Parakanans atacam

 

Índios Parakanan atacaram, em novembro de 1952, o posto de uma frente de atração do Serviço de Proteção aos Índios (SPI), em Trocará, na região do rio Tocantins, no Pará. Um funcionário do posto, Altino Rodrigues, foi ferido durante o ataque. Os índios já haviam feito vários contatos pacíficos com os sertanistas do SPI.

(Folha do Norte, Belém/PA, 12/11/52)

Os índios e o cinema

Em agosto de 1989 os índios do Parque Nacional do Xingu propuseram uma ação na justiça federal, em Brasília, cobrando 10% da renda bruta de exibição do filme “Kuarup”, do diretor Ruy Guerra, e mais 10% sobre a renda apurada na exibição do filme na televisão e em fitas de vídeo, no Brasil e no exterior.

Na ação, os índios yawalapiti, kamaiurá e cuicuro admitem ter autorizado o livre acesso do pessoal e dos equipamentos para a produção do filme em troca de duas lanchas motorizadas e duas balsas com motor, que lhes foram doadas. Mas argumentaram ter direito a receber mais pela utilização de sua imagem, por entenderem que o ponto alto do filme foi sua dança ritual, o Kuarup.

(Jornal do Brasil, Rio de Janeiro/RJ, 27/08/1989)

Kayapós expulsam garimpeiros

Cerca de 200 índios kayapó, da aldeia Gorotire, no sul do Pará, expulsaram cinco mil garimpeiros que ocupavam o garimpo Maria Bonita, e Redenção, agindo de surpresa, no dia 1º de abril de 1985. Os índios reclamavam do não pagamento do dízimo da exploração do ouro pela Caixa Econômica Federal. Ante a iminência de um conflito, o governo mobilizou até um avião Búfalo para evacuar os garimpeiros da área, situada no interior da reserva indígena. A maioria dos garimpeiros ficou em Redenção.

(O Liberal, Belém/PA, 12/04/1985)

Ameaça aos araras

Um quarto das terras dos índios arara, 160 mil hectares localizados na Transamazônica, no município de Altamira, no Pará, continuavam ocupados por posseiros no início de 1990. A invasão do território desses índios começou em 1973, com a construção da Transamazônica, agravando-se a partir daí.

Os araras se dividiram em duas aldeias: uma na área do Laranjal, onde moravam 30 índios, e outra à altura do posto de vigilância da Funai, no km 120 Sul, onde viviam aproximadamente 80 índios. Além de perderem 25% de suas terras para os lavradores, os araras poderiam ficar sem outros 25%, quando a hidrelétrica de Kararaô fosse construída.  Para complicar, as terras dos índios são pobres e a mata estava sendo destruída pelos madeireiros.

(O Liberal, Belém/PA, 31/01/1990)

Macuxis são presos

Em julho de 1987, o juiz da 1ª circunscrição de Roraima, Antônio Ferreira Anunciação Neto, determinou a prisão de 14 índios da tribo macuxi. Eles foram acusados de agredir e deter por 16 horas três funcionários da Fazenda Guanabara, no município de Normandia, no norte do então Território Federal (hoje Estado).

O episódio resultou de uma antiga disputa entre os índios da maloca Santa Cruz, habitada por 100 macuxis, e os proprietários da fazenda, que bloquearam o único acesso dos índios, obrigando-os a enfrentar uma montanha íngreme para chegar à sua terra. Os índios foram libertados graças a um habeas corpus. Outros cinco índios foram presos e deixados sob a custódia da Funai.

(Jornal do Brasil, Rio de Janeiro/RJ, 28/07/1987)

Tikunas são mortos e feridos

Quatorze índios Tikuna foram mortos e outros 27 feridos, vários em estado grave, por 14 homens armados liderados pelo madeireiro Oscar Castelo Branco, no final de março de 1988, na boca do igarapé Capacete, próximo à área indígena São Leopoldo, no município de Benjamin Constant, no Estado do Amazonas.

Cerca de 100 índios esperavam, na manhã do dia 28, por notícias sobre a morte de um boi pertencente à tribo. O fato, ocorrido 10 dias antes, foi interpretado pelos índios como uma provocação de Castelo Branco. O grupo do madeireiro ocupou a área ao redor e dois deles foram falar com os índios.

Um dos brancos, um garoto de 14 anos, atirou num índio e fugiu. O outro foi desarmado. Do mato começou então o tiroteio, que atingiu vários índios e colocou os demais em fuga.

(O Estado de S. Paulo, São Paulo/SP, 01/04/1988)

Índios contra hidrelétrica

Oito líderes da reserva indígena Nambikwara, situada na divisa entre Mato Grosso e Rondônia, representaram junto à Procuradoria Geral da República, em novembro de 1989, contra a construção da hidrelétrica Doze de Outubro, projetada pela empresa de construção Goes Cohabita.

A empresa era do deputado Joacy Goes, do PMDB da Bahia, na época presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara Federal. A usina, localizada a cinco quilômetros da aldeia Kithãlu, foi projetada para produzir 11 megawatts, inundando 4,5 hectares dentro do território indígena, a um custo de 30 milhões de dólares.

Os direitos de exploração da usina seriam da própria Goes Cohabita. Ela se tornaria, assim, a primeira empresa privada a explorar uma hidrelétrica na Amazônia.

(Jornal do Brasil, Rio de Janeiro/RJ, 09/11/1989)