O custo de Tucuruí

Em 1890, foi iniciada a construção da Estrada de Ferro do Tocantins, no Pará, destinada a fazer o transporte ao longo de 117 quilômetros, trecho no qual o rio se torna não navegável no verão por causa do afloramento de pedras. A obra só foi concluída em 1944, mas em novembro de 1973 a ferrovia foi extinta pelo governo federal, por ser considerada antieconômica.

Nessa mesma área foi construída a hidrelétrica de Tucuruí, com uma barragem de 80 metros de altura, da fundação à sua crista, com 68 metros de queda. A preços de junho de 1973, a obra deveria custar 1,17 bilhão de dólares, sendo US$ 785 milhões na usina, US$ 95 milhões nas subestações e linhas de transmissão até Vila do Conde, onde seria implantado um polo industrial de alumínio e alumina, e US$ 290 milhões de juros durante a construção. Este seria o custo da primeira etapa da hidrelétrica, com capacidade para 3 milhões de quilowatts. Numa segunda etapa ela deveria ser ampliada para 6,5 milhões de kw.

Fonte: O Globo (Rio de Janeiro/RJ), 15/09/1974

A definição de Carajás

A jazida de minério de ferro de Carajás, no sul do Pará, foi localizada e identificada, em 1967, por uma equipe de prospecção geológica da United States Steel (através de sua subsidiária brasileira, a Companhia Meridional de Mineração). Essa área acabaria constituindo o Distrito Ferrífero  de Carajás, abrangendo 160 mil hectares.

É um dos melhores e maiores depósitos de minério de ferro do mundo, com 18 bilhões de toneladas medidos, com teor de 66% a 67% de hematita pura, 2.2% de sílica e alumina e apenas 0,5% de fósforo. A área consiste basicamente em 60 platôs achatados e de esparsa vegetação, a cerca de 700 ou 800 metros acima do nível do mar, e 400 metros, em média, acima da planície amazônica, totalmente recoberta de mata.

Os dois principais agrupamentos de minérios foram definidos como Serra Norte e a Serra Sul, começando a mineração pela primeira, no alvo N4. Para a definição das jazidas foram cavados 3.400 metros de túneis e 37 mil metros de perfurações. Por falta de ligação física, todo o equipamento teve que ser transportado por via área de Marabá, a cidade mais próxima, no vale do rio Tocantins, a 150 quilômetros de distância.

Na pesquisa geológica foram gastos entre 12 milhões e 15 milhões de dólares. Pelo projeto inicial, a produção devia começar em 1978, com investimento de 770 milhões de dólares, com produção de 12 a 15 milhões de toneladas a partir do segundo ano de atividade. Com o atraso, o custo passou para US$ 1 bilhão. Na reavaliação feita em 1975, o investimento pulou para US$ 2,3 bilhões, principalmente em função da inflação internacional.

A principal parte do investimento seria absorvida por uma ferrovia de mais de 900 quilômetros de extensão, entre a mina e um porto no litoral do maranhão, a 12 quilômetros da cidade de São Luís, em Itaqui. Parte do leito da ferrovia, atravessando terreno pantanoso, teria que ser assentado sobre uma camada de cascalho com até cinco metros de espessura.

A alternativa de transporte, por via fluvial até a costa do Pará, foi considerada antieconômica tanto pela empresa quanto pelo governo, que não se deixaram convencer pela pressão feita pelos paraenses para a adoção dessa alternativa.

Fonte: Gazeta Mercantil (São Paulo/SP), 09/05/1975

Navegação Belém-Macapá

Em maio de 1963, o SNAPP (Serviço de Navegação da Amazônia e Administração dos Portos do Pará) fez a viagem inaugural Belém-Macapá com o navio “Lobo D’Almada”. A linha foi criada a pedido do governo do então Território Federal do Amapá. Macapá era isolada por terra do restante do Brasil. A capital mais próxima era Belém do Pará.

Fonte: Folha do Norte (Belém/PA), 10/05/1963

A vazão do rio Amazonas

Em julho e outubro de 1963 foram realizadas duas campanhas de medição da descarga líquida do rio Amazonas, a mais importante até então realizada.

Utilizando a corveta Iguatemi, da Marinha brasileira, pesquisadores da Universidade do Brasil, da Diretoria de Hidrografia e Navegação da Marinha e da Flotilha do Amazonas, com a participação de técnicos do Serviço Geológico dos Estados Unidos (Geological Survey), passaram 19 dias na pesquisa, utilizando os mais modernos equipamentos de medição.

Constataram que no trecho mais estreito do seu curso no Brasil, em Óbidos, no Pará, o Amazonas tem uma vazão média de 150 mil metros cúbicos de água por segundo. Na embocadura, essa média chega a 250 mil metros cúbicos.

(A Província do Pará, Belém/PA, 16/12/1966)

A hidrovia do Marajó

O governo do Pará, em parceria com a Companhia Docas do Pará, através de sua subordinada, a Ahimor (Administração de Hidrovias da Amazônia Oriental), elaborou o projeto da hidrovia do Marajó.

O objetivo era a construção de um canal com 32 quilômetros de extensão, que possibilitaria abrir um novo trajeto entre Belém e Macapá, com uma redução de 148 quilômetros em relação ao caminho utilizado atualmente entre as duas cidades.

Pelo canal poderiam passar embarcações com 2.600 toneladas de capacidade de carga. Também permitiria o acesso ao centro do Marajó, no estuário do rio Amazonas, a maior ilha fluvial do mundo.

Em 2000 a tramitação do EIA-Rima para o licenciamento ambiental da obra foi interrompida por uma ação civil pública proposta pelo Ministério Público Federal. O MP suscitou dúvidas sobre o impacto ambiental da construção do canal artificial, interligando cursos d’água naturais.

(Gazeta Mercantil/Pará, Belém/PA, 11/09/2000)

Atritos pelo aumento da reserva

Em 2000 a Funai (Fundação Nacional do Índio) reafirmou a disposição de ampliar a área da terra indígena Kayabi, no sul do Pará, de 166.500 para 1.408.000 hectares, incorporando área do lado de Mato Grosso. A iniciativa provocou a reação de representantes do município de Apiacás e da Comissão Pró-Hidrovia Teles Pires-Juruena-Tapajós.

Segundo eles, o aumento da área indígena atingiria projetos em desenvolvimento ou semi-implantados na região, recursos naturais e poderia inviabilizar de vez a implantação da hidrovia, suspensa exatamente por atravessar terras de índios.

Argumentavam que na área protegida pela Funai havia apenas 71 Kayabi, já que outros 226 Munduruku haviam recebido sua própria reserva. Diziam ainda que os estudos de delimitação, de autoria do antropólogo Edison Netto Lasmar, se basearam em estudo de 1982, que estaria ultrapassado e equivocado em relação às características da área.

(O Liberal, Belém/PA, 29/11/2000