Padre se diz perseguido

O missionário xaveriano Ângelo Pansa ficou desaparecido entre 14 e 22 de abril de 1985 nas matas do Curuá, afluente do rio Iriri, no Pará. O padre se disse perseguido por pistoleiros da empresa de segurança Sacopã, contratados pela Brasinor, mineradora ligada à Carbonífera Criciúma, de Santa Catarina, que extraía ouro na região nessa época.

Pansa disse que se tornou incômodo por defender as pessoas que a Brasinor pretendia expulsar da área de seu interesse, o que estava levando a conflitos com moradores locais, entre eles índios kayapó da reserva Baú e Chipaias-Curuaias.

Muitos moradores já tinham sido expulsos de suas terras. Pansa procurou defendê-los e foi perseguido, internando-se na mata durante oito dias para escapar.

Fonte: O Liberal (Belém), 30-04-1985.

Conflito dos tembés

A reserva dos índios tembés abrange 278 mil hectares nos municípios de Ourém, Paragominas e Viseu, no Pará, tendo sido demarcada em 1976. Em 1992, nela viviam 861 índios. Eles tinham que conviver com constantes invasões de suas terras.

Em 1988, a Polícia Federal apreendeu caminhões, madeira, motosserras e outros materiais pertencentes a madeireiros, que invadiram a área para extrair acapu, cedro e tatajuba, entre outras espécies. Em 1993 ocorreu nova invasão. Em 1992 os índios detiveram dois invasores em cárcere privado.

Fonte : Diário do Pará (Belém), 25-04-1992

Mais índios mortos

Em 1991, aumentou a violência contra os índios. Nesse ano, 22 índios foram mortos, enquanto em 1990 as mortes foram 13. Segundo um relatório do Cimi (Conselho Indigenista Missionário), que fez o levantamento, 16 índios foram assassinados na Amazônia e 8 no Maranhão.

Houve ainda nove tentativas de homicídio e 14 ameaças de morte contra índios ou grupos indígenas. Apenas duas pessoas suspeitas de assassinato foram presas.

Fonte : O Globo (RJ), 26-03-1992

Índios: origem mais antiga

No final de 1991, a pesquisadora americana Anna Curtenius Roosevelt publicou, juntamente com duas colaboradoras, artigo na revista Science. Nele, declarava haver datado um caco de cerâmica encontrado em Taperinha, a nove horas de barco de Santarém, no Pará, com sete mil a oito mil anos. Esse caco, com incisões, seria pelo menos três mil anos mais velho do que qualquer outro produzido por incas, astecas ou maias.

A descoberta acabaria com a ideia de que culturas complexas da Amazônia, como as do Marajó e de Santarém, seriam resultantes apenas de incursões de vizinhos mais desenvolvidos. Roosevelt sustentou no artigo que, cerca de mil anos antes, Santarém era o centro de sociedades complexas, de origem desconhecida, mas não necessariamente provenientes do Norte.

Para datar o pedaço de caco, Roosevelt usou as melhores técnicas em arqueologia, como o radiocarbono e a termoluminescência. A pesquisadora é bisneta do 26º presidente dos Estados Unidos, Theodore Roosevelt, que governou de 1901 a 1909 e esteve na Amazônia em 1904, com o marechal Cândido Mariano Rondon.

Fonte : Folha de S. Paulo (SP), 13-12-1991

Sting e os índios

Na visita que fez ao Brasil, em fevereiro de 1989, o cantor inglês de rock Sting anunciou a criação da Fundação Mata Virgem para liderar uma campanha internacional para a criação de um grande parque nacional, reunindo as reservas indígenas Gorotire e Gurupi e o Parque Nacional do Xingu, entre o Pará e o Mato Grosso, com área de 270 mil quilômetros quadrados. A ideia foi comunicada ao presidente José Sarney, com quem Sting conversou, em Brasília, durante duas horas.
A Província do Pará (Belém), 20-02-1989

Kayapós contra mineradoras

Em outubro de 1990, 40 índios kayapós da aldeia Kokraimoro, armados, invadiram as sedes das mineradoras São Francisco e Canopus, no município de São Félix do Xingu, no Pará.

Pintados para a guerra, os índios exigiam que as duas empresas lhes pagassem royalties pela exploração de cassiterita, embora estivessem atuando fora da área da reserva kayapó, com 3,2 milhões de hectares. As duas mineradoras se instalaram na área na década de 1970, explorando as minas de cassiterita Mocambo, Bom Jardim e Iriri.

A Rhodia negociou seus direitos minerários sobre as minas com a Caeté Participações, grupo de São Paulo, que tinha na época como um de seus sócios o secretário de planejamento da Presidência da República, Marcos Fonseca. Os índios se irritaram porque a empresa suspendeu o fornecimento de alimentos, medicamentos e combustível que lhes fazia.

Fonte: Jornal do Brasil (Rio de Janeiro/RJ), 26/10/1990

A terra dos yanomami

No dia 25 de maio de 1993, em uma solenidade realizada no Palácio do Planalto, em Brasília, na presença do presidente Fernando Collor de Mello, foi oficializada a demarcação da reserva dos índios yanomami.

O trabalho, iniciado em 27 de janeiro do mesmo ano, foi concluído oito dias antes do prazo estabelecido. Ele abrangeu uma área de 94 mil quilômetros quadrados, em Roraima e no Amazonas, que resultou na abertura de 691 quilômetros de picadas, com seis metros de largura.

Foram afixados 60 marcos geodésicos (usados para identificar os pontos determinados pelas coordenadas geográficas obtidas por rastreamento de satélite) e 632 marcos de monumentação (colocados no centro da linha de picadas, de dois em dois quilômetros, para fixar os limites da área).

Cem placas foram colocadas ao longo do perímetro da demarcação, onde é fácil o acesso de não índios. Com um metro de largura e 67 centímetros de altura, as placas continham a seguinte inscrição: “Área proibida. Terra indígena com acesso interditado a pessoas estranhas”.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 26/05/1993