Inquérito contra SPI

Em outubro de 1967 o governo federal instaurou comissão de inquérito, presidida pelo procurador Jader de Figueiredo, para apurar irregularidades no Serviço de Proteção aos Índios (SPI), na gestão do major Vinha Neves. O ato tomou como base denúncias de crimes praticados contra os índios, submetidos a sevícias e torturas, e até mesmo a prostituição de índias pelos próprios servidores do SPI.

(Folha Vespertina, Belém/PA, 25/10/1967)

Gavião ataca na estrada

Em 1969 os índios Gavião atacaram e expulsaram de suas terras, às margens da rodovia PA-70, (hoje, BR-222), no Pará, dois mil colonos que nelas haviam se instalado. Os invasores, assustados, buscaram abrigo no acampamento do Departamento de Estradas de Rodagem do Estado, que estava trabalhando na abertura da via. A Funai enviou o sertanista Antônio Cotrim para contatar os índios e levá-los para a reserva Mãe Maria, se eles concordassem com a transferência.

(Folha do Norte, Belém/PA, 07/08/1969)

Atritos pelo aumento da reserva

Em 2000 a Funai (Fundação Nacional do Índio) reafirmou a disposição de ampliar a área da terra indígena Kayabi, no sul do Pará, de 166.500 para 1.408.000 hectares, incorporando área do lado de Mato Grosso. A iniciativa provocou a reação de representantes do município de Apiacás e da Comissão Pró-Hidrovia Teles Pires-Juruena-Tapajós.

Segundo eles, o aumento da área indígena atingiria projetos em desenvolvimento ou semi-implantados na região, recursos naturais e poderia inviabilizar de vez a implantação da hidrovia, suspensa exatamente por atravessar terras de índios.

Argumentavam que na área protegida pela Funai havia apenas 71 Kayabi, já que outros 226 Munduruku haviam recebido sua própria reserva. Diziam ainda que os estudos de delimitação, de autoria do antropólogo Edison Netto Lasmar, se basearam em estudo de 1982, que estaria ultrapassado e equivocado em relação às características da área.

(O Liberal, Belém/PA, 29/11/2000

Abuso de meninas índias

Em outubro de 2000 os índios David Kopenawa e Peri Xirixana denunciaram publicamente que militares do 4º Pelotão de Fronteira do Exército, instalado dentro da reserva indígena Yanomami, em Roraima, estariam abusando de índias da tribo, algumas com apenas 12 anos de idade.

Segundo eles, na região de Surucucu, a noroeste de Boa Vista, existiriam pelo menos cinco crianças nascidas do relacionamento entre as índias Yanomami e soldados. Os militares manteriam relações promíscuas, aliciando e seduzindo as índias em troca de alimentação, utensílios domésticos e bebida alcoólica.

Os líderes Yanomami também acusaram a Funai de não exercer qualquer fiscalização para coibir o abuso, conforme documento que apresentaram ao Cimi. O Conselho Indigenista Missionário o encaminhou à própria Funai, pedindo providências.

(Diário do Pará, Belém/PA, 02/11/2000)

Energia entre Brasil e Venezuela

Os presidentes Fernando Henrique Cardoso, pelo Brasil, e Rafael Caldera, pela Venezuela, assinaram em 1995 um conjunto de acordos para promover a integração regional entre os dois países no âmbito do Mercosul.

Um dos itens principais do entendimento foi a construção de uma linha de transmissão de energia proveniente do complexo hidrelétrico de Guri, situado no rio Caroni, no sul da Venezuela, até Boa Vista, a capital do Estado de Roraima, do lado brasileiro.

A linha cortaria o Parque Nacional Canaima, na Gran Sabana, até a cidade venezuelana de Santa Elena de Uairén. Em seguida, cruzaria a fronteira, conectando-se com o linhão brasileiro em Pacaraima, seguindo o traçado da BR-174 até Boa Vista, atravessando 65 quilômetros da Reserva Indígena São Marcos.

Em agosto de 2000, ONGs venezuelanas iniciaram uma campanha contra a linha, que ameaçaria de destruição as “únicas e espetaculares” paisagens da Gran Sabana, de grande valor para os índios Pemon, Akawaio e Kariná.

Já do lado brasileiro a Eletronorte assinou acordo com os índios de São Marcos, em abril de 1988, compensando a construção da linha com medidas compensatórias, dentre as quais a retirada dos ocupantes ilegais da reserva.

(Folha do Meio Ambiente,São Paulo/SP, 10/2000)