Fim do garimpo de cassiterita

O minério de cassiterita foi encontrado pela primeira vez no Brasil em 1952, em Rondônia (na época, Território Federal do Guaporé). Mas o território só passou a ter produção mais significativa do minério em 1962, quando alcançou 678 toneladas, contra 35 toneladas no ano anterior. Outro grande salto ocorreu em 1965, para quase 2,5 mil toneladas. Com isso, legiões de garimpeiros foram atraídos para a região, passando a ser a base da produção do minério.

Em abril de 1970, o governo federal decidiu proibir a garimpagem  na província estanífera de Rondônia, que compreendia todo o Território e parte dos Estados do Amazonas, Mato Grosso e Pará (embora a produção, representando 90% do todo nacional, concentre-se em 10 mil quilômetros quadrados de Rondônia).

Pouco mais de um ano depois, em autêntica operação militar, o governo retirou 30 mil pessoas dos garimpos. O impacto foi grande: o contingente representava 20% dos 145 mil habitantes de Rondônia. Não por acaso, um defensor da garimpagem, Jerônimo Santana, foi o único deputado federal (do MDB) eleito pelo Território.

As empresas substituíram os garimpeiros, algumas delas associadas a multinacionais e grandes produtores internacionais do setor (Sanchez Galdeano, Patiño e Billiton). Apenas a Aripuanã, de Otávio Lacombe, permaneceu exclusiva. A Cesbra (Companha Estanífera do Brasil) gastou 600 mil dólares para trazer uma grande draga do Canadá. Três outras empresas nacionais se associaram para formar a Companhia Industrial Amazonense (CIA), no distrito industrial de Manaus.

A capacidade das reservas amazônicas de estanho era calculada então em cinco milhões de toneladas. Em função dessa expectativa, a capacidade de fundição instalada chegou a 13.300 toneladas, equivalente a 7% da capacidade mundial e muito acima do consumo brasileiro. O minério brasileiro é melhor em teor, pureza e condições de exploração (a céu aberto) do que o minério boliviano.

Fonte: Visão (São Paulo/SP), 31/12/1971

Satélite acompanha desmatamento

No primeiro semestre de 1977, a Sudam (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia) começou a receber as imagens do satélite norte-americano Landsat, captadas pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). De 18 em 18 dias o satélite cobria todo o território amazônico. Com essas imagens, a Sudam começou a monitorar o desmatamento na região, um problema que atraiu a atenção do governo depois de denúncias sobre extensas queimadas que a Volkswagen estaria fazendo em sua fazenda de 140 mil hectares, no sul do Pará, fotografadas pelo satélite.

FONTE: O Estado de S. Paulo (São Paulo/SP), 27/08/1977

Recuperação de área degradada

Em 1992, a empresa japonesa Eidai do Brasil iniciou o projeto Experiência de Recuperação de Área Degradada, implantado em três áreas. Uma, ao lado da sua fábrica, no distrito industrial de Icoaraci, na Grande Belém. As outras duas em Breves e Igarapé-Açu, todas no Pará.

O projeto pioneiro foi ao lado da fábrica: uma área de cinco hectares, totalmente degradada pela retirada de aterro, foi recomposta com o rejeito da produção de compensado, que chegava a 70 mil metros cúbicos anuais, comercializados no exterior.

Recomposto o solo com toneladas de serragem, cascas de árvores e outros materiais, foram plantadas 120 mil mudas de diversas espécies florestais amazônicas, como cedro, sumaúma e virola. O investimento inicial do experimento foi de 120 mil dólares.

Fonte: Diário do Pará (Belém/PA), 05/03/1995

MRN começa

A Mineração Rio do Norte começou a operar comercialmente em agosto de 1979, depois de um investimento de 400 milhões de dólares (valor da época). O Banco da Amazônia investiu US$ 60 milhões.

A jazida tinha 500 milhões de toneladas de bauxita, o suficiente para 100 anos, para uma produção de 5 milhões de toneladas por ano.As pesquisas geológicas da canadense Alcan foram iniciadas em 1963. Quatro anos depois ela fizera a cubagem da jazida.

O projeto foi suspenso em 1972 e retomado dois anos depois, com um novo acordo de acionistas. A Internacional de Engenharia elaborou o projeto. A Andrade Gutierrez ficou com as obras civis. Subempreitou parte dos serviços  para Cemsa, Brasília guaíba, Engesub e Geotécnica. As obras civis começaram em 1º de abril de 1976.

A empresa criou 1.300 empregos diretos e implantou uma vila residencial para 4 mil moradores.

(Arquivo pessoal, 1979)

Reformulação do projeto de bauxita

Em 1974, a Mineração Rio do Norte reformulou seu projeto para o aproveitamento econômico das jazidas de bauxita do vale do rio Trombetas, no Pará, com 500 milhões de toneladas de minério. O projeto original foi elaborado pela empresa canadense Alcan, que possuía sozinha o empreendimento.

A Companhia Vale do Rio Doce, ao se associar ao empreendimento, criou uma nova empresa, a Valenorte, que ficou encarregada de realizar os novos estudos de viabilidade. Para uma produção de 3,35 milhões de toneladas de bauxita, que seria alcançada em 1980, o investimento foi calculado em 280 milhões de dólares.

Nessa época, eram sócios no empreendimento a Companhia Vale do Rio Doce, com 41% do capital, Alcan (10%), Companhia Brasileira de Alumínio, do grupo Votorantim (10%), Instituto Nacional de Indústria (5%), Reybolds Alumínio do Brasil (5%), Mineração Rio Xingu (5%), Rio Tinto Zinc do Brasil (5%), A/S Aardal Og Sunndal Verk (5%) e Norsk Hydro (5%).

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 24/02/1976

Energia para o alumínio

Em 1974, o governo federal previa investimento no valor de um bilhão de dólares no complexo industrial de alumina e alumínio de Barcarena, às proximidades de Belém, e na hidrelétrica de Tucuruí, no Pará. A usina, instalada no leito do rio Tocantins, iria gerar dois milhões de quilowatts, sendo um milhão de kw para as duas fábricas e 300 mil kw para Belém, cujo consumo, nessa época, era de 100 mil kw. A fábrica de alumina produziria um milhão de toneladas, utilizando dois milhões de toneladas de minério de bauxita, extraído da jazida localizada no rio Trombetas, ainda no Pará. A produção da fábrica de alumínio seria de 500 mil toneladas.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 23/01/1974