Contratos de risco

 

Nos 14 anos de vigência dos contratos de risco para a exploração de petróleo (1975-1988), foram assinados 143 acordos com as 35 maiores e mais experientes empresas estrangeiras, que tiveram à sua disposição mais de 80% das bacias sedimentares brasileiras.

No período 1977-89, elas investiram 1,1 bilhão de dólares, dos quais apenas US$ 350 milhões no Brasil. A diferença destinou-se ao pagamento de equipamentos e mão de obra no exterior. No mesmo período, a Petrobrás aplicou US$ 26 bilhões, ou quase 80 vezes mais.

As multinacionais perfuraram 205 poços, contra 9.770 concluídos pela Petrobrás. Apenas uma das companhias estrangeiras conseguiu fazer uma descoberta: a Pecten chegou a uma pequena ocorrência de gás na bacia de Santos.

No mesmo período, a Petrobrás mais do que quadruplicou a produção brasileira de óleo e gás equivalente, elevando-a de 169 mil barris diários em 1975 para 700 mil barris em 1989. De uma produção própria que representava 17% das suas necessidades de petróleo, o Brasil passou para quase 60% em 1995.

Em 1979, quando o preço do barril de petróleo chegou a custar 52 dólares, o Brasil gastou quase metade da sua receita de exportação comprando óleo (US$ 10 bilhões). Em 1994 as importações de petróleo representaram 5% da receita de exportação.

(Folha de S. Paulo, São Paulo/SP, 18/04/1995)

Produção de bauxita da MRN

Em 1990, a Mineração Rio do Norte produziu oito milhões de toneladas de bauxita, extraídas de sua mina no vale do rio Trombetas, no Pará, faturando 250 milhões de dólares. Para o mercado externo, que consome bauxita seca por causa das dificuldades de estocar minério durante o inverno, o preço, estabelecido em 1988, era de US$ 28,50 a tonelada.

No mercado interno, que recebe bauxita úmida, o preço era de US$ 24,50 por tonelada. As exportações da MRN, controlada pela Companhia Vale do Rio Doce, com 46% das ações, foram feitas para o Canadá, Estados Unidos e Trinidad-Tobago

(Gazeta Mercantil, São Paulo/SP, 13/03/1991)

Caulim do Jari

 

A Caulim da Amazônia S/A (Cadam), a maior produtora de caulim da América Latina, comercializou, em 1990, 340 mil toneladas de caulim “amazon 99”, faturando 53,2 milhões de dólares. Para o mercado externo foram 301 mil toneladas e internamente (com demanda estimada em 500 mil toneladas) foram vendidas 39 mil toneladas.

Em 1991, a Cadam iria produzir 385 mil toneladas. A empresa, subsidiária da Companhia do Jari, era então controlada pelo empresário Augusto Trajano de Azevedo Antunes. A reserva que explora, no Morro do Felipe, no Amapá, era de 500 milhões de toneladas.

No Brasil todo, quarto maior produtor mundial, as reservas somavam 2,5 bilhões de toneladas. A oferta mundial de caulim era de pouco mais de 22 milhões de toneladas. Com um total de 14 milhões de toneladas, Estados Unidos, Inglaterra e a ex-União Soviética controlavam mais de 60% da oferta mundial.

(Gazeta Mercantil, São Paulo/SP, 16/02/1991)

O manganês do Amapá

A Icomi (Indústria e Comércio de Minérios), do grupo Azevedo Antunes, produziu 565 mil toneladas de manganês na mina de Serra do Navio, no Amapá, em 1990. Foram exportadas 482 mil toneladas de minério e vendidas no mercado interno 83 mil toneladas.

O faturamento com a exportação foi de 41,1 milhões de dólares, enquanto as vendas internas foram de US$ 7,1 milhões. As reservas mundiais de manganês estavam estimadas então em quase 16 bilhões de toneladas, sendo 240 milhões no Brasil, distribuídas entre Mato Grosso (40%), Pará (34%) e Amapá.

(Gazeta Mercantil, São Paulo/SP, 01/03/1981)

Japão fora da Alunorte

Em 1988, o consórcio japonês NAAC (Nippon Amazon Alumminium Company) abandonou o projeto Alunorte, destinado a produzir alumina em Barcarena, a 25 quilômetros de Belém, no Pará, em associação com a Companhia Vale do Rio Doce.

A razão apresentada para a decisão foi a queda no preço do produto, que chegou a 90 dólares a tonelada. Até o início de 1990, no projeto já haviam sido investidos 300 milhões de dólares, mas ainda faltavam US$ 500 milhões para concluí-lo.

A fábrica foi dimensionada para produzir 1,1 milhão de toneladas anuais, das quais 640 mil para suprir de alumina a fábrica de alumínio da Albrás, também controlada pela Vale e japoneses.

(O Liberal, Belém/PA, 28/07/1990)

Produção de bauxita da MRN

A Mineração Rio do Norte, maior produtora de bauxita das Américas, produziu em 1990 oito milhões de toneladas do minério, recorde até então (no ano anterior chegara a 7,5 milhões). Venezuela, Canadá, Estados Unidos e países europeus ficaram com 70% da produção.

Do que foi destinado ao mercado nacional, 90% foram para a Alumar, em São Luís do Maranhão, e 20% para a Companhia Brasileira de Alumínio, do grupo Ermírio de Moraes, detentor de 10% do capital da MRN.

Em 1990 a empresa investiu 9,6 bilhões de cruzeiros (valor da época), gerando Cr$ 3,2 bilhões em ICMS. Na vila residencial de Porto Trombetas moravam então cinco mil pessoas.

(O Liberal, Belém/PA, 20/12/1990)

Campeãs de multas

Entre 1997 e junho de 1999, a Gethal foi a empresa mais multada pelo Ibama no Amazonas por extrair ilegalmente madeira: foram 32,5 mil metros cúbicos, que geraram uma multa de 558 mil reais. A Cifec foi a segunda, com extração de 23,8 mil m3 ilegais e multa de R$ 211 mil.

Em terceiro, a Carolina, que retirou 15,5 mil m3 e foi multada em R$ 463 mil. A Marupá Industrial foi multada por produzir 7,7 mil m3 e a Compensa por 7,2 mil. Abaixo de quatro mile m3, as madeireiras multadas foram Mauá Madeireira, CIM, Amaplac e Estaleiro Noé.

(Gazeta Mercantil (São Paulo/SP), 14/09/1999)