O assassinato de Expedito

Expedito Ribeiro de Souza, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rio Maria, no sul do Pará, foi assassinado em fevereiro de 1991, a 200 metros da porta da sua casa, na cidade de Rio Maria. Recebeu três tiros de revólver calibre 38, um pelas costas e dois na cabeça. Estava com 43 anos, era casado e tinha nove filhos. Além de ser dirigente sindical, era conhecido como poeta popular.

Os irmãos João e Geraldo de Oliveira Braga, donos de terra, foram acusados como possíveis mandantes, acusação que havia sido feita contra eles por ocasião dos assassinatos de João Canuto e dois de seus filhos, em 1985 e 1990, respectivamente. Mas João Braga disse que já havia vendido sua fazenda, a Sacuí Grande, a Gerdeci, mais conhecido como Dé.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 05-02-1991

 

Posseiros matam fazendeiro

Em setembro de 1993, o fazendeiro Fábio de Abreu foi morto de emboscada por um grupo de posseiros quando inspecionava os limites da sua fazenda, a Mara Azul, em Xinguara, no sul do Pará. O carro que ele dirigia, seguido de um outro, com várias pessoas dentro, foi atacado a tiros. Um deles acertou o fazendeiro na cabeça. José Pereira Rocha, mais conhecido como Pio, foi preso como um dos líderes da emboscada.

Fonte : O Liberal (Belém/PA),  23-09-1993

Fazendeiro mata político

Em dezembro de 1991, Mauro Monteiro dos Santos, de 39 anos, presidente do diretório municipal do PSB em Paragominas, no Pará, foi morto a tiros pelo fazendeiro Derval Leão. Francisco Nunes de Sousa, outro lavrador, também foi baleado e morto ao tentar proteger Mauro.

O fazendeiro chegou com 12 pistoleiros a um local de sua propriedade, a Fazenda Santa Rita, situada a 52 quilômetros de Paragominas, onde Mauro comandava a abertura de uma estrada vicinal a partir da PA-256, que liga os municípios de Paragominas e Tomé-Açu.

O fazendeiro dizia que essa abertura serviria para a invasão das suas terras e a retirada de madeira. Alegou haver atirado em legítima defesa, porque o grupo estava armado.

Fonte: O Globo (Rio de Janeiro/RJ), 08-12-1991

Fazendeiros denunciam padre

Em fevereiro de 1983, fazendeiros da região da estrada Pará-Maranhão se reuniram em Castanhal, no Pará, com representantes do governo e de órgãos de informação e segurança para discutir o aumento das invasões de terra nessa região.

Eles acusaram o padre Catel, baseado em Santa Luzia, no quilômetro 47, de incitar as invasões, iniciadas em 1980, quando foi morto o pai do fazendeiro Nilson Alves de Oliveira, num local próximo à Vila Concórdia, em São Domingos do Capim. Em outubro de 1982, foi morto o fazendeiro Cláudio Costa, da fazenda Cambará, e seus herdeiros não conseguiram reocupar a propriedade.

Fonte: A Província do Pará (Belém/PA), 22-02-1983

Posseiros matam filho de fazendeiro

Posseiros emboscaram e mataram o filho do proprietário das fazendas Seleta e Rio Pardo, com dois mil hectares, em Xinguara, no Pará, em agosto de 1984. Adenir Zanela, de 23 anos, e Antônio Varelo, um amigo da família, foram atingidos por disparos de cartucheira, morrendo no local. Luiz Zanela, dono das fazendas, mesmo ferido no braço, conseguiu escapar.

O fazendeiro disse que tentou inutilmente um acordo com os posseiros. Os lavradores acusaram o filho do fazendeiro de ter incendiado a roça de um colono e ter morto alguns animais. Os disparos na emboscada teriam sido feitos pelo posseiro Machado Monteiro, que foi preso.

Outro fazendeiro, Hélio Mário Olsen, com cinco mil hectares em Xinguara, acusou a CPT (Comissão Pastoral da Terra) e o deputado Paulo Fonteles como responsáveis pelas invasões. Olsen disse ter sofrido três emboscadas. Numa delas, um amigo fazendeiro foi morto. Desde então, não voltou a Xinguara. Os dois fazendeiros eram do Paraná.

Fonte: A Província do Pará (Belém/PA), 11-08-1984

Conflitos nos castanhais

Em fevereiro de 1984, o governo do Pará divulgou nota oficial esclarecendo que não havia respondido imediatamente a um apelo dos proprietários de castanhais de Marabá, que alegavam haver invasão de suas terras por ladrões de árvores de castanha, porque primeiro queria investigar os fatos.

Constatara então a presença na área “de posseiros e não ladrões de castanha, como se pretendeu fazer crer”. Nesse caso, “não cabe à polícia do governo desalojá-los, e sim assegurar o cumprimento da execução do mandado policial, através de processo regular”.

Na nota, o governo contestou que fossem “expressivas” as contrapartidas financeiras dadas ao Estado pelos donos de castanhais, ocupando área de 600 mil hectares, “recebidos gratuitamente através de aforamento”.

A receita de ICM (depois ICMS) em 1983 com a exploração da castanha havia gerado 285 milhões de cruzeiros (valor da época), mas o Estado “deixou de receber mais de 500 milhões a título de incentivo para a exportação do produto”. Já a receita dos foros anuais ficara em Cr$ 1,7 milhão.

Fonte: O Liberal (Belém), 04-02-1984

Morte de advogado de posseiros

Em 1982, foi assassinado, em Marabá, o advogado Gabriel Pimenta, que se especializara na defesa de trabalhadores rurais e agricultores. Como suspeitos de terem ordenado o crime ficaram presos, durante 21 dias, os fazendeiros Manoel Cardoso Neto, o Nelito, e José Pereira da Nóbrega, o Marinheiro.

Este último foi solto graças à interferência do então governador da Bahia, Antônio Carlos Magalhães, que comunicou o fato ao ministro da Justiça à época, Ibrahim Abi-Ackel. Marinheiro havia sido correligionário de ACM na Bahia, onde morou durante muitos anos antes de se estabelecer no Pará com duas fazendas. Marinheiro também obteve um habeas corpus na justiça.

Gabriel Pimenta era advogado dos posseiros do castanhal Cametaú, com seis mil hectares, localizado em Itupiranga, que Nelito e Marinheiro tinham comprado em sociedade, em 1980. Depois do assassinato, os dois abandonaram a propriedade.

Fonte : O Liberal (Belém/PA), 21-04-1985

Mortes em Itaipavas

O fazendeiro Neif Murad, proprietário de 50 mil hectares espalhados por seis fazendas no sul do Pará, foi assassinato em abril de 1985 com mais de 100 tiros e decapitado. Ele teria sido vítima dos próprios pistoleiros que contratara.

Uma semana antes, o fazendeiro pediu a intervenção policial para forçar seus empregados a explicarem porque não queriam trabalhar. Menos de um mês antes, alguns pistoleiros ligados a Murad tinham assassinado o comissário distrital de polícia de Itaipavas, Policarpo Pereira, e baleado o soldado Francisco Moreira Filho, apesar por terem sido advertidos pelos dois para não andarem armados pelo povoado.

Em 1984, a Polícia Federal constatara a presença de 46 trabalhadores mantidos na fazenda de Neif Murad em regime de escravidão. Alguns desses trabalhadores estavam amarrados quando a polícia chegou. Eles disseram que tinham sido obrigados a comer carne crua com sal e foram urinados pelos pistoleiros.

Ao enterrar o pai, o filho de Neif prometeu mandar matar Oneide Lima, viúva de Raimundo Ferreira Lima, conhecido como Gringo, assassinado em 1980 por pistoleiros de Neif. Ele era dono das fazendas Novo Mundo, Aldeia, São José, Cigana e lotes 7 e 8 do Loteamento Itaipavas, em São Geraldo do Araguaia.

Fonte : O Liberal (Belém), 30-04-1985.

Menos castanhais

Em 1978, técnicos do Centro de Pesquisa Agropecuária dos Trópicos Úmidos (CPATU), da Embrapa, estimavam a existência de 260 mil hectares de castanhais nativos na região do Tocantins, no Pará, tendo como principal centro o município de Marabá, dos quais 201 mil hectares estavam destinados à exploração.

Cinco anos depois a área em produção foi reduzida em 11% e a extração de castanha-do-pará cedeu lugar a novas atividades, mais intensivas no uso da terra, como a pecuária de corte e a extração de madeira.

Fonte : Jornal do Brasil (Belém), 19-01-1987

Cemitério clandestino em fazenda

Seguindo denúncia feita pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura, uma diligência policial constatou a prática de trabalho escravo na fazenda Nova Délhi, no município de Vila Rondon, no Pará, de propriedade de Josélio Carneiro Barros. Sete peões que foram ouvidos declararam que em quatro anos de trabalho jamais receberam um pagamento.

Tinham direito apenas a alimentação. Jamais tiveram acesso a uma prestação de contas sobre quanto deveriam ganhar e quanto deviam. Numa fazenda vizinha, a Techaugau, do mesmo proprietário, a polícia localizou um cemitério clandestino, ossadas e sinais de incineração de corpos cobertos por pneus e plástico preto.

Fonte: O Globo (Rio de Janeiro/RJ), 20/06/1995