Contaminação por mercúrio

Técnicos da Fundação Oswaldo Cruz e da Secretaria de Saúde do Pará, em pesquisa para o Departamento Nacional da Produção Mineral, analisaram 24 amostras de cabelos de pessoas, 16 de garimpeiros e 8 de índios kayapó. Atestaram que 31% das amostras continham teores de mercúrio acima do tolerável, que é de 6 ppm (partes por milhão) no organismo humano.

Nos índios esse índice ficou em 25%. Na região do Gurupi, ainda no Pará, em 11 amostras colhidas entre os garimpeiros de Cachoeira, foi verificada uma média de 11,49 ppm, mas cinco dos garimpeiros chegaram a apresentar teores na faixa de 6 a 50 ppm.

Em exames de urina e de sangue feitos em garimpeiros, moradores e queimadores de amálgama no Tapajós, nos últimos o teor chegou a ser de 0,227 ppm, quando o tolerável nesse caso é de apenas 0,02 ppm. Em Serra Pelada foram coletadas apenas duas amostras: em um garimpeiro o índice foi de 9,25 ppm e em um funcionário da Caixa Econômica Federal foi de 2,9 ppm.

Fonte : O Liberal (Belém), 06-09-1988

O major Curió

Sebastião Rodrigues de Moura, que ficou conhecido como Curió ao participar da repressão à guerrilha do Araguaia e da coordenação do garimpo de Serra Pelada, nasceu em São Sebastião do Paraíso, sul de Minas Gerais, a 15/12/1934, filho de um barbeiro.

Começou a trabalhar muito cedo para ajudar no sustento da família, como engraxate. Entrou para o Exército, frequentando a Escola Preparatória de Cadetes de Fortaleza. Para aumentar sua renda, participava de lutas de boxe. Por causa dos ataques rápidos e do jogo de corpo, ganhou então o apelido de Curió. Em 1968, fez o curso de guerra na selva. Em agosto de 1980, tornou-se tenente coronel por merecimento.

Sua primeira missão foi num conflito armado pela posse de terras no interior do Paraná. Para obter informações, se apresentou como vendedor de quadros de santos. O Exército h avia deslocado 250 homens fortemente armados para enfrentar o problema, mas Curió diz que o resolveu pacificamente.

Fonte: O Liberal (Belém), 19-07-1981

Produção de ouro em 1987

A produção brasileira de ouro em 1987 foi de 35,8 toneladas, das quais 22,7 toneladas obtidas em garimpos e 13,1 toneladas produzidas industrialmente. Depois da mineração Morro Velho, em Minas Gerais, que alcançou naquele ano 7,3 toneladas, ficou em segundo lugar a Companhia de Mineração e Participações (CMP), que conseguiu 1,2 tonelada através da Mineração Novo Astro, nas minas de Calçoene, no Amapá (mais 174 quilos no Rio Grande do Norte).

Segundo o DNPM (Departamento Nacional da Produção Mineral), a produção legalizada de ouro nos garimpos corresponde a apenas 20% da produção real. No mínimo, de 55 a 65 toneladas foram desencaminhados em 1987. O Pará produziu nesse ano 13,2 toneladas.

Fonte: Gazeta Mercantil (SP), 09-03-1988

Garimpeiros na Venezuela

Em maio de 1989, a Guarda Nacional da Venezuela expulsou aproximadamente três mil garimpeiros brasileiros que tinham invadido as nascentes do rio Orenoco, penetrando 20 quilômetros em território venezuelano a partir da fronteira com Roraima.

A invasão começou a ser percebida quando as águas do rio passaram a ficar amarelas, em consequência da garimpagem. A ação dos militares foi enérgica e os garimpeiros tiveram que fugir às pressas.

Fonte: O Globo (RJ), 14-02-1989

Mercúrio proibido

Em fevereiro de 1989, o presidente José Sarney assinou decreto proibindo o uso de mercúrio e cianeto no processo de extração de ouro nos garimpos em todo o país. O decreto resultou de uma resolução aprovada pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).

O decreto estabeleceu também a necessidade de licenciamento do órgão estadual para a criação de reservas garimpeiras e para a extração individual ou coletiva.

Fonte: O Globo (RJ), 14-02-1989

Mercúrio no Tapajós

Em meados de 1988, a Sudepe (Superintendência do Desenvolvimento da Pesca) calculava que haviam sido despejados no rio Tapajós, desde 1983, cerca de 250 toneladas de mercúrio, usado pelo garimpeiro para separar o ouro. E que os despejos no rio Madeira, em Rondônia, em 10 anos, tinham sido de 78 toneladas. O cálculo foi estabelecido a partir da constatação de que cada tonelada de ouro produzida exige de 1,5 a 2 toneladas de mercúrio.

Fonte: Jornal da Tarde (SP), 27-06-1988

Malária assola Mato Grosso

Em julho de 1989, o prefeito de Peixoto de Azevedo, Vilmar Antônio Pinto, decretou estado de calamidade pública nesse município do norte de Mato Grosso, porque 25% de seus 80 mil habitantes estavam com malária. O número de novos casos aumentara de 100 para 300. O estoque de medicamentos fora reduzido a zero. Estavam com malária 40% dos 160 mil garimpeiros da região, que, em 30 áreas auríferas, produziam 500 quilos de ouro por mês.

Fonte: O Globo (RJ), 09-07-1989