Tamanho da Vale no Pará

Em 1992, os investimentos da Companhia Vale do Rio Doce no Pará somavam pouco mais de 5,5 bilhões de dólares, aos quais seriam acrescidos, nos cinco anos seguintes, mais US$ 1,56 bilhão na implantação de três novos projetos: a fábrica de alumina da Alunorte, em Barcarena; o caulim de Ipixuna e o cobre do Salobo, em Carajás.

Aos empregos e rendas que o sistema CVRD possibilitava, direta ou indiretamente, a 50 mil pessoas no Estado, seriam aduzidos, por esses novos empreendimentos, 12.350 novos empregos diretos, na fase de implantação, e 10.300, diretos e indiretos, na fase de operação.

Em 1992, a Vale, por suas controladas e coligadas, gastou US$ 144 milhões no Pará, sendo US$ 80,7 milhões de impostos, que representaram um quarto de toda a receita tributária estadual, e US$ 63,4 milhões em compras e serviços, não incluindo nesse total as aplicações da Fundação Vale do Rio Doce e da Alunorte, que na época se encontrava paralisada.

Carajás foi a maior fonte de impostos naquele ano, com US$ 41 milhões, vindo depois a Albrás, com US$ 21 milhões, e a Mineração Rio do Norte, com US$ 18 milhões. Em compras e serviços, os gastos foram de US$ 32 milhões pela Albrás, US$ 23 milhões por Carajás e US$ 6,6 milhões pela Mineração Rio do Norte.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 11-04-1993

Polo florestal em Carajás

No final de 1991 o Congresso Nacional aprovou, em regime de urgência urgentíssima, o projeto do governo que autorizou a Companhia Vale do Rio Doce a implantar o primeiro grande projeto florestal-industrial na região da ferrovia de Carajás.

O projeto previa então o reflorestamento de 110 mil hectares e a produção de 420 mil toneladas de celulose de fibra curta, em uma usina a ser localizada no Maranhão, com investimento direto de 242 bilhões de cruzeiros (valor da época), gerando mais de seis mil novos empregos, dos quais 3.300 diretamente vinculados ao sistema operacional (florestas e indústria).

Fonte : Diário do Pará (Belém/PA), 26-01-1992

Vale lucra em 1991

A Companhia Vale do Rio Doce faturou, em 1991, quase 2,4 bilhões de dólares, 5,5% a mais do que no ano anterior, dos quais US$ 1,4 bilhão com a venda de 67 milhões de toneladas de minério de ferro. O lucro líquido da empresa ficou abaixo de US$ 300 milhões, mas foi quase três vezes maior do que o de 1990. Seu endividamento líquido era de US$ 1,5 bilhão. Ela investiu US$ 222 milhões em 1991, principalmente comprando equipamentos mais modernos para reduzir custos.

Fonte : Folha de S. Paulo (São Paulo/SP), 26-01-1992

Japoneses de olho no ouro da Amazônia

Em fevereiro de 1990, o jornal O Globo, do Rio de Janeiro, revelou que um grupo de investidores privados japoneses pretendia apresentar ao presidente eleito Fernando Collor um projeto para a compra, com deságio, de toda a dívida externa brasileira, em troca do direito de explorar as jazidas de ouro existentes na Amazônia. A dívida, de 115 bilhões de dólares, poderia ser adquirida por US$ 46,5 bilhões, com deságio de 70%. Os depósitos de ouro da Amazônia foram avaliados preliminarmente em US$ 260 bilhões.

Sob rigoroso sigilo, a Mitsubish teria começado a estudar o projeto em 1987, liderando um grupo de investidores, ao qual se associou um consultor nacional, o economista Akio Miyake, dono da Rio Amazonas Representações Ltda.

Segundo o jornal, a Mitsubish confirmou querer encarregar-se da prospecção de urânio na área do rio Fresco, no sul do Pará, e estudar a viabilidade de criar uma associação com a Cooperativa dos Garimpeiros de Serra Pelada e participar de subsidiárias dos governos federal e do Pará, num empreendimento para recuperar o ouro contido nos rejeitos abandonados no garimpo.

Fonte: O Globo (Rio de Janeiro/RJ), 04-02-1990

Vigilância da Amazônia

Em junho de 1993, o almirante Mário Cesar Flores, ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos, fez uma exposição para o presidente Itamar Franco e mais 14 ministros, mostrando a conveniência da adoção de um sistema de vigilância para a Amazônia. O encontro foi realizado no auditório do subsolo do Palácio do Planalto, em Brasília, para permitir a exibição de slides em um telão mostrando a situação da Amazônia.

Segundo nota oficial divulgada pela Presidência da República, o encontro teve o propósito de “apresentar a concepção técnica de um sistema de vigilância para a Amazônia”, composto por sensores (radares, monitoramento por satélite), comunicações e processamento de dados. O novo sistema teria a finalidade de inibir a prática de ilícitos, aumentar o controle das fronteiras e a segurança do tráfego aéreo e fluvial.

Fonte: Diário do Pará (Belém/PA), 13-06-1993

Venda de bauxita à Alcoa reexaminada

Em novembro de 1980, o ministro das Minas e Energia, César Cals, determinou ao DNPM (Departamento Nacional da Produção Mineral) que reexaminasse a venda que a Mineração Santa Patrícia (do grupo Jari), de propriedade do milionário americano Daniel Ludwig, estava fazendo à Alcoa de direitos sobre uma jazida de bauxita no vale do rio Trombetas, município de Oriximiná, no Pará.

O ministério decidiu fazer o reexame ao saber que a Alcoa, já detentora de uma jazida na mesma área, ficaria com mais de 10% das reservas nacionais de bauxita se assumisse o controle dos direitos da Santa Patrícia.

Fonte: Jornal da Tarde (S. Paulo/SP), 19-07-1980

Jari invade área

Em julho de 1980, o Iterpa (Instituto de Terras do Pará) denunciou a Jari Florestal e Agropecuária, de propriedade do milionário americano Daniel Ludwig, de ter invadido terras estaduais situadas ao norte de sua propriedade, onde desmatou 3.800 hectares.

Essa área era compreendida por duas glebas – Paru I e Paru II -, somando 800 mil hectares, que o Estado arrecadou e matriculou em seu nome para usá-las em um projeto de colonização.

Ao entrar na área, a empresa teria praticado quatro crimes: esbulho possessório, dano qualificado, invasão de terra pública e contravenção penal, por derrubar árvores sem a autorização do IBDF (Instituto Brasileiro do Desenvolvimento Florestal).

Fonte: O Estado de S. Paulo (SP), 19-07-1980

Bauxita: ação contra venda

Em março de 1981, José Meissen de Moraes apresentou uma ação popular na Justiça Federal do Rio de Janeiro para anular a venda de 11 jazidas de bauxita localizadas no município de Oriximiná, no Pará, a decretação da caducidade dos decretos de lavra referentes a essas jazidas e a indenização dos prejuízos causados pelos pelos responsáveis pela transação – o ministro das Minas e Energia, César Cals, o grupo Ludwig e o consórcio Alcoa/Shell.

Segundo o autor da ação, as jazidas tinham sido avaliadas em 2,5 bilhões de dólares, mas foram transferidas por apenas US$ 50 milhões, “decorrendo daí uma grave lesão à economia e ao fisco”.

A ação também se fundamentava no fato de que os decretos de lavra concedidos a empresas do grupo Jari, entre 1969 e 1971, terem caducado em função da total inexploração ao longo de 12 anos, caducidade prevista no Código de Mineração.

Fonte: Folha de S. Paulo (SP), 24-03-1981

Governo susta venda de bauxita

Em novembro de 1980, o governo federal decidiu sustar a operação de compra e venda de uma jazida de bauxita no vale do rio Trombetas, no Pará, entre o grupo Ludwig e a Alcoa, que estava para ser concluída. O governo recebeu informações de que as jazidas teriam um volume de minério muito maior do que o declarado, ou 900 milhões de toneladas e não 500 milhões, segundo um relatório apresentado pela Docegeo, subsidiária da Companhia Vale do Rio Doce. Assim, a Alcoa se tornaria detentora de mais de 10% das reservas brasileiras de bauxita, o que o governo considerava inaceitável.

Fonte: O Estado de S. Paulo (SP), 21-07-1989

Projeto Calha Norte

O Projeto Calha Norte foi criado pelo governo federal em 1985, mas só ficou conhecido pela opinião pública no ano seguinte, quando foi liberada a primeira verba, para a compra de lanchas, construção de pelotões de fronteira e aeroportos.

A justificativa para o projeto foi a defesa de 6,5 mil quilômetros de fronteira brasileira no Norte do país, desde o Oiapoque, no Amapá, a Tabatinga, no Amazonas, acompanhando os limites com as Guianas, Suriname, Venezuela e Colômbia. Ela se estende por uma faixa de 160 quilômetros ao longo dessas fronteiras, alcançando 1,2 milhão de quilômetros quadrados, um quarto da Amazônia Legal e quase 15% de todo o Brasil.

Na área viviam, à época, 1,6 milhão de pessoas, grande parte índios (representando 22% da população indígena do país) e as últimas reservas minerais ainda desconhecidas. Exército e Aeronáutica planejaram a instalação de oito pelotões de fronteira e o deslocamento para a área de 6.500 soldados.

Fonte: Jornal do Brasil (Rio de Janeiro/RJ), 01-02-1988