Gerente de fazenda do Bradesco

O gerente da Companhia Agro-Pecuária Rio Araguaia (CAPRA), pertencente ao Bradesco, matou o lavrador Francisco Moura Leite, de 24 anos, que ocupava um lote dentro da propriedade. O crime ocorreu em frente a uma escola de Conceição do Araguaia, no sul do Pará, em junho de 1973.

Aigon Hudson Pyles vinha sendo acusado de praticar violências contra lavradores desde 1971. A direção do Bradesco só tomou providências depois do crime e da prisão do gerente. O presidente do banco, Amador Aguiar, enviou uma carta ao prefeito de Conceição repudiando a “desatinada atitude” do seu gerente,

(Arquivo Pessoal, 01/08/1973)

Policiais mortos em conflito

Dois policiais civis do Distrito Federal, Bruno Erickman Fernandes e Cláudio Acioly, foram mortos por posseiros emboscados na Fazenda Nazaré, em Conceição do Araguaia, no sul do Pará, no final de março de 1987. Os agentes teriam sido contratados pelo dono da fazenda, juntamente com outros dois fazendeiros, para expulsar posseiros da área. O padre Ricardo Rezende, da Comissão Pastoral da Terra, acreditava no envolvimento de mais dois policiais.

Alguns dias depois do choque, um telefonema anônimo fez a polícia descobrir, a oito quilômetros de distância da cidade, na PA-150, no rumo de Xinguara, a metralhadora INA nº 0016M953, de fabricação nacional e de uso privativo das forças policiais regulares. A metralhadora teria sido usada pelos policiais de Brasília. Das 30 balas que cabem no pente, apenas seis cartuchos já haviam sido deflagrados.

A Fazenda Nazaré pertencia à Araguaia Agrícola e Pecuária, da família Gomes dos Reis, de São Paulo, com área de 12 mil hectares. A família possuía mais quatro propriedades de grande extensão: Três Irmãos (na época em processo de desapropriação para o programa de reforma agrária), Santa Maria da Conceição, Maria Luiza e Agrisa. Na Fazenda Nazaré havia 80 famílias de posseiros.

(Jornal do Brasil (Rio de Janeiro/RJ), 03/04/1987)

Controle do sindicato

Em agosto de 1985, chegou ao fim o domínio que, durante nove anos, Bertoldo Lira Siqueira exerceu no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Conceição do Araguaia, considerado, na época, o mais importante do Pará.

A oposição vinha tentando, sem sucesso, afastar Bertoldo do cargo. Em 1980, Raimundo Ferreira Lima, mais conhecido como Gringo, que pretendia assumir a presidência, foi assassinado. Para empossar a nova diretoria, eleita um mês antes, o juiz Enivaldo Gama Ferreira teve que mandar arrombar a sede do sindicato porque Bertoldo não apareceu para transmitir o cargo e trancou a porta do prédio.

(O Liberal, Belém/PA, 20/08/1985)

Morte diante das câmeras

No dia 26 de julho de 1985, Salvador Chamon invadiu o estúdio da TV Tocantins, em Marabá, no sul do Pará. Lá dentro, ajudado por um capanga, matou Robson José Costa Abade, de 37 anos, com seis tiros de pistola 7.65. Robson estava dando entrevista a um programa da emissora, acusando Salvador e seu irmão, José Chamon Neto, vereador e candidato a prefeito pelo PMDB à prefeitura de Marabá.

Salvador era delegado de polícia em Serra Pelada. Com o irmão, teria roubado e depois vendido 34 armas apreendidas pela polícia. O vereador estaria circulando num carro Del Rey roubado no Maranhão. O programa estava no ar quando Salomão e seu capanga, conhecido como Bodão, entraram no estúdio. Focados pela câmera, atiraram em Robson, matando-o no local, e depois fugiram.

(A Província do Pará, Belém/PA, 27/07/1985)

Policiais mortos em conflito

Dois policiais civis do Distrito Federal, Bruno Erickman Fernandes e Cláudio Acioly, foram mortos por posseiros emboscados na Fazenda Nazaré, em Conceição do Araguaia, no sul do Pará, no final de março de 1987. Os agentes teriam sido contratados pelo dono da fazenda, juntamente com outros dois fazendeiros, para expulsar posseiros da área.

O padre Ricardo Rezende, da Comissão Pastoral da Terra, acreditava no envolvimento de mais dois policiais. Alguns dias depois do choque, um telefonema anônimo fez a polícia descobrir, a oito quilômetros de distância da cidade, na PA-150, no rumo de Xinguara, a metralhadora INA nº 0016M953, de fabricação nacional e de uso privativo das forças policiais regulares.

A metralhadora teria sido usada pelos policiais de Brasília. Das 30 balas que cabem no pente, apenas seis cartuchos já haviam sido deflagrados. A Fazenda Nazaré pertencia à Araguaia Agrícola e Pecuária, da família Gomes dos Reis, de São Paulo, com área de 12 mil hectares.

A família possuía mais quatro propriedades de grande extensão: Três Irmãos (na época em processo de desapropriação para o programa de reforma agrária), Santa Maria da Conceição, Maria Luiza e Agrisa. Na Fazenda Nazaré havia 80 famílias de posseiros.

(Jornal do Brasil, Rio de Janeiro/RJ, 03/04/1987)

Polícia prende polícia

O delegado da polícia civil do Pará no garimpo de Serra Pelada, Édson Oliveira Ferreira, e os investigadores Paulo Gomes da Silva e José Silva, foram presos, em dezembro de 1987, por um delegado e quatro agentes da Polícia Federal. Ao ser preso e algemado, o delegado estava com uma substância conhecida como bucha, que era vendida na região como se fosse ouro por sua semelhança com o metal.

Os agentes federais, armados de metralhadora, acusaram o delegado da polícia civil de enganar os garimpeiros, prendendo-o, junto com os investigadores, no quartel do 4º Batalhão da Polícia Militar, em Marabá. No mesmo dia os três foram soltos, graças a um mandado judicial, e retornaram a Serra Pelada.

O comandante da PM, tenente-coronel Reinaldo Pessoa Chaves, disse que a prisão fora ilegal porque a bucha estava dentro de uma repartição pública, depois de ter sido apreendida pelo delegado, que a mantivera guardada à espera de reclamação/ Atribuiu o incidente à “incompatibilidade que sempre existiu entre as polícias federal e estadual”.

(O Liberal, Belém/PA, 22/12/1987)

Blitz em fazendas

Entre dezembro de 1986 e janeiro de 1987, a Polícia Federal realizou sua quarta Operação Bico do Papagaio, destinada ao desarmamento no sul do Pará e parte de Goiás (atual Tocantins) e Maranhão. Durante oito dias a operação mobilizou 20 agentes, delegados e escrivães, que apreenderam 45 armas de fogo de vários calibres, 20 das quais encontradas na Fazenda das Tartarugas, de propriedade dos irmãos Adão e Raimundo Modesto.

Todas as armas apreendidas estavam em poder de fazendeiros e seus empregados. A polícia também encontrou duas orelhas humanas, conservadas em frascos com uma substância que parecia ser formol, na Fazenda Marajoara, a 100 quilômetros de Redenção, no sul do Pará. O proprietário da fazenda, Manuel de Sá Júnior, mantinha as orelhas como uma espécie de troféu.

A operação policial constatou ainda um caso de trabalho escravo, na Fazenda Santa Luzia, em Redenção, onde o proprietário, identificado como Adão Garcia, mantinha oito pessoas presas sob regime de escravidão.

(O Liberal, Belém/PA, 07/01/1987)