Origem do Banpará

Em 13 de março de 1952, o governador Alexandre Zacarias de Assunção sancionou a lei, aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado, que autorizou a criação do Banco Rural e Hipotecário do Pará S/A (futuro Banco do Estado do Pará). A lei previa que o governo do Estado subscreveria 55% do capital inicial do banco, no valor de 20 milhões de cruzeiros (moeda da época).
Fonte: Folha Vespertina (Belém/PA), 13/03/1952

O manganês de Urucum

Os Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul venderam à Companhia Vale do Rio Doce, em outubro de 1994, pelo equivalente a 14,6 milhões de dólares, os 46,66% das ações da Urucum Mineração S/A, que ainda detinham.

O valor era inferior ao faturamento previsto para aquele ano pela Urucum, detentora da maior jazida de manganês do país, situado em Corumbá, no Mato Grosso do Sul. Na partilha da renda da alienação, 60% ficou com o governo do norte e 40% com o do sul. Até então, os dois Estados vinham litigando em torno dos direitos sobre a jazida.

Com a aquisição da jazida de Urucum, com depósitos calculados em 70 milhões de toneladas de manganês, a CVRD se tornava praticamente monopolista desse minério no Brasil. A empresa já era dona da jazida de Carajás, com 60 milhões de toneladas.

O ex-governador de Mato Grosso, José Fragelli, propôs ação popular na justiça contra a transação. Alegou que a jazida, com os equipamentos e as plantas de mineração e beneficiamento, valeria pelo menos US$ 170 milhões.

Fonte: O Estado de S. Paulo (São Paulo/SP), 06/10/1994

ONGs fora

O governo federal decidiu, em 25 de fevereiro de 1992, excluir as ONGs (Organizações Não-Governamentais) da Comissão de Coordenação do Programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil. O PPG-7 é financiado pelos sete países mais ricos do mundo, através do G-7. A decisão se baseou na premissa de que a comissão coordenadora representava uma instância de governo, para expressar posições oficiais, e, como tal, teria acesso a informações privilegiadas. Representantes de 98 ONGs brasileiras protestaram contra a medida.

Fonte: Jornal do Brasil (Rio de Janeiro/RJ), 29/02/1992

A busca pelo carvão

Em 1968, o Idesp (Instituto do Desenvolvimento Econômico Social do Pará), órgão do governo estadual (já extinto), assinou um convênio com a Comissão do Plano do Carvão Nacional. A Cepican repassou ao instituto 70 mil cruzeiros novos (valor da época) para o prosseguimento das pesquisas carboníferas que vinha realizando no vale do rio Fresco, no sul do Estado.

Os trabalhos começariam em agosto daquele mesmo ano e se prolongariam ao longo do primeiro semestre de 1969. O material coletado em campo seria analisado em laboratórios do sul do país, por impossibilidade de realizar esse serviço no próprio Pará. Um geólogo da Cepican acompanharia os trabalhos dos geólogos paraenses.

Fonte: Folha do Norte (Belém/PA), 18/08/1968

Projetos de mineração

Em 1968, o DNPM (Departamento Nacional da Produção Mineral) anunciou que iria executar seis projetos de pesquisa mineral na Amazônia. Seriam:

1) Projeto Grão-Pará, objetivando a busca de materiais de construção nas imediações de Belém.

2) Projeto Cobre, a ser executado no município de São Félix do Xingu, no Pará. Nessa área havia a possibilidade de mineralização de cobre e chumbo.

3) Projeto Xingu, numa área de 50 mil quilômetros quadrados, abrangendo a bacia do rio Fresco, afluente do Xingu, onde se acreditava na mineralização de sulfetos, especialmente cobre.

4) Projeto Trombetas-Maecuru [ou Maicuru], em áreas de quatro municípios da margem esquerda do rio Amazonas, no Pará (Óbidos, Alenquer, Oriximiná e Monte Alegre), para estudar as ocorrências de galena, barita, prata, cristal de rocha, ouro e argilas, mas também a possibilidade de existir áreas sulfetadas.

5) Projeto Baixo Rio Negro-Jatapu, para a verificação da presença de cromita, talco, rutilo, ilmenita, ouro, grafita, cinábrio, ferro e manganês nas bacias dos rios Preto, da Erva, Uatumã, Jatapu e Urubu, todos na margem esquerda do rio Amazonas, no Estado do Amazonas.

6) Projeto Tapajós, numa área de 40 mil quilômetros quadrados, na drenagem dos rios Tapajós e Jamanxim, no Pará, tendo ouro e cassiterita como objetivos principais.

Fonte: Folha do Norte (Belém/PA), 30/08/1968

A terra dos yanomami

No dia 25 de maio de 1993, em uma solenidade realizada no Palácio do Planalto, em Brasília, na presença do presidente Fernando Collor de Mello, foi oficializada a demarcação da reserva dos índios yanomami.

O trabalho, iniciado em 27 de janeiro do mesmo ano, foi concluído oito dias antes do prazo estabelecido. Ele abrangeu uma área de 94 mil quilômetros quadrados, em Roraima e no Amazonas, que resultou na abertura de 691 quilômetros de picadas, com seis metros de largura.

Foram afixados 60 marcos geodésicos (usados para identificar os pontos determinados pelas coordenadas geográficas obtidas por rastreamento de satélite) e 632 marcos de monumentação (colocados no centro da linha de picadas, de dois em dois quilômetros, para fixar os limites da área).

Cem placas foram colocadas ao longo do perímetro da demarcação, onde é fácil o acesso de não índios. Com um metro de largura e 67 centímetros de altura, as placas continham a seguinte inscrição: “Área proibida. Terra indígena com acesso interditado a pessoas estranhas”.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 26/05/1993

A polêmica do Sivam

Em 1994, o presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, enviou uma carta ao presidente do Brasil, Itamar Franco, para recomendar a escolha da empresa americana Raytheon como fornecedora de equipamentos para o Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia), um projeto no valor de 1,4 bilhão de dólares para controlar o espaço aéreo na Amazônia e produzir informações sobre a região. a partir de uma rede de radares fixos e móveis, sensores colocados em aviões e satélites.

Alguns meses depois, o presidente brasileiro adotou iniciativa semelhante, recomendando a Embraer numa licitação do Pentágono do qual a então estatal do Brasil participava. Em abril de 1995, o novo presidente brasileiro, Fernando Henrique Cardoso, visitou os Estados Unidos. Foi no momento em que a assinatura do contrato do Sivam foi suspensa devido a acusações sobre a situação de ilegalidade da parceira da Raytheon, a brasileira Esca.

FHC pretendia assinar o contrato antes da viagem. Dois meses depois, porém, ele ligou para Clinton comunicando-lhe que acabara de assinar o contrato. O presidente americano o cumprimentou e manifestou a esperança de que o Senado, vencendo as barreiras ainda existentes, aprovasse o ato para que a Raytheon iniciasse a execução do Sivam.

Clinton classificou de “modelo” o projeto, que iria gerar 20 mil novos empregos nos EUA, o que levou o Departamento de Comércio a ter participação ativa no processo de escolha do fornecedor de equipamentos. Uma das exigências era de que o vencedor obtivesse o financiamento necessário, o que a Raytheon conseguiu junto ao Eximbank americano.

A empresa também teria recebido informações da CIA, a agência de inteligência dos Estados Unidos, sobre o pagamento de propina a autoridades brasileiras pela Thomson, uma empresa francesa que já havia participado da implantação de sistemas de controle de tráfego aéreo no Brasil e era a principal concorrente da Raytheon.

Fonte: Folha de S. Paulo (São Paulo/SP), 21/06/1995