O fim do manganês do Amapá

Em 1991, a Icomi (Indústria e Comércio de Minérios) e a Universidade de São Paulo começaram a implantar um campus de pesquisa em Serra do Navio, no Amapá. O objetivo era estudar os efeitos da exploração de minério no local, onde a Icomi começou a atuar na década de 1950.

O contrato de arrendamento sobre os três mil hectares onde foi instalada a mina tinha prazo para se encerrar em 2003, mas o esgotamento do minério de mais alto teor já havia provocado uma redução no nível de produção. Em 1991, foram extraídas 100 mil toneladas de manganês, para uma média em anos anteriores de 500 mil toneladas.

Fonte: O Liberal (Belém), 09-04-1991.

A bauxita de Paragominas

Em 1991, a Companhia Vale do Rio Doce e a Companhia Paraibuna de Metais criaram a Companhia de Mineração Vera Cruz para explorar as reservas de bauxita de Paragominas, no Pará. Na nova empresa, a Paraibuna, segunda maior produtora de metais de zinco do país, e o grupo Ficap (de fios e cabos) dividiriam em partes iguais 64% das ações da Vera Cruz, ficando os outros 36% com a CVRD.

Originalmente, os depósitos de bauxita pertenciam ao grupo inglês Rio Tinto Zinc (RTZ), que os transferiu à Vale. O projeto, no valor de 10 milhões de dólares, previa a produção de 80 mil toneladas anuais de bauxita refratária, a ser escoada através da ferrovia de Carajás, pela estação de Açailândia, no Maranhão.

 Fonte: Gazeta Mercantil (SP), 16-05-1991.

As terras da Jari

Em abril de 1991, a Companhia Florestal Monte Dourado, sucessora do milionário americano Daniel Ludwig no Projeto Jari, encaminhou correspondência ao Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) alegando ser proprietária de 421.595 hectares dos 450 mil hectares que constituíam a Reserva Extrativista do Cajari, criada no final do governo Sarney.

A reserva foi estabelecida no Amapá com o apoio de diversas entidades ecológicas internacionais e do Ibama. Um pouco antes, o instituto embargara o trecho final da estrada Macapá-Jari porque a responsável pela obra, a C. R. Almeida, não apresentou o Relatório de Impacto Ambiental.

Fonte : O Globo (RJ), 27-04-1991

Ataque de garimpeiros

Em março de 1984, garimpeiros invadiram as instalações da mineradora Ouronorte, no igarapé do Cuca, em Tucumã, município de São Félix do Xingu, no Pará. Mataram dois seguranças da empresa com mais de 100 tiros. A firma detinha direitos de lavra sobre 22 mil hectares, para ouro. A notícia da descoberta do metal atraiu levas de garimpeiros. A Ouronorte alegou que a invasão foi planejada por aventureiros, que se faziam passar por garimpeiros.
Fonte : Diário do Pará (Belém), 6 de maio de 1984

O potencial de madeira

A. J. Evans, um dos diretores da Brible Brothers Lumber Co., de Houston, Texas, entrevistado por Henry Lee para The Journal of Commerce local, em fevereiro de 1960, disse que o comércio de madeiras na Amazônia, nos Estados do Amazonas, Amapá e Pará, que até então vinha sendo desenvolvido por 25 serrarias relativamente pequenas, deveria crescer de 500 a 1000% nos cinco meses seguintes.

Classificava de “inacreditável” o potencial de exportação de madeira da região, informando que ao longo do rio havia cerca de 30 variedades comerciais “que podem ser embarcadas de forma fácil e barata, para os mercados mundiais”.

Citou o exemplo da firma holandesa Burynzeel, que estava aplicando 7,5 milhões de dólares numa fábrica de madeira compensada no Amapá, em sociedade com a Bethelehem Steel, responsável por US$ 2,5 milhões desse to tal. O artigo de Henry Lee foi reproduzido na edição de fevereiro do Boletim Americano, publicação do Serviço de Propaganda e Expansão Comercial do Brasil (SEPRO), em Nova York.

Fonte: Folha do Norte (Belém/PA), 01/06/1960

Kayapós contra mineradoras

Em outubro de 1990, 40 índios kayapós da aldeia Kokraimoro, armados, invadiram as sedes das mineradoras São Francisco e Canopus, no município de São Félix do Xingu, no Pará.

Pintados para a guerra, os índios exigiam que as duas empresas lhes pagassem royalties pela exploração de cassiterita, embora estivessem atuando fora da área da reserva kayapó, com 3,2 milhões de hectares. As duas mineradoras se instalaram na área na década de 1970, explorando as minas de cassiterita Mocambo, Bom Jardim e Iriri.

A Rhodia negociou seus direitos minerários sobre as minas com a Caeté Participações, grupo de São Paulo, que tinha na época como um de seus sócios o secretário de planejamento da Presidência da República, Marcos Fonseca. Os índios se irritaram porque a empresa suspendeu o fornecimento de alimentos, medicamentos e combustível que lhes fazia.

Fonte: Jornal do Brasil (Rio de Janeiro/RJ), 26/10/1990

A constituição da Albrás

A Albrás (Alumínio do Brasil), localizada a 40 quilômetros de Belém, no Pará, no município de Barcarena, resultou de uma associação da Companhia Vale do Rio Doce, detentora de 51% do capital, com 32 empresas japonesas, reunidas no consórcio Nippon Amazon Aluminium (NAAC), com os restantes 49% das ações.

Toda a produção da Albrás, então de 345 mil toneladas de alumínio primário, na forma de lingote, se destinava à exportação. Com o aquecimento da demanda brasileira por alumínio, em 1994, nesse ano cinco mil toneladas foram comercializadas no mercado interno. Outra empresa de alumínio, controlada pela Aluvale, a holding da CVRD para o setor, a Valesul, do Rio de Janeiro, não conseguiu atender todos os pedidos dos seus clientes com suas 93 mil toneladas de produção.

Fonte: Gazeta Mercantil (São Paulo/SP), 25/04/1995