Japão interessado no mercúrio

O uso de mercúrio na Amazônia foi proibido pelo governo federal em 1989, por representar um grande perigo para todas as formas de vida, mas o produto continuou a ser empregado nos garimpos da região. Em 1993 a CPRM (Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais) anunciou, em Manaus, os primeiros resultados de uma pesquisa que constatara a presença de mercúrio em teores acima dos normais em peixes do Madeira, rio que corta os Estados do Amazonas e Rondônia.

O problema interessou o Instituto Nacional de Pesquisas Ambientais do Japão, que assinou um convênio com o DNPM (Departamento Nacional da Produção Mineral) para estudar a presença do mercúrio na região.

Fonte: Jornal do Brasil (Rio de Janeiro/RJ), 03/01/1993

Garimpeiros atacam mineradora

Em fevereiro de 1986, cerca de 1.500 garimpeiros invadiram a mina de ouro da Oca Mineração no garimpo de Itatá, em Altamira, no Pará. Dias depois da invasão, que interrompeu as atividades da empresa, os garimpeiros montaram uma emboscada, da qual agentes da Polícia Federal e funcionários da empresa saíram feridos.

O governo do Estado interveio para tentar negociar uma saída, mas os garimpeiros, para pressionar pela saída da empresa da área, ocuparam durante quatro horas a cidade de Altamira, depredaram e saquearam prédios públicos, desligando a energia e bloqueando o tráfego na rodovia Transamazônica. A situação só se normalizou com a intervenção do 51º Batalhão de Infantaria de Selva do Exército.

Fonte: Arquivo Pessoal, 03/03/1986

Acidente com avião do garimpo

Um avião monomotor prefixo PT-DVF caiu perto de Fordlândia, no dia 12 de março de 1986, matando seus três ocupantes. O acidente ocorreu no meio da viagem entre Itaituba e Santarém, na região oeste do Pará. Morreram o piloto Ernane Machado Livio e o copiloto Júlio Belo Neto, mais o único passageiro, Nivaldo Luís Pereira da Silva, escrivão da Polícia Federal, que transportava um relatório sobre a “Operação Ouro”, executada pela PF para garantir a segurança na comercialização de ouro dos vários garimpos existentes no vale do rio Tapajós junto à Caixa Econômica Federal.

Fonte: Arquivo Pessoal, 14/03/1986

Descoberta de ouro no Madeira

Pesquisas realizadas com dragas detectaram grandes ocorrências de ouro no leito do rio Madeira, em Rondônia, em 1968, quando na área já atuavam garimpeiros. A descoberta foi feita às proximidades da localidade conhecida como Chocolatal. Embora ainda sem poder avaliar a quantidade de minério, pelos teores encontrados os pesquisadores acreditavam estar diante de uma das maiores ocorrências do minério no país.

Fonte: Jornal do Brasil (Rio de Janeiro/RJ), 03/09/1968

Onda de garimpeiros

Em setembro de 1980, sete meses depois da descoberta de ouro em Serra Pelada, havia 100 mil homens atrás do minério entre Marabá e Conceição do Araguaia, no sul do Pará. Além de Serra Pelada, tinham sido abertos os garimpos de Rio Maria e Goiaba. Os garimpeiros esperavam a abertura oficial dos garimpos do Mamão e do Cumaru, de onde haviam sido expulsos pela polícia, a pedido do dono da terra.

O garimpo da Goiaba era, então, o mais recente. Fora organizado pelo major Curió para abrigar 30 mil garimpeiros que haviam tomado conta de Conceição do Araguaia, sem ter para onde ir. Fazendas eram invadidas e as áreas de concessão oficial, como as da Docegeo, subsidiária da Companhia Vale do Rio Doce para pesquisa mineral, estavam ameaçadas.

FONTE: A Província do Pará (Belém/PA), 09/09/1980

Em 1980, quando o SNI estabeleceu o monopólio estatal da compra de ouro em Serra Pelada, o governo passou a pagar 65% do valor da cotação do metal na bolsa de Londres. O comprador direto era a Docegeo, subsidiária da Companhia Vale do Rio Doce para pesquisa mineral, que era reembolsada pela Caixa Econômica Federal pelo valor pago ao garimpeiro, mais 15% a título de despesas e lucro.

Desses 15%, a Docegeo descontava 1% de IUM (Imposto Único sobre Minerais) e 0,04% para a CEF, também para despesas administrativas. A Caixa, por sua vez, era ressarcida pelo Banco Central.

(Arquivo pessoal, 1980)