Redução da área dos apinajés

No início de 1985, o Conselho de Segurança Nacional vetou a proposta para demarcar uma área de 148.600 hectares para os índios apinajés, no norte de Goiás (depois Tocantins). O CSN recomendou que a área reivindicada (e objeto de um grande conflito fundiário) fosse reduzida em 60 mil hectares, limitando-se a oeste pela rodovia Transamazônica. O conselho não quis que um grande trecho na estrada fosse incorporado à área indígena.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 01-02-1985

Invasões em áreas indígenas

Em setembro de 1993, o Departamento do Patrimônio Indígena da Fundação Nacional do Índio (Funai) concluiu um levantamento mostrando que metade das 532 áreas indígenas do Brasil estavam enfrentando 300 problemas ambientais, incluindo invasões de garimpeiros, exploração indiscriminada de madeira e contaminação dos rios por mercúrio.

O Núcleo de Direitos Indígenas (NDI) tinha na época pelo menos 15 ações na justiça contra instituições que estavam explorando ilegalmente minérios ou madeira em áreas indígenas.

Fonte: O Estado de S. Paulo (São Paulo/SP), 14-09-1993

ONU premia Payakan

Em junho de 1990, a UNEP (Programa Ambiental das Nações Unidas) concedeu prêmios a 72 pessoas ou entidades que participaram da defesa do meio ambiente, o Global 500. Entre elas o índio brasileiro Paulinho Payakan, da tribo Kayapó, do Pará. O cacique atraiu a atenção do mundo com seus apelos simples contra a destruição da Amazônia.

O prêmio foi entregue em Nairóbi, a capital do Quênia, sede da UNEP. A entidade também deu postumamente o prestigioso prêmio internacional Sasakawa do meio ambiente para Chico Mendes, por sua luta pela preservação da Amazônia. Ele lutou desde 1975 até seu assassinato, em 1988, para impedir que fazendeiros derrubassem árvores ou queimassem floresta. A homenagem a Chico Mendes foi numa cerimônia especial na cidade do México.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 06-06-1990

Prêmio para Payakan e Chico Mendes

Em junho de 1990, a Unep (Programa Ambiental das Nações Unidas) concedeu prêmios a 72 pessoas ou entidades que participaram da defesa do meio ambiente, o Global 500. Entre elas o índio brasileiro Paulinho Payakan, da tribo kayapó, do Pará. O cacique atraiu a atenção do mundo com seus apelos simples contra a destruição da Amazônia.

O prêmio foi entregue em Nairóbi, a capital do Quênia, sede da Unep. A entidade também deu postumamente o prestigioso prêmio internacional Sasakawa do meio ambiente para Chico Mendes, por sua luta pela preservação da Amazônia.

Ele lutou desde 1975 até seu assassinato, em 1988, para impedir que fazendeiros derrubassem árvores ou queimassem floresta. A homenagem a Chico Mendes foi numa cerimônia especial na cidade do México.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 06-06-1990

Projeto Calha Norte

O Projeto Calha Norte foi criado pelo governo federal em 1985, mas só ficou conhecido pela opinião pública no ano seguinte, quando foi liberada a primeira verba, para a compra de lanchas, construção de pelotões de fronteira e aeroportos.

A justificativa para o projeto foi a defesa de 6,5 mil quilômetros de fronteira brasileira no Norte do país, desde o Oiapoque, no Amapá, a Tabatinga, no Amazonas, acompanhando os limites com as Guianas, Suriname, Venezuela e Colômbia. Ela se estende por uma faixa de 160 quilômetros ao longo dessas fronteiras, alcançando 1,2 milhão de quilômetros quadrados, um quarto da Amazônia Legal e quase 15% de todo o Brasil.

Na área viviam, à época, 1,6 milhão de pessoas, grande parte índios (representando 22% da população indígena do país) e as últimas reservas minerais ainda desconhecidas. Exército e Aeronáutica planejaram a instalação de oito pelotões de fronteira e o deslocamento para a área de 6.500 soldados.

Fonte: Jornal do Brasil (Rio de Janeiro/RJ), 01-02-1988

Governo veta Summer

Em novembro de 1977, o governo federal proibiu o Summer Institute of Linguistics (Instituto Linguístico de Verão) de continuar atuando em áreas indígenas no Brasil, onde fazia ao mesmo tempo o estudo das línguas e ação missionária.

Com sede em Brasília, o SIL mantinha quase 200 pesquisadores-missionários em Manaus, Porto Velho, Cuiabá e Belém, principal área, com 44 participantes. Durante 15 anos o instituto atuara em diversas áreas indígenas. Mesmo depois da proibição, continuou nas bases fazendo traduções da Bíblia para diversas línguas indígenas.

Fonte: O Estado do Pará (Belém/PA), 14-01-1985

Garimpeiros invadem área yanomami

Cerca de 30 garimpeiros, aproveitando-se do carnaval, em fevereiro de 1985, tentaram invadir a reserva yanomami de Surucucus, em Roraima, e ali reabrir o garimpo, que tinha sido proibido pelo governo federal. A área é rica em ouro e cassiterita. Tropa da Polícia Militar, com o apoio da FAB, da Polícia Federal e da Funai, conseguiu impedir a invasão, organizada por José Altino Machado, dono de uma empresa de táxi aéreo e fazendeiro. Ele foi preso e transferido para um hospital em Boa Vista porque começou a fazer greve de fome. Altino pretendia colocar 300 garimpeiros na área.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 21-01-1985

Jurisdição indígena

No início de 1974, a Funai administrava uma área de 163.829 quilômetros quadrados, segundo levantamento de seu Departamento de Patrimônio Indígena, abrangendo quatro parques (Xingu, Tumucumaque, Aripuanã e Araguaia) e 17 reservas, nas quais havia 50 mil índios, de um total de 180 mil em todo o país, mas dos quais apenas metade sob a assistência da Funai (as demais estavam entregues a entidades missionárias ou eram arredias ao contato).

Fonte: Jornal do Brasil (RJ), 29-01-1974

Índios no Brasil

Um levantamento feito pela Funai em 1972 constatou que apenas 54 tribos indígenas no Brasil estavam integradas à sociedade nacional, enquanto quase 200 grupos ainda permaneciam arredios ao contato. Os 54 grupos integrados eram “os que se encontram incorporados à mão de obra nacional ou em condições de serem por ela aproveitados”. Já 103 grupos estavam mantendo contato permanente com a sociedade envolvente. Em contatos intermitentes – relações ocasionais com a comunidade – se achavam 73 tribos.

Fonte: Jornal do Brasil (RJ), 02-06-1972

Funai proíbe índios

Em janeiro de 1977, a Funai forçou a suspensão de uma reunião de 148 líderes indígenas na Missão Surumu, perto da fronteira do Brasil com a Venezuela, a 200 quilômetros de Boa Vista, em Roraima. A reunião fora organizada pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), mas como os índios não foram autorizados a participar, o presidente da Funai, general Ismarth de Oliveira, determinou ao delegado de Boa Vista que retirasse todos os índios do encontro.

Argumentou que assim como o Cimi estava proibido de entrar em área indígena, índio não poderia participar de reunião do conselho. Os índios representavam 10 mil índios das tribos makuxi, wapixana e taurepang do norte de Roraima, provavelmente a maior concentração indígena do país.

Embora em tempos imemoriais eles ocupassem quase toda a região, tinham ficado praticamente sem terras por causa das invasões dos brancos.

Fonte: O Estado de S. Paulo (SP), 11-01-1977