Quilombolas expulsos

Em 1975, o IBDF se instalou no vale do rio Trombetas para proteger a tartaruga, ameaçada de extinção. Em setembro de 1979, através do decreto 84.018, o governo federal criou a Reserva Biológica do Trombetas, com 385 mil hectares, no Pará. O IBDF só teria que adquirir 90 mil hectares, já que o restante era terra da União.

A proprietária da quase totalidade dessa área era Judith Lima Machado, que as vendera para Frederico Oranges, José Calderaro, Aline Bentes de Oliveira Guimarães, Vicente Nicolau Calderaro, Rafael Felício Miléo e Kalman Somody.

O Incra pagou indenização pelas terras, mas exigiu que os desapropriados retirassem todos os ocupantes em 30 dias, indenizando-os também. Problema surgiu nos 17.440 hectares de Somody. Ele expulsou 20 famílias de descendentes dos antigos quilombos de negros do Alto Trombetas, sem indenizá-los, em novembro de 1979.

Fonte: O Liberal (Belém), 17-08-1978

Capemi em Tucuruí

Em julho de 1980, o presidente do IBDF, Mauro Reis, assinou portaria autorizando a Capemi (Caixa de Pecúlio dos Militares) a derrubar e extrair árvores numa área de 200 mil hectares, que seria inundada com o represamento do rio Tocantins pela barragem da hidrelétrica de Tucuruí, no Pará.

A exploração do potencial madeireiro dessa área seria feita pela Agropecuária Capemi Indústria e Comércio, subsidiária da Capemi. O Instituto Brasileiro do Desenvolvimento Florestal já promovera duas concorrências anteriores, mas nenhuma empresa apresentara proposta, atrasando em quase um ano a exploração da madeira do reservatório.

Fonte: O Estado do Pará (Belém), 24-07-1980

Linha de Tucuruí passa por reserva

Em junho de 1980, após cinco anos de difíceis negociações, a Eletronorte conseguiu fechar um acordo com os índios gavião para permitir a passagem da linha de transmissão de energia da hidrelétrica de Tucuruí pelo interior da reserva Mãe Maria, em Marabá, no Pará, com área de 50 mil hectares.

Pelo acordo, a Eletronorte foi autorizada a desmatar uma faixa com 19 quilômetros de extensão por 108 metros de largura, ou 290 hectares, dentro da reserva. Como compensação, os índios seriam indenizados em 40 milhões de cruzeiros (valor da época) pelos prejuízos.

A empresa se comprometia ainda a relocar a antiga aldeia, constituída por uma única casa de alvenaria e vários barracos. Além de receber o dinheiro, os gaviões teriam direito a toda madeira abatida. A Eletronorte os ajudaria a fiscalizar os trabalhos de construção da linha e não permitiria a penetração de trabalhadores armados ao local.

Fonte: O Estado de S. Paulo (SP), 04-06-1980

CVRD entrega Parauapebas

Em julho de 1984, a Companhia Vale do Rio Doce entregou à prefeitura de Marabá o núcleo urbano de Parauapebas, que a empresa construiu para abrigar os migrantes atraídos pelas obras de Carajás, no Pará.

A CVRD disse ter investido 17 bilhões de cruzeiros (valor da época) na infraestrutura do núcleo, situado a 30 quilômetros da mina de Carajás. Embora simples, a vila fora construída “dentro dos mais rigorosos padrões técnicos”. Na cerimônia de inauguração do núcleo foram entregues a estação de tratamento de água, o hospital e uma escola de primeiro e segundo graus.

Fonte: A Província do Pará (Belém), 19-07-1984

Alunorte: US$ 800 milhões

O projeto da Alunorte foi reavaliado pela CVRD em 806 milhões de dólares, dos quais US$ 270 milhões tinham sido aplicados até 1990. Desse total, o BNDES havia emprestado US$ 120 milhões. A Alunorte, localizada em Barcarena, a 40 quilômetros em linha reta de Belém, foi projetada para produzir 1,1 milhão de toneladas, dos quais 670 mil toneladas de alumina para a Albrás e 100 mil toneladas para a Valesul, no Rio de Janeiro, ficando o restante com os sócios.

Fonte: Jornal da Vale (RJ), 01-10-1990

Albrás: US$ 1,3 bi

 

A Albrás representou investimento original de 1,3 bilhão de dólares, dos quais US$ 700 milhões aplicados na segunda fase de implantação. A fábrica incorporou vários aperfeiçoamentos tecnológicos. Em 1990, tinha 2.400 empregados.

Suas instalações ocupam uma área de 70 hectares em Barcarena, no Pará, mas a empresa mantém em seu entorno uma área verde de 3.500 hectares fiscalizada permanentemente por uma Comissão de Meio Ambiente.

Existiam ainda em 1990 seis estações de monitoramento da poluição, para verificar se os equipamentos antipoluição funcionavam satisfatoriamente. A CVRD detinha 51% do capital da empresa. Os restantes 49% eram divididos entre 33 empresas japonesas reunidas em um consórcio.

Fonte: Jornal da Vale (RJ), 01-09-1990

Albrás conclui 1ª fase

Em dezembro de 1986, a Albrás concluiu a implantação da primeira etapa de sua fábrica de alumínio, localizada às proximidades de Belém, no Pará, com capacidade nominal para produzir 160 mil toneladas anuais de metal. Foram ligadas as duas últimas cubas de redução, fato comemorado com um “forró” na Vila dos Cabanos e a dispensa do ponto para os funcionários que não estivessem trabalhando na linha de redução naquele dia 12 de dezembro.

Fonte : O Liberal (Belém), 09-11-1990