Desfeita a venda de Carajás

Em 1977, o governo do Pará teve que interromper um processo de venda das terras de Carajás à Companhia Vale do Rio Doce porque a área, antes sob jurisdição estadual, havia, alguns meses antes, sido federalizada com a decisão do presidente Ernesto Geisel de prolongar – em projeto – a BR-158, de São Félix do Araguaia, em Mato Grosso, até Altamira, no Pará.

Outra irregularidade foi constatada no processo: a CVRD requereu por compra uma área de 451.200 hectares, na qual implantaria seu projeto de mineração de ferro. O valor foi calculado pelo Iterpa (Instituto de Terras do Pará) em 137 milhões de cruzeiros (valor da época).

Ao examinar a área, entretanto, os técnicos do instituto excluíram 39 mil hectares, por serem terras sob o domínio da União. Mas não reduziram o valor original da venda, resultando diferença de mais de 9 milhões de cruzeiros. Além da identificação do destino dado a esse excesso, foi questionado o adiantamento de 30% que a Vale pagou por conta da operação, dinheiro não devolvido depois que o negócio foi desfeito.

Fonte: O Estado de S. Paulo (SP), 14-04-1977

Venda de Carajás à Vale

Em 1975, a Companhia Vale do Rio Doce requereu por compra uma área de terras em Carajás, no sul do Pará, para implantar seu projeto de mineração de ferro. Em outubro de 1977, o então governador Aloysio Chaves autorizou o Instituto de Terras do Pará a fazer a venda. Três meses antes, o presidente Ernesto Geisel havia baixado decreto autorizando o prolongamento da BR-158, o que provocaria a federalização de 98% da área de Carajás que estava sendo negociada. O governador paraense tentou manter a transação, considerando-a uma forma de indenização pelos prejuízos causados ao Estado.

Fonte: O Estado de S. Paulo (SP), 18-03-1977

Taxação de bauxita

Em 1974, o governo da Guiana seguiu o exemplo da Jamaica e elevou o valor dos impostos sobre a bauxita. Só naquele ano,  Reynolds – uma das integrantes do cartel do alumínio – deveria pagar pela extração do minério 8 milhões de dólares, mas a empresa só reconhecia US$ 5,3 milhões. Pressionada, recorreu ao Tribunal Superior. A multinacional alegava que já investira US$ 20 milhões na mina e gastara US$ 10,3 milhões ao ano com o pagamento de salários a mil empregados.

(Arquivo Pessoal, 1974)

Primeiro embarque de Carajás

A 30 de abril de 1985, a Companhia Vale do Rio Doce realizou, pelo porto de Ponta da Madeira, no Maranhão, o primeiro embarque de minério de ferro oriundo da Serra de Carajás, no Pará. A carga foi embarcada para o Japão no navio Docevirgo, da Docenave, subsidiária da CVRD.

O minério foi extraído de uma jazida com reservas estimadas em 18 bilhões de toneladas, representando uma parcela das 35 milhões de toneladas anuais que a empresa iria produzir, esperando com isso alcançar receita anual de 700 milhões de dólares.

Fonte: O Liberal (Belém), 30-04-1985.

Padre se diz perseguido

O missionário xaveriano Ângelo Pansa ficou desaparecido entre 14 e 22 de abril de 1985 nas matas do Curuá, afluente do rio Iriri, no Pará. O padre se disse perseguido por pistoleiros da empresa de segurança Sacopã, contratados pela Brasinor, mineradora ligada à Carbonífera Criciúma, de Santa Catarina, que extraía ouro na região nessa época.

Pansa disse que se tornou incômodo por defender as pessoas que a Brasinor pretendia expulsar da área de seu interesse, o que estava levando a conflitos com moradores locais, entre eles índios kayapó da reserva Baú e Chipaias-Curuaias.

Muitos moradores já tinham sido expulsos de suas terras. Pansa procurou defendê-los e foi perseguido, internando-se na mata durante oito dias para escapar.

Fonte: O Liberal (Belém), 30-04-1985.

O fim do manganês do Amapá

Em 1991, a Icomi (Indústria e Comércio de Minérios) e a Universidade de São Paulo começaram a implantar um campus de pesquisa em Serra do Navio, no Amapá. O objetivo era estudar os efeitos da exploração de minério no local, onde a Icomi começou a atuar na década de 1950.

O contrato de arrendamento sobre os três mil hectares onde foi instalada a mina tinha prazo para se encerrar em 2003, mas o esgotamento do minério de mais alto teor já havia provocado uma redução no nível de produção. Em 1991, foram extraídas 100 mil toneladas de manganês, para uma média em anos anteriores de 500 mil toneladas.

Fonte: O Liberal (Belém), 09-04-1991.

A bauxita de Paragominas

Em 1991, a Companhia Vale do Rio Doce e a Companhia Paraibuna de Metais criaram a Companhia de Mineração Vera Cruz para explorar as reservas de bauxita de Paragominas, no Pará. Na nova empresa, a Paraibuna, segunda maior produtora de metais de zinco do país, e o grupo Ficap (de fios e cabos) dividiriam em partes iguais 64% das ações da Vera Cruz, ficando os outros 36% com a CVRD.

Originalmente, os depósitos de bauxita pertenciam ao grupo inglês Rio Tinto Zinc (RTZ), que os transferiu à Vale. O projeto, no valor de 10 milhões de dólares, previa a produção de 80 mil toneladas anuais de bauxita refratária, a ser escoada através da ferrovia de Carajás, pela estação de Açailândia, no Maranhão.

 Fonte: Gazeta Mercantil (SP), 16-05-1991.