Kayapós expulsam garimpeiros

Cerca de 200 índios kayapó, da aldeia Gorotire, no sul do Pará, expulsaram cinco mil garimpeiros que ocupavam o garimpo Maria Bonita, e Redenção, agindo de surpresa, no dia 1º de abril de 1985. Os índios reclamavam do não pagamento do dízimo da exploração do ouro pela Caixa Econômica Federal. Ante a iminência de um conflito, o governo mobilizou até um avião Búfalo para evacuar os garimpeiros da área, situada no interior da reserva indígena. A maioria dos garimpeiros ficou em Redenção.

(O Liberal, Belém/PA, 12/04/1985)

Descoberta de bauxita

Em fevereiro de 1974, a Ethyl Corporation anunciou em Richmond, na Virgínia (EUA), a descoberta de um grande depósito de bauxita na região amazônica, através de sua subsidiária brasileira, a empresa Santa Rita de Mineração Limitada. A Ethyl informou ainda que os estudos de avaliação e de engenharia de pesquisa ainda exigiriam pelo menos dois anos de trabalho, tal a extensão e a profundidade da jazida descoberta. Mas não deu indicação sobre a localização exata da ocorrência.

(O Estado de S. Paulo, São Paulo/SP, 26/02/1974)

Primeira hidrelétrica

Na década de 1960 o Amapá começou a construir a primeira hidrelétrica da Amazônia, a Usina Coaracy Nunes, no rio Araguari. Grande parte dos recursos para a obra provinha dos royalties pagos pela Icomi (Indústria e Comércio de Minérios), pela extração e exportação de manganês da jazida de Serra do Navio, no então território federal (hoje Estado).

O Plano Diretor de Desenvolvimento da Amazônia para o quinquênio 1967/71 previu verbas para a construção da usina, mas o dinheiro não foi liberado, atrasando o cronograma das obras. Em 1968 o deputado Janary Nunes, da Arena do Amapá, pediu a inclusão da usina no plano estratégico de desenvolvimento do governo Costa e Silva (1968/70).

Nessa época, a exploração do manganês, iniciada em 1957, já havia proporcionado 300 milhões de dólares em divisas para o país, segundo o parlamentar.

Para que a primeira etapa da hidrelétrica, de 40 megawatts, pudesse ser concluída, seriam necessários o equivalente a US$ 26 milhões. Duas das turbinas já haviam sido adquiridas no Japão, com financiamento de longo prazo.

A casa de máquinas podia receber uma terceira turbina, elevando a capacidade da usina para 60 MW. Mas ela tinha potencialpara chegar a 100 MW numa etapa final, ou mesmo a 400 MW, com a regularização do Araguari a montante.

O consumo de energia do Amapá era então de 18 MW, sendo 10 MW em Macapá, 6 MW pelo projeto de manganês da Icomi e 2 MW pela fábrica de compensados da Brumasa. Toda a potência energética instalada na região norte era de 132 MW, de fonte termelétrica.

(Folha do Norte, Belém/PA, 06/08/1968)

Morte entre garimpeiros

Doze garimpeiros morreram e cerca de 10 ficaram feridos em dois tiroteios ocorridos em novembro de 1989, nos garimpos da região de Parima, em Roraima, região habitada pelos índios Yanomami. Os tiroteios foram provocados por desavenças entre os próprios garimpeiros, em incidentes envolvendo mulheres e bebidas.

(Folha de S. Paulo, São Paulo/SP, 24/11/1989)

Os japoneses e o ouro

Em agosto de 1989, a firma Rio Amazonas Representações, do economista japonês Akio Miyake, assinou convênio com a Bishmetal Exploration, subsidiária da Mitsubish Metal Company, e o Sindicato Nacional dos Garimpeiros, para o fornecimento de tecnologia de exploração do ouro de Serra Pelada, no Pará, e administração da compra de ouro.

Uma equipe de técnicos da Bishmetal esteve no garimpo fazendo levantamentos nos rejeitos da extração manual, onde ainda seria possível fazer a recuperação do ouro através de uma mina, que custaria 15 milhões de dólares.

O projeto foi apresentado na época ao governo federal, mas não evoluiu, até que o jornal O Globo, do Rio de Janeiro, o apresentou – em fevereiro de 1990 – como parte de um projeto ainda mais amplo para os japoneses comprarem a dívida externa brasileira em troca do direito de explorar todas as jazidas de ouro existentes na Amazônia. As reservas medidas de ouro do Brasil eram, na época, de 1.500 toneladas, colocando-o em quinto lugar no “ranking” mundial.

Vários técnicos, porém, consideravam que as reservas podiam chegar a 33 mil toneladas, superiores às da África do Sul. Em 1987 a produção oficial de ouro no Brasil foi de 35,8 toneladas, inferior às da África do Sul, União Soviética, Estados Unidos, Canadá, Austrália e China.

Técnicos do DNPM (Departamento Nacional da Produção Mineral) achavam, entretanto, que a produção declarada dos garimpos era apenas 20% da produção efetiva. Havia no Brasil 17 áreas reservadas à garimpagem legal, com uma população de 283.800 pessoas.

(O Globo, Rio de Janeiro/RJ, 06/02/1990)

Polícia prende polícia

O delegado da polícia civil do Pará no garimpo de Serra Pelada, Édson Oliveira Ferreira, e os investigadores Paulo Gomes da Silva e José Silva, foram presos, em dezembro de 1987, por um delegado e quatro agentes da Polícia Federal. Ao ser preso e algemado, o delegado estava com uma substância conhecida como bucha, que era vendida na região como se fosse ouro por sua semelhança com o metal.

Os agentes federais, armados de metralhadora, acusaram o delegado da polícia civil de enganar os garimpeiros, prendendo-o, junto com os investigadores, no quartel do 4º Batalhão da Polícia Militar, em Marabá. No mesmo dia os três foram soltos, graças a um mandado judicial, e retornaram a Serra Pelada.

O comandante da PM, tenente-coronel Reinaldo Pessoa Chaves, disse que a prisão fora ilegal porque a bucha estava dentro de uma repartição pública, depois de ter sido apreendida pelo delegado, que a mantivera guardada à espera de reclamação/ Atribuiu o incidente à “incompatibilidade que sempre existiu entre as polícias federal e estadual”.

(O Liberal, Belém/PA, 22/12/1987)

Índios na ferrovia

No dia 18 de agosto de 1985, um grupo de índios nômades apareceu no quilômetro 356 da ferrovia de Carajás, entre os municípios de Santa Inês e Açailândia, no Maranhão. Eles atacaram os trabalhadores de uma empreiteira que atuava na ferrovia, ferindo um tratorista. Os Guajás, que moravam a 100 quilômetros do local do ataque, disseram que os índios eram os Mihua.

(O Liberal, Belém/PA, 03/09/1985)