Papa apoia índios

O papa João Paulo II foi uma das personalidades internacionais a dar apoio ao I Encontro dos Povos Indígenas do Xingu, realizado em fevereiro de 1989, em Altamira, no Pará. Em uma mensagem encaminhada pelo secretário de estado do Vaticano, cardeal Casarolli, o papa disse que estava “acompanhando com afeto em Cristo” as atividades do encontro, enviando bênção e solidariedade aos índios. A mensagem, dirigida ao bispo do Xingu, d. Erwin Krautler, foi lida perante 500 índios reunidos no Centro Comunitário de Altamira.

(O Globo, Rio de Janeiro/RJ, 13/02/1989)

Funai contra religiosos

Em agosto de 1987, a Funai proibiu o bispo de Roraima, dom Aldo Mongiano, e os padres Jorge Lima e Jorge D’Albene, de entrar em qualquer área indígena do então território federal. Os padres foram formalmente acusados e identificados criminalmente pela invasão da Fazenda Guanabara por índios Macuxis, no extremo leste de Roraima, na fronteira com a República Cooperativa da Guiana.

(Jornal do Brasil, Rio de Janeiro/RJ, 22/08/1987)

Ataque aos suruí

Em 1964, Durval Augusto dos Reis comandou uma invasão das terras dos índios suruí, localizadas no grotão dos Caboclos, em São João do Araguaia, no Pará. A denúncia foi apresentada em Belém pelo frei Gil Gomes, da missão religiosa dominicana estabelecida naquele município.

(Folha do Norte, Belém/PA, 17/04/1964)

Casaldáliga em Roma

Em julho de 1986, a pretexto de fazer visita “ad limina” ao papa João Paulo II, que deixara de fazer dois anos antes, quando todos os bispos da região foram a Roma, o bispo d. Pedro Casaldáliga, da diocese de São Félix do Araguaia, em  Mato Grosso, visitou o Vaticano.

Conversou durante 15 minutos com o papa e por uma hora e meia com o cardeal alemão Joseph Ratzinger, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Mas não recebeu qualquer punição, ao contrário do que previam os observadores.

(Jornal do Brasil, Rio de Janeiro/RJ, 23/06/1988)

Questão da terra no Araguaia/Tocantins

Entre 1982 e 1987 a CPT (Comissão Pastoral da Terra) do Araguaia/Tocantins registrou 223 mortes causadas por questões fundiárias entre o norte de Mato Grosso, norte de Goiás (atual Tocantins) e sudeste do Pará. Nesses mesmos seis anos, outras 1.505 pessoas receberam ameaças de morte. Pelo levantamento, divulgado em 1988, entre 1985 e 1987 foram registradas 3.160 ações possessórias contra famílias de trabalhadores rurais.

(Jornal do Brasil, Rio de Janeiro/RJ, 23/06/1988)

Índios e religiosos

Ao sancionar o Estatuto do Índio, em dezembro de 1973, o presidente Garrastazu Médici vetou três parágrafos da lei. Um deles, acrescido pelo Congresso Nacional ao texto original, do executivo, reconhecia “às missões religiosas e científicas o direito de prestar aos índios e às comunidades indígenas serviços de natureza assistencial, respeitadas a legislação em vigor e a orientação do órgão federal competente”.

Segundo o presidente, permitir que as missões pudessem realizar esses serviços significaria “partilhar esse encargo entre a União e tais entidades, pois que são elas investidas no poder jurídico de ingerir-se, por decisão unilateral, na prestação de tutela que o projeto assegura aos silvícolas”.

Mas ressalvou que essa colaboração seria “reputada bem vinda e até encorajada pelo governo federal”.

(O Estado de S. Paulo, São Paulo/SP, 21/12/1973)

Ação de missionário

Em agosto de 2000, a Polícia Federal instaurou inquérito para apurar denúncia de que integrantes da Missão Novas Tribos do Brasil estariam retirando plantas da reserva dos índios Catuquinas, em Tarauacá, no Acre, a 300 quilômetros da capital, Rio Branco, e enviando-as para o exterior.

Um casal de missionários americanos e seus dois filhos se estabeleceram na reserva Sete Estrelas 30 anos antes. Além de evangelizar e traduzir a Bíblia para a língua nativa, eles prestavam assistência educacional e de saúde aos índios. Também construíram uma pista de pouso na área. A Funai acompanha esse trabalho.

(Diário do Pará, Belém/PA, 25/08/2000)