Campeãs de multas

Entre 1997 e junho de 1999, a Gethal foi a empresa mais multada pelo Ibama no Amazonas por extrair ilegalmente madeira: foram 32,5 mil metros cúbicos, que geraram uma multa de 558 mil reais. A Cifec foi a segunda, com extração de 23,8 mil m3 ilegais e multa de R$ 211 mil.

Em terceiro, a Carolina, que retirou 15,5 mil m3 e foi multada em R$ 463 mil. A Marupá Industrial foi multada por produzir 7,7 mil m3 e a Compensa por 7,2 mil. Abaixo de quatro mile m3, as madeireiras multadas foram Mauá Madeireira, CIM, Amaplac e Estaleiro Noé.

(Gazeta Mercantil (São Paulo/SP), 14/09/1999)

Madeireiras em ação

Em 1997 a produção de madeira em toras na Amazônia chegou a 29,5 milhões de metros cúbicos e 85% desse volume foi consumido no Brasil, segundo dados do Imazon (Instituto do Homem e do Meio Ambiente Amazônico).

O Pará, com 13,5 milhões de m3, foi responsável por 46% dessa produção. Mato Grosso contribuiu com 33%, ou 9,8 milhões de m3. Rondônia, com 13,2$, ou 3,9 milhões de m3.

A já então extinta Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), do governo federal, considerava que 80% das madeireiras da Amazônia eram ilegais. O Greenpeace dizia haver 27 empresas estrangeiras atuando na região em 1999, principalmente asiáticas e europeias.

Das oito maiores madeireiras do Estado do Amazonas, quatro eram européias (Gethal, Mil Madeireira, Brasport e Agromadeiral), duas malaias (Carolina e Amaplac), uma de Hong-Kong (Compensa) e uma chinesa, estatal (Cifec).

(Gazeta Mercantil, São Paulo/SP, 14/09/1999)

O começo da Jari de Ludwig

Em outubro de 1967 o deputado federal Haroldo Veloso, da Arena do Pará, relator da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre terras de estrangeiros na Amazônia, comunicou ter recebido informações sobre a aquisição de dois milhões de hectares no vale do rio Jari, entre o Pará e o Amapá, pela empresa americana Bolt Carriers Co.

Embora não constasse nos arquivos do Ibra (Instituto Brasileiro de Reforma Agrária, antecessor do Incra) nenhum registro sobre a transferência de uma propriedade desse tamanho, moradores da região comunicaram ao parlamentar que a empresa realmente tinha se tornado dona dessas terras.

Ela as teria comprado a área em lotes menores ao longo de mais de um ano, até totalizar os dois milhões de hectares. A área era quatro vezes maior do que o então Estado da Guanabara. O DNPM (Departamento Nacional da Produção Mineral) considerava essa região promissora para diamante, ouro e cassiterita.

(Folha do Norte (Belém/PA), 31/10/67)

O ferro de Carajás

Em outubro de 1967 a Companhia Meridional de Mineração, subsidiária da United States Steel, dos Estados Unidos, anunciou, no Rio de Janeiro, a descoberta de ricas jazidas de minério de ferro na Serra dos Carajás, no município de Marabá, sul do Pará. Afloramentos pesquisados às proximidades do rio Itacaiúnas indicaram a existência de extensas faixas de minério de ferro em potencial, provavelmente um minério de tipo comercial, que poderia vir a ter exploração comercial, associado a outras ocorrências.

(Folha do Norte, Belém, PA, 01/11/1967)

Pneu de borracha natural do Acre

No final de 2000 a Pirelli lançou, inicialmente apenas nos mercados do Norte e Nordeste do Brasil, o pneu Xapuri, o primeiro fabricado no país a utilizar apenas borracha natural. As 150 toneladas usadas pela empresa provinham de uma área de 90 mil hectares de seringais nativos da Amazônia, principalmente dos municípios de Xapuri e Sena Madureira, no Estado do Acre, beneficiando aproximadamente 300 famílias de seringueiros.

Para fazer o lançamento, a Pirelli firmou em 1998 uma parceria com a Cooperativa dos Seringueiros do Acre, dentro do Programa de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva da Borracha, idealizado pelo governo acreano para retomar e viabilizar economicamente essa atividade extrativista.

No Estado havia então 20 mil famílias de seringueiros, índios e ribeirinhos, segundo estimativa da Secretaria Executiva de Floresta e Extrativismo. Em janeiro de 1999 o governo estadual instituiu o subsídio à borracha, que nesse ano foi de R$ 0,40 por quilo, alcançando R$ 322 mil, distribuídos através de 74 associações e beneficiando 1.300 famílias.

Em Xapuri e Sena Madureira havia cerca de 70 cooperativas de produtores. As usinas de borracha são de propriedade dos próprios seringueiros.

(Gazeta Mercantil/Pará, Belém/PA, 06/11/2000)

Uso da biodiversidade

Em 30 de maio de 2000 a Associação Brasileira para o Uso Sustentável da Biodiversidade da Amazônia (Bioamazônia) assinou com a empresa Novartis Pharma AG, com sede na Suíça, um acordo que dava a essa multinacional a exclusividade sobre o uso do material genético coletado na região amazônica.

Pelo acordo, previsto para durar três anos, movimentando quatro milhões de dólares, a Novartis investiria em pesquisas científicas e no desenvolvimento de tecnologias e produtos “com base no uso sustentável da biodiversidade da Amazônia”.

A Bioamazônoia foi qualificada pelo governo federal para participar da implementação do Programa Brasileiro de Ecologia Molecular para o Uso Sustentável da Biodiversidade da Amazônia (Probem), destinado a desenvolver a bioindústria do país.

(O Liberal, Belém/PA, 26/06/2000)

Energia para Acre e Rondônia

Em 2000, a capacidade de geração de energia instalada em Rondônia e no Acre somava 405 megawatts. O subsistema maior, o de Rondônia, contava com 321 MW, sendo 216 MW oriundos da hidrelétrica de Samuel, localizada no rio Jamari, e 105 MW de usinas térmicas a óleo. Já o subsistema Acre, inteiramente térmico, dispunha de 84 MW.

Em 2003 essa capacidade seria duplicada, com a adição de duas novas térmicas, construídas pela Termonorte, com capacidade para 403 MW (a Termonorte I com 63 MW e a Termonorte II com 340 MW), ambas localizadas em Porto Velho, representando investimento de 400 milhões de reais.

Outros R$ 210 milhões a Petrobrás planejava gastar num gasoduto ligando o campo de gás natural de Urucu, no Amazonas, a Porto Velho. Também seriam realizados investimentos na ampliação das linhas de transmissão de energia entre os dois Estados. O investimento global no sistema energético de ambos chegaria a R$ 1,4 bilhão em três anos.

A Termonorte, concessionária de energia, resultou da associação da El Paso Energy com a C&S Participações.

(Gazeta Mercantil/Pará, Belém/PA, 26/06/2000)