Polo florestal em Carajás

No final de 1991 o Congresso Nacional aprovou, em regime de urgência urgentíssima, o projeto do governo que autorizou a Companhia Vale do Rio Doce a implantar o primeiro grande projeto florestal-industrial na região da ferrovia de Carajás.

O projeto previa então o reflorestamento de 110 mil hectares e a produção de 420 mil toneladas de celulose de fibra curta, em uma usina a ser localizada no Maranhão, com investimento direto de 242 bilhões de cruzeiros (valor da época), gerando mais de seis mil novos empregos, dos quais 3.300 diretamente vinculados ao sistema operacional (florestas e indústria).

Fonte : Diário do Pará (Belém/PA), 26-01-1992

Celulose da Vale no Maranhão

A Companhia Vale do Rio Doce decidiu iniciar, em 1992, a implantação do projeto da Celmar (Celulose do Maranhão S/A), em Imperatriz, ficando com 30% do capital, enquanto a empresa japonesa Nisso Iwai teria 15%. Os 55% restantes seriam distribuídos entre a Cia. de Papéis Simão e a Ripasa.

Começando no mesmo ano, o projeto de reflorestamento – desenvolvido em áreas degradadas – consumiria 200 milhões de dólares até 1998, quando já haveria madeira para ser usada.

Somente a partir de 1999 os sócios começariam a desembolsar US$ 500 milhões para iniciar a fase II da Celmar, implantando em módulos a unidade de produção de 500 mil toneladas de celulose e uma futura fábrica de papel. Toda a produção seria destinada à exportação.

(Arquivo Pessoal, 1993)

Primeiro Rima de rodovia

A BR-156, estrada que liga o Oiapoque ao Jari (norte e sul do Estado do Amapá), foi a primeira cuja construção resultou na apresentação de Relatório de Impacto Ambiental (Rima), submetido a audiência pública, realizada no município de Laranjal do Jari, em 1991.

Para conseguir a aprovação do Rima da obra, contestada por ONGs, o governo federal se comprometeu a adotar uma série de medidas contra a ocupação desordenada da região, dentre as quais a instalação de postos de fiscalização do Ibama ao longo da rodovia.

Como ela iria atravessar o Projeto de Assentamento Extrativista de Maracá, foi prometida a regularização dessa área e o apoio a suas atividades através de uma usina de beneficiamento de castanha para as comunidades extrativistas de Maracá e Cajari, além da doação de 100 b urros para o transporte da castanha.

Fonte: Jornal do Brasil (Rio de Janeiro/RJ), 02-10-1993

Madeira sustentável

O mercado internacional de madeira tropical movimentava anualmente 7,5 bilhões de dólares no início dos anos 1990. Vinte e três países eram responsáveis por 93% das exportações e 27 países importavam 80% da madeira tropical comprada no mundo. A partir de 1983 entrou em vigor na ONU o Acordo Internacional sobre Madeira Tropical (ITTO). Uma de suas metas era de que até o ano 2000 todas as exportações teriam que decorrer de exploração sustentável, a fim de impedir a destruição das florestas tropicais.

Fonte: O Globo (Rio de Janeiro/RJ), 02-10-1993

Diagnóstico ambiental da Amazônia

Em junho de 1993, foi apresentado, pela primeira vez ao público, o documento preliminar do Diagnóstico Ambiental da Amazônia Legal, elaborado através de convênio pelo IBGE para a Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. O diagnóstico era uma das etapas do Zoneamento Ecológico e Econômico.

A apresentação foi no auditório da Sudam, em Belém, mas apenas dois governadores da região compareceram. O diagnóstico, o primeiro previsto para as regiões brasileiras, apresentou um retrato inédito da Amazônia. Ele identificou, entre outros itens, a dinâmica de funcionamento e a evolução das paisagens estudadas para determinar a capacidade e a vulnerabilidade de sustentação física do sistema natural com a intervenção do homem.

Fonte: A Província do Pará (Belém/PA), 19-06-1993

Vigilância da Amazônia

Em junho de 1993, o almirante Mário Cesar Flores, ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos, fez uma exposição para o presidente Itamar Franco e mais 14 ministros, mostrando a conveniência da adoção de um sistema de vigilância para a Amazônia. O encontro foi realizado no auditório do subsolo do Palácio do Planalto, em Brasília, para permitir a exibição de slides em um telão mostrando a situação da Amazônia.

Segundo nota oficial divulgada pela Presidência da República, o encontro teve o propósito de “apresentar a concepção técnica de um sistema de vigilância para a Amazônia”, composto por sensores (radares, monitoramento por satélite), comunicações e processamento de dados. O novo sistema teria a finalidade de inibir a prática de ilícitos, aumentar o controle das fronteiras e a segurança do tráfego aéreo e fluvial.

Fonte: Diário do Pará (Belém/PA), 13-06-1993

ONU premia Payakan

Em junho de 1990, a UNEP (Programa Ambiental das Nações Unidas) concedeu prêmios a 72 pessoas ou entidades que participaram da defesa do meio ambiente, o Global 500. Entre elas o índio brasileiro Paulinho Payakan, da tribo Kayapó, do Pará. O cacique atraiu a atenção do mundo com seus apelos simples contra a destruição da Amazônia.

O prêmio foi entregue em Nairóbi, a capital do Quênia, sede da UNEP. A entidade também deu postumamente o prestigioso prêmio internacional Sasakawa do meio ambiente para Chico Mendes, por sua luta pela preservação da Amazônia. Ele lutou desde 1975 até seu assassinato, em 1988, para impedir que fazendeiros derrubassem árvores ou queimassem floresta. A homenagem a Chico Mendes foi numa cerimônia especial na cidade do México.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 06-06-1990

Criada Mamirauá

Em 1990, o governo do Amazonas criou a Estação Ecológica do Lago Mamirauá (peixe-boi na língua tupi), com área de 1,2 milhão de hectares, equivalente a um quarto do território da Irlanda. Seria a maior reserva de floresta inundada do mundo, já que passa quase a metade do ano coberta ou semicoberta pelas águas da chuva e dos rios que a banham. A água chega a subir 12 metros, transformando todo o solo em viveiro para diversas espécies de peixes, fazendo esse ecossistema abrigar muitas espécies animais e vegetais.

Fonte: Jornal do Brasil (Rio de Janeiro/RJ), 01-05-1991

Inpe começa a combater queimadas

No final de junho de 1989, o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), de São José dos Campos, em São Paulo, deu início ao Programa de Combate às Queimadas no Brasil, atuando principalmente na Amazônia.

Através do programa, o Inpe passou a poder acionar o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) três horas após os satélites norte-americanos da série NOAA passarem sobre a região e fotografarem um princípio de incêndio.

A informação sai diretamente de Cachoeira Paulista, no Vale do Paraíba, onde o Inpe mantém uma estação que capta imagens de satélite, para a regional do Ibama mais próxima da queimada. A informação é retransmitida pelo Sistema Ciranda, da Embratel, que interliga computadores através de linhas telefônicas.

Os dados do Inpe passa riam a servir para o governo federal tentar impedir as queimas irregulares, não autorizadas por não disporem do Rima (Relatório de Impacto Ambiental). A vigilância de satélites é feita em quase todo o território brasileiro abaixo da linha do Equador, já que acima a estação de Cachoeira não capta mais imagens de satélite.

Fonte: O Estado de S. Paulo (S. Paulo/SP), 21-06-1989