Custo da Transamazônica

Em relatório encaminhado ao presidente da república no final de novembro de 1972, o ministro dos transportes, Mário Andreazza, informou que o trecho Estreito-Itaituba da rodovia Transamazônica, com 1.253 quilômetros de extensão, havia custado até aquela data Cr$ 384.620.652,35, dos quais Cr$ 373.939.799,28 referentes à construção em si e Cr$ 10.680.853,07 em consultoria. O custo médio por quilômetro atingiu Cr$ 306.715,03.

No mesmo relatório, o ministro comunicou a instalação de sinalização, a implantação de cinco postos de abastecimento e a criação de postos rodoviários ao longo desse trecho, a primeira infraestrutura de apoio na estrada.

(Jornal do Brasil, Rio de Janeiro/RJ, 21/11/1972)

Primeira hidrelétrica

Na década de 1960 o Amapá começou a construir a primeira hidrelétrica da Amazônia, a Usina Coaracy Nunes, no rio Araguari. Grande parte dos recursos para a obra provinha dos royalties pagos pela Icomi (Indústria e Comércio de Minérios), pela extração e exportação de manganês da jazida de Serra do Navio, no então território federal (hoje Estado).

O Plano Diretor de Desenvolvimento da Amazônia para o quinquênio 1967/71 previu verbas para a construção da usina, mas o dinheiro não foi liberado, atrasando o cronograma das obras. Em 1968 o deputado Janary Nunes, da Arena do Amapá, pediu a inclusão da usina no plano estratégico de desenvolvimento do governo Costa e Silva (1968/70).

Nessa época, a exploração do manganês, iniciada em 1957, já havia proporcionado 300 milhões de dólares em divisas para o país, segundo o parlamentar.

Para que a primeira etapa da hidrelétrica, de 40 megawatts, pudesse ser concluída, seriam necessários o equivalente a US$ 26 milhões. Duas das turbinas já haviam sido adquiridas no Japão, com financiamento de longo prazo.

A casa de máquinas podia receber uma terceira turbina, elevando a capacidade da usina para 60 MW. Mas ela tinha potencialpara chegar a 100 MW numa etapa final, ou mesmo a 400 MW, com a regularização do Araguari a montante.

O consumo de energia do Amapá era então de 18 MW, sendo 10 MW em Macapá, 6 MW pelo projeto de manganês da Icomi e 2 MW pela fábrica de compensados da Brumasa. Toda a potência energética instalada na região norte era de 132 MW, de fonte termelétrica.

(Folha do Norte, Belém/PA, 06/08/1968)

Papa apoia índios

O papa João Paulo II foi uma das personalidades internacionais a dar apoio ao I Encontro dos Povos Indígenas do Xingu, realizado em fevereiro de 1989, em Altamira, no Pará. Em uma mensagem encaminhada pelo secretário de estado do Vaticano, cardeal Casarolli, o papa disse que estava “acompanhando com afeto em Cristo” as atividades do encontro, enviando bênção e solidariedade aos índios. A mensagem, dirigida ao bispo do Xingu, d. Erwin Krautler, foi lida perante 500 índios reunidos no Centro Comunitário de Altamira.

(O Globo, Rio de Janeiro/RJ, 13/02/1989)

O cobre do Sossego

Em março de 2002, a Mineração Serra do Sossego, controlada pela Companhia Vale do Rio Doce, iniciou a implantação do Projeto do Sossego, para a exploração de duas jazidas de cobre – Squeiro e Sequeirinho – na serra dos Carajás, no sul do Pará, no valor de um bilhão de reais.

Em sete anos, o empreendimento deveria alcançar a produção de 650 mil toneladas de concentrado de cobre, possibilitando ao Brasil deixar de importar 300 mil toneladas anuais de cobre, no valor de 500 milhões de dólares. O excedente, de 350 mil toneladas, poderá ser exportado.

A implantação do projeto teria início com a construção de 100 casas para empregados da empresa, a abertura de uma estrada de 102 quilômetros entre a mina, a sede do município de Canaã dos Carajás e Parauapebas, e a construção de uma linha de transmissão de energia em alta tensão. As obras iniciais mobilizariam 512 empregados.

(O Liberal, Belém/PA, 30/01/2002)

Japão fora da Alunorte

Em 1988, o consórcio japonês NAAC (Nippon Amazon Alumminium Company) abandonou o projeto Alunorte, destinado a produzir alumina em Barcarena, a 25 quilômetros de Belém, no Pará, em associação com a Companhia Vale do Rio Doce.

A razão apresentada para a decisão foi a queda no preço do produto, que chegou a 90 dólares a tonelada. Até o início de 1990, no projeto já haviam sido investidos 300 milhões de dólares, mas ainda faltavam US$ 500 milhões para concluí-lo.

A fábrica foi dimensionada para produzir 1,1 milhão de toneladas anuais, das quais 640 mil para suprir de alumina a fábrica de alumínio da Albrás, também controlada pela Vale e japoneses.

(O Liberal, Belém/PA, 28/07/1990)

Produção de bauxita da MRN

A Mineração Rio do Norte, maior produtora de bauxita das Américas, produziu em 1990 oito milhões de toneladas do minério, recorde até então (no ano anterior chegara a 7,5 milhões). Venezuela, Canadá, Estados Unidos e países europeus ficaram com 70% da produção.

Do que foi destinado ao mercado nacional, 90% foram para a Alumar, em São Luís do Maranhão, e 20% para a Companhia Brasileira de Alumínio, do grupo Ermírio de Moraes, detentor de 10% do capital da MRN.

Em 1990 a empresa investiu 9,6 bilhões de cruzeiros (valor da época), gerando Cr$ 3,2 bilhões em ICMS. Na vila residencial de Porto Trombetas moravam então cinco mil pessoas.

(O Liberal, Belém/PA, 20/12/1990)

A proteção da Amazônia

O Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia) foi criado para servir de suporte ao Sipam (Sistema de Proteção da Amazônia), atuando sobre uma área que corresponde a 61% do território brasileiro e onde está localizada 30% da biodiversidade do planeta.

O projeto direcionará informações para os Centros Regionais de Vigilância (CRVs), instalados em Belém, Manaus e Porto Velho, através de satélites e aviões de vigilância e de sensoriamento remoto; estações, radares e satélites meteorológicos; plataformas de coletas de dados; radares fixos e transportáveis; usuários remotos; estações de recepção terrenas; estações meteorológicas de altitude; sensores de monitoração de comunicações e centros integrados de defesa aérea e controle de tráfego aéreo.

O sistema disporá de 940 terminais usuários, com instalação concluída em junho de 2002. Microcomputadores, faxes, terminais eletrônicos, estação terrena de pequeno porte e painéis solares possibilitarão um planejamento coordenado das ações. O principal objetivo é promover a integração dos Estados, municípios e órgãos do governo federal.

O primeiro radar do sistema foi instalado em Jaraeacanga, no Pará, em março de 1999. As demais unidades foram previstas para Santarém, São Félix do Xingu, Belém, Tiriós, Cachimbo e Conceição do Araguaia. As cinco aeronaves de vigilância R99-A monitorarão o tráfego aéreo, mesmo se os aparelhos visados voarem a baixa altitude.

Os três aviões de sensoriamento remoto irão gerar informações sobre as características do solo e de movimentos de superfície. Um Grand Caravan R-98 produzirá informações das características de superfície e sobre incêndios florestais. Quatro aeronaves do mesmo modelo farão o transporte de equipes de manutenção e de apoio logístico.

(O Liberal, Belém/PA, 26/06/2000)