O manganês de Urucum

Os Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul venderam à Companhia Vale do Rio Doce, em outubro de 1994, pelo equivalente a 14,6 milhões de dólares, os 46,66% das ações da Urucum Mineração S/A, que ainda detinham.

O valor era inferior ao faturamento previsto para aquele ano pela Urucum, detentora da maior jazida de manganês do país, situado em Corumbá, no Mato Grosso do Sul. Na partilha da renda da alienação, 60% ficou com o governo do norte e 40% com o do sul. Até então, os dois Estados vinham litigando em torno dos direitos sobre a jazida.

Com a aquisição da jazida de Urucum, com depósitos calculados em 70 milhões de toneladas de manganês, a CVRD se tornava praticamente monopolista desse minério no Brasil. A empresa já era dona da jazida de Carajás, com 60 milhões de toneladas.

O ex-governador de Mato Grosso, José Fragelli, propôs ação popular na justiça contra a transação. Alegou que a jazida, com os equipamentos e as plantas de mineração e beneficiamento, valeria pelo menos US$ 170 milhões.

Fonte: O Estado de S. Paulo (São Paulo/SP), 06/10/1994

Kayapós contra mineradoras

Em outubro de 1990, 40 índios kayapós da aldeia Kokraimoro, armados, invadiram as sedes das mineradoras São Francisco e Canopus, no município de São Félix do Xingu, no Pará.

Pintados para a guerra, os índios exigiam que as duas empresas lhes pagassem royalties pela exploração de cassiterita, embora estivessem atuando fora da área da reserva kayapó, com 3,2 milhões de hectares. As duas mineradoras se instalaram na área na década de 1970, explorando as minas de cassiterita Mocambo, Bom Jardim e Iriri.

A Rhodia negociou seus direitos minerários sobre as minas com a Caeté Participações, grupo de São Paulo, que tinha na época como um de seus sócios o secretário de planejamento da Presidência da República, Marcos Fonseca. Os índios se irritaram porque a empresa suspendeu o fornecimento de alimentos, medicamentos e combustível que lhes fazia.

Fonte: Jornal do Brasil (Rio de Janeiro/RJ), 26/10/1990

A constituição da Albrás

A Albrás (Alumínio do Brasil), localizada a 40 quilômetros de Belém, no Pará, no município de Barcarena, resultou de uma associação da Companhia Vale do Rio Doce, detentora de 51% do capital, com 32 empresas japonesas, reunidas no consórcio Nippon Amazon Aluminium (NAAC), com os restantes 49% das ações.

Toda a produção da Albrás, então de 345 mil toneladas de alumínio primário, na forma de lingote, se destinava à exportação. Com o aquecimento da demanda brasileira por alumínio, em 1994, nesse ano cinco mil toneladas foram comercializadas no mercado interno. Outra empresa de alumínio, controlada pela Aluvale, a holding da CVRD para o setor, a Valesul, do Rio de Janeiro, não conseguiu atender todos os pedidos dos seus clientes com suas 93 mil toneladas de produção.

Fonte: Gazeta Mercantil (São Paulo/SP), 25/04/1995

A busca pelo carvão

Em 1968, o Idesp (Instituto do Desenvolvimento Econômico Social do Pará), órgão do governo estadual (já extinto), assinou um convênio com a Comissão do Plano do Carvão Nacional. A Cepican repassou ao instituto 70 mil cruzeiros novos (valor da época) para o prosseguimento das pesquisas carboníferas que vinha realizando no vale do rio Fresco, no sul do Estado.

Os trabalhos começariam em agosto daquele mesmo ano e se prolongariam ao longo do primeiro semestre de 1969. O material coletado em campo seria analisado em laboratórios do sul do país, por impossibilidade de realizar esse serviço no próprio Pará. Um geólogo da Cepican acompanharia os trabalhos dos geólogos paraenses.

Fonte: Folha do Norte (Belém/PA), 18/08/1968

Projetos de mineração

Em 1968, o DNPM (Departamento Nacional da Produção Mineral) anunciou que iria executar seis projetos de pesquisa mineral na Amazônia. Seriam:

1) Projeto Grão-Pará, objetivando a busca de materiais de construção nas imediações de Belém.

2) Projeto Cobre, a ser executado no município de São Félix do Xingu, no Pará. Nessa área havia a possibilidade de mineralização de cobre e chumbo.

3) Projeto Xingu, numa área de 50 mil quilômetros quadrados, abrangendo a bacia do rio Fresco, afluente do Xingu, onde se acreditava na mineralização de sulfetos, especialmente cobre.

4) Projeto Trombetas-Maecuru [ou Maicuru], em áreas de quatro municípios da margem esquerda do rio Amazonas, no Pará (Óbidos, Alenquer, Oriximiná e Monte Alegre), para estudar as ocorrências de galena, barita, prata, cristal de rocha, ouro e argilas, mas também a possibilidade de existir áreas sulfetadas.

5) Projeto Baixo Rio Negro-Jatapu, para a verificação da presença de cromita, talco, rutilo, ilmenita, ouro, grafita, cinábrio, ferro e manganês nas bacias dos rios Preto, da Erva, Uatumã, Jatapu e Urubu, todos na margem esquerda do rio Amazonas, no Estado do Amazonas.

6) Projeto Tapajós, numa área de 40 mil quilômetros quadrados, na drenagem dos rios Tapajós e Jamanxim, no Pará, tendo ouro e cassiterita como objetivos principais.

Fonte: Folha do Norte (Belém/PA), 30/08/1968

Japão interessado no mercúrio

O uso de mercúrio na Amazônia foi proibido pelo governo federal em 1989, por representar um grande perigo para todas as formas de vida, mas o produto continuou a ser empregado nos garimpos da região. Em 1993 a CPRM (Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais) anunciou, em Manaus, os primeiros resultados de uma pesquisa que constatara a presença de mercúrio em teores acima dos normais em peixes do Madeira, rio que corta os Estados do Amazonas e Rondônia.

O problema interessou o Instituto Nacional de Pesquisas Ambientais do Japão, que assinou um convênio com o DNPM (Departamento Nacional da Produção Mineral) para estudar a presença do mercúrio na região.

Fonte: Jornal do Brasil (Rio de Janeiro/RJ), 03/01/1993