Bispo nu?

Durante todo o tempo em que responderam a processo perante a justiça militar do Pará, os padres franceses Aristide Camio e François Gouriou permaneceram presos no quartel do 2º Batalhão de Infantaria de Selva do Exército, em Belém. Antes da condenação dos dois, as visitas podiam ser feitas duas vezes por semana, duas horas de cada vez, e o arcebispo coadjutor de Belém, d. Vicente Zico, podia visitar a ambos em qualquer dia.

Após a condenação, as visitas passaram a ser feitas apenas uma vez por semana, durante uma hora. D. Zico perdeu o privilégio e, em agosto de 1986, viu-se envolvido em um incidente. O soldado responsável pela revista dos visitantes exigiu que o arcebispo se despisse, como os demais, obrigados a tirar até as cuecas. Indignado, d. Zico se recusou a submeter-se à exigência e retirou-se.

O arcebispo de Belém, d. Alberto Ramos, emitiu uma nota oficial condenando a atitude. Mas o comandante da 8ª Região Militar, general Waltencir Costa, negou que a exigência tivesse sido feita ao religioso.

Fonte: A Província do Pará (Belém), 07-08-1986

Polícia denuncia bispo

Apenas três meses depois de chegar à sua diocese, o bispo de Conceição do Araguaia, no sul do Pará, D. José Patrick Hanrahan, foi indiciado em inquérito policial, juntamente com o advogado da CPT, Paulo Fonteles, e o agente de pastoral Ricardo Rezende Figueira, presidente da Regional da Comissão Pastoral da Terra, além de vários lavradores. O delegado de polícia local abriu inquérito contra eles a pedido dos fazendeiros José de Oliveira Fabrini e Mauro Cintra de Mendonça, que acusaram os três de mandarem os lavradores invadir suas terras.

Fonte: Jornal do Brasil (RJ), 10-08-1979

Preso Fonteles

Em agosto de 1979, Paulo Fonteles de Lima, advogado da Comissão Pastoral da Terra (CPT), foi preso em São Miguel do Guamá, no Pará, por um sargento da Polícia Militar do Estado. O advogado realizava uma reunião com lavradores de Nova Jacundá, localizada na rodovia PA-150, quando o fazendeiro Brasilino Rodrigues de Souza, com os qual os posseiros estavam em litígio, tentou entrar no local com seu advogado.

Foi então que, segundo Fonteles, apareceu um sargento da PM, juntamente com três soldados, quatro “grileiros” e seis pistoleiros, tentando forçar a abertura da reunião. Ao tentar impedir o ingresso do grupo, Paulo foi preso e permaneceu detido durante uma hora e meia na delegacia, até ser liberado.

Fonte : A Província do Pará (Belém), 16-08-1979

Padre se diz perseguido

O missionário xaveriano Ângelo Pansa ficou desaparecido entre 14 e 22 de abril de 1985 nas matas do Curuá, afluente do rio Iriri, no Pará. O padre se disse perseguido por pistoleiros da empresa de segurança Sacopã, contratados pela Brasinor, mineradora ligada à Carbonífera Criciúma, de Santa Catarina, que extraía ouro na região nessa época.

Pansa disse que se tornou incômodo por defender as pessoas que a Brasinor pretendia expulsar da área de seu interesse, o que estava levando a conflitos com moradores locais, entre eles índios kayapó da reserva Baú e Chipaias-Curuaias.

Muitos moradores já tinham sido expulsos de suas terras. Pansa procurou defendê-los e foi perseguido, internando-se na mata durante oito dias para escapar.

Fonte: O Liberal (Belém), 30-04-1985.

Padre expulso do Brasil

Em dezembro de 1976, o vigário de Vila Rondon, no Pará, padre Giuseppe Fontanella, foi expulso do Brasil. A acusação oficial apresentada era a de que se encontrava em situação irregular no país, mas o objetivo seria político: intimidar a ala da Igreja que se chocava com o governo.

Durante os oito anos em que esteve no Brasil, o padre tentou sem sucesso transformar seu visto de turista em autorização para morar no país. Depois de ser interrogado durante dois dias, por mais de 11 horas, no quartel da 8ª Região Militar do Exército, em Belém, por dois coronéis e um major, o padre recebeu prazo de três dias, posteriormente prorrogado para oito, para deixar o Brasil. Um agente da Polícia Federal o acompanhou de Belém ao Rio de Janeiro, de onde seguiu para a Europa.

Fonte: A Província do Pará (Belém), 01-01-1980.

Padre demente acusação à Igreja

Em novembro de 1976, o jornal Correio Braziliense publicou uma entrevista com o padre Florentino Maboni, na qual ele dizia que a Igreja da Amazônia estava infiltrada por esquerdistas e que sua pastoral era subversiva. Um mês depois, em carta enviada à Regional Norte II da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), o padre, que já se encontrava na Diocese de Santo Ângelo, no Rio Grande do Sul, depois de permanecer um mês preso no Pará, esclareceu que as declarações publicadas na entrevista eram “um punhado de coisas truncadas e distorcidas que não refletem o que eu respondia nos vários interrogatórios e menos ainda o que penso”.

Informava ainda que haviam sido feitos “acréscimos de termos importantes e comprometedores, que eu não usei e jamais pensaria em acusar a Igreja como tal”.

Fonte: O Estado de S. Paulo (SP), 01-01-1980.

 A subversão do capelão militar

O padre Florentino Maboni, enquadrado na Lei de Segurança Nacional sob a acusação de incitar posseiros a atacar tropa da Polícia Militar, havia sido distinguido na Diocese de Santo Ângelo, no Rio Grande do Sul, com a medalha do Pacificador pelos relevantes serviços prestados à guarnição militar ali sediada como radioamador.

De 1960, quando se ordenou sacerdote, até julho de 1976, quando foi transferido para Marabá, ele atuou em Santo Ângelo e Uruguaiana, na fronteira gaúcha, com “conduta irrepreensível”, conforme atestou o arcebispo de Porto Alegre, d. Vicente Scherer, de posição conservadora.

Sua transferência para Marabá tinha sido temporária, dentro do programa igrejas-irmãs. Em setembro, um mês antes de ser preso, ele foi para Conceição do Araguaia. ”

Fonte: O Liberal (Belém), 01-01-1980.