Canuto é assassinado

O sindicalista João Canuto de Oliveira, ex-presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Rio Maria, no Pará, foi assassinado com 19 tiros dados à queima-roupa, em 18 de dezembro de 1985. O ex-prefeito de Rio Maria, Adilson Laranjeira, foi acusado de mandante do crime, executado por pistoleiros contratados por um taxista e um mecânico da cidade, localizada no sul do Estado, que teriam funcionado apenas como intermediários. Canuto era líder dos sem-terra da região e contava com o apoio da CPT (Comissão Pastoral da Terra).

(O Liberal, Belém/PA, 30/10/1999)

Político assassinado em Itaituba

Raimundo Silva de Souza, vereador do PSB (Partido Socialista Brasileiro) de Itaituba, no Pará, foi assassinado com um tiro de cartucheira calibre 20 no dia 26 de julho de 1989, quando saía de sua casa, num bairro da cidade.

Segundo o presidente do partido, o então deputado federal Ademir Andrade, Raimundo teria sido a 40ª pessoa assassinada em seis meses na região por quadrilhas envolvidas com o narcotráfico e a venda ilegal de ouro, que tinham poder e contavam com a cobertura de políticos.

O deputado verificou, numa funerária de Itaituba, no oeste do Estado, uma média mensal de 15 óbitos causados por essas quadrilhas.

(Jornal do Brasil, RJ, 02/08/1989)

O pistoleiro de Marabá

O pistoleiro conhecido como Sebastião da Terezona, um dos mais famosos e temidos do Pará, chegou a Marabá em 1960, quando tinha 16 anos. Alguns anos depois foi contratado para trabalhar no Castanhal Tona, de propriedade da CIB (Companhia Industrial do Brasil), de Salim Carlos Chamié, para fiscalizar os limites da propriedade e impedir que ela fosse invadida.

Sua fama de pistoleiro começou quando matou num duelo um homem que o havia ameaçado de morte, segundo a versão que Terezona apresentou ao ser preso, em 1986. Ele negou sua participação em todos os crimes de que foi acusado:

*O assassinato de dois homens, em agosto de 1985, na Folha (bairro) 28, em Marabá;

*Ter comandado um massacre de posseiros no Castanhal Surubim, de propriedade de João Almeida, no município de Xinguara;

*De ter assassinado Antônio Pereira da Silva, depois queimando o corpo dele, às margens da rodovia PA-150, em 1985;

*E de ter comandado a chacina de cinco posseiros no Castanhal Ubá, em junho do mesmo ano.

(O Liberal, Belém/PA, 10/10/1986)

Fazendeiro e o Peace Corps

O fazendeiro Satoshi Kuryonagi foi destituído, em 1976, do cargo de representante da entidade religiosa Peace Corps (Corpos da Paz) por causa da perseguição que movia contra os posseiros da Gleba União, em Mato Grosso.

Documentos contra o fazendeiro foram encaminhados ao embaixador dos Estados Unidos no Brasil, John Crimmins, pela Prelazia de Diamantino, levando ao desligamento de Satoshi.

Ele também foi acusado de tentar subornar o juiz da comarca, Crestino Sisti, enviando-lhe uma garrafa de uísque na qual o líquido foi substituído por cédulas de dinheiro. Anteriormente, o fazendeiro teria dado mil alqueires de terra ao major Zuzi Alves da Silva, delegado-geral da polícia civil de Mato Grosso.

(O Estado de S. Paulo, São Paulo/SP, 24/11/1976)

O assassinato dos Canuto

Os irmãos Paulo e José Canuto foram mortos em Rio Maria, no sul do Pará, por quatro pistoleiros, no dia 23 de abril de 1990. O terceiro irmão, Orlando Canuto, conseguiu sobreviver, embora gravemente ferido, fugindo para a mata. Seus perseguidores confundiram uma ambulância que se aproximava do local com um carro de polícia e fugiram.

Todas as vítimas do atentado eram militantes do Partido Comunista do Brasil, como o pai, assassinado em 1985, e os mecânicos Braz Antônio de Oliveira e Ronan Rafael Ventura.

A polícia identificou como mandantes do crime o ex-proprietário da fazenda Suaçuí, Geraldo de Oliveira Braga, o Braguinha; seu sucessor na propriedade, Gerdeice Ferreira Marques, e o gerente da fazenda, Francisco Murta. O gerente relacionou 20 armas que estavam na sede da fazenda, mas a polícia só encontrou 11. Entre as que estavam faltando havia uma metralhadora Thompson calibre 45.

(Folha do Norte, Belém/PA, 03/05/1990)

Caso Quintino: PMs absolvidos

As Câmaras Reunidas do Tribunal de Justiça do Estado do Pará absolveram, em setembro de 1991, o capitão da Polícia Militar Raimundo Cordovil, o tenente José Maria Pereira de Oliveira e mais 25 soldados acusados de participar da morte do pistoleiro Raimundo Lira, mais conhecido como Quintino, ocorrida em 4 de janeiro de 1985, em Viseu, no nordeste do Estado. Em março do mesmo ano os militares haviam sido julgados pelo Conselho Especial da Polícia Militar e absolvidos por unanimidade (5 a 0).

(O Liberal, Belém/PA, 28/09/1991)

Juíza abandona processo

Em outubro de 1991 a juíza Yvonne Santiago Marinho, da 2ª vara criminal do fórum de Belém, a quarta mais antiga do Estado, anunciou seu desligamento da presidência do processo que, nos três anos anteriores, vinha apurando o assassinato do deputado estadual João Carlos Batista, do PSB, ocorrido em dezembro de 1988. Ela fez o anúncio minutos antes de iniciar a acusação de Péricles Ribeiro Moreira e Roberto Cirino de Oliveira, apontados como autores do assassinato, que, no entanto, negaram a imputação.

A juíza atribuiu sua iniciativa às pressões que vinha recebendo da mãe do deputado assassinado, às quais não reagia alegando seu “respeito pelo idoso”. Para encerrar a instrução faltava apenas um procedimento formal antes da sentença. A própria juíza, que se dizia convencida da culpa dos dois acusados, reconheceu que sua atitude era inusitada.

(O Liberal, Belém/PA, 06/10/1991)