O potencial de madeira

A. J. Evans, um dos diretores da Brible Brothers Lumber Co., de Houston, Texas, entrevistado por Henry Lee para The Journal of Commerce local, em fevereiro de 1960, disse que o comércio de madeiras na Amazônia, nos Estados do Amazonas, Amapá e Pará, que até então vinha sendo desenvolvido por 25 serrarias relativamente pequenas, deveria crescer de 500 a 1000% nos cinco meses seguintes.

Classificava de “inacreditável” o potencial de exportação de madeira da região, informando que ao longo do rio havia cerca de 30 variedades comerciais “que podem ser embarcadas de forma fácil e barata, para os mercados mundiais”.

Citou o exemplo da firma holandesa Burynzeel, que estava aplicando 7,5 milhões de dólares numa fábrica de madeira compensada no Amapá, em sociedade com a Bethelehem Steel, responsável por US$ 2,5 milhões desse to tal. O artigo de Henry Lee foi reproduzido na edição de fevereiro do Boletim Americano, publicação do Serviço de Propaganda e Expansão Comercial do Brasil (SEPRO), em Nova York.

Fonte: Folha do Norte (Belém/PA), 01/06/1960

Quem destrói a floresta?

Em artigo publicado no jornal Folha do Norte, de Belém, em agosto de 1968, o engenheiro agrônomo Humberto Marinho Koury apresentou dados sobre as relações desfavoráveis no comércio exterior enfrentadas pela atividade madeireira amazônica.

Argumentou que a tora de mogno (ou “aguano”), “uma das espécies florestais mais importantes do Estado do Pará e uma das madeiras mais luxuosas do mundo”, estava sendo vendida por 100 dólares o metro cúbico para o exterior.

Os compradores desdobravam a tora em lâminas muito delgadas, vendendo cada metro quadrado a US$ 3. Esse rendimento permitia que o metro cúbico da madeira laminada pudesse alcançar US$ 14 mil o metro cúbico.

Como para cada metro cúbico de madeira laminada são necessários de dois a três m3 de madeira bruta, para um custo máximo de US$ 300, obtinha-se um rendimento de US$ 14 mil.

A situação se aplicava à comercialização de outra madeira valiosa que o Pará exportava, a virola ou ucuúba. Saíam anualmente de 4 milhões a 6 milhões de pés quadrados de ucuúba do Pará, por aquisição de empresas estrangeiras, como a Georgia Pacific Corporation, a Lumquar Limited e a Bruynzeel Suriname Houtmaatschappy.

Fonte: Folha do Norte (Belém/PA), 08/08/1968

Exportação de madeira

A exportação de madeira brasileira em 1994 cresceu 21% em relação ao ano anterior, gerando pouco mais de um bilhão de dólares em divisas para o país e representando 2,41% do comércio exterior. A Amazônia participou com 40% das exportações de madeira. Só do Pará saíram 922 mil metros cúbicos de madeiras serradas e manufaturadas, com faturamento de US$ 324 milhões.

Apesar do crescimento físico de 38,56%, o valor das divisas geradas pela madeira no Estado teve incremento de apenas 28,60% por causa da política cambial, que desvalorizou o dólar em relação ao real, e pela queda no preço relativo do produto, em função do excesso de oferta.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 27/06/1995

Centro madeireiro

Em 1957, o governo brasileiro criou o Centro de Treinamento da Indústria Madeireira em Santarém, no interior do Pará, com o auxílio e a orientação da FAO, o órgão das Nações Unidas para agricultura e alimentos, e a cooperação da SPVEA (Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia), que ficaria responsável pelo centro. Era, então, o único estabelecimento no gênero em toda a zona tropical da América do Sul. Um outro centro semelhante era localizado em zona temperada, no Chile.

Fonte: Folha do Norte (Belém/PA), 10/08/1959

Licenciamento ambiental

Entre os dias 25 de abril e 12 de maio de 1995, órgãos dos governos federal e estadual realizaram no Pará a primeira Ação Interinstitucional de Licenciamento Ambiental. A operação foi executada em três municípios (Paragominas, Dom Eliseu e Ulianópolis), que constituíam a região de maior concentração de empresas madeireiras do Estado.

Os 21 técnicos da equipe se negaram a conceder Licença de Operação (LO) a 83% das 105 madeireiras que fiscalizaram. Indeferiram ainda 72% dos pedidos de renovação de LO apresentados. Entre as pendências verificadas estavam a falta de documentos, como alvará municipal de licença para funcionamento, contrato social, registro no Ibama, documentação de propriedade, comprovante de recolhimento de tributos diversos e solicitação de licença para produzir carvão.

A equipe observou irregularidades técnicas, como a falta de equipamentos de segurança para os operários e a inexistência de sistema de incineração para a queima de resíduos sólidos. Os pátios das serrarias também não dispunham de drenagem, o que provocava o empoçamento da água.

O grupo interinstitucional era formado por engenheiros florestais, agrônomos, sanitaristas e meteorologistas. Foi criado para desobstruir a pauta dos órgãos de licenciamento ambiental, que havia mais de três anos acumulavam 400 processos.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 04/07/1995

Doença e conflito em Tucuruí

Com a formação do reservatório da hidrelétrica de Tucuruí, no Pará, em 1984,muitas árvores ficaram submersas, causando a formação de gases em virtude de seu apodrecimento. Uma das consequências desse fenômeno foi o aparecimento de moscas hematófagas, que passaram a atacar a população das margens do lago artificial. Cada morador podia chegar a sofrer 500 picadas por hora dessas moscas, segundo pesquisa feita na área pelo Instituto Evandro Chagas, de Belém.

Em 1991, o governo federal decretou estado de emergência nas glebas Parakanã, Pucuruí e Tucuruí, para onde foram remanejados lavradores das áreas alagadas. Em setembro de 1992, o Incra criou o Projeto de Assentamento Rio Gelado, no qual 1.250 famílias se estabeleceram. Mas logo se desencadeou um conflito entre os assentados e a madeireira Abrolho Verde.

Com um projeto de manejo florestal aprovado pelo Ibama, a empresa penetrou nas glebas dos agricultores para extrair madeira, principalmente mogno. Vários atritos ocorreram entre as partes a partir de então.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 17/03/1995

A extração de madeira em Tucuruí

Em janeiro de 1980, o IBDF (Instituto Brasileiro do Desenvolvimento Florestal) lançou a licitação pública para a extração de cinco milhões de metros cúbicos de madeira de primeira qualidade existentes na área a ser inundada pela barragem da hidrelétrica de Tucuruí, no Pará.

Essa seria a primeira exploração madeireira em área de reservatório. Mas com as obras seguintes das hidrelétricas de Samuel, Balbina, Xingu, Altamira, Belo Monte e Tapajós, haveria um total de 1,5 milhão de hectares disponíveis e 90 milhões de metros cúbicos de madeira.

A exploração dessas áreas possibilitaria ao Brasil dominar o mercado internacional de madeira durante 20 anos, aproveitando-se a desorganização na produção de países tradicional exportadores, como os do sudoeste asiático e africano, notadamente por motivos políticos.

A exportação de madeira sólida do reservatório de Tucuruí permitiria uma receita de um bilhão de dólares em três anos e mais US$ 1 bilhão com a produção de carvão vegetal a partir dos resíduos de madeira que não puderem ser aproveitados industrialmente.

O IBDF destacava a intenção do governo de não permitir a exportação do produto “in natura”, mas apenas processado industrialmente, na forma de laminados, compensados ou apenas serrados.

FONTE: O Estado do Pará (Belém/PA), 10/01/1980