Polícia prende polícia

O delegado da polícia civil do Pará no garimpo de Serra Pelada, Édson Oliveira Ferreira, e os investigadores Paulo Gomes da Silva e José Silva, foram presos, em dezembro de 1987, por um delegado e quatro agentes da Polícia Federal. Ao ser preso e algemado, o delegado estava com uma substância conhecida como bucha, que era vendida na região como se fosse ouro por sua semelhança com o metal.

Os agentes federais, armados de metralhadora, acusaram o delegado da polícia civil de enganar os garimpeiros, prendendo-o, junto com os investigadores, no quartel do 4º Batalhão da Polícia Militar, em Marabá. No mesmo dia os três foram soltos, graças a um mandado judicial, e retornaram a Serra Pelada.

O comandante da PM, tenente-coronel Reinaldo Pessoa Chaves, disse que a prisão fora ilegal porque a bucha estava dentro de uma repartição pública, depois de ter sido apreendida pelo delegado, que a mantivera guardada à espera de reclamação/ Atribuiu o incidente à “incompatibilidade que sempre existiu entre as polícias federal e estadual”.

(O Liberal, Belém/PA, 22/12/1987)

Bolsa do ouro

Em agosto de 1994, foi instalado o Mercado Secundário de Ouro do Pará e criada a Bolsa de Ouro, no município de Itaituba, funcionando na agência local do Banco do Brasil. Na época havia oito corretoras credenciadas pelo banco para operar no mercado de ouro, que passava a contar também com a fundidora Degussa.

(Diário do Pará, Belém/PA, 08/08/1994)

O descaminho do ouro

Ao longo da década de 1980, o Pará produziu 159,8 toneladas de ouro, segundo os registros oficiais. Mas o DNPM (Departamento Nacional da Produção Mineral) calculava que apenas 20% da produção efetivamente obtida foram declaradas.

O descaminho do ouro teria alcançado 514,8 toneladas no período. Esse total não inclui, entretanto, as perdas do metal nos garimpos, consideradas muito grandes. A quase totalidade do ouro produzido na década de 80 originou-se de garimpos, responsáveis, na Amazônia, por metade da produção nacional.

(Diário do Pará, Belém/PA, 03/03/1991)

Garimpo destruidor

Em 1988, setores do governo de Mato Grosso calculavam que 350 mil pessoas (cerca de 10% da população do Estado) trabalhavam em garimpos, à cata de ouro e diamante. Só de ouro, 60 toneladas estariam sendo desviadas da comercialização regular pelo contrabando.

Os efeitos da garimpagem eram danosos ao meio ambiente. Em Aripuanã, por exemplo, 30 mil homens, cavando atrás de diamante, estavam inutilizando as águas do rio Juína, antes usadas no abastecimento doméstico da população do município.

Os danos causados ao Pantanal pelo garimpo de Poconé levariam 100 anos para ser recuperados. O rio Bento Gomes, que antes fornecia água potável para uma região de mais de 23 mil habitantes, ficou comprometido pelo assoreamento de suas margens por causa do mercúrio que passou a transportar.

(Folha de S. Paulo, São Paulo/SP, 29/08/1989)

A origem do mercúrio

O Museu Paraense Emílio Goeldi e o Instituto Evandro Chagas, ambos sediados em Belém, no Pará, iniciaram em 1999 uma pesquisa sobre o “Fluxo e Comportamento Biogeoquímico do Mercúrio nos Ecossistemas de Terra Firme e Várzea na Amazônia”.

O projeto foi criado devido a ocorrências de mercúrio nos Estados do Pará, Amapá e Acre, em áreas até então intactas e onde não havia nenhum indício de atividade garimpeira.

A pesquisa, tomando como parâmetro o caso de contaminação da baía de Minamata, no Japão, e os conhecimentos adquiridos em intercâmbio com a Jica, a agência japonesa de cooperação internacional, partiu de duas hipóteses explicativas: o metal pode ter surgido das mudanças causadas na região por queimadas e desmatamentos, ou de poluição de origem atmosférica, sendo trazido dos garimpos mais próximos pela ação dos ventos e precipitação de chuvas.

(O Liberal, Belém/PA, 11/11/1999)

O garimpo da Cutia

Em 1988 surgiu o garimpo da Cutia, no município de Curionópolis, no sul do Pará. Milhares de pessoas, muitas delas deslocadas do garimpo de Serra Pelada, às proximidades, já em decadência, foram atraídas pela notícia da descoberta de uma nova jazida de ouro.

Para poder reter o minério fino durante a lavagem do cascalho, os garimpeiros precisavam usar uma grande quantidade de mercúrio, que contaminou o único riacho da localidade, além de poluir o ar no momento da queima do metal. O garimpo, ocupando 150 hectares, evoluiu da mesma forma caótica de Serra Pelada, que surgiu em 1980.

(O Liberal, Belém/PA, 23/06/1988)

Garimpeiros atacam mineradora

Uma semana depois de terem invadido e destruído as instalações da empresa Oca Mineração, no município de Senador José Porfírio, no Pará, garimpeiros organizaram uma emboscada e feriram nove pessoas na área, em fevereiro de 1986. Três dos feridos eram agentes da Polícia Federal, um funcionário do DNPM e três funcionários da própria empresa.

Outros dois feridos foram uma mulher e seu cachorro, que haviam embarcado como caronas no carro alvo da emboscada. O ataque foi para tentar forçar a empresa a abandonar a lavra experimental de ouro que havia montado na área, na mina do Itatá.

(A Província do Pará, Belém/PA, 14/02/1986)