Polícia prende polícia

O delegado da polícia civil do Pará no garimpo de Serra Pelada, Édson Oliveira Ferreira, e os investigadores Paulo Gomes da Silva e José Silva, foram presos, em dezembro de 1987, por um delegado e quatro agentes da Polícia Federal. Ao ser preso e algemado, o delegado estava com uma substância conhecida como bucha, que era vendida na região como se fosse ouro por sua semelhança com o metal.

Os agentes federais, armados de metralhadora, acusaram o delegado da polícia civil de enganar os garimpeiros, prendendo-o, junto com os investigadores, no quartel do 4º Batalhão da Polícia Militar, em Marabá. No mesmo dia os três foram soltos, graças a um mandado judicial, e retornaram a Serra Pelada.

O comandante da PM, tenente-coronel Reinaldo Pessoa Chaves, disse que a prisão fora ilegal porque a bucha estava dentro de uma repartição pública, depois de ter sido apreendida pelo delegado, que a mantivera guardada à espera de reclamação/ Atribuiu o incidente à “incompatibilidade que sempre existiu entre as polícias federal e estadual”.

(O Liberal, Belém/PA, 22/12/1987)

Índios na ferrovia

No dia 18 de agosto de 1985, um grupo de índios nômades apareceu no quilômetro 356 da ferrovia de Carajás, entre os municípios de Santa Inês e Açailândia, no Maranhão. Eles atacaram os trabalhadores de uma empreiteira que atuava na ferrovia, ferindo um tratorista. Os Guajás, que moravam a 100 quilômetros do local do ataque, disseram que os índios eram os Mihua.

(O Liberal, Belém/PA, 03/09/1985)

Disputa no garimpo

Em agosto de 1986, 200 soldados da Polícia Militar do Pará deram cumprimento a um mandado judicial de reintegração de posse e expulsaram 400 garimpeiros do garimpo Machadinho, no município de Santana do Araguaia. A ordem foi em favor de Limério Antônio da Costa Filho, proprietário da Mineradora Morada da Prata, que reclamava o domínio do garimpo. Durante os sete anos em que vinham trabalhando no local, os garimpeiros entregavam 10% do ouro a Limério, que entrou na justiça contra três dos seus empregados, conseguindo a reintegração de posse.

(O Liberal, Belém/PA, 28/08/1986)

Produção de bauxita da MRN

Em 1990, a Mineração Rio do Norte produziu oito milhões de toneladas de bauxita, extraídas de sua mina no vale do rio Trombetas, no Pará, faturando 250 milhões de dólares. Para o mercado externo, que consome bauxita seca por causa das dificuldades de estocar minério durante o inverno, o preço, estabelecido em 1988, era de US$ 28,50 a tonelada.

No mercado interno, que recebe bauxita úmida, o preço era de US$ 24,50 por tonelada. As exportações da MRN, controlada pela Companhia Vale do Rio Doce, com 46% das ações, foram feitas para o Canadá, Estados Unidos e Trinidad-Tobago

(Gazeta Mercantil, São Paulo/SP, 13/03/1991)

Caulim do Jari

 

A Caulim da Amazônia S/A (Cadam), a maior produtora de caulim da América Latina, comercializou, em 1990, 340 mil toneladas de caulim “amazon 99”, faturando 53,2 milhões de dólares. Para o mercado externo foram 301 mil toneladas e internamente (com demanda estimada em 500 mil toneladas) foram vendidas 39 mil toneladas.

Em 1991, a Cadam iria produzir 385 mil toneladas. A empresa, subsidiária da Companhia do Jari, era então controlada pelo empresário Augusto Trajano de Azevedo Antunes. A reserva que explora, no Morro do Felipe, no Amapá, era de 500 milhões de toneladas.

No Brasil todo, quarto maior produtor mundial, as reservas somavam 2,5 bilhões de toneladas. A oferta mundial de caulim era de pouco mais de 22 milhões de toneladas. Com um total de 14 milhões de toneladas, Estados Unidos, Inglaterra e a ex-União Soviética controlavam mais de 60% da oferta mundial.

(Gazeta Mercantil, São Paulo/SP, 16/02/1991)

Roraima: garimpeiros e índios

A Funai gastou mais de 200 milhões de cruzeiros (valor da época) ao longo de 1990 na execução da Operação Yanomami, para a retirada de milhares de garimpeiros da área indígena, em Roraima, e explodir mais de 60 pistas clandestinas de aviação.

A operação envolveu ainda o Exército, a Força Aérea Brasileira, a Polícia Federal e o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). Mas a ofensiva não teve continuidade e os garimpeiros voltaram à área, recuperando as pistas destruídas.

(Jornal do Brasil, Rio de Janeiro/RJ, 21/01/1991)

O manganês do Amapá

A Icomi (Indústria e Comércio de Minérios), do grupo Azevedo Antunes, produziu 565 mil toneladas de manganês na mina de Serra do Navio, no Amapá, em 1990. Foram exportadas 482 mil toneladas de minério e vendidas no mercado interno 83 mil toneladas.

O faturamento com a exportação foi de 41,1 milhões de dólares, enquanto as vendas internas foram de US$ 7,1 milhões. As reservas mundiais de manganês estavam estimadas então em quase 16 bilhões de toneladas, sendo 240 milhões no Brasil, distribuídas entre Mato Grosso (40%), Pará (34%) e Amapá.

(Gazeta Mercantil, São Paulo/SP, 01/03/1981)