O potencial de madeira

A. J. Evans, um dos diretores da Brible Brothers Lumber Co., de Houston, Texas, entrevistado por Henry Lee para The Journal of Commerce local, em fevereiro de 1960, disse que o comércio de madeiras na Amazônia, nos Estados do Amazonas, Amapá e Pará, que até então vinha sendo desenvolvido por 25 serrarias relativamente pequenas, deveria crescer de 500 a 1000% nos cinco meses seguintes.

Classificava de “inacreditável” o potencial de exportação de madeira da região, informando que ao longo do rio havia cerca de 30 variedades comerciais “que podem ser embarcadas de forma fácil e barata, para os mercados mundiais”.

Citou o exemplo da firma holandesa Burynzeel, que estava aplicando 7,5 milhões de dólares numa fábrica de madeira compensada no Amapá, em sociedade com a Bethelehem Steel, responsável por US$ 2,5 milhões desse to tal. O artigo de Henry Lee foi reproduzido na edição de fevereiro do Boletim Americano, publicação do Serviço de Propaganda e Expansão Comercial do Brasil (SEPRO), em Nova York.

Fonte: Folha do Norte (Belém/PA), 01/06/1960

Kayapós contra mineradoras

Em outubro de 1990, 40 índios kayapós da aldeia Kokraimoro, armados, invadiram as sedes das mineradoras São Francisco e Canopus, no município de São Félix do Xingu, no Pará.

Pintados para a guerra, os índios exigiam que as duas empresas lhes pagassem royalties pela exploração de cassiterita, embora estivessem atuando fora da área da reserva kayapó, com 3,2 milhões de hectares. As duas mineradoras se instalaram na área na década de 1970, explorando as minas de cassiterita Mocambo, Bom Jardim e Iriri.

A Rhodia negociou seus direitos minerários sobre as minas com a Caeté Participações, grupo de São Paulo, que tinha na época como um de seus sócios o secretário de planejamento da Presidência da República, Marcos Fonseca. Os índios se irritaram porque a empresa suspendeu o fornecimento de alimentos, medicamentos e combustível que lhes fazia.

Fonte: Jornal do Brasil (Rio de Janeiro/RJ), 26/10/1990

A constituição da Albrás

A Albrás (Alumínio do Brasil), localizada a 40 quilômetros de Belém, no Pará, no município de Barcarena, resultou de uma associação da Companhia Vale do Rio Doce, detentora de 51% do capital, com 32 empresas japonesas, reunidas no consórcio Nippon Amazon Aluminium (NAAC), com os restantes 49% das ações.

Toda a produção da Albrás, então de 345 mil toneladas de alumínio primário, na forma de lingote, se destinava à exportação. Com o aquecimento da demanda brasileira por alumínio, em 1994, nesse ano cinco mil toneladas foram comercializadas no mercado interno. Outra empresa de alumínio, controlada pela Aluvale, a holding da CVRD para o setor, a Valesul, do Rio de Janeiro, não conseguiu atender todos os pedidos dos seus clientes com suas 93 mil toneladas de produção.

Fonte: Gazeta Mercantil (São Paulo/SP), 25/04/1995

Quem destrói a floresta?

Em artigo publicado no jornal Folha do Norte, de Belém, em agosto de 1968, o engenheiro agrônomo Humberto Marinho Koury apresentou dados sobre as relações desfavoráveis no comércio exterior enfrentadas pela atividade madeireira amazônica.

Argumentou que a tora de mogno (ou “aguano”), “uma das espécies florestais mais importantes do Estado do Pará e uma das madeiras mais luxuosas do mundo”, estava sendo vendida por 100 dólares o metro cúbico para o exterior.

Os compradores desdobravam a tora em lâminas muito delgadas, vendendo cada metro quadrado a US$ 3. Esse rendimento permitia que o metro cúbico da madeira laminada pudesse alcançar US$ 14 mil o metro cúbico.

Como para cada metro cúbico de madeira laminada são necessários de dois a três m3 de madeira bruta, para um custo máximo de US$ 300, obtinha-se um rendimento de US$ 14 mil.

A situação se aplicava à comercialização de outra madeira valiosa que o Pará exportava, a virola ou ucuúba. Saíam anualmente de 4 milhões a 6 milhões de pés quadrados de ucuúba do Pará, por aquisição de empresas estrangeiras, como a Georgia Pacific Corporation, a Lumquar Limited e a Bruynzeel Suriname Houtmaatschappy.

Fonte: Folha do Norte (Belém/PA), 08/08/1968

A polêmica do Sivam

Em 1994, o presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, enviou uma carta ao presidente do Brasil, Itamar Franco, para recomendar a escolha da empresa americana Raytheon como fornecedora de equipamentos para o Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia), um projeto no valor de 1,4 bilhão de dólares para controlar o espaço aéreo na Amazônia e produzir informações sobre a região. a partir de uma rede de radares fixos e móveis, sensores colocados em aviões e satélites.

Alguns meses depois, o presidente brasileiro adotou iniciativa semelhante, recomendando a Embraer numa licitação do Pentágono do qual a então estatal do Brasil participava. Em abril de 1995, o novo presidente brasileiro, Fernando Henrique Cardoso, visitou os Estados Unidos. Foi no momento em que a assinatura do contrato do Sivam foi suspensa devido a acusações sobre a situação de ilegalidade da parceira da Raytheon, a brasileira Esca.

FHC pretendia assinar o contrato antes da viagem. Dois meses depois, porém, ele ligou para Clinton comunicando-lhe que acabara de assinar o contrato. O presidente americano o cumprimentou e manifestou a esperança de que o Senado, vencendo as barreiras ainda existentes, aprovasse o ato para que a Raytheon iniciasse a execução do Sivam.

Clinton classificou de “modelo” o projeto, que iria gerar 20 mil novos empregos nos EUA, o que levou o Departamento de Comércio a ter participação ativa no processo de escolha do fornecedor de equipamentos. Uma das exigências era de que o vencedor obtivesse o financiamento necessário, o que a Raytheon conseguiu junto ao Eximbank americano.

A empresa também teria recebido informações da CIA, a agência de inteligência dos Estados Unidos, sobre o pagamento de propina a autoridades brasileiras pela Thomson, uma empresa francesa que já havia participado da implantação de sistemas de controle de tráfego aéreo no Brasil e era a principal concorrente da Raytheon.

Fonte: Folha de S. Paulo (São Paulo/SP), 21/06/1995

Sivam excede orçamento

Em junho de 1995, o senador Gilberto Miranda, do PMDB do Amazonas, enviou uma carta ao presidente Fernando Henrique Cardoso, alertando-o para um fato: o contrato assinado no mês anterior, entre o Ministério da Aeronáutica e a Raytheon Company, dos Estados Unidos, para a compra de equipamentos e aeronaves necessários à implantação do Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia), havia extrapolado em 250 milhões de reais o limite imposto pelo Senado.

Segundo Miranda, o contrato assinado foi no valor de R$ 1,285 bilhões, mas o limite era de R$ 1,035 bilhão. Ele não acreditava que houvesse má-fé no ato, mas sugeria uma providência corretiva do governo: “Ou corrige-se tudo adequadamente ou cancela-se tudo, inclusive as resoluções vigentes”, disse na carta ao presidente da República.

Fonte: O Globo (Rio de Janeiro/RJ), 30/06/1995

Albrás atrasa

Em maio de 1976, o consórcio japonês LMSA (Light Metal Smelter Association) anunciou sua decisão de suspender, por dois anos, o início da implantação da fábrica de alumínio da Albrás, no Pará, que conduzia em conjunto com a Companhia Vale do Rio Doce.

Os japoneses alegaram que estavam implantando uma outra fábrica de alumínio nas Filipinas naquele momento e que a instabilidade do mercado internacional do metal desaconselhava o investimento simultâneo. Pelo cronograma original, a Albrás deveria iniciar suas atividades em 1979, produzindo 80 mil toneladas de alumínio primário. Cinco anos depois, chegaria à sua plena capacidade, de 320 mil toneladas.

O governo brasileiro não gostou da decisão dos japoneses, mas a aceitou porque o cronograma da hidrelétrica de Tucuruí, que deveria fornecer energia ao empreendimento, estava também atrasado, por não dispor de recursos para conduzir sozinho o projeto e por não ter encontrado outro sócio.

Fonte: Arquivo Pessoal, 10/05/1976