/RJ), 02-10-1993

Diagnóstico ambiental da Amazônia

Em junho de 1993, foi apresentado, pela primeira vez ao público, o documento preliminar do Diagnóstico Ambiental da Amazônia Legal, elaborado através de convênio pelo IBGE para a Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. O diagnóstico era uma das etapas do Zoneamento Ecológico e Econômico.

A apresentação foi no auditório da Sudam, em Belém, mas apenas dois governadores da região compareceram. O diagnóstico, o primeiro previsto para as regiões brasileiras, apresentou um retrato inédito da Amazônia. Ele identificou, entre outros itens, a dinâmica de funcionamento e a evolução das paisagens estudadas para determinar a capacidade e a vulnerabilidade de sustentação física do sistema natural com a intervenção do homem.

Fonte: A Província do Pará (Belém/PA), 19-06-1993

Vigilância da Amazônia

Em junho de 1993, o almirante Mário Cesar Flores, ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos, fez uma exposição para o presidente Itamar Franco e mais 14 ministros, mostrando a conveniência da adoção de um sistema de vigilância para a Amazônia. O encontro foi realizado no auditório do subsolo do Palácio do Planalto, em Brasília, para permitir a exibição de slides em um telão mostrando a situação da Amazônia.

Segundo nota oficial divulgada pela Presidência da República, o encontro teve o propósito de “apresentar a concepção técnica de um sistema de vigilância para a Amazônia”, composto por sensores (radares, monitoramento por satélite), comunicações e processamento de dados. O novo sistema teria a finalidade de inibir a prática de ilícitos, aumentar o controle das fronteiras e a segurança do tráfego aéreo e fluvial.

Fonte: Diário do Pará (Belém/PA), 13-06-1993

Criada Mamirauá

Em 1990, o governo do Amazonas criou a Estação Ecológica do Lago Mamirauá (peixe-boi na língua tupi), com área de 1,2 milhão de hectares, equivalente a um quarto do território da Irlanda. Seria a maior reserva de floresta inundada do mundo, já que passa quase a metade do ano coberta ou semicoberta pelas águas da chuva e dos rios que a banham. A água chega a subir 12 metros, transformando todo o solo em viveiro para diversas espécies de peixes, fazendo esse ecossistema abrigar muitas espécies animais e vegetais.

Fonte: Jornal do Brasil (Rio de Janeiro/RJ), 01-05-1991