Policiais mortos em conflito

Dois policiais civis do Distrito Federal, Bruno Erickman Fernandes e Cláudio Acioly, foram mortos por posseiros emboscados na Fazenda Nazaré, em Conceição do Araguaia, no sul do Pará, no final de março de 1987. Os agentes teriam sido contratados pelo dono da fazenda, juntamente com outros dois fazendeiros, para expulsar posseiros da área.

O padre Ricardo Rezende, da Comissão Pastoral da Terra, acreditava no envolvimento de mais dois policiais. Alguns dias depois do choque, um telefonema anônimo fez a polícia descobrir, a oito quilômetros de distância da cidade, na PA-150, no rumo de Xinguara, a metralhadora INA nº 0016M953, de fabricação nacional e de uso privativo das forças policiais regulares.

A metralhadora teria sido usada pelos policiais de Brasília. Das 30 balas que cabem no pente, apenas seis cartuchos já haviam sido deflagrados. A Fazenda Nazaré pertencia à Araguaia Agrícola e Pecuária, da família Gomes dos Reis, de São Paulo, com área de 12 mil hectares.

A família possuía mais quatro propriedades de grande extensão: Três Irmãos (na época em processo de desapropriação para o programa de reforma agrária), Santa Maria da Conceição, Maria Luiza e Agrisa. Na Fazenda Nazaré havia 80 famílias de posseiros.

(Jornal do Brasil, Rio de Janeiro/RJ, 03/04/1987)

Papa apoia índios

O papa João Paulo II foi uma das personalidades internacionais a dar apoio ao I Encontro dos Povos Indígenas do Xingu, realizado em fevereiro de 1989, em Altamira, no Pará. Em uma mensagem encaminhada pelo secretário de estado do Vaticano, cardeal Casarolli, o papa disse que estava “acompanhando com afeto em Cristo” as atividades do encontro, enviando bênção e solidariedade aos índios. A mensagem, dirigida ao bispo do Xingu, d. Erwin Krautler, foi lida perante 500 índios reunidos no Centro Comunitário de Altamira.

(O Globo, Rio de Janeiro/RJ, 13/02/1989)

Funai contra religiosos

Em agosto de 1987, a Funai proibiu o bispo de Roraima, dom Aldo Mongiano, e os padres Jorge Lima e Jorge D’Albene, de entrar em qualquer área indígena do então território federal. Os padres foram formalmente acusados e identificados criminalmente pela invasão da Fazenda Guanabara por índios Macuxis, no extremo leste de Roraima, na fronteira com a República Cooperativa da Guiana.

(Jornal do Brasil, Rio de Janeiro/RJ, 22/08/1987)

Ataque aos suruí

Em 1964, Durval Augusto dos Reis comandou uma invasão das terras dos índios suruí, localizadas no grotão dos Caboclos, em São João do Araguaia, no Pará. A denúncia foi apresentada em Belém pelo frei Gil Gomes, da missão religiosa dominicana estabelecida naquele município.

(Folha do Norte, Belém/PA, 17/04/1964)

Casaldáliga em Roma

Em julho de 1986, a pretexto de fazer visita “ad limina” ao papa João Paulo II, que deixara de fazer dois anos antes, quando todos os bispos da região foram a Roma, o bispo d. Pedro Casaldáliga, da diocese de São Félix do Araguaia, em  Mato Grosso, visitou o Vaticano.

Conversou durante 15 minutos com o papa e por uma hora e meia com o cardeal alemão Joseph Ratzinger, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Mas não recebeu qualquer punição, ao contrário do que previam os observadores.

(Jornal do Brasil, Rio de Janeiro/RJ, 23/06/1988)

Questão da terra no Araguaia/Tocantins

Entre 1982 e 1987 a CPT (Comissão Pastoral da Terra) do Araguaia/Tocantins registrou 223 mortes causadas por questões fundiárias entre o norte de Mato Grosso, norte de Goiás (atual Tocantins) e sudeste do Pará. Nesses mesmos seis anos, outras 1.505 pessoas receberam ameaças de morte. Pelo levantamento, divulgado em 1988, entre 1985 e 1987 foram registradas 3.160 ações possessórias contra famílias de trabalhadores rurais.

(Jornal do Brasil, Rio de Janeiro/RJ, 23/06/1988)

Índios e religiosos

Ao sancionar o Estatuto do Índio, em dezembro de 1973, o presidente Garrastazu Médici vetou três parágrafos da lei. Um deles, acrescido pelo Congresso Nacional ao texto original, do executivo, reconhecia “às missões religiosas e científicas o direito de prestar aos índios e às comunidades indígenas serviços de natureza assistencial, respeitadas a legislação em vigor e a orientação do órgão federal competente”.

Segundo o presidente, permitir que as missões pudessem realizar esses serviços significaria “partilhar esse encargo entre a União e tais entidades, pois que são elas investidas no poder jurídico de ingerir-se, por decisão unilateral, na prestação de tutela que o projeto assegura aos silvícolas”.

Mas ressalvou que essa colaboração seria “reputada bem vinda e até encorajada pelo governo federal”.

(O Estado de S. Paulo, São Paulo/SP, 21/12/1973)