Funai proíbe índios

Em janeiro de 1977, a Funai forçou a suspensão de uma reunião de 148 líderes indígenas na Missão Surumu, perto da fronteira do Brasil com a Venezuela, a 200 quilômetros de Boa Vista, em Roraima. A reunião fora organizada pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), mas como os índios não foram autorizados a participar, o presidente da Funai, general Ismarth de Oliveira, determinou ao delegado de Boa Vista que retirasse todos os índios do encontro.

Argumentou que assim como o Cimi estava proibido de entrar em área indígena, índio não poderia participar de reunião do conselho. Os índios representavam 10 mil índios das tribos makuxi, wapixana e taurepang do norte de Roraima, provavelmente a maior concentração indígena do país.

Embora em tempos imemoriais eles ocupassem quase toda a região, tinham ficado praticamente sem terras por causa das invasões dos brancos.

Fonte: O Estado de S. Paulo (SP), 11-01-1977

Índios e mineradora

No segundo semestre de 1982, a Funai (Fundação Nacional do Índio) ajuizou na justiça de Belém uma ação anulatória do acordo que o cacique Tutu Pombo, da aldeia Kikretum, dos índios kayapó, do sul do Pará, assinou com a empresa Stanum, na época de propriedade de José Lino Cipriano, genro do presidente do Conselho Nacional do Petróleo (CNP), Oziel Almeida.

Pelo acordo, os índios receberiam 10% sobre o valor do ouro extraído dentro de suas terras. A Funai alegou que o acordo só poderia ter validade com sua intermediação, o que não tinha ocorrido.

Fonte: O Estado de S. Paulo (SP), 08-10-1982

Txukarramãe matam 11

Em agosto de 1980, guerreiros txukarramãe mataram, a golpes de borduna, 11 peões que desmatavam uma área reivindicada pelos índios na margem direita do rio Xingu. Nessa área foram formadas seis fazendas, irritando os txukarramãe, que já estavam tensos porque a parte norte do Parque Nacional do Xingu foi cortada pela rodovia BR-80, ligando Brasília a Manaus.

Fonte: O Estado de S. Paulo (SP), 14-08-1980

Banco Mundial financia Rondônia

Em março de 1992, o Banco Mundial aprovou um empréstimo de 167 milhões de dólares para o Estado de Rondônia. Esse valor cobriria 75% do custo de um projeto, de US$ 228,9 milhões, para a preservação de mais de quatro milhões de hectares de floresta amazônica e sua biodiversidade, proteção da população indígena em 4,7 milhões de hectares de reservas demarcadas e promoção do desenvolvimento sustentado.

Normalmente, o BIRD só financia 50% do valor dos projetos que aprova, mas já então havia aberto um precedente para o treinamento dos técnicos do Ibama em todo o Brasil. O projeto de Rondônia deveria beneficiar mais de cinco mil índios, 2.400 famílias de seringueiros e outros habitantes das margens da floresta, 900 famílias de pescadores e 52 mil famílias de baixa renda.

Rondônia experimentara um crescimento acelerado. A população local cresceu de 114 mil habitantes em 1970 para 491 mil em 1980 e 1,4 milhão em 1988. Cerca de 75% da área do Estado ainda se encontravam, à época, cobertas de floresta.

Apenas 2,6 milhões de hectares (11% do Estado) eram considerados de solos férteis e próprios para a agricultura. Outros 6,4 milhões de hectares eram de fertilidade média, apropriados apenas para culturas perenes e reflorestamento. Os 63% restantes apresentavam apenas uma frágil superfície de terra boa, inadequada para a agricultura e inteiramente recoberta pela floresta.

Fonte: Gazeta Mercantil (SP), 19-03-1992

“Pacificação” dos kayapó

Os índios kayapó foram “pacificados” pelo SPI (Serviço de Proteção ao Índio) entre 1949 e 1954. Seis frentes de atração foram formadas para entrar em contato com os índios, que mantinham conflitos permanentes com os seringueiros da região. Em 1973, atendendo a uma antiga aspiração da tribo, o governo deu início ao processo de reconhecimento dos limites territoriais da reserva, no sul do Pará.

A demarcação, porém, só começou em 1978. A área delimitada nessa época era de 2.738.850 hectares, abrangendo quatro aldeias, onde viviam entre 1.500 e 1.800 índios. Mas logo a empresa que ganhou a concorrência da Funai para fazer a demarcação faliu, suspendendo os trabalhos.

Em 1979, os limites Norte e Leste da reserva começaram a ser invadidos, irritando os kayapós. Em agosto de 1980, um grupo de guerreiros atacou a sede da Fazenda Espadilha, a 150 quilômetros da cidade de Redenção, matando 23 pessoas, entre as quais oito crianças, alegando que as terras da fazenda estavam dentro da reserva.

Fonte: Jornal da Tarde (SP), 03-09-1980

Padre se diz perseguido

O missionário xaveriano Ângelo Pansa ficou desaparecido entre 14 e 22 de abril de 1985 nas matas do Curuá, afluente do rio Iriri, no Pará. O padre se disse perseguido por pistoleiros da empresa de segurança Sacopã, contratados pela Brasinor, mineradora ligada à Carbonífera Criciúma, de Santa Catarina, que extraía ouro na região nessa época.

Pansa disse que se tornou incômodo por defender as pessoas que a Brasinor pretendia expulsar da área de seu interesse, o que estava levando a conflitos com moradores locais, entre eles índios kayapó da reserva Baú e Chipaias-Curuaias.

Muitos moradores já tinham sido expulsos de suas terras. Pansa procurou defendê-los e foi perseguido, internando-se na mata durante oito dias para escapar.

Fonte: O Liberal (Belém), 30-04-1985.

Conflito dos tembés

A reserva dos índios tembés abrange 278 mil hectares nos municípios de Ourém, Paragominas e Viseu, no Pará, tendo sido demarcada em 1976. Em 1992, nela viviam 861 índios. Eles tinham que conviver com constantes invasões de suas terras.

Em 1988, a Polícia Federal apreendeu caminhões, madeira, motosserras e outros materiais pertencentes a madeireiros, que invadiram a área para extrair acapu, cedro e tatajuba, entre outras espécies. Em 1993 ocorreu nova invasão. Em 1992 os índios detiveram dois invasores em cárcere privado.

Fonte : Diário do Pará (Belém), 25-04-1992