Contaminação por mercúrio

Técnicos da Fundação Oswaldo Cruz e da Secretaria de Saúde do Pará, em pesquisa para o Departamento Nacional da Produção Mineral, analisaram 24 amostras de cabelos de pessoas, 16 de garimpeiros e 8 de índios kayapó. Atestaram que 31% das amostras continham teores de mercúrio acima do tolerável, que é de 6 ppm (partes por milhão) no organismo humano.

Nos índios esse índice ficou em 25%. Na região do Gurupi, ainda no Pará, em 11 amostras colhidas entre os garimpeiros de Cachoeira, foi verificada uma média de 11,49 ppm, mas cinco dos garimpeiros chegaram a apresentar teores na faixa de 6 a 50 ppm.

Em exames de urina e de sangue feitos em garimpeiros, moradores e queimadores de amálgama no Tapajós, nos últimos o teor chegou a ser de 0,227 ppm, quando o tolerável nesse caso é de apenas 0,02 ppm. Em Serra Pelada foram coletadas apenas duas amostras: em um garimpeiro o índice foi de 9,25 ppm e em um funcionário da Caixa Econômica Federal foi de 2,9 ppm.

Fonte : O Liberal (Belém), 06-09-1988

Quilombolas expulsos

Em 1975, o IBDF se instalou no vale do rio Trombetas para proteger a tartaruga, ameaçada de extinção. Em setembro de 1979, através do decreto 84.018, o governo federal criou a Reserva Biológica do Trombetas, com 385 mil hectares, no Pará. O IBDF só teria que adquirir 90 mil hectares, já que o restante era terra da União.

A proprietária da quase totalidade dessa área era Judith Lima Machado, que as vendera para Frederico Oranges, José Calderaro, Aline Bentes de Oliveira Guimarães, Vicente Nicolau Calderaro, Rafael Felício Miléo e Kalman Somody.

O Incra pagou indenização pelas terras, mas exigiu que os desapropriados retirassem todos os ocupantes em 30 dias, indenizando-os também. Problema surgiu nos 17.440 hectares de Somody. Ele expulsou 20 famílias de descendentes dos antigos quilombos de negros do Alto Trombetas, sem indenizá-los, em novembro de 1979.

Fonte: O Liberal (Belém), 17-08-1978

Capemi em Tucuruí

Em julho de 1980, o presidente do IBDF, Mauro Reis, assinou portaria autorizando a Capemi (Caixa de Pecúlio dos Militares) a derrubar e extrair árvores numa área de 200 mil hectares, que seria inundada com o represamento do rio Tocantins pela barragem da hidrelétrica de Tucuruí, no Pará.

A exploração do potencial madeireiro dessa área seria feita pela Agropecuária Capemi Indústria e Comércio, subsidiária da Capemi. O Instituto Brasileiro do Desenvolvimento Florestal já promovera duas concorrências anteriores, mas nenhuma empresa apresentara proposta, atrasando em quase um ano a exploração da madeira do reservatório.

Fonte: O Estado do Pará (Belém), 24-07-1980

Linha de Tucuruí passa por reserva

Em junho de 1980, após cinco anos de difíceis negociações, a Eletronorte conseguiu fechar um acordo com os índios gavião para permitir a passagem da linha de transmissão de energia da hidrelétrica de Tucuruí pelo interior da reserva Mãe Maria, em Marabá, no Pará, com área de 50 mil hectares.

Pelo acordo, a Eletronorte foi autorizada a desmatar uma faixa com 19 quilômetros de extensão por 108 metros de largura, ou 290 hectares, dentro da reserva. Como compensação, os índios seriam indenizados em 40 milhões de cruzeiros (valor da época) pelos prejuízos.

A empresa se comprometia ainda a relocar a antiga aldeia, constituída por uma única casa de alvenaria e vários barracos. Além de receber o dinheiro, os gaviões teriam direito a toda madeira abatida. A Eletronorte os ajudaria a fiscalizar os trabalhos de construção da linha e não permitiria a penetração de trabalhadores armados ao local.

Fonte: O Estado de S. Paulo (SP), 04-06-1980

Parauapebas contaminado

Em novembro de 1986, o Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da Secretaria de Planejamento, Ciência e Tecnologia da Bahia realizou uma análise físico-química das águas do rio Parauapebas, um afluente do Itacaiúnas, na Serra dos Carajás, no Pará, a pedido da Companhia Vale do Rio Doce.

Constatou a ocorrência mínima variável de três miligramas de mercúrio por cada litro de água, quando a legislação brasileira estabelece o limite de duas miligramas. A análise dos peixes coletados revelou índices de mercúrio de 0,02 partes por milhão nos músculos e 0.09 p.p.m. em suas vísceras.

Fonte: Correio do Tocantins (PA), 19-09-1987

Garimpeiros na Venezuela

Em maio de 1989, a Guarda Nacional da Venezuela expulsou aproximadamente três mil garimpeiros brasileiros que tinham invadido as nascentes do rio Orenoco, penetrando 20 quilômetros em território venezuelano a partir da fronteira com Roraima.

A invasão começou a ser percebida quando as águas do rio passaram a ficar amarelas, em consequência da garimpagem. A ação dos militares foi enérgica e os garimpeiros tiveram que fugir às pressas.

Fonte: O Globo (RJ), 14-02-1989

Mercúrio proibido

Em fevereiro de 1989, o presidente José Sarney assinou decreto proibindo o uso de mercúrio e cianeto no processo de extração de ouro nos garimpos em todo o país. O decreto resultou de uma resolução aprovada pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).

O decreto estabeleceu também a necessidade de licenciamento do órgão estadual para a criação de reservas garimpeiras e para a extração individual ou coletiva.

Fonte: O Globo (RJ), 14-02-1989