A constituição da Albrás

A Albrás (Alumínio do Brasil), localizada a 40 quilômetros de Belém, no Pará, no município de Barcarena, resultou de uma associação da Companhia Vale do Rio Doce, detentora de 51% do capital, com 32 empresas japonesas, reunidas no consórcio Nippon Amazon Aluminium (NAAC), com os restantes 49% das ações.

Toda a produção da Albrás, então de 345 mil toneladas de alumínio primário, na forma de lingote, se destinava à exportação. Com o aquecimento da demanda brasileira por alumínio, em 1994, nesse ano cinco mil toneladas foram comercializadas no mercado interno. Outra empresa de alumínio, controlada pela Aluvale, a holding da CVRD para o setor, a Valesul, do Rio de Janeiro, não conseguiu atender todos os pedidos dos seus clientes com suas 93 mil toneladas de produção.

Fonte: Gazeta Mercantil (São Paulo/SP), 25/04/1995

Projetos de mineração

Em 1968, o DNPM (Departamento Nacional da Produção Mineral) anunciou que iria executar seis projetos de pesquisa mineral na Amazônia. Seriam:

1) Projeto Grão-Pará, objetivando a busca de materiais de construção nas imediações de Belém.

2) Projeto Cobre, a ser executado no município de São Félix do Xingu, no Pará. Nessa área havia a possibilidade de mineralização de cobre e chumbo.

3) Projeto Xingu, numa área de 50 mil quilômetros quadrados, abrangendo a bacia do rio Fresco, afluente do Xingu, onde se acreditava na mineralização de sulfetos, especialmente cobre.

4) Projeto Trombetas-Maecuru [ou Maicuru], em áreas de quatro municípios da margem esquerda do rio Amazonas, no Pará (Óbidos, Alenquer, Oriximiná e Monte Alegre), para estudar as ocorrências de galena, barita, prata, cristal de rocha, ouro e argilas, mas também a possibilidade de existir áreas sulfetadas.

5) Projeto Baixo Rio Negro-Jatapu, para a verificação da presença de cromita, talco, rutilo, ilmenita, ouro, grafita, cinábrio, ferro e manganês nas bacias dos rios Preto, da Erva, Uatumã, Jatapu e Urubu, todos na margem esquerda do rio Amazonas, no Estado do Amazonas.

6) Projeto Tapajós, numa área de 40 mil quilômetros quadrados, na drenagem dos rios Tapajós e Jamanxim, no Pará, tendo ouro e cassiterita como objetivos principais.

Fonte: Folha do Norte (Belém/PA), 30/08/1968

A polêmica do Sivam

Em 1994, o presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, enviou uma carta ao presidente do Brasil, Itamar Franco, para recomendar a escolha da empresa americana Raytheon como fornecedora de equipamentos para o Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia), um projeto no valor de 1,4 bilhão de dólares para controlar o espaço aéreo na Amazônia e produzir informações sobre a região. a partir de uma rede de radares fixos e móveis, sensores colocados em aviões e satélites.

Alguns meses depois, o presidente brasileiro adotou iniciativa semelhante, recomendando a Embraer numa licitação do Pentágono do qual a então estatal do Brasil participava. Em abril de 1995, o novo presidente brasileiro, Fernando Henrique Cardoso, visitou os Estados Unidos. Foi no momento em que a assinatura do contrato do Sivam foi suspensa devido a acusações sobre a situação de ilegalidade da parceira da Raytheon, a brasileira Esca.

FHC pretendia assinar o contrato antes da viagem. Dois meses depois, porém, ele ligou para Clinton comunicando-lhe que acabara de assinar o contrato. O presidente americano o cumprimentou e manifestou a esperança de que o Senado, vencendo as barreiras ainda existentes, aprovasse o ato para que a Raytheon iniciasse a execução do Sivam.

Clinton classificou de “modelo” o projeto, que iria gerar 20 mil novos empregos nos EUA, o que levou o Departamento de Comércio a ter participação ativa no processo de escolha do fornecedor de equipamentos. Uma das exigências era de que o vencedor obtivesse o financiamento necessário, o que a Raytheon conseguiu junto ao Eximbank americano.

A empresa também teria recebido informações da CIA, a agência de inteligência dos Estados Unidos, sobre o pagamento de propina a autoridades brasileiras pela Thomson, uma empresa francesa que já havia participado da implantação de sistemas de controle de tráfego aéreo no Brasil e era a principal concorrente da Raytheon.

Fonte: Folha de S. Paulo (São Paulo/SP), 21/06/1995

Sivam no Amazonas

Em março de 1995, o juiz Carlos Zamith Júnior, da justiça do Estado do Amazonas, mandou embargar a construção de uma vila que serviria de alojamento para técnicos do Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia) no município de São Gabriel da Cachoeira.

Dois promotores, Mauro Veras e Paulo Stélio, pediram o embargo, alegando que a vila iria descaracterizar o centro histórico da cidade, onde estão as ruínas de um forte centenário. A área, que não estava tombada pelo Patrimônio Histórico, fora cedida pela prefeitura.

Fonte: Folha de S. Paulo (São Paulo/SP), 30/03/1995

Problema em Tucuruí

A hidrelétrica de Tucuruí, no rio Tocantins, no Pará, apresentou seu primeiro problema operacional em agosto de 1995, 12 anos depois de entrar em funcionamento comercial. Até então, os defeitos haviam aparecido nas linhas de transmissão e subestações. A primeira falha na própria usina ocorreu no serviço auxiliar de seis das 12 máquinas da hidrelétrica, cada uma capaz de gerar 330 megawatts de energia. Logo, todas as turbinas tiveram que ser desligadas, até ser restabelecido o sistema auxiliar.

O acidente provocou a suspensão, durante uma hora e 13 minutos, no início da manhã, no fornecimento de energia a dois milhões de pessoas nos Estados do Pará, Maranhão e Tocantins. Era o quatro blecaute em 1995 na área abastecida pela usina.

Fonte: A Província do Pará (Belém/PA), 09/08/1995

Sivam excede orçamento

Em junho de 1995, o senador Gilberto Miranda, do PMDB do Amazonas, enviou uma carta ao presidente Fernando Henrique Cardoso, alertando-o para um fato: o contrato assinado no mês anterior, entre o Ministério da Aeronáutica e a Raytheon Company, dos Estados Unidos, para a compra de equipamentos e aeronaves necessários à implantação do Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia), havia extrapolado em 250 milhões de reais o limite imposto pelo Senado.

Segundo Miranda, o contrato assinado foi no valor de R$ 1,285 bilhões, mas o limite era de R$ 1,035 bilhão. Ele não acreditava que houvesse má-fé no ato, mas sugeria uma providência corretiva do governo: “Ou corrige-se tudo adequadamente ou cancela-se tudo, inclusive as resoluções vigentes”, disse na carta ao presidente da República.

Fonte: O Globo (Rio de Janeiro/RJ), 30/06/1995

A chegada dos chineses

Uma delegação chinesa esteve pela primeira vez na Amazônia entre os dias 20 e 21 de julho de 1988, durante a terceira visita feita ao Brasil. Eram dirigentes do Ministério de Geologia de Recursos Minerais, que passaram dois dias conhecendo a jazida de minério de ferro da Serra dos Carajás, no sul do Pará, considerada a mais rica do mundo. Mesmo com uma produção significativa desse minério, os chineses também o importavam do Brasil. A visita fazia parte de um acordo de cooperação técnica entre os dois países nos setores de mineração e agricultura.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 23/07/1988