O começo da Jari de Ludwig

Em outubro de 1967 o deputado federal Haroldo Veloso, da Arena do Pará, relator da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre terras de estrangeiros na Amazônia, comunicou ter recebido informações sobre a aquisição de dois milhões de hectares no vale do rio Jari, entre o Pará e o Amapá, pela empresa americana Bolt Carriers Co.

Embora não constasse nos arquivos do Ibra (Instituto Brasileiro de Reforma Agrária, antecessor do Incra) nenhum registro sobre a transferência de uma propriedade desse tamanho, moradores da região comunicaram ao parlamentar que a empresa realmente tinha se tornado dona dessas terras.

Ela as teria comprado a área em lotes menores ao longo de mais de um ano, até totalizar os dois milhões de hectares. A área era quatro vezes maior do que o então Estado da Guanabara. O DNPM (Departamento Nacional da Produção Mineral) considerava essa região promissora para diamante, ouro e cassiterita.

(Folha do Norte (Belém/PA), 31/10/67)

O ferro de Carajás

Em outubro de 1967 a Companhia Meridional de Mineração, subsidiária da United States Steel, dos Estados Unidos, anunciou, no Rio de Janeiro, a descoberta de ricas jazidas de minério de ferro na Serra dos Carajás, no município de Marabá, sul do Pará. Afloramentos pesquisados às proximidades do rio Itacaiúnas indicaram a existência de extensas faixas de minério de ferro em potencial, provavelmente um minério de tipo comercial, que poderia vir a ter exploração comercial, associado a outras ocorrências.

(Folha do Norte, Belém, PA, 01/11/1967)

Recorde de bauxita

Em 1995, a Mineração Rio do Norte produziu 8,4 milhões de toneladas de bauxita em sua mina no vale do rio Trombetas, município de Oriximiná, no Pará, faturando 170,9 milhões de reais. Foi a melhor marca que alcançou desde o início de sua operação, em 1979. Em 1996, a empresa bateu outro recorde: 9,6 milhões de toneladas de bauxita, com receita de R$ 235,3 milhões.

O crescimento se deveu à expansão do mercado interno, com a entrada de um novo consumidor de minério, a Alunorte, produtora de alumina, também no Pará, e da expansão da produção da Alumar, em São Luís do Maranhão. A Mineração Rio do Norte é uma das maiores produtoras de bauxita do mundo.

(O Liberal, Belém/PA, 03/07/1997)

O garimpo da Cutia

Em 1988 surgiu o garimpo da Cutia, no município de Curionópolis, no sul do Pará. Milhares de pessoas, muitas delas deslocadas do garimpo de Serra Pelada, às proximidades, já em decadência, foram atraídas pela notícia da descoberta de uma nova jazida de ouro.

Para poder reter o minério fino durante a lavagem do cascalho, os garimpeiros precisavam usar uma grande quantidade de mercúrio, que contaminou o único riacho da localidade, além de poluir o ar no momento da queima do metal. O garimpo, ocupando 150 hectares, evoluiu da mesma forma caótica de Serra Pelada, que surgiu em 1980.

(O Liberal, Belém/PA, 23/06/1988)

Garimpeiros atacam mineradora

Uma semana depois de terem invadido e destruído as instalações da empresa Oca Mineração, no município de Senador José Porfírio, no Pará, garimpeiros organizaram uma emboscada e feriram nove pessoas na área, em fevereiro de 1986. Três dos feridos eram agentes da Polícia Federal, um funcionário do DNPM e três funcionários da própria empresa.

Outros dois feridos foram uma mulher e seu cachorro, que haviam embarcado como caronas no carro alvo da emboscada. O ataque foi para tentar forçar a empresa a abandonar a lavra experimental de ouro que havia montado na área, na mina do Itatá.

(A Província do Pará, Belém/PA, 14/02/1986)

Contra o carvão vegetal

A Secretaria de Saúde Pública do Pará completou, em outubro de 1989, a desativação de 180 fornos produtores de carvão vegetal que funcionavam dentro da cidade de Marabá. Ao queimar a madeira, esses fornos poluíam a cidade com fumaça e fuligem, provocando irritação nos olhos, infecções respiratórias e reações dermatológicas na população.

Dez serrarias operavam esses fornos, fornecendo carvão para as usinas das empresas Cosipar e Simara. Para produzir 180 toneladas diárias de ferro-gusa, elas consumiam 144 toneladas de carvão vegetal. Com o aumento da capacidade de produção ainda no final daquele ano, o consumo de carvão subiria para duas mil toneladas/dia.

(O Liberal, Belém/PA, 23/10/1988)