Mogno em extinção

Em janeiro de 1992, o Ibama, através de portaria, declarou em perigo ou sob ameaça de extinção numerosas espécies de madeira das mais comercializadas e exportadas pela indústria da Amazônia. Na lista foi incluído o mogno, responsável pelo maior volume de negócios das madeireiras, principalmente com o exterior.

A medida foi adotada no momento em que era discutida a inclusão do mogno entre as espécies a serem protegidas no mundo inteiro, permitindo a sua exploração apenas em algumas áreas da Indonésia, Filipinas e Malásia, onde existiam plantações artificiais.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 23-02-1992

Uliana assassinado

Um pistoleiro matou o fazendeiro Elias Uliana com seis tiros em frente a uma agência do Bradesco, em Xinguara, no sul do Pará, em junho de 1980. Sem se preocupar em não ser identificado nem temer ser detido, o pistoleiro descarregou seu revólver em Uliana, que era um dos proprietários da Fazenda Reunida Gurupi, em Paragominas, e de uma serraria em Xinguara, onde se encontrava naquele momento. Ele estava tentando identificar os 10 mil metros de mogno que, dizia, tinham sido roubado de suas terras e estariam depositados em madeireiras locais.

Fonte: A Província do Pará (Belém/PA), 03-06-1980

Polo florestal em Carajás

No final de 1991 o Congresso Nacional aprovou, em regime de urgência urgentíssima, o projeto do governo que autorizou a Companhia Vale do Rio Doce a implantar o primeiro grande projeto florestal-industrial na região da ferrovia de Carajás.

O projeto previa então o reflorestamento de 110 mil hectares e a produção de 420 mil toneladas de celulose de fibra curta, em uma usina a ser localizada no Maranhão, com investimento direto de 242 bilhões de cruzeiros (valor da época), gerando mais de seis mil novos empregos, dos quais 3.300 diretamente vinculados ao sistema operacional (florestas e indústria).

Fonte : Diário do Pará (Belém/PA), 26-01-1992

Celulose da Vale no Maranhão

A Companhia Vale do Rio Doce decidiu iniciar, em 1992, a implantação do projeto da Celmar (Celulose do Maranhão S/A), em Imperatriz, ficando com 30% do capital, enquanto a empresa japonesa Nisso Iwai teria 15%. Os 55% restantes seriam distribuídos entre a Cia. de Papéis Simão e a Ripasa.

Começando no mesmo ano, o projeto de reflorestamento – desenvolvido em áreas degradadas – consumiria 200 milhões de dólares até 1998, quando já haveria madeira para ser usada.

Somente a partir de 1999 os sócios começariam a desembolsar US$ 500 milhões para iniciar a fase II da Celmar, implantando em módulos a unidade de produção de 500 mil toneladas de celulose e uma futura fábrica de papel. Toda a produção seria destinada à exportação.

(Arquivo Pessoal, 1993)

Invasões em áreas indígenas

Em setembro de 1993, o Departamento do Patrimônio Indígena da Fundação Nacional do Índio (Funai) concluiu um levantamento mostrando que metade das 532 áreas indígenas do Brasil estavam enfrentando 300 problemas ambientais, incluindo invasões de garimpeiros, exploração indiscriminada de madeira e contaminação dos rios por mercúrio.

O Núcleo de Direitos Indígenas (NDI) tinha na época pelo menos 15 ações na justiça contra instituições que estavam explorando ilegalmente minérios ou madeira em áreas indígenas.

Fonte: O Estado de S. Paulo (São Paulo/SP), 14-09-1993

Madeira sustentável

O mercado internacional de madeira tropical movimentava anualmente 7,5 bilhões de dólares no início dos anos 1990. Vinte e três países eram responsáveis por 93% das exportações e 27 países importavam 80% da madeira tropical comprada no mundo. A partir de 1983 entrou em vigor na ONU o Acordo Internacional sobre Madeira Tropical (ITTO). Uma de suas metas era de que até o ano 2000 todas as exportações teriam que decorrer de exploração sustentável, a fim de impedir a destruição das florestas tropicais.

Fonte: O Globo (Rio de Janeiro/RJ), 02-10-1993

Jari invade área

Em julho de 1980, o Iterpa (Instituto de Terras do Pará) denunciou a Jari Florestal e Agropecuária, de propriedade do milionário americano Daniel Ludwig, de ter invadido terras estaduais situadas ao norte de sua propriedade, onde desmatou 3.800 hectares.

Essa área era compreendida por duas glebas – Paru I e Paru II -, somando 800 mil hectares, que o Estado arrecadou e matriculou em seu nome para usá-las em um projeto de colonização.

Ao entrar na área, a empresa teria praticado quatro crimes: esbulho possessório, dano qualificado, invasão de terra pública e contravenção penal, por derrubar árvores sem a autorização do IBDF (Instituto Brasileiro do Desenvolvimento Florestal).

Fonte: O Estado de S. Paulo (SP), 19-07-1980

Desperdício de madeira

O processo de ocupação da Amazônia, com a implantação de projetos agrícolas, pecuários, minerais, hidrelétricas e estradas, foi responsável pela remoção de 1,6 milhão de hectares de cobertura vegetal entre 1975 e 1978 e por 2,6 milhões de hectares entre 1978 e 1980.

Esses dados foram apresentados em abril de 1985 pela Associação das Indústrias Exportadoras de Madeira do Baixo Amazonas, com base em levantamento realizado pelo IBDF e a Sudam a partir de imagens do satélite Landsat.

Nesse documento, a Aibam deplorava a perda anual de 200 milhões de metros cúbicos de madeira, com diâmetro superior a 60 centímetros, “devoradas pelo fogo”, madeiras “cujas toras representariam, se aproveitadas, um valor de mercado internacional correspondente a 8 milhões de hectares”.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 01-05-1985

Capemi em Tucuruí

Em julho de 1980, o presidente do IBDF, Mauro Reis, assinou portaria autorizando a Capemi (Caixa de Pecúlio dos Militares) a derrubar e extrair árvores numa área de 200 mil hectares, que seria inundada com o represamento do rio Tocantins pela barragem da hidrelétrica de Tucuruí, no Pará.

A exploração do potencial madeireiro dessa área seria feita pela Agropecuária Capemi Indústria e Comércio, subsidiária da Capemi. O Instituto Brasileiro do Desenvolvimento Florestal já promovera duas concorrências anteriores, mas nenhuma empresa apresentara proposta, atrasando em quase um ano a exploração da madeira do reservatório.

Fonte: O Estado do Pará (Belém), 24-07-1980

Assassinato de Uliana

O fazendeiro Elias Uliana foi assassinado por um pistoleiro desconhecido, com quatro tiros, em junho de 1980, quando saía de uma agência bancária em Xinguara, no sul do Pará. A morte foi associada a uma vingança pela execução, uma semana antes, do sindicalista Raimundo Ferreira Lima, o Gringo. Mas também as suspeições foram associadas a uma disputa entre madeireiros porque alguns dias antes Uliana denunciou o roubo de 10 mil metros cúbicos de mogno de sua propriedade.

Fonte: O Estado de S. Paulo (SP), 04-06-1980