Polícia prende polícia

O delegado da polícia civil do Pará no garimpo de Serra Pelada, Édson Oliveira Ferreira, e os investigadores Paulo Gomes da Silva e José Silva, foram presos, em dezembro de 1987, por um delegado e quatro agentes da Polícia Federal. Ao ser preso e algemado, o delegado estava com uma substância conhecida como bucha, que era vendida na região como se fosse ouro por sua semelhança com o metal.

Os agentes federais, armados de metralhadora, acusaram o delegado da polícia civil de enganar os garimpeiros, prendendo-o, junto com os investigadores, no quartel do 4º Batalhão da Polícia Militar, em Marabá. No mesmo dia os três foram soltos, graças a um mandado judicial, e retornaram a Serra Pelada.

O comandante da PM, tenente-coronel Reinaldo Pessoa Chaves, disse que a prisão fora ilegal porque a bucha estava dentro de uma repartição pública, depois de ter sido apreendida pelo delegado, que a mantivera guardada à espera de reclamação/ Atribuiu o incidente à “incompatibilidade que sempre existiu entre as polícias federal e estadual”.

(O Liberal, Belém/PA, 22/12/1987)

Blitz em fazendas

Entre dezembro de 1986 e janeiro de 1987, a Polícia Federal realizou sua quarta Operação Bico do Papagaio, destinada ao desarmamento no sul do Pará e parte de Goiás (atual Tocantins) e Maranhão. Durante oito dias a operação mobilizou 20 agentes, delegados e escrivães, que apreenderam 45 armas de fogo de vários calibres, 20 das quais encontradas na Fazenda das Tartarugas, de propriedade dos irmãos Adão e Raimundo Modesto.

Todas as armas apreendidas estavam em poder de fazendeiros e seus empregados. A polícia também encontrou duas orelhas humanas, conservadas em frascos com uma substância que parecia ser formol, na Fazenda Marajoara, a 100 quilômetros de Redenção, no sul do Pará. O proprietário da fazenda, Manuel de Sá Júnior, mantinha as orelhas como uma espécie de troféu.

A operação policial constatou ainda um caso de trabalho escravo, na Fazenda Santa Luzia, em Redenção, onde o proprietário, identificado como Adão Garcia, mantinha oito pessoas presas sob regime de escravidão.

(O Liberal, Belém/PA, 07/01/1987)

Polícia prende Kayapós

Normal
0

21

false
false
false

PT-BR
X-NONE
X-NONE

MicrosoftInternetExplorer4

/* Style Definitions */
table.MsoNormalTable
{mso-style-name:”Tabela normal”;
mso-tstyle-rowband-size:0;
mso-tstyle-colband-size:0;
mso-style-noshow:yes;
mso-style-priority:99;
mso-style-qformat:yes;
mso-style-parent:””;
mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;
mso-para-margin-top:0cm;
mso-para-margin-right:0cm;
mso-para-margin-bottom:10.0pt;
mso-para-margin-left:0cm;
line-height:115%;
mso-pagination:widow-orphan;
font-size:11.0pt;
font-family:”Calibri”,”sans-serif”;
mso-ascii-font-family:Calibri;
mso-ascii-theme-font:minor-latin;
mso-fareast-font-family:”Times New Roman”;
mso-fareast-theme-font:minor-fareast;
mso-hansi-font-family:Calibri;
mso-hansi-theme-font:minor-latin;}

Em agosto de 1985, uma tropa da Polícia Militar invadiu a reserva Kayapó, no sul do Pará, e prendeu cinco guerreiros da aldeia Gorotire. Os policiais foram chamados pelos fazendeiros, estabelecidos no limite sul da reserva. O litígio entre fazendeiros e índios foi provocado pela não demarcação dos 3,3 milhões de hectares da reserva. A invasão da PM e a prisão dos guerreiros provocou reação dos Kayapós.

(O Liberal, Belém/PA, 28/08/1985)

Grande apreensão de cocaína

A Polícia Federal efetuou, em julho de 1991, a maior apreensão de cocaína até então ocorrida no Brasil. Foram 554 quilos da droga pura, que era transportada por dois irmãos do deputado federal Jabes Rabelo, seu assessor parlamentar, Abdiel Rabelo, e pelo piloto particular Nobias Pinto Rabelo. Um terceiro homem também foi preso e um quarto conseguiu fugir.

Os 542 pacotes de cocaína, com suásticas negras neles impressas (a marca do Cartel de Cáli), chegaram a Rondônia em um jatinho particular. De lá foram transportadas por terra para São Paulo, onde houve a apreensão. De navio, seguiriam para a Europa.

Abdiel, com várias passagens pela polícia, uma delas por tráfico, mas de pequena monta, era transportador do Cartel de Cáli, a segunda maior organização mundial do tráfico, depois do Cartel de Medellin. De Cali sai 60% da droga vendida nos Estados Unidos e na Europa. Na época, o quilo da cocaína no mercado internacional estava avaliado entre 20 mil e 22 mil dólares.

(Jornal do Brasil, Rio de Janeiro/RJ, 11/07/1991)

O transporte de droga

Em janeiro de 1999 a Polícia Federal apreendeu 200 quilos de cocaína em Tabatinga, a 1.100 quilômetros de Manaus, na fronteira do Amazonas com a Colômbia. Em maio do mesmo ano apreendeu mais 118 quilos da droga em Santa Isabel do Rio Negro, a 630 quilômetros de Manaus.

A carga era transportada no barco-recreio Catatau pelos colombianos Manoel Emílio Ospine Herédia e Meher Alimo Escobar, e os brasileiros Luciano Dias Gonçalves, Isaías da Silva Nunes e José Eraldo Duarte, que foram presos. As circunstâncias das duas apreensões levaram a PF a concluir que o transporte de droga pelos rios crescera muito devido ao aumento da fiscalização nos portos e aeroportos principais.

(O Globo, Rio de Janeiro/RJ, 08/05/1999)

A justiça e o narcotráfico

Entre 1998 e o início de 1999, 15 traficantes brasileiros, colombianos e peruanos fugiram da prisão, no Amazonas, depois de serem beneficiados pela concessão de regime aberto ou por alvarás de soltura expedidos pelo Tribunal de Justiça do Estado.  De 12 despachos, 9 foram assinados pelo corregedor-geral, desembargador Daniel Ferreira da Silva, beneficiando sempre clientes de três advogados.

Esses fatos levaram a Procuradoria Regional da República e a Polícia Federal a investigar o envolvimento do magistrado na venda de alvarás para traficantes. Um dos casos mais comentados dizia respeito à fuga, em agosto de 1998, dos colombianos Luís Carlos Calcedo e Luiz Miguel Sanches Aidana.

Condenados a quatro anos de prisão em regime fechado pela justiça federal por tráfico internacional de drogas, em março de 1998, fugiram depois de terem sido beneficiados pelo regime de prisão aberto. O alvará foi assinado pelo desembargador Daniel Silva. Sua decisão surpreendeu o Ministério Público: um juiz estadual não pode alterar o regime de prisão estabelecido pela justiça federal.

O corregedor se defendeu alegando ter sido vítima de uma rede de falsificadores de assinaturas. Acusou o chefe da Divisão Judiciária do TJ amazonense, Antônio Carlos Santos dos Reis, de vender alvarás de soltura. Reis retrucou que a acusação era uma calúnia. Maria José Menescal de Vasconcelos era uma das advogadas cujos clientes mais foram beneficiados pelas decisões do desembargador.

(O Globo, Rio de Janeiro/RJ, 30/04/1999)

A Polícia Federal e o tráfico

O orçamento operacional da Polícia Federal para o combate ao narcotráfico na Amazônia foi de quatro milhões de reais em 1998. Do efetivo de 85 agentes da corporação na região, apenas 15 estavam lotados na Delegacia de Repressão aos Entorpecentes (DRE). Para atender as necessidades seria preciso ter  90 homens, segundo o delegado Mauro Spósipo, coordenador da PF para o combate ao narcotráfico, em depoimento à CPI do Narcotráfico da Câmara Federal, em Brasília, em maio de 1999. Dias antes Spósito fora demitido do cargo de superintendente da PF no Amazonas. Ele disse que 740 pistas de pouso já haviam sido cadastradas na Amazônia, das quais 18 foram destruídas pela polícia, por serem clandestinas.

(O Liberal, Belém/PA, 12/05/1999)