Policiais mortos em conflito

Dois policiais civis do Distrito Federal, Bruno Erickman Fernandes e Cláudio Acioly, foram mortos por posseiros emboscados na Fazenda Nazaré, em Conceição do Araguaia, no sul do Pará, no final de março de 1987. Os agentes teriam sido contratados pelo dono da fazenda, juntamente com outros dois fazendeiros, para expulsar posseiros da área. O padre Ricardo Rezende, da Comissão Pastoral da Terra, acreditava no envolvimento de mais dois policiais.

Alguns dias depois do choque, um telefonema anônimo fez a polícia descobrir, a oito quilômetros de distância da cidade, na PA-150, no rumo de Xinguara, a metralhadora INA nº 0016M953, de fabricação nacional e de uso privativo das forças policiais regulares. A metralhadora teria sido usada pelos policiais de Brasília. Das 30 balas que cabem no pente, apenas seis cartuchos já haviam sido deflagrados.

A Fazenda Nazaré pertencia à Araguaia Agrícola e Pecuária, da família Gomes dos Reis, de São Paulo, com área de 12 mil hectares. A família possuía mais quatro propriedades de grande extensão: Três Irmãos (na época em processo de desapropriação para o programa de reforma agrária), Santa Maria da Conceição, Maria Luiza e Agrisa. Na Fazenda Nazaré havia 80 famílias de posseiros.

(Jornal do Brasil (Rio de Janeiro/RJ), 03/04/1987)

Gerente do Bradesco mata

O gerente da Companhia Agro-Pecuária Rio Araguaia (Capra), pertencente ao grupo Bradesco, matou o lavrador Francisco Moura Leite, de 24 anos, que ocupava um lote dentro da propriedade. O crime ocorreu em frente a uma escola de Conceição do Araguaia, no sul do Pará, em junho de 1973. Aigon Hudson Pyles era acusado de praticar violências contra lavradores desde 1971. A direção do Bradesco só tomou providências depois do crime e da prisão do gerente. O presidente do banco, Amador Aguiar, enviou uma carta ao prefeito de Conceição repudiando a “desatinada atitude” do seu gerente,

(Arquivo Pessoal, 01/08/1973)

Policiais mortos em conflito

Dois policiais civis do Distrito Federal, Bruno Erickman Fernandes e Cláudio Acioly, foram mortos por posseiros emboscados na Fazenda Nazaré, em Conceição do Araguaia, no sul do Pará, no final de março de 1987. Os agentes teriam sido contratados pelo dono da fazenda, juntamente com outros dois fazendeiros, para expulsar posseiros da área.

O padre Ricardo Rezende, da Comissão Pastoral da Terra, acreditava no envolvimento de mais dois policiais. Alguns dias depois do choque, um telefonema anônimo fez a polícia descobrir, a oito quilômetros de distância da cidade, na PA-150, no rumo de Xinguara, a metralhadora INA nº 0016M953, de fabricação nacional e de uso privativo das forças policiais regulares.

A metralhadora teria sido usada pelos policiais de Brasília. Das 30 balas que cabem no pente, apenas seis cartuchos já haviam sido deflagrados. A Fazenda Nazaré pertencia à Araguaia Agrícola e Pecuária, da família Gomes dos Reis, de São Paulo, com área de 12 mil hectares.

A família possuía mais quatro propriedades de grande extensão: Três Irmãos (na época em processo de desapropriação para o programa de reforma agrária), Santa Maria da Conceição, Maria Luiza e Agrisa. Na Fazenda Nazaré havia 80 famílias de posseiros.

(Jornal do Brasil, Rio de Janeiro/RJ, 03/04/1987)

Búfalos na Amazônia

A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) estimava, em 1983, o rebanho de búfalos na Amazônia em 600 mil cabeças, concentradas no Pará. Com a taxa de crescimento regional, de 10% ao ano, o efetivo deveria atingir 60 milhões de cabeças em 2031, igualando-se à população bubalina da Índia, a maior do mundo.

O melhor local para o desenvolvimento do criatório são as extensas áreas de pastagens nativas localizadas nas várzeas inundáveis, estimadas em 11 milhões de hectares. Na Amazônia existem todas as quatro raças bubalinas: mediterrâneo, murrah, jafarabadi e carabao. Os dados da Embrapa revelavam a vantagem da criação do búfalo sobre os bovinos.

Enquanto entre os bois a taxa de natalidade é de 40% a 50%, entre os bubalinos ela vai de 60% a 70%; a incidência de mortes até se completar um ano entre os bovinos é de 10% a 11%, a dos bubalinos fica entre 5% e 6%: o bovino bom para abate está entre 320 e 370 quilos, enquanto o búfalo alcança entre 300 e 400 quilos; a idade de abate entre os bovinos fica entre 3,5 e 5 anos, e a dos bubalinos se situa entre 2 e 3 anos.

Até a metade da década de 80 a Sudam (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia) havia aprovado a implantação de fazendas de búfalo que previam a criação de mais de 50 mil animais, em aproximadamente 80 mil hectares de pastagens.

((Diário do Pará, Belém/PA, 21/02/1985))

Projetos irregulares na Sudam

Em novembro de 2000 o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, divulgou nota oficial a respeito de denúncias de irregularidades praticadas pela Sudam (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia), favorecendo o empresário José Osmar Borges, de Mato Grosso.

Na nota, o ministro informa que, ao assumir o cargo, pediu ao presidente da república e conseguiu a exoneração do então superintendente da Sudam, José Arthur Guedes Tourinho, apontado como envolvido nas irregularidades.

Sindicância promovida em relação à gestão de Tourinho levou à instauração de processo administrativo disciplinar, ainda em curso na ocasião. Informações sobre os projetos suspeitos de favorecimento foram enviadas à Secretaria Federal de Controle. A Sudam se credenciou como coautora na ação proposta pelo Ministério Público contra os fraudadores dos recursos públicos.

Informou ainda o ministro que dois projetos de Osmar Borges, o da Agropecuária Santa Júlia (que o Conselho Deliberativo da Sudam considerou implantado em 1996, dois anos antes da divulgação das primeiras denúncias), e da Saint Germany Agroindustrial, estavam sendo revistos para verificação dos fatos.

Um terceiro, da Moinho Santo Antônio, aprovado em 1999, já recebera 18% dos recursos dos incentivos fiscais comprometidos pela Sudam, ou 18,5 milhões de reais, tendo executado 12% do cronograma físico.

Bezerra assegurou que em seu período como ministro, “jamais foram liberados quaisquer recursos de incentivos fiscais” para empreendimentos de Osmar Borges. E que, de novembro de 1999 a junho de 2000, a administração da Sudam cancelou 96 projetos por “irregularidades diversas”.

(O Liberal, Belém/PA, 22/11/2000)

Ocupação pela pata do boi

O ministro do Interior, Costa Cavalcanti, ao presidir uma reunião do Conselho Deliberativo da Sudam (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia), em Belém, em agosto de 1969, fez um balanço dos dois anos e meio de existência do órgão, que substituiu a SPVEA (Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia), em 1966.

No período, a Sudam aprovara 259 projetos, dos quais 134 agropecuários, 120 industriais e cinco de serviços básicos. O ministro destacou como positivo “o equilíbrio existente entre os projetos agropecuários e industriais, pois o progresso de uma região como a Amazônia precisa ser equilibrado”.

Argumentou que a concentração de projetos no sul do Pará e norte de Mato Grosso e Goiás (atual Tocantins) “são vitais ao processo de ocupação dos espaços vazios e demonstram o acerto da nova geração, empregando o processo histórico de interiorização do Brasil através da pata do boi”.

(Folha do Norte, Belém/PA, 13/08/1969)