Em 1980, quando o SNI estabeleceu o monopólio estatal da compra de ouro em Serra Pelada, o governo passou a pagar 65% do valor da cotação do metal na bolsa de Londres. O comprador direto era a Docegeo, subsidiária da Companhia Vale do Rio Doce para pesquisa mineral, que era reembolsada pela Caixa Econômica Federal pelo valor pago ao garimpeiro, mais 15% a título de despesas e lucro.

Desses 15%, a Docegeo descontava 1% de IUM (Imposto Único sobre Minerais) e 0,04% para a CEF, também para despesas administrativas. A Caixa, por sua vez, era ressarcida pelo Banco Central.

(Arquivo pessoal, 1980)

Garimpeiros atacam Carajás

Durante cinco dias, em junho de 1984, os garimpeiros de Serra Pelada fizeram manifestações de protesto e praticaram atos de violência para forçar o governo federal a manter a extração manual de minério na área, no sul do Pará, cujos direitos de lavra pertenciam à Companhia Vale do Rio Doce.

Os garimpeiros tentaram invadir as instalações da empresa na Serra dos Carajás, sendo impedidos por um contingente de 350 homens da Polícia Militar, recrutados às pressas para atender a emergência.

Instalações públicas em Parauapebas, a cidade mais próxima da serra, foram depredadas, como a estação de tratamento de água e as sedes da subprefeitura e da delegacia de polícia. A CVRD calculou os prejuízos em cinco milhões de dólares.

Em Curionópolis, outra cidade próxima, a destruição atingiu oito prédios públicos, quatro particulares e quatro ônibus. No final, o governo aceitou reabrir o garimpo, mas pagando à CVRD indenização em valor então equivalente a 7.723.260 ORTNs, pela “retificação da concessão de lavra” detida pela empresa.

O Liberal (Belém/PA), 13/06/1984

Kayapós expulsam garimpeiros

Cerca de 200 índios kayapó, da aldeia Gorotire, no sul do Pará, expulsaram cinco mil garimpeiros que ocupavam o garimpo Maria Bonita, em Redenção, agindo de surpresa, no dia 1º de abril de 1985. Os índios reclamavam do não pagamento do dízimo da exploração do ouro pela Caixa Econômica Federal. Ante a iminência de um conflito, o governo mobilizou até um avião Búfalo para evacuar os garimpeiros da área, situada no interior da reserva indígena. A maioria dos garimpeiros ficou em Redenção.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 12/04/1985

Revolta de garimpeiros em Altamira

Em fevereiro de 1986, cerca de 1.500 garimpeiros invadiram a mina de ouro da Oca Mineração no garimpo de Itatá, em Altamira, no Pará. Dias depois da invasão, que interrompeu as atividades da empresa, os garimpeiros montaram uma emboscada, da qual agentes da Polícia Federal e funcionários da empresa saíram feridos.

O governo do Estado interveio para tentar negociar uma saída, mas os garimpeiros, para pressionar pela saída da empresa da área, ocuparam durante quatro horas a cidade de Altamira, depredaram e saquearam prédios públicos, desligando a energia e bloqueando o tráfego na rodovia Transamazônica. A situação só se normalizou com a intervenção do 51º Batalhão de Infantaria de Selva do Exército.

Fonte: Arquivo Pessoal, 03/03/1986

Garimpos do Tapajós

Um avião monomotor prefixo PT-DVF caiu ã altura de Fordlândia, no dia 12 de março de 1986, matando seus três ocupantes. O acidente ocorreu no meio da viagem entre Itaituba e Santarém, na região oeste do Pará. Morreram o piloto Ernane Machado Livio e o co-piloto Júlio Belo Neto, mais o único passageiro, Nivaldo Luís Pereira da Silva, escrivão da Polícia Federal.

O policial transportava um relatório sobre a “Operação Ouro”, que a PF executara para garantir a segurança na comercialização de ouro dos vários garimpos existentes no vale do rio Tapajós junto ã Caixa Econômica Federal.

Fonte: Arquivo Pessoal, 14/03/1986

Kayapós contra mineradoras

Em outubro de 1990, 40 índios Kayapós da aldeia Kokraimoro, armados, invadiram as sedes das mineradoras São Francisco e Canopus, no município de São Félix do Xingu, no Pará. Pintados para a guerra, os índios exigiam que as duas empresas lhes pagassem royalties pela exploração de cassiterita, embora estivessem atuando fora da área da reserva Kayapó, com 3,2 milhões de hectares.

As duas mineradoras se instalaram na área na década de 1970, explorando as minas de cassiterita Mocambo, Bom Jardim e Iriri. A Rhodia negociou seus direitos minerários sobre as minas com a Caeté Participações, grupo de São Paulo, que tinha na época como um de seus sócios o secretário de planejamento da Presidência da República, Marcos Fonseca. Os índios se irritaram porque a empresa suspendeu o fornecimento de alimentos, medicamentos e combustível que lhes fazia.

Fonte: Jornal do Brasil (Rio de Janeiro/RJ), 26/10/1990

Kayapós expulsam garimpeiros

Cerca de 200 índios kayapó, da aldeia Gorotire, no sul do Pará, expulsaram cinco mil garimpeiros que ocupavam o garimpo Maria Bonita, e Redenção, agindo de surpresa, no dia 1º de abril de 1985. Os índios reclamavam do não pagamento do dízimo da exploração do ouro pela Caixa Econômica Federal. Ante a iminência de um conflito, o governo mobilizou até um avião Búfalo para evacuar os garimpeiros da área, situada no interior da reserva indígena. A maioria dos garimpeiros ficou em Redenção.

(O Liberal, Belém/PA, 12/04/1985)