Petróleo: risco em terra

Em agosto de 1979, a Petrobrás assinou com o consórcio Shell/Pecten os três primeiros contratos de risco para exploração de petróleo em áreas terrestres. Os três blocos ficavam a 500 quilômetros de distância do poço de Juruá, onde a Petrobrás descobriu gás ao custo de 10 milhões de dólares, na bacia sedimentar do Médio Amazonas, região do alto rio Madeira, sul de Manaus.

Esses primeiros contratos para áreas em terra foram assinados quando já estavam em vigor 26 contratos de risco. O contrato de risco de exploração em terra tinha prazo de vigência de cinco anos. Os três primeiros seriam para o levantamento sísmico.

Os dois anos seguintes seriam para a perfuração do primeiro poço, prorrogáveis por mais dois anos, mas neste caso com direito de exploração de apenas 50% do bloco e obrigatoriedade de fazer outra perfuração. O investimento mínimo de cada contrato seria de 12 milhões de dólares e mais US$ 3 milhões para a sísmica.

Fonte : Jornal do Brasil (RJ), 21-08-1979

Água em vez de gás

Em maio de 1980, as principais bolsas de valores do Brasil registraram uma alta imoderada das ações da Petrobrás. Foi devido à informação de que a empresa havia encontrado uma nova jazida de petróleo na costa do Amapá, onde perfurava o poço Amapá Submarino 31-A, situado a 150 quilômetros do litoral.

A expectativa favorável decorreu da constatação de uma elevada resistividade (resistência à passagem de corrente elétrica nos perfis elétricos extraídos do poço). Em geral, essa característica indica a existência de gás e petróleo nas rochas. Mas com a perfuração surgiu apenas água no poço.

Fonte: O Estado de S. Paulo (SP), 22-05-1980

Petróleo pelo Amazonas

A Companhia de Navegação da Amazônia, criada em novembro de 1957, foi a armadora pioneira no transporte de petróleo e derivados na Amazônia. A serviço da Petroperu, transportava o produto da costa peruana do Pacífico até Iquitos, Manaus, onde era feito o transbordo até Manaus. Os principais acionistas da empresa, em 1982, eram a armadora Libra (54,46%), o Lloyd Brasileiro (17,3%) e a Petrobrás (27,6%). Seu presidente era, então, Ronald Pinto Carreteiro.

Fonte: O Estado de S. Paulo (SP), 05-10-1982

Petróleo do Amazonas

As reservas de gás das províncias de Juruá e Urucu, no Estado do Amazonas, as mais importantes da região amazônica e as únicas em produção, eram estimadas, em 1995, pela Petrobrás, em 58 bilhões de metros cúbicos. Em 1991, o gás natural de Urucu deixou de ser queimado, passando a ser reinjetado nos poços graças à instalação de um conjunto de compressores. O aproveitamento comercial foi iniciado em janeiro de 1993, quando começou a operar uma unidade de processamento de gás com capacidade final para 600 mil metros cúbicos diários.

Fonte: A Província do Pará (Belém/PA), 28/06/1995

Gás do Amazonas

As reservas de gás das províncias de Juruá e Urucu, no Estado do Amazonas, as mais importantes da região amazônica e as únicas em produção, eram estimadas, em 1995, pela Petrobrás, em 58 bilhões de metros cúbicos. Em 1991, o gás natural de Urucu deixou de ser queimado, passando a ser reinjetado nos poços graças à instalação de um conjunto de compressores.

O aproveitamento comercial foi iniciado em janeiro de 1993, quando começou a operar uma unidade de processamento de gás com capacidade final para 600 mil metros cúbicos diários.

Fonte: A Província do Pará (Belém/PA), 28/06/1995

Contratos de risco

 

Nos 14 anos de vigência dos contratos de risco para a exploração de petróleo (1975-1988), foram assinados 143 acordos com as 35 maiores e mais experientes empresas estrangeiras, que tiveram à sua disposição mais de 80% das bacias sedimentares brasileiras.

No período 1977-89, elas investiram 1,1 bilhão de dólares, dos quais apenas US$ 350 milhões no Brasil. A diferença destinou-se ao pagamento de equipamentos e mão de obra no exterior. No mesmo período, a Petrobrás aplicou US$ 26 bilhões, ou quase 80 vezes mais.

As multinacionais perfuraram 205 poços, contra 9.770 concluídos pela Petrobrás. Apenas uma das companhias estrangeiras conseguiu fazer uma descoberta: a Pecten chegou a uma pequena ocorrência de gás na bacia de Santos.

No mesmo período, a Petrobrás mais do que quadruplicou a produção brasileira de óleo e gás equivalente, elevando-a de 169 mil barris diários em 1975 para 700 mil barris em 1989. De uma produção própria que representava 17% das suas necessidades de petróleo, o Brasil passou para quase 60% em 1995.

Em 1979, quando o preço do barril de petróleo chegou a custar 52 dólares, o Brasil gastou quase metade da sua receita de exportação comprando óleo (US$ 10 bilhões). Em 1994 as importações de petróleo representaram 5% da receita de exportação.

(Folha de S. Paulo, São Paulo/SP, 18/04/1995)

Petróleo na foz do Amazonas

As primeiras pesquisas na de petróleo foz do rio Amazonas, na década de 1950, foram conduzidas pelos consultores norte-americanos De Golyer e Mac Naughton. Após intensivos trabalhos de geofísica, foram localizados três “pontos brilhantes” (bright-spots), na foz do rio Tocantins, ao norte da ilha de Marajó e na bacia do rio Capim.

As primeiras três perfurações foram efetuadas entre 1951 e 1952 (antes, portanto, da criação da Petrobrás). Como não foi encontrado óleo ou gás, a plataforma continental do Pará e do Amapá foi classificada como categoria IV, ou seja, desfavorável.  Outros testes foram feitos e a qualificação alterada em 1965 para categoria III, de “possivelmente favorável”.  Em 1968, a área passou para a categoria I, de “altamente favorável”.

A bacia sedimentar da foz do Amazonas, como é conhecida pelos técnicos da Petrobrás, compreende uma parte emersa, chamada de bacia de Marajó, que ocupa uma área de 90 mil quilômetros quadrados, considerando-se até a lâmina d’água de 200 metros.

A partir daí começa o Grande Cone do Amazonas, zona submersa com lâmina d’água que chega a atingir três mil metros de profundidade. Essa área, em forma de leque, distante 300 quilômetros da costa, quase atingindo os limites do Brasil com a Guiana Francesa, tem 100 mil quilômetros quadrados.

Nela, a sedimentação pode ter propiciado condições de petróleo mais favoráveis do que em qualquer outro ponto da foz do Amazonas, segundo os estudos da Petrobrás.

(Gazeta Mercantil, São Paulo/SP, 15/10/1975)