O MST chega ao Pará

Em junho de 1991, a Polícia Federal e a Polícia Militar do Pará, em operação conjunta, prenderam cinco homens e duas mulheres acusados de organizar e patrocinar a invasão de terras no sul do Estado. Os sete integravam a Associação Nacional de Cooperação Agrícola (Anca), entidade ligada ao Movimento dos Sem Terra, com sede em São Paulo e representação em todos os Estados brasileiros.

No Pará. a organização se instalou em 1990 e em Marabá, onde os sete foram presos, três meses antes da operação policial. Ao invadir a sede da entidade em Marabá, a polícia não encontrou nenhuma arma, nem houve resistência, mas os sete presos foram acusados de “formação de bando, por armazenar farto material de propaganda ideológica, folhetos de instrução para invasão de terra, relatórios e panfletos”.

Eles estariam planejando a invasão da fazenda Ponta de Pedras, que já havia sido desapropriada. O mesmo grupo teria liderado a invasão da sede do Incra em Conceição do Araguaia. O líder do grupo seria Dimas Pereira de Melo, que havia feito um curso em Havana. A Anca era responsável pela edição do jornal “Sem Terra”.

FONTE: O Liberal (Belém/PA), 19/06/1991

Curió e os padres

Quando estava em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, onde passava as férias com a família, em outubro de 1981, o tenente-coronel Sebastião Rodrigues de Moura, mais conhecido como major Curió, admitiu que conhecia havia mais de 12 anos cinco dos 13 posseiros que participaram de uma emboscada contra funcionários do Getat (Grupo Executivo de Terras do Araguaia-Tocantins), em São Geraldo do Araguaia, no sul do Pará.

Do ataque resultou um morto e ferimentos em funcionários do Getat e agentes da Polícia Federal, que davam cobertura a uma missão de demarcação de terras, contestada pelos lavradores. Segundo Curió, os cinco posseiros seus conhecidos já estavam na região há mais de 14 anos, “enquanto os demais são invasores”.

O militar repetiu a acusação de que os posseiros foram incitados a armar a emboscada pelos padres franceses Aristides Camio e François Gouriou, presos com os 13 lavradores e enquadrados por subversão na Lei de Segurança Nacional.

FONTE: O Estado de S. Paulo (São Paulo/SP), 29/12/1981

Garimpeiros atacam Carajás

Durante cinco dias, em junho de 1984, os garimpeiros de Serra Pelada fizeram manifestações de protesto e praticaram atos de violência para forçar o governo federal a manter a extração manual de minério na área, no sul do Pará, cujos direitos de lavra pertenciam à Companhia Vale do Rio Doce.

Os garimpeiros tentaram invadir as instalações da empresa na Serra dos Carajás, sendo impedidos por um contingente de 350 homens da Polícia Militar, recrutados às pressas para atender a emergência.

Instalações públicas em Parauapebas, a cidade mais próxima da serra, foram depredadas, como a estação de tratamento de água e as sedes da subprefeitura e da delegacia de polícia. A CVRD calculou os prejuízos em cinco milhões de dólares.

Em Curionópolis, outra cidade próxima, a destruição atingiu oito prédios públicos, quatro particulares e quatro ônibus. No final, o governo aceitou reabrir o garimpo, mas pagando à CVRD indenização em valor então equivalente a 7.723.260 ORTNs, pela “retificação da concessão de lavra” detida pela empresa.

O Liberal (Belém/PA), 13/06/1984

Posseiros matam pistoleiro

Em dezembro de 1986, uma tropa da Polícia Militar deu cobertura a uma ação de despejo executada por um falso oficial de justiça, em Marabá, no Pará. O mandado de reintegração de posse foi conseguido pelos proprietários das fazendas Água Fria e Pedra Furada, José Batista Veloso e Jarbas Alves da Silva, contra 54 posseiros, mas quase 300 famílias foram desalojadas com a utilização de violência, que resultou na destruição de suas casas e perda de benfeitorias.

O falso oficial de justiça Alan de Jesus era, na verdade, funcionário no escritório do advogado dos fazendeiros. No retorno ao povoado de Eldorado, a 10 quilômetros de Marabá, os lavradores mataram o pistoleiro Wanderley Marques da Silva, mais conhecido como Valtinho, que havia sido preso e foi solto logo em seguida. Ele teria comandado as violências.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 29/12/1986

Fazendeiro usa pistoleiros

Em 1995, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Pará acusou o fazendeiro capixaba Josélio Barros Carneiro de utilizar pelo menos uma de suas duas fazendas, às proximidades da rodovia Belém-Brasília, para encobrir assassinatos cometidos por pistoleiros a seu mando. Em uma dessas fazendas o delegado João Moraes, da polícia civil, encontrou várias ossadas.

O principal pistoleiro seria o mineiro Aldércio Nunes Leite, procurado em seu Estado de origem por vários crimes, entre os quais a matança de cinco pessoas, em 1990, que ficou conhecido como a chacina de Marcancheta.

Aldércio fugiu para o Pará, sendo contratado por Josélio, juntamente com outro pistoleiro, conhecido como Raí. Eles teriam praticado vários assassinatos nos municípios de Dom Eliseu e Rondon do Pará, onde ficam as fazendas Techagaú e Nova Délhi, de Josélio.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 06/07/1995

Conflito em S. Félix

Em 1995, seis agricultores e um policial, e mais quatro pessoas ficaram feridas, durante um choque entre PMs e sem-terra na Gleba Sudoeste, no município de São Félix do Xingu, 900 quilômetros ao sul de Belém, no Pará. Mesmo sem mandado judicial, uma tropa da Polícia Militar foi à área para a retirada de lavradores, a pedido do fazendeiro Geraldo Ribeiro, que se declarava proprietário das terras.

Ele acusava os sem-terra de terem ultrapassado os limites do assentamento e penetrado em sua propriedade. A ocupação começara em julho de 1994, sendo considerada pelo governo do Estado como um exemplo de assentamento pacífico.

Fonte: O Estado de S. Paulo (São Paulo/SP), 30/06/1995

Gerente de fazenda do Bradesco

O gerente da Companhia Agro-Pecuária Rio Araguaia (CAPRA), pertencente ao Bradesco, matou o lavrador Francisco Moura Leite, de 24 anos, que ocupava um lote dentro da propriedade. O crime ocorreu em frente a uma escola de Conceição do Araguaia, no sul do Pará, em junho de 1973.

Aigon Hudson Pyles vinha sendo acusado de praticar violências contra lavradores desde 1971. A direção do Bradesco só tomou providências depois do crime e da prisão do gerente. O presidente do banco, Amador Aguiar, enviou uma carta ao prefeito de Conceição repudiando a “desatinada atitude” do seu gerente,

(Arquivo Pessoal, 01/08/1973)