Ouro de aluvião no Madeira

O ouro de aluvião foi descoberto no rio Madeira em 1977. De 8 mil a 10 mil garimpeiros passaram a ocupar, todos os anos, 200 quilômetros de margens do rio, entre as vilas de Jaci-Paraná e Abunã, em Rondônia, extraindo ouro entre maio e novembro, período no qual as águas do Madeira baixam.

Fonte: O Estado de S. Paulo (S. Paulo/SP), 31-07-1985

Cassiterita de Rondônia

Em 1987, a Companhia Estanífera Brasileira (Cesbra) e a Companhia de Mineração Jacundá foram responsáveis por 1,94% da produção mineral brasileira e 14,8% da produção nacional de estanho. As duas empresas eram controladas pela holding Cesbra – Administração e Participações, por sua vez com o controle dividido em partes iguais pela empresa canadense Brascan Brasil e pela inglesa British Petroleum Mineração. A Cesbra, através da Jacundá, lavrava cassiterita na região de Santa Bárbara, em Porto Velho, Rondônia.

Fonte: Gazeta Mercantil (São Paulo/SP), 02-02-1988

Tamanho da Vale no Pará

Em 1992, os investimentos da Companhia Vale do Rio Doce no Pará somavam pouco mais de 5,5 bilhões de dólares, aos quais seriam acrescidos, nos cinco anos seguintes, mais US$ 1,56 bilhão na implantação de três novos projetos: a fábrica de alumina da Alunorte, em Barcarena; o caulim de Ipixuna e o cobre do Salobo, em Carajás.

Aos empregos e rendas que o sistema CVRD possibilitava, direta ou indiretamente, a 50 mil pessoas no Estado, seriam aduzidos, por esses novos empreendimentos, 12.350 novos empregos diretos, na fase de implantação, e 10.300, diretos e indiretos, na fase de operação.

Em 1992, a Vale, por suas controladas e coligadas, gastou US$ 144 milhões no Pará, sendo US$ 80,7 milhões de impostos, que representaram um quarto de toda a receita tributária estadual, e US$ 63,4 milhões em compras e serviços, não incluindo nesse total as aplicações da Fundação Vale do Rio Doce e da Alunorte, que na época se encontrava paralisada.

Carajás foi a maior fonte de impostos naquele ano, com US$ 41 milhões, vindo depois a Albrás, com US$ 21 milhões, e a Mineração Rio do Norte, com US$ 18 milhões. Em compras e serviços, os gastos foram de US$ 32 milhões pela Albrás, US$ 23 milhões por Carajás e US$ 6,6 milhões pela Mineração Rio do Norte.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 11-04-1993

Polo florestal em Carajás

No final de 1991 o Congresso Nacional aprovou, em regime de urgência urgentíssima, o projeto do governo que autorizou a Companhia Vale do Rio Doce a implantar o primeiro grande projeto florestal-industrial na região da ferrovia de Carajás.

O projeto previa então o reflorestamento de 110 mil hectares e a produção de 420 mil toneladas de celulose de fibra curta, em uma usina a ser localizada no Maranhão, com investimento direto de 242 bilhões de cruzeiros (valor da época), gerando mais de seis mil novos empregos, dos quais 3.300 diretamente vinculados ao sistema operacional (florestas e indústria).

Fonte : Diário do Pará (Belém/PA), 26-01-1992

Vale lucra em 1991

A Companhia Vale do Rio Doce faturou, em 1991, quase 2,4 bilhões de dólares, 5,5% a mais do que no ano anterior, dos quais US$ 1,4 bilhão com a venda de 67 milhões de toneladas de minério de ferro. O lucro líquido da empresa ficou abaixo de US$ 300 milhões, mas foi quase três vezes maior do que o de 1990. Seu endividamento líquido era de US$ 1,5 bilhão. Ela investiu US$ 222 milhões em 1991, principalmente comprando equipamentos mais modernos para reduzir custos.

Fonte : Folha de S. Paulo (São Paulo/SP), 26-01-1992

Japoneses prospectam negócios com ouro

Em 1982, técnicos da Bishimetal Exploration Co. Ltd., subsidiária da Mitsubish Metal Corporation, iniciaram um levantamento geral das reservas minerais brasileiras. Um dos trabalhos contidos nesse levantamento era a avaliação do potencial das jazidas de ouro. Importando mais de 300 toneladas de ouro anualmente, o Japão tinha interesse em buscar novas fontes de suprimento.

O objetivo da Mitsubish, no entanto, não seria fazer diretamente a exploração, mas apenas intermediar a atividade, atuando como firma de consultoria sobre recursos naturais. O trabalho fazia parte do programa japonês de ajuda externa ao desenvolvimento, o Ovserseas Development Aid. As áreas visadas na Amazônia eram os distritos de mineração de Serra Pelada, Cymaru e Tapajós, no Estado do Pará.

Fonte: O Globo (Rio de Janeiro/RJ), 06-02-1990

Japoneses de olho no ouro da Amazônia

Em fevereiro de 1990, o jornal O Globo, do Rio de Janeiro, revelou que um grupo de investidores privados japoneses pretendia apresentar ao presidente eleito Fernando Collor um projeto para a compra, com deságio, de toda a dívida externa brasileira, em troca do direito de explorar as jazidas de ouro existentes na Amazônia. A dívida, de 115 bilhões de dólares, poderia ser adquirida por US$ 46,5 bilhões, com deságio de 70%. Os depósitos de ouro da Amazônia foram avaliados preliminarmente em US$ 260 bilhões.

Sob rigoroso sigilo, a Mitsubish teria começado a estudar o projeto em 1987, liderando um grupo de investidores, ao qual se associou um consultor nacional, o economista Akio Miyake, dono da Rio Amazonas Representações Ltda.

Segundo o jornal, a Mitsubish confirmou querer encarregar-se da prospecção de urânio na área do rio Fresco, no sul do Pará, e estudar a viabilidade de criar uma associação com a Cooperativa dos Garimpeiros de Serra Pelada e participar de subsidiárias dos governos federal e do Pará, num empreendimento para recuperar o ouro contido nos rejeitos abandonados no garimpo.

Fonte: O Globo (Rio de Janeiro/RJ), 04-02-1990

Fábrica de caulim no Pará

Em 1992, o Conselho Deliberativo da Sudam aprovou o projeto da Rio Capim Caulim, no qual a Construtora Mendes Júnior se dispunha a investir 120 milhões de dólares para produzir um milhão de toneladas anuais de caulim, a partir de jazidas localizadas em São Domingos do Capim, no Pará, com reserva de 120 milhões de toneladas. O empreendimento deveria entrar em produção em 1995, gerando 500 empregos diretos e possibilitando faturamento anual de US$ 120 milhões.

Em 1993, a Mendes Júnior assinou uma carta de intenções e um acordo de cooperação com a empresa alemã AKW (Amberger Kaolinwerke GmbH), para possibilitar que 90% da produção fosse exportada. A AKW liderava um conglomerado de empresas que produzem a cada ano 400 mil toneladas de caulim, com faturamento superior a US$ 250 milhões, comercializando na Europa um total de 700 mil toneladas do produto.

Fonte : Gazeta Mercantil (São Paulo/SP), 21-09-1993

BP desmata em Rondônia

Em junho de 1989, o jornal inglês Sunday Times denunciou a empresa British Petroleum, também da Inglaterra, por desmatar 100 mil hectares dentro da Floresta Nacional do Jamari, em Rondônia. O delegado regional do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), Luis Alberto Cantanhese, desmentiu imediatamente a acusação.

Segundo ele, o desmatamento atingiu apenas 1.500 hectares, em área onde a mineradora fazia a lavra de cassiterita. A empresa começou o desmatamento em 1963, logo depois de ter-se instalado na área, mas a lavra de cassiterita só foi iniciada em 1969.

A Floresta Nacional do Jamari foi criada em setembro de 1984, quatro anos depois que o órgão antecessor do Ibama, o extinto IBDF (Instituto Brasileiro do Desenvolvimento Florestal) se implantou em Rondônia. O IBDF só montou uma base física na floresta em 1985 e até 1987 os desmatamentos prosseguiram.

Se a denúncia do jornal inglês fosse verdadeira, a subsidiária da British Petroleum teria destruído quase metade da Floresta, que tem área de 235 mil hectares. A BP recebeu do DNPM concessão para lavra de cassiterita em 59.527 hectares.

Fonte: O Estado de S. Paulo (S. Paulo/SP), 21-06-1989

Venda de bauxita à Alcoa reexaminada

Em novembro de 1980, o ministro das Minas e Energia, César Cals, determinou ao DNPM (Departamento Nacional da Produção Mineral) que reexaminasse a venda que a Mineração Santa Patrícia (do grupo Jari), de propriedade do milionário americano Daniel Ludwig, estava fazendo à Alcoa de direitos sobre uma jazida de bauxita no vale do rio Trombetas, município de Oriximiná, no Pará.

O ministério decidiu fazer o reexame ao saber que a Alcoa, já detentora de uma jazida na mesma área, ficaria com mais de 10% das reservas nacionais de bauxita se assumisse o controle dos direitos da Santa Patrícia.

Fonte: Jornal da Tarde (S. Paulo/SP), 19-07-1980