Mortes por agrotóxico

Em abril de 1984, o médico Motomo Arakava se apresentou aos jornais para testemunhar que atendeu os primeiros casos de intoxicação em Tailândia, no Pará, em consequência da aplicação de agrotóxicos ao longo da linha de transmissão de energia de Tucuruí, entre novembro de 1981 e abril de 1982.

Em fevereiro de 1982, foram registradas duas mortes de pessoas com sinais de intoxicação. Uma criança morreu depois de comer farinha, segundo o relato do pai, José Ferreira, atendido por Motomo. O cunhado do proprietário de uma serraria em Tailândia, morreu vomitando, devido a perfurações na alça intestinal.

Nas mesmas condições morreu Romualdo Kerber, igualmente atendido por Motomo. Ele disse que desconfiou do uso de agrotóxico, mas não sabia onde e nem qual fazendeiro estava aplicando o veneno.

(O Liberal, Belém/PA, 10/04/1984)

Índios contra hidrelétrica

Oito líderes da reserva indígena Nambikwara, situada na divisa entre Mato Grosso e Rondônia, representaram junto à Procuradoria Geral da República, em novembro de 1989, contra a construção da hidrelétrica Doze de Outubro, projetada pela empresa de construção Goes Cohabita.

A empresa era do deputado Joacy Goes, do PMDB da Bahia, na época presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara Federal. A usina, localizada a cinco quilômetros da aldeia Kithãlu, foi projetada para produzir 11 megawatts, inundando 4,5 hectares dentro do território indígena, a um custo de 30 milhões de dólares.

Os direitos de exploração da usina seriam da própria Goes Cohabita. Ela se tornaria, assim, a primeira empresa privada a explorar uma hidrelétrica na Amazônia.

(Jornal do Brasil, Rio de Janeiro/RJ, 09/11/1989)

Papa apoia índios

O papa João Paulo II foi uma das personalidades internacionais a dar apoio ao I Encontro dos Povos Indígenas do Xingu, realizado em fevereiro de 1989, em Altamira, no Pará. Em uma mensagem encaminhada pelo secretário de estado do Vaticano, cardeal Casarolli, o papa disse que estava “acompanhando com afeto em Cristo” as atividades do encontro, enviando bênção e solidariedade aos índios. A mensagem, dirigida ao bispo do Xingu, d. Erwin Krautler, foi lida perante 500 índios reunidos no Centro Comunitário de Altamira.

(O Globo, Rio de Janeiro/RJ, 13/02/1989)

Blecaute no Pará

Belém e toda a região nordeste do Estado do Pará ficaram sem energia entre 13h50 e 14h20 do dia 6 de novembro de 2000. O blecaute foi causado pelo desligamento da linha de transmissão de energia da hidrelétrica de Tucuruí até a capital paraense, provocado por queimadas realizadas ao longo dessa linha. O blecaute também deixou boa parte da cidade sem água durante várias horas. Apenas uma linha fazia então a ligação entre Belém a hidrelétrica que a abastece, situada a mais de 300 quilômetros de distância.

(Gazeta Mercantil/Pará, Belém/PA, 07/11/2000)

Hidrelétrica de Santa Isabel

A hidrelétrica de Santa Isabel, segundo o projeto elaborado pela Engevix, terá capacidade para gerar 1.080 megawatts. Seu eixo ficará entre os municípios de Ananás, no Tocantins, e Palestina do Pará, próximo à localidade de Santa Isabel. Irá operar na cota de 125 metros (do nível do mar), formando um reservatório com aproximadamente 70 quilômetros quadrados, que ficará cheio em um mês. Será uma usina a fio d’água e com vazão mínima.

(Gazeta Mercantil/Pará, Belém/PA, 11/09/2000)

Belo Monte: a licença ambiental

Em maio de 2001 o juiz Rubens Rollo d’Oliveira, da 3ª vara da justiça federal no Pará, acolheu liminarmente ação civil pública proposta pela Procuradoria Regional da República, suspendendo a execução do EIA/Rima (Estudo de Impacto Ambiental/Relatório de Impacto Ambiental) da hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, no Pará.

O MPF alegou irregularidade na contratação, sem licitação pública, da Fadesp, a fundação de pesquisa da Universidade Federal do Pará, uma entidade de direito privado e sem credenciais que pudessem enquadrá-la no caso de inexigibilidade de concorrência.

O MP argumentou também que a obra precisava ser previamente autorizada pelo Congresso Nacional e seu licenciamento ambiental ser processado pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), porque o Xingu, atravessando os territórios de dois Estados (Mato Grosso e Pará), estar sob jurisdição federal. O EIA-Rima foi apresentado à Sectam, a secretaria de meio ambiente do Pará.

A Eletronorte recorreu da decisão de primeira instância, conseguindo suspendê-la. O MP também apelou. A liminar foi restabelecida, em setembro de 2001, pelo juiz Alexandre Machado Vasconcelos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, que manteve a suspensão do EIA/Rima.

O projeto da hidrelétrica de Belo Monte foi elaborado pela Eletronorte. A usina deverá produzir mais de 11 mil megawatts, tornando-se a segunda maior do país, depois de Itaipu. Seu reservatório deveria ter 1.200 quilômetros quadrados, mas a área foi reduzida para 400 mil km2 com a versão final. A energia produzida no Xingu deverá ser transferida para o sul do país.

(Gazeta Mercantil Pará, Belém/PA, 04/09/2001)

A madeira do lago de Tucuruí

O represamento do rio Tocantins, no Pará, para a produção de energia na hidrelétrica de Tucuruí, formou, em 1984, um lago artificial com 2.850 quilômetros quadrados, afogando grande quantidade de árvores. Só um ano depois começou a extração da madeira submersa no reservatório.

Juarez Cristiano de Jesus Gomes, um paraense nascido em Marabá, 200 quilômetros ao sul da barragem, na época com 64 anos, transportava em seu pequeno barco trabalhadores contratados pela Eletronorte. Ele inventou uma motosserra hidráulica (a hidromotosserra), capaz de funcionar dentro da água.

A partir daí, 20 empresas atuaram na área do lago. Mas a atividade só adquiriu maior expressão quando, em julho de 1997, foi assinado um acordo entre a madeireira Supan, a canadense Aquatic Celulose e a americana Liberty Woods.

(Gazeta Mercantil Pará, Belém/PA, 25/07/1997)