Multinacionais se unem em usina

Billiton, Alcoa, Alcan, Camargo Corrêa Metais e Dow Química estudaram, durante o ano de 1989, a formação de um consórcio para construir a hidrelétrica de Serra Quebrada, a 15 quilômetros de Imperatriz, no Maranhão. Obra para ser executada em seis anos, ao custo de US$ 1,2 bilhão, ela resolveria o problema de suprimento de energia dessas indústrias, consumidoras em alta escala, que temiam a elevação da tarifa praticada pela Eletronorte.

A construção da hidrelétrica privada dependia apenas da autorização do governo. A maior consumidora seria a Alumar, empresa controlada pela Alcoa e a Billiton, que elevaria seu consumo de 445 MW com o aumento da sua capacidade de produção de alumínio.

Fonte: O Estado de S. Paulo (SP), 20-08-1989

Linha de Tucuruí passa por reserva

Em junho de 1980, após cinco anos de difíceis negociações, a Eletronorte conseguiu fechar um acordo com os índios gavião para permitir a passagem da linha de transmissão de energia da hidrelétrica de Tucuruí pelo interior da reserva Mãe Maria, em Marabá, no Pará, com área de 50 mil hectares.

Pelo acordo, a Eletronorte foi autorizada a desmatar uma faixa com 19 quilômetros de extensão por 108 metros de largura, ou 290 hectares, dentro da reserva. Como compensação, os índios seriam indenizados em 40 milhões de cruzeiros (valor da época) pelos prejuízos.

A empresa se comprometia ainda a relocar a antiga aldeia, constituída por uma única casa de alvenaria e vários barracos. Além de receber o dinheiro, os gaviões teriam direito a toda madeira abatida. A Eletronorte os ajudaria a fiscalizar os trabalhos de construção da linha e não permitiria a penetração de trabalhadores armados ao local.

Fonte: O Estado de S. Paulo (SP), 04-06-1980

As pragas de Tucuruí

Em 1986, os moradores de cinco glebas situadas às margens do reservatório da hidrelétrica de Tucuruí, no Pará, para onde foram relocados devido à inundação de suas terras, começaram a enfrentar pragas de mosquitos e moscas, que proliferaram nas reentrâncias dos lagos, transformados em viveiros. O problema atingiu quase cinco mil pessoas e 1.227 imóveis cadastrados. Em 1991, a praga era tão intensa que a prefeitura de Tucuruí decretou estado de calamidade pública na área.
Fonte : O Liberal (Belém), 16-06-1991

O atraso de Balbina

Pelo seu cronograma original, a hidrelétrica de Balbina, no Amazonas, deveria ter sido inaugurada em 1980, quando seus 250 mil kw seriam suficientes para garantir o abastecimento de Manaus, que então consumia 80 mil kw. Seu atraso, porém, impossibilitou-a de cumprir essa meta. A barragem inundaria uma área de 1.580 quilômetros quadrados.

Fonte : A Crítica (Manaus), 21-06-1986

O grande blecaute de Tucuruí

No dia 8 de março de 1991 ocorreu um acidente na linha de transmissão de energia da hidrelétrica de Tucuruí para Belém, no Pará, provocando um blecaute que durou 12 horas. A região atingida por esse acidente, provocado pelo rompimento de uma peça metálica de sustentação da linha, devido a fadiga mecânica, possuía então quatro milhões de habitantes.

O maior prejuízo foi causado à fábrica de alumínio da Albrás, em Barcarena, atingida pelo mais grave acidente já sofrido por uma indústria de alumínio em todo o mundo causado pela falta de energia. Os 846 fornos das quatro reduções da fábrica pararam e só voltaram a operar lentamente.

Nessa época, a fábrica tinha começado a produzir nove mil toneladas diárias de alumínio com teor acima de 99,8%. Ela pagava, então, sete milhões de dólares mensais de conta de energia à Eletronorte.

Fonte : A Província do Pará (Belém), 21-03-1991

Hidrelétrica no Araguaia

Na década de 1970, a Eletronorte concluiu o inventário para a construção, no rio Araguaia, de uma hidrelétrica com capacidade para 7.600 MW, inundando uma área de 1.680 quilômetros quadrados, dos quais 660 km2 correspondentes ao próprio leito do rio. A usina custaria, em valores de 1979, 775 milhões de dólares, mais US$ 126 milhões para as obras de transposição da barragem, as eclusas. Com essa regularização, seria criada uma hidrovia no Araguaia Tocantins com 2.200 quilômetros de extensão.

Fonte : O Estado do Pará (Belém), 09-09-1979

Praga de mosquitos em Tucuruí

A partir da formação do reservatório da hidrelétrica de Tucuruí, no Pará, em 1984, surgiu uma praga de mosquitos do tipo mansonia tittilane, agravada em 1987 pelo aparecimento da mosca “cabo verde”, ambas provocadas pela proliferação de plantas aquáticas e de massa vegetal submersa no lago artificial.

O aumento da incidência de mosquitos chegou à proporção de 500 picadas por homem/hora, inviabilizando a permanência da população assentada às margens do reservatório. Em abril de 1991, foi declarado estado de calamidade pública na gleba Parakanan. A partir de 1989, uma Comissão de Estudos da Proliferação de Mosquitos a Montante de Tucuruí passou a atuar tentando resolver o problema.

Fonte: O Liberal (Belém), 07-05-1991.

Projeto das eclusas

Em setembro de 1981, a diretoria da Portobrás aprovou o projeto básico e o orçamento da obra das eclusas de Tucuruí, no rio Tocantins, no Pará, prevendo investimento de 13 bilhões de cruzeiros (a preços de maio de 1980).

Para a transposição do desnível criado pela barragem, seriam construídas duas eclusas, de montante e de jusante, um canal de acesso e instalações hidráulicas. Ao mesmo tempo, a Portobrás aprovou a minuta de um contrato com a Construtora Camargo Correa, principal empreiteira da hidrelétrica, para a construção do sistema de transposição.

Fonte : O Liberal (Belém), 04-09-1981

As eclusas de Tucuruí começam

As primeiras verbas para aplicação na obra das eclusas da hidrelétrica de Tucuruí, no Pará, depois da sua inauguração, foram liberadas pelo governo federal em março de 1985. Os 5 bilhões de cruzeiros de cruzeiros aplicados no sistema de transposição da barragem, no rio Tocantins se originaram do Proterra, na conta “apoio a projetos de desenvolvimento regional”.

O cronograma da Portobrás exigia a aplicação, em 1985, de Cr$ 35 bilhões. A obra completa custaria Cr$ 144 bilhões, dos quais Cr$ 34 bilhões já haviam sido aplicados até aquele ano.

Fonte : O Liberal (Belém), 10-03-1985

O escândalo da Capemi

O juiz da 13ª vara de falências e concordatas do Rio de Janeiro, Luís de Sousa Gouvêa, excluiu de sua sentença, dada em fevereiro de 1986, 13 das 16 pessoas denunciadas pelo curador Hélio Gama como envolvidas em irregularidades no projeto para a extração de madeira da área do reservatório da hidrelétrica de Tucuruí, no Pará. O empreendimento foi entregue pelo governo à Agropecuária Capemi.

Dentre os excluídos pelo juiz estavam dois generais, um coronel, um irmão e um primo-irmão do chefe da agência central do SNI (Serviço Nacional de Informações), Newton Cruz; dois genros de um deles, o irmão do então prefeito do Rio de Janeiro, o filho caçula do presidente João Figueiredo, Paulo Figueiredo, e um sócio dele.

Foram denunciados apenas o ex-superintendente da Agropecuária Capemi, Fernando José Pessoa dos Santos; o diretor da Capemi Distribuidora de Valores, Luiz Cacciatore Arroba Martins; e o ex-coordenador geral do projeto de Tucuruí pelo Ministério da Agricultura, Roberto Amaral.

Fonte : O Estado de S. Paulo (SP), 13 de março de 1984