A vazão do rio Amazonas

Em julho e outubro de 1963 foram realizadas duas campanhas de medição da descarga líquida do rio Amazonas, a mais importante até então realizada.

Utilizando a corveta Iguatemi, da Marinha brasileira, pesquisadores da Universidade do Brasil, da Diretoria de Hidrografia e Navegação da Marinha e da Flotilha do Amazonas, com a participação de técnicos do Serviço Geológico dos Estados Unidos (Geological Survey), passaram 19 dias na pesquisa, utilizando os mais modernos equipamentos de medição.

Constataram que no trecho mais estreito do seu curso no Brasil, em Óbidos, no Pará, o Amazonas tem uma vazão média de 150 mil metros cúbicos de água por segundo. Na embocadura, essa média chega a 250 mil metros cúbicos.

(A Província do Pará, Belém/PA, 16/12/1966)

A hidrovia do Marajó

O governo do Pará, em parceria com a Companhia Docas do Pará, através de sua subordinada, a Ahimor (Administração de Hidrovias da Amazônia Oriental), elaborou o projeto da hidrovia do Marajó.

O objetivo era a construção de um canal com 32 quilômetros de extensão, que possibilitaria abrir um novo trajeto entre Belém e Macapá, com uma redução de 148 quilômetros em relação ao caminho utilizado atualmente entre as duas cidades.

Pelo canal poderiam passar embarcações com 2.600 toneladas de capacidade de carga. Também permitiria o acesso ao centro do Marajó, no estuário do rio Amazonas, a maior ilha fluvial do mundo.

Em 2000 a tramitação do EIA-Rima para o licenciamento ambiental da obra foi interrompida por uma ação civil pública proposta pelo Ministério Público Federal. O MP suscitou dúvidas sobre o impacto ambiental da construção do canal artificial, interligando cursos d’água naturais.

(Gazeta Mercantil/Pará, Belém/PA, 11/09/2000)

Atritos pelo aumento da reserva

Em 2000 a Funai (Fundação Nacional do Índio) reafirmou a disposição de ampliar a área da terra indígena Kayabi, no sul do Pará, de 166.500 para 1.408.000 hectares, incorporando área do lado de Mato Grosso. A iniciativa provocou a reação de representantes do município de Apiacás e da Comissão Pró-Hidrovia Teles Pires-Juruena-Tapajós.

Segundo eles, o aumento da área indígena atingiria projetos em desenvolvimento ou semi-implantados na região, recursos naturais e poderia inviabilizar de vez a implantação da hidrovia, suspensa exatamente por atravessar terras de índios.

Argumentavam que na área protegida pela Funai havia apenas 71 Kayabi, já que outros 226 Munduruku haviam recebido sua própria reserva. Diziam ainda que os estudos de delimitação, de autoria do antropólogo Edison Netto Lasmar, se basearam em estudo de 1982, que estaria ultrapassado e equivocado em relação às características da área.

(O Liberal, Belém/PA, 29/11/2000

O governo federal na Amazônia

O orçamento militar para a Amazônia passou de 176 milhões de reais em 1999 para R$ 731 milhões em 2000. Inicialmente devia representar 13% do orçamento federal para a região, mas se elevou para 44% dos gastos efetivamente realizados, graças a verbas suplementares consignadas ao Ministério da Defesa.

A rubrica atendeu as necessidades de dois projetos da área: o Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia) e o Calha Norte, voltado para a defesa das fronteiras brasileiras na Amazônia Em apenas um ano foi gasto o dobro do previsto para o período 2000/2003 pelo Plano Plurianual Avança Brasil.

Os dados fizeram parte de um estudo divulgado pelo Inesc (Instituto de Estudos Socioeconômicos. no início de 2001. O Inesc é uma organização nãogovernamental especializada em acompanhar os gastos do governo federal, financiada, entre outros, pela União Europeia e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

Além das aplicações nos projetos do setor militar, o programa federal para a região apoiou a construção de corredores de exportação, o terminal graneleiro do porto de Itacoatiara e a implantação da hidrovia Araguaia-Tocantins.

Em 2000, os R$ 390 milhões do orçamento do Fundo Constitucional Norte (FNO) foram integralmente aplicados. Para os projetos de desenvolvimento sustentável foram reservados 2% do orçamento, empregados em programas de proteção ambiental.

(Gazeta Mercantil, São Paulo/SP, 24/03/2001)

Soja pelo Madeira

Em julho de 2001 o grupo Maggi começou a exportação de farejo de soja produzido em Mato Grosso através da hidrovia do Madeira, no Amazonas. A fábrica, arrendada à empresa concordatária Olvebra, em Cuiabá, com capacidade para processar 1,5 mil toneladas por dia de soja.

O grupo Maggi esperava, nesse ano, transportar 1,1 milhão de toneladas de soja pelo rio Madeira até o terminal privativo de Itacoatiara, no Estado do Amazonas, de onde a carga embarcaria em navios para o exterior. Outras 400 mil toneladas deveriam sair, em 2001, através dos portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR).

(Valor, São Paulo/SP, 03/05/2001)