Pesca de pirarucu em Tucuruí

Em agosto de 1887, a Sudepe (Superintendência do Desenvolvimento da Pesca) suspendeu, em caráter emergencial, a pesca de pirarucu nas águas do reservatório da hidrelétrica de Tucuruí, no Pará, com o emprego de rede de qualquer espécie. A pesca permaneceria apenas para o uso de arpão e flecha (a fisga de corda).

A medida foi adotada em caráter experimental a pedido da Federação dos Pescadores do Pará e das colônias Z-30, de Marabá, Z-32, de Tucuruí, e Z-44, de Itupiranga.

(A Província do Pará,Belém/PA, 28/08/1987)

Barco estrangeiro apresado

Uma corveta da Marinha brasileira apresou o barco pesqueiro americano King West, em julho de 1971, no litoral norte. A embarcação foi flagrada quando operava nos limites das 200 milhas territoriais brasileiras, mas seu comandante se recusou a sair, alegando que estava em águas internacionais. O navio brasileiro disparou então dois tiros de canhão, acertando a proa do pesqueiro. Em seguida, o apresou e o transportava para Belém quando uma ordem do ministro da Marinha, almirante Adalberto de Barros Nunes, dada por rádio, determinou a soltura do barco estrangeiro.

(Folha do Norte, Belém/PA, 11/07/1971)

Proteção à pesca

Em 1971 a Sudepe (Superintendência de Desenvolvimento da Pesca) considerou Belém área prioritária para ocupar, com a indústria nacional, a área do mar territorial de 200 milhas no litoral norte, na qual vinham atuando principalmente empresas estrangeiras.

Essa área abrange quase 500 milhas, com potencialidade então estimada de 45 mil toneladas de camarão, sendo considerado o maior banco camaroneiro do mundo. Belém foi selecionada para basear o plano por ser o ponto de convergência de toda a região litorânea do Maranhão ao Amapá.

Na cidade estavam instaladas oito indústrias pesqueiras, com uma frota de 29 navios. No litoral, antes do decreto do mar territorial de 200 milhas, atuavam mais de 500 barcos estrangeiros, dos quais 450 do Suriname, com capacidade de capturar até 5 mil toneladas de camarão, processadas em alto mar por um navio-fábrica com capacidade para 3 mil toneladas. O destino do produto eram os Estados Unidos.

A Sudepe pretendia apoiar a compra de 25 novos barcos nacionais e a instalação de mais uma empresa de pesca. Para ampliar o conhecimento sobre a área, estava deslocando dois barcos de pesquisa, batizados de Riobaldo e Diadorim, com o apoio de várias instituições científicas. Além do camarão, uma das espécies de maior interesse era a piramutaba, peixe que pode alcançar 100 quilos, muito consumido nos EUA.

(Folha do Norte, Belém/PA, 11/07/1971)

Quelônios atacados

Em outubro de 1960 o Inspetor Regional de Caça e Pesca no Pará, Cícero Sequeira, denunciou à Secretaria de Segurança Pública do Estado que em três municípios (Monte Alegre, Almeirim e Oriximiná) “se está procedendo à pesca de tartaruga e tracajás, bem assim a colheita de ovos fora de época, muito embora seja terminantemente proibido”. O secretário de segurança prometeu tomar “rigorosas providências” a respeito.

(Folha do Norte, Belém/PA, 26/10/1960)

Para defender o peixe-boi

O Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) e a Sudepe (Superintendência do Desenvolvimento da Pesca, já extinta) iniciaram em 1974, através de convênio, um programa para pesquisar e proteger o peixe-boi, vítima de matança indiscriminada nos lagos e várzeas da Amazônia Ocidental, e uma das espécies ameaçadas de extinção.

O maior potencial de pesca indiscriminada estava no município de Tefé, no Estado do Amazonas. O peixe-boi é um animal herbívoro, que consome nutrientes e os devolve como excremento ao meio em que vive. Com isso, revitaliza a produção de algas, zooplancton, pequenos organismos e peixes, num processo contínuo de alimentação e realimentação.

Sua extinção provocaria uma retração no consumo dos capins flutuantes, dos microorganismos e da vegetação, possibilitando a formação de gás tóxico para os peixes, principalmente pela redução do oxigênio na água. Como fertilizador do ambiente, o peixe-boi permite a conservação de outras espécies.

O Liberal, Belém/PA, 26/07/1974)

A caça ao camarão

 

Para cada quilo de camarão rosa capturado no litoral norte do Brasil, cerca de 7,2 quilos de fauna acompanhante – peixes, moluscos e mariscos – são devolvidos inertes ao mar. Em 1984 foram desperdiçadas quase 37 toneladas de fauna acompanhante, sem qualquer aproveitamento comercial.

Esse número baixou no ano seguinte para 32 toneladas. Do total, mais de 20 toneladas poderiam ser aproveitadas com a seleção de espécimes de boa qualidade para o suprimento do mercado interno, segundo pesquisa do Idesp (Instituto de Desenvolvimento Econômico-Social do Pará).

Raro mundialmente e só encontrado em águas do norte do Brasil, o camarão rosa é capturado e exportado para o exterior praticamente sem que uma preocupação orientasse contra a agressão marinha ocasionada. Constituindo-se num dos maiores bancos camaroneiros do mundo, a região de ocorrência do camarão rosa vai da foz do rio Parnaíba, no Piauí, até o Cabo Orange, no Amapá, cobrindo cerca de 223 mil quilômetros quadrados.

(O Liberal, Belém/PA, 11/10/1989)