Jari invade área

Em julho de 1980, o Iterpa (Instituto de Terras do Pará) denunciou a Jari Florestal e Agropecuária, de propriedade do milionário americano Daniel Ludwig, de ter invadido terras estaduais situadas ao norte de sua propriedade, onde desmatou 3.800 hectares.

Essa área era compreendida por duas glebas – Paru I e Paru II -, somando 800 mil hectares, que o Estado arrecadou e matriculou em seu nome para usá-las em um projeto de colonização.

Ao entrar na área, a empresa teria praticado quatro crimes: esbulho possessório, dano qualificado, invasão de terra pública e contravenção penal, por derrubar árvores sem a autorização do IBDF (Instituto Brasileiro do Desenvolvimento Florestal).

Fonte: O Estado de S. Paulo (SP), 19-07-1980

Desperdício de madeira

O processo de ocupação da Amazônia, com a implantação de projetos agrícolas, pecuários, minerais, hidrelétricas e estradas, foi responsável pela remoção de 1,6 milhão de hectares de cobertura vegetal entre 1975 e 1978 e por 2,6 milhões de hectares entre 1978 e 1980.

Esses dados foram apresentados em abril de 1985 pela Associação das Indústrias Exportadoras de Madeira do Baixo Amazonas, com base em levantamento realizado pelo IBDF e a Sudam a partir de imagens do satélite Landsat.

Nesse documento, a Aibam deplorava a perda anual de 200 milhões de metros cúbicos de madeira, com diâmetro superior a 60 centímetros, “devoradas pelo fogo”, madeiras “cujas toras representariam, se aproveitadas, um valor de mercado internacional correspondente a 8 milhões de hectares”.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 01-05-1985

Capemi em Tucuruí

Em julho de 1980, o presidente do IBDF, Mauro Reis, assinou portaria autorizando a Capemi (Caixa de Pecúlio dos Militares) a derrubar e extrair árvores numa área de 200 mil hectares, que seria inundada com o represamento do rio Tocantins pela barragem da hidrelétrica de Tucuruí, no Pará.

A exploração do potencial madeireiro dessa área seria feita pela Agropecuária Capemi Indústria e Comércio, subsidiária da Capemi. O Instituto Brasileiro do Desenvolvimento Florestal já promovera duas concorrências anteriores, mas nenhuma empresa apresentara proposta, atrasando em quase um ano a exploração da madeira do reservatório.

Fonte: O Estado do Pará (Belém), 24-07-1980

Assassinato de Uliana

O fazendeiro Elias Uliana foi assassinado por um pistoleiro desconhecido, com quatro tiros, em junho de 1980, quando saía de uma agência bancária em Xinguara, no sul do Pará. A morte foi associada a uma vingança pela execução, uma semana antes, do sindicalista Raimundo Ferreira Lima, o Gringo. Mas também as suspeições foram associadas a uma disputa entre madeireiros porque alguns dias antes Uliana denunciou o roubo de 10 mil metros cúbicos de mogno de sua propriedade.

Fonte: O Estado de S. Paulo (SP), 04-06-1980

Contratos de risco florestal

F. Schmithüsen, técnico da Fao, órgão da ONU (Organização das Nações Unidas) responsável pela agricultura e alimentação, propôs, em 1978, que 20% dos 280 milhões de hectares de florestas densas na Amazônia fossem explorados economicamente através de contratos de risco, o que permitiria ao Brasil faturar 18 bilhões de dólares anualmente.

Contratos semelhantes haviam sido adotados sobre 40 milhões de hectares na Ásia, 50 milhões de hectares na África e 10 milhões de hectares América do Sul.

Pela proposta do técnico, no Brasil 56 milhões de hectares seriam entregues à extração madeireira. O “contrato de utilização florestal”, ou “de risco”, seria um dispositivo legal conferindo ao particular o direito de utilizar, durante um período de tempo limitado, o potencial de recursos florestais da terra sob controle da autoridade pública.

Os direitos conferidos por esses contratos poderiam ficar limitados à exploração dos recursos existentes (contratos de exploração); poderiam incluir a derrubada e retirada da madeira em pé (contratos de colheita de madeira); e poderiam também abranger o controle e estabelecimento de plantações com vistas a uma contínua produção de matéria-prima (contratos de controle florestal).

Fonte: O Estado de S. Paulo (SP), 03-02-1978

Conflito dos tembés

A reserva dos índios tembés abrange 278 mil hectares nos municípios de Ourém, Paragominas e Viseu, no Pará, tendo sido demarcada em 1976. Em 1992, nela viviam 861 índios. Eles tinham que conviver com constantes invasões de suas terras.

Em 1988, a Polícia Federal apreendeu caminhões, madeira, motosserras e outros materiais pertencentes a madeireiros, que invadiram a área para extrair acapu, cedro e tatajuba, entre outras espécies. Em 1993 ocorreu nova invasão. Em 1992 os índios detiveram dois invasores em cárcere privado.

Fonte : Diário do Pará (Belém), 25-04-1992

As terras da Jari

Em abril de 1991, a Companhia Florestal Monte Dourado, sucessora do milionário americano Daniel Ludwig no Projeto Jari, encaminhou correspondência ao Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) alegando ser proprietária de 421.595 hectares dos 450 mil hectares que constituíam a Reserva Extrativista do Cajari, criada no final do governo Sarney.

A reserva foi estabelecida no Amapá com o apoio de diversas entidades ecológicas internacionais e do Ibama. Um pouco antes, o instituto embargara o trecho final da estrada Macapá-Jari porque a responsável pela obra, a C. R. Almeida, não apresentou o Relatório de Impacto Ambiental.

Fonte : O Globo (RJ), 27-04-1991