Cassiterita de Rondônia

Em 1987, a Companhia Estanífera Brasileira (Cesbra) e a Companhia de Mineração Jacundá foram responsáveis por 1,94% da produção mineral brasileira e 14,8% da produção nacional de estanho. As duas empresas eram controladas pela holding Cesbra – Administração e Participações, por sua vez com o controle dividido em partes iguais pela empresa canadense Brascan Brasil e pela inglesa British Petroleum Mineração. A Cesbra, através da Jacundá, lavrava cassiterita na região de Santa Bárbara, em Porto Velho, Rondônia.

Fonte: Gazeta Mercantil (São Paulo/SP), 02-02-1988

Celulose da Vale no Maranhão

A Companhia Vale do Rio Doce decidiu iniciar, em 1992, a implantação do projeto da Celmar (Celulose do Maranhão S/A), em Imperatriz, ficando com 30% do capital, enquanto a empresa japonesa Nisso Iwai teria 15%. Os 55% restantes seriam distribuídos entre a Cia. de Papéis Simão e a Ripasa.

Começando no mesmo ano, o projeto de reflorestamento – desenvolvido em áreas degradadas – consumiria 200 milhões de dólares até 1998, quando já haveria madeira para ser usada.

Somente a partir de 1999 os sócios começariam a desembolsar US$ 500 milhões para iniciar a fase II da Celmar, implantando em módulos a unidade de produção de 500 mil toneladas de celulose e uma futura fábrica de papel. Toda a produção seria destinada à exportação.

(Arquivo Pessoal, 1993)

Japoneses prospectam negócios com ouro

Em 1982, técnicos da Bishimetal Exploration Co. Ltd., subsidiária da Mitsubish Metal Corporation, iniciaram um levantamento geral das reservas minerais brasileiras. Um dos trabalhos contidos nesse levantamento era a avaliação do potencial das jazidas de ouro. Importando mais de 300 toneladas de ouro anualmente, o Japão tinha interesse em buscar novas fontes de suprimento.

O objetivo da Mitsubish, no entanto, não seria fazer diretamente a exploração, mas apenas intermediar a atividade, atuando como firma de consultoria sobre recursos naturais. O trabalho fazia parte do programa japonês de ajuda externa ao desenvolvimento, o Ovserseas Development Aid. As áreas visadas na Amazônia eram os distritos de mineração de Serra Pelada, Cymaru e Tapajós, no Estado do Pará.

Fonte: O Globo (Rio de Janeiro/RJ), 06-02-1990

Japoneses de olho no ouro da Amazônia

Em fevereiro de 1990, o jornal O Globo, do Rio de Janeiro, revelou que um grupo de investidores privados japoneses pretendia apresentar ao presidente eleito Fernando Collor um projeto para a compra, com deságio, de toda a dívida externa brasileira, em troca do direito de explorar as jazidas de ouro existentes na Amazônia. A dívida, de 115 bilhões de dólares, poderia ser adquirida por US$ 46,5 bilhões, com deságio de 70%. Os depósitos de ouro da Amazônia foram avaliados preliminarmente em US$ 260 bilhões.

Sob rigoroso sigilo, a Mitsubish teria começado a estudar o projeto em 1987, liderando um grupo de investidores, ao qual se associou um consultor nacional, o economista Akio Miyake, dono da Rio Amazonas Representações Ltda.

Segundo o jornal, a Mitsubish confirmou querer encarregar-se da prospecção de urânio na área do rio Fresco, no sul do Pará, e estudar a viabilidade de criar uma associação com a Cooperativa dos Garimpeiros de Serra Pelada e participar de subsidiárias dos governos federal e do Pará, num empreendimento para recuperar o ouro contido nos rejeitos abandonados no garimpo.

Fonte: O Globo (Rio de Janeiro/RJ), 04-02-1990

Fábrica de caulim no Pará

Em 1992, o Conselho Deliberativo da Sudam aprovou o projeto da Rio Capim Caulim, no qual a Construtora Mendes Júnior se dispunha a investir 120 milhões de dólares para produzir um milhão de toneladas anuais de caulim, a partir de jazidas localizadas em São Domingos do Capim, no Pará, com reserva de 120 milhões de toneladas. O empreendimento deveria entrar em produção em 1995, gerando 500 empregos diretos e possibilitando faturamento anual de US$ 120 milhões.

Em 1993, a Mendes Júnior assinou uma carta de intenções e um acordo de cooperação com a empresa alemã AKW (Amberger Kaolinwerke GmbH), para possibilitar que 90% da produção fosse exportada. A AKW liderava um conglomerado de empresas que produzem a cada ano 400 mil toneladas de caulim, com faturamento superior a US$ 250 milhões, comercializando na Europa um total de 700 mil toneladas do produto.

Fonte : Gazeta Mercantil (São Paulo/SP), 21-09-1993

BP desmata em Rondônia

Em junho de 1989, o jornal inglês Sunday Times denunciou a empresa British Petroleum, também da Inglaterra, por desmatar 100 mil hectares dentro da Floresta Nacional do Jamari, em Rondônia. O delegado regional do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), Luis Alberto Cantanhese, desmentiu imediatamente a acusação.

Segundo ele, o desmatamento atingiu apenas 1.500 hectares, em área onde a mineradora fazia a lavra de cassiterita. A empresa começou o desmatamento em 1963, logo depois de ter-se instalado na área, mas a lavra de cassiterita só foi iniciada em 1969.

A Floresta Nacional do Jamari foi criada em setembro de 1984, quatro anos depois que o órgão antecessor do Ibama, o extinto IBDF (Instituto Brasileiro do Desenvolvimento Florestal) se implantou em Rondônia. O IBDF só montou uma base física na floresta em 1985 e até 1987 os desmatamentos prosseguiram.

Se a denúncia do jornal inglês fosse verdadeira, a subsidiária da British Petroleum teria destruído quase metade da Floresta, que tem área de 235 mil hectares. A BP recebeu do DNPM concessão para lavra de cassiterita em 59.527 hectares.

Fonte: O Estado de S. Paulo (S. Paulo/SP), 21-06-1989

Venda de bauxita à Alcoa reexaminada

Em novembro de 1980, o ministro das Minas e Energia, César Cals, determinou ao DNPM (Departamento Nacional da Produção Mineral) que reexaminasse a venda que a Mineração Santa Patrícia (do grupo Jari), de propriedade do milionário americano Daniel Ludwig, estava fazendo à Alcoa de direitos sobre uma jazida de bauxita no vale do rio Trombetas, município de Oriximiná, no Pará.

O ministério decidiu fazer o reexame ao saber que a Alcoa, já detentora de uma jazida na mesma área, ficaria com mais de 10% das reservas nacionais de bauxita se assumisse o controle dos direitos da Santa Patrícia.

Fonte: Jornal da Tarde (S. Paulo/SP), 19-07-1980

Jari invade área

Em julho de 1980, o Iterpa (Instituto de Terras do Pará) denunciou a Jari Florestal e Agropecuária, de propriedade do milionário americano Daniel Ludwig, de ter invadido terras estaduais situadas ao norte de sua propriedade, onde desmatou 3.800 hectares.

Essa área era compreendida por duas glebas – Paru I e Paru II -, somando 800 mil hectares, que o Estado arrecadou e matriculou em seu nome para usá-las em um projeto de colonização.

Ao entrar na área, a empresa teria praticado quatro crimes: esbulho possessório, dano qualificado, invasão de terra pública e contravenção penal, por derrubar árvores sem a autorização do IBDF (Instituto Brasileiro do Desenvolvimento Florestal).

Fonte: O Estado de S. Paulo (SP), 19-07-1980

Bauxita: ação contra venda

Em março de 1981, José Meissen de Moraes apresentou uma ação popular na Justiça Federal do Rio de Janeiro para anular a venda de 11 jazidas de bauxita localizadas no município de Oriximiná, no Pará, a decretação da caducidade dos decretos de lavra referentes a essas jazidas e a indenização dos prejuízos causados pelos pelos responsáveis pela transação – o ministro das Minas e Energia, César Cals, o grupo Ludwig e o consórcio Alcoa/Shell.

Segundo o autor da ação, as jazidas tinham sido avaliadas em 2,5 bilhões de dólares, mas foram transferidas por apenas US$ 50 milhões, “decorrendo daí uma grave lesão à economia e ao fisco”.

A ação também se fundamentava no fato de que os decretos de lavra concedidos a empresas do grupo Jari, entre 1969 e 1971, terem caducado em função da total inexploração ao longo de 12 anos, caducidade prevista no Código de Mineração.

Fonte: Folha de S. Paulo (SP), 24-03-1981

Governo susta venda de bauxita

Em novembro de 1980, o governo federal decidiu sustar a operação de compra e venda de uma jazida de bauxita no vale do rio Trombetas, no Pará, entre o grupo Ludwig e a Alcoa, que estava para ser concluída. O governo recebeu informações de que as jazidas teriam um volume de minério muito maior do que o declarado, ou 900 milhões de toneladas e não 500 milhões, segundo um relatório apresentado pela Docegeo, subsidiária da Companhia Vale do Rio Doce. Assim, a Alcoa se tornaria detentora de mais de 10% das reservas brasileiras de bauxita, o que o governo considerava inaceitável.

Fonte: O Estado de S. Paulo (SP), 21-07-1989