Primeira hidrelétrica

Na década de 1960 o Amapá começou a construir a primeira hidrelétrica da Amazônia, a Usina Coaracy Nunes, no rio Araguari. Grande parte dos recursos para a obra provinha dos royalties pagos pela Icomi (Indústria e Comércio de Minérios), pela extração e exportação de manganês da jazida de Serra do Navio, no então território federal (hoje Estado).

O Plano Diretor de Desenvolvimento da Amazônia para o quinquênio 1967/71 previu verbas para a construção da usina, mas o dinheiro não foi liberado, atrasando o cronograma das obras. Em 1968 o deputado Janary Nunes, da Arena do Amapá, pediu a inclusão da usina no plano estratégico de desenvolvimento do governo Costa e Silva (1968/70).

Nessa época, a exploração do manganês, iniciada em 1957, já havia proporcionado 300 milhões de dólares em divisas para o país, segundo o parlamentar.

Para que a primeira etapa da hidrelétrica, de 40 megawatts, pudesse ser concluída, seriam necessários o equivalente a US$ 26 milhões. Duas das turbinas já haviam sido adquiridas no Japão, com financiamento de longo prazo.

A casa de máquinas podia receber uma terceira turbina, elevando a capacidade da usina para 60 MW. Mas ela tinha potencialpara chegar a 100 MW numa etapa final, ou mesmo a 400 MW, com a regularização do Araguari a montante.

O consumo de energia do Amapá era então de 18 MW, sendo 10 MW em Macapá, 6 MW pelo projeto de manganês da Icomi e 2 MW pela fábrica de compensados da Brumasa. Toda a potência energética instalada na região norte era de 132 MW, de fonte termelétrica.

(Folha do Norte, Belém/PA, 06/08/1968)

Uso de agente laranja?

Em dezembro de 1983, a Eletronorte divulgou uma nota oficial declarando que “jamais usou” o produto químico conhecido como “agente laranja” para controlar a rebrota de plantas ao longo da linha de transmissão de energia Norte/Nordeste, conforme denúncia feita na época.

Disse ter efetuado “desmatamento por meios mecânicos e manuais” nos 800 quilômetros de extensão da linha e passou a fazer o controle da rebrota utilizando o herbicida marca Tordon 101 BR, para “evitar o renascimento de certos tipos de vegetais”. Essa aplicação teria sido feita “por veículos terrestres com aspersores de controle manual e por firma especializada para tal, cadastrada no Ministério da Agricultura”.

Na nota, a Eletronorte nega também que o produto químico tenha causado a morte de 11 reses da fazenda Ipê, de propriedade de Valcedir Palhares. Em março de 1983, Palhares cobrou indenização da empresa, alegando a morte de seus animais por envenenamento provocado pelo herbicida.

Relatando a série de providências adotadas para investigar o fato, com exames e análises realizados por diversas instituições, como o Inpa, a Fcap, a Unesp e o Ministério da Agricultura, a nota conclui com o relatório dos pesquisadores da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Universidade Estadual Paulista.

O laudo conclui que a causa da morte dos bovinos e a precária situação de vários outros animais na fazenda “não pode ser atribuída a apenas um fator, mas, sim, a associação de fatores, que inclui: manejo, desnutrição, deficiências minerais (principalmente magnésio e fósforo). Tudo isso associado a parasitoses gastrointestinais e pancreáticas, culminando com um processo de emagrecimento progressivo até chegar à caquexia e morte”.

A Eletronorte julgava assim “estar comprovada cientificamente a inexistência de efeitos secundários resultantes do processo de controle de rebrota utilizado”.

(O Liberal, Belém/PA, 25/12/1983)

Mortes por agrotóxico

Em abril de 1984, o médico Motomo Arakava se apresentou aos jornais para testemunhar que atendeu os primeiros casos de intoxicação em Tailândia, no Pará, em consequência da aplicação de agrotóxicos ao longo da linha de transmissão de energia de Tucuruí, entre novembro de 1981 e abril de 1982.

Em fevereiro de 1982, foram registradas duas mortes de pessoas com sinais de intoxicação. Uma criança morreu depois de comer farinha, segundo o relato do pai, José Ferreira, atendido por Motomo. O cunhado do proprietário de uma serraria em Tailândia, morreu vomitando, devido a perfurações na alça intestinal.

Nas mesmas condições morreu Romualdo Kerber, igualmente atendido por Motomo. Ele disse que desconfiou do uso de agrotóxico, mas não sabia onde e nem qual fazendeiro estava aplicando o veneno.

(O Liberal, Belém/PA, 10/04/1984)

Índios contra hidrelétrica

Oito líderes da reserva indígena Nambikwara, situada na divisa entre Mato Grosso e Rondônia, representaram junto à Procuradoria Geral da República, em novembro de 1989, contra a construção da hidrelétrica Doze de Outubro, projetada pela empresa de construção Goes Cohabita.

A empresa era do deputado Joacy Goes, do PMDB da Bahia, na época presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara Federal. A usina, localizada a cinco quilômetros da aldeia Kithãlu, foi projetada para produzir 11 megawatts, inundando 4,5 hectares dentro do território indígena, a um custo de 30 milhões de dólares.

Os direitos de exploração da usina seriam da própria Goes Cohabita. Ela se tornaria, assim, a primeira empresa privada a explorar uma hidrelétrica na Amazônia.

(Jornal do Brasil, Rio de Janeiro/RJ, 09/11/1989)

Papa apoia índios

O papa João Paulo II foi uma das personalidades internacionais a dar apoio ao I Encontro dos Povos Indígenas do Xingu, realizado em fevereiro de 1989, em Altamira, no Pará. Em uma mensagem encaminhada pelo secretário de estado do Vaticano, cardeal Casarolli, o papa disse que estava “acompanhando com afeto em Cristo” as atividades do encontro, enviando bênção e solidariedade aos índios. A mensagem, dirigida ao bispo do Xingu, d. Erwin Krautler, foi lida perante 500 índios reunidos no Centro Comunitário de Altamira.

(O Globo, Rio de Janeiro/RJ, 13/02/1989)

Blecaute no Pará

Belém e toda a região nordeste do Estado do Pará ficaram sem energia entre 13h50 e 14h20 do dia 6 de novembro de 2000. O blecaute foi causado pelo desligamento da linha de transmissão de energia da hidrelétrica de Tucuruí até a capital paraense, provocado por queimadas realizadas ao longo dessa linha. O blecaute também deixou boa parte da cidade sem água durante várias horas. Apenas uma linha fazia então a ligação entre Belém a hidrelétrica que a abastece, situada a mais de 300 quilômetros de distância.

(Gazeta Mercantil/Pará, Belém/PA, 07/11/2000)

Hidrelétrica de Santa Isabel

A hidrelétrica de Santa Isabel, segundo o projeto elaborado pela Engevix, terá capacidade para gerar 1.080 megawatts. Seu eixo ficará entre os municípios de Ananás, no Tocantins, e Palestina do Pará, próximo à localidade de Santa Isabel. Irá operar na cota de 125 metros (do nível do mar), formando um reservatório com aproximadamente 70 quilômetros quadrados, que ficará cheio em um mês. Será uma usina a fio d’água e com vazão mínima.

(Gazeta Mercantil/Pará, Belém/PA, 11/09/2000)