PM mata garimpeiros na ponte

Como numa operação de guerra, 340 homens da Polícia Militar do Pará desobstruíram, no dia 29 de dezembro de 1987, a ponte rodoferroviária sobre o rio Tocantins, em Marabá. Na véspera, a ponte foi ocupada por aproximadamente 2.500 garimpeiros, numa manifestação em favor da reabertura do garimpo de Serra Pelada.

O comandante da tropa pediu que os garimpeiros abandonassem a ponte, mas eles decidiram permanecer no local, cantando o hino nacional. Um garimpeiro teria atirado uma pedra e ferido um soldado. Os militares reagiram, a princípio atirando para o ar, mas depois investindo contra a massa.

Oficialmente, foram admitidas apenas duas mortes, embora os manifestantes falassem em dezenas de mortos ou desaparecidos: José dos Santos, de 33 anos, piauiense de Teresina, recebeu um tiro de fuzil nos rins; e um garimpeiro de identidade desconhecida, de cor branca, louro, forte, levou um tiro no pulmão.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 31-07-1985

Assassinato no ar

Em julho de 1985, o radialista Robson José Abade foi morto diante das câmeras da TV Tocantins, em Marabá, que estavam em pleno funcionamento, pelo então delegado de polícia do garimpo de Serra Pelada, Salvador Chamon Sobrinho, irmão do vereador João Chamon Neto.

Robson havia acabado de acusar Chamon de ser desonesto quando o policial, acompanhado de Álvaro Luiz de Oliveira, o Ceará, invadiu o estúdio, discutiu com o radialista e deu-lhe cinco tiros com uma pistola 7.65, matando-o na hora. Depois fugiu, apresentando-se vários dias depois, em Belém.

Fonte: A Província do Pará (Belém/PA), 31-07-1985

Pistoleiro acusa secretário

Depondo perante a CPI da pistolagem, instalada na Câmara Federal, em setembro de 1993, o pistoleiro Roberval Magalhães, o Polaco, revelou ter recebido, um ano antes, proposta para assumir a autoria do assassinato do ex-senador Olavo Pires. Segundo ele, o ex-secretário de Segurança Pública de Rondônia, Edson Simões, foi o autor da proposta.

Em troca do falso testemunho, Simões teria oferecido uma condenação máxima de 12 anos, a escolha da penitenciária onde cumpriria a pena e mais uma quantia em dinheiro. A proposta teria sido feita diante do procurador da Justiça Federal em Rondônia, Ivo Scherer, do representante da OAB no inquérito, advogado Paulo Luiz Sales, e de um dos delegados que faziam parte da investigação, Joveli Gonçalves, atual secretário de Segurança Pública do Estado. Todos negaram as acusações.

Fonte: O Globo (Rio de Janeiro/RJ), 24-09-1993

Inquérito da morte de João Batista

Em janeiro de 1989, o delegado Brivaldo Soares remeteu para a justiça o inquérito policial instaurado para apurar o assassinato do deputado estadual João Carlos Batista, praticado em dezembro do ano anterior, quando chegava ao prédio onde morava, em Belém.

O delegado indiciou como responsáveis Roberto Cirino de Oliveira, o Robertinho, Péricles, Jeová Campos, Josiel Martins e Oscar Ferreira. Apesar de encaminhar o inquérito, o delegado pediu a devolução dos autos para poder concluir diligências que ainda estava realizando. Na ocasião, o único preso era o pistoleiro Robertinho.

Fonte: Diário do Pará (Belém/PA), 21-01-1989

Ibama começa a usar helicóptero

O combate do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) às queimadas no Pará se tornou mais eficiente em 1988, graças à utilização de um helicóptero, alugado a uma empresa particular. Com a ajuda do aparelho, os fiscais do Ibama passaram a chegar aos locais de queimadas e desmatamentos poucos minutos após a detecção da irregularidade.

Os fiscais começaram a receber ameaças anônimas, entre as quais de que o helicóptero seria derrubado a tiros. Os disparos não aconteceram, mas os pilotos encontraram excesso de água na gasolina e peças com aparência suspeita, obrigando-os a recorrer a perícia para verificar se teria havido sabotagem.

A melhoria das condições de fiscalização foi proporcionada por recursos financeiros do Banco Mundial. Até o final de agosto de 1989 o Ibama t inha recebido no Pará mais de 500 pedidos de autorização para desmatamento, mas só havia liberado 200. O órgão dispunha, para o trabalho naquele ano, de seis carros, 15 agentes de defesa e 8 técnicos, equipe apoiada por oito agentes da Polícia Federal.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 31-06-1989

Morte de Quintino

Armando Oliveira Silva, o pistoleiro Quintino, foi morto, em janeiro de 1985, com dois tiros, que o atingiram pelas costas. Uma bala entrou pelo lado direito do pescoço e a outra pela região dorsal esquerda. Uma patrulha da Polícia Militar foi quem o matou, no dia 5, na localidade de Vila Nova, município de Ourém, no Pará. O corpo foi enterrado em Capanema, mas, uma semana depois, teve que ser exumado para que o Instituto Médico Legal fizesse a necropsia e definisse a causa da morte.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 13-01-1985

Contrabando apreendido

Em setembro de 1988, a Polícia Federal apreendeu oito quilos de cocaína e 500 mil sacas de café que seriam levados para o Suriname pelos traficantes Carlos Alberto Monteiro dos Santos, o “Carlito Comprido”, e Antônio da Silva Arieiro. Também foram apreendidos dois caminhões e um automóvel Fiat Uno.

A mercadoria estava sendo embarcada no barco Las Vegas I, na Vigia, no litoral do Pará. O barco chamava-se, antes de ser reformado, Iate Maia. O café contrabandeado seria vendido no Suriname por 31 mil dólares. “Carlito Comprido” foi denunciado à PF como tendo transportado, anteriormente, 40 quilos de cocaína e outras mercadorias contrabandeadas.

Fonte: A Província do Pará (Belém), 23-09-1988

Matança no garimpo

Domingos dos Santos Filho, sua mulher, Goretti, e mais seis pessoas da família foram assassinadas em agosto de 1987 e enterradas em cova rasa na pista do Abacate, perto do Garimpo dos Perdidos, em Itaituba, no Pará. Os executores da chacina foram quatro ex-policiais civis, que atuavam como “encostados” na delegacia de Itaituba.

O organizador do assassinato teria sido o piloto Eduardo Rodrigues Ligeiro, paranaense, a mando de Reginaldo da Vinci Correa, o 0 Sombra”, sócio de Domingos no garimpo. Os dois vinham tendo desentendimentos. Os ex-policiais fugiram depois de praticar o crime.

Fonte: O Liberal (Belém), 23-09-1987

Assassino de deputado

Falando da tribuna da Câmara Municipal de Belém, em maio de 1989, o vereador Adamor Filho afirmou que o pistoleiro conhecido como Mazão fora o assassino do deputado estadual João Batista. Mazão teria sido conduzido ao local do crime pelo motorista Chico Rabim. Adamor estava praticamente endossando a versão apresentada pelo pistoleiro Péricles, apontado pela polícia como o autor da morte de Batista.

Fonte: A Província do Pará (Belém), 05-05-1982

O “caso” Davis

Em 1962, chegou ao Brasil, como missionário agrônomo da igreja prebisteriana, o ex-coronel da Força Aérea dos Estados Unidos, John Davis, que havia participado da guerra da Coréia. Depois de aprender o português em Campinas, Davis foi para Goiás, onde pretendia implantar um projeto pecuário semelhante ao que levara para o Congo Belga, até ser expulso em 1960 daquele país, que alcançava a sua independência política.

Em 1967, Davis comprou 23 títulos de propriedade de terras entregues pelo governo do Pará, expedidos entre 1961 e 1962 para vários particulares, e formou a maior propriedade da então PA-70 (depois BR-222), a Fazenda Capaz, com 95 mil hectares.

Em 1968, a Sudam aprovou a implantação de um projeto agropecuário na área, mas só liberou uma pequena parte dos recursos porque o empreendimento não evoluiu. A missão presbiteriana dos EUA, não concordando com o projeto, pediu que Davis retornasse ao seu país, mas ele preferiu romper sua antiga vinculação e arranjar sócios.

A partir daí passou apenas a extrair madeira da área, atividade que também interessava a vizinhos, iniciando um conflito com posseiros, que culminou em julho de 1976.

Davis cercara uma lagoa que abastecia os moradores locais, provocando a irritação de 60 lavradores. Eles se reuniram, armaram uma emboscada e atacaram o fazendeiro, matando-o e a dois filhos que o acompanhavam Bruce e Mallory.

Tropas do Exército e da Polícia Militar e agentes da Polícia Federal e da polícia civil ocuparam a área durante vários dias por causa da repercussão internacional do episódio. O incidente coincidiu com a comemoração do bicentenário da independência dos Estados Unidos, em 4 de julho.

Fonte: O Estado de S. Paulo (SP), 20-05-1979