Padre demente acusação à Igreja

Em novembro de 1976, o jornal Correio Braziliense publicou uma entrevista com o padre Florentino Maboni, na qual ele dizia que a Igreja da Amazônia estava infiltrada por esquerdistas e que sua pastoral era subversiva. Um mês depois, em carta enviada à Regional Norte II da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), o padre, que já se encontrava na Diocese de Santo Ângelo, no Rio Grande do Sul, depois de permanecer um mês preso no Pará, esclareceu que as declarações publicadas na entrevista eram “um punhado de coisas truncadas e distorcidas que não refletem o que eu respondia nos vários interrogatórios e menos ainda o que penso”.

Informava ainda que haviam sido feitos “acréscimos de termos importantes e comprometedores, que eu não usei e jamais pensaria em acusar a Igreja como tal”.

Fonte: O Estado de S. Paulo (SP), 01-01-1980.

Posseiros matam PMs

Em outubro de 1976, um destacamento com 18 soldados da Polícia Militar foi emboscado por posseiros que ocupavam parte do Loteamento Itaipavas, em Perdidos, na época pertencente ao município de São Geraldo do Araguaia, no sul do Pará. Dois militares foram mortos.

Eles haviam sido convocados para dar segurança a topógrafos do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), que demarcavam uma linha divisória na área da Fundação Brasil Central.

Essa área era disputada entre posseiros e grupos econômicos, entre os quais um ligado ao ex-presidente Jânio Quadros e o outro ao exportador Tomo Hirozo. O padre Florentino Maboni foi preso, acusado de insuflar os posseiros a atacar a tropa da PM.

Fonte : O Liberal (Belém), 01-01-1980.

Conflito dos tembés

A reserva dos índios tembés abrange 278 mil hectares nos municípios de Ourém, Paragominas e Viseu, no Pará, tendo sido demarcada em 1976. Em 1992, nela viviam 861 índios. Eles tinham que conviver com constantes invasões de suas terras.

Em 1988, a Polícia Federal apreendeu caminhões, madeira, motosserras e outros materiais pertencentes a madeireiros, que invadiram a área para extrair acapu, cedro e tatajuba, entre outras espécies. Em 1993 ocorreu nova invasão. Em 1992 os índios detiveram dois invasores em cárcere privado.

Fonte : Diário do Pará (Belém), 25-04-1992

Ex-deputado condenado

Em 1993, o ex-deputado estadual Osvaldo dos Reis Mutran, mais conhecido como Vavá Mutran, foi condenado a nove anos de prisão pela justiça do Pará. Ele foi apontado como o mandante do assassinato de Daniel Lira Mourão, fiscal de tributos da Secretaria da Fazenda do Estado, morto a tiros em sua própria casa, no município de Marabá. Mourão havia se recusado a liberar uma carreta que transportava 20 cabeças de gado, de propriedade de Mutran, usando notas fiscais “frias”. O ex-parlamentar escreveu um bilhete ao fiscal, solicitando a liberação da carreta, mas não foi atendido.

Ao ser condenado, ele foi recolhido ao Hospital da Polícia Militar, em Belém, sob a alegação de sofrer de “cardiopatia hipertensiva”. Cumpriu mais de dois anos da pena no hospital, até ser liberado, em julho de 1995, graças a um indulto concedido pelo Conselho de Política Criminal e Penitenciária do Estado.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 05/07/1995

Pistoleiros de Josélio

Em 1995, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Pará acusou o fazendeiro capixaba Josélio Barros Carneiro de utilizar pelo menos uma de suas duas fazendas, às proximidades da rodovia Belém-Brasília, para encobrir assassinatos cometidos por pistoleiros a seu mando. Em uma dessas fazendas o delegado João Moraes, da Polícia Civil, encontrou várias ossadas.

O principal pistoleiro seria o mineiro Aldércio Nunes Leite, procurado em seu Estado de origem por vários crimes, entre os quais a matança de cinco pessoas, em 1990, que ficou conhecido como a chacina de Marcancheta.

Aldércio fugiu para o Pará, sendo contratado por Josélio, juntamente com outro pistoleiro, conhecido como Raí. Eles teriam praticado vários assassinatos nos municípios de Dom Eliseu e Rondon do Pará, onde ficam as fazendas Techagaú e Nova Délhi, de Josélio.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 06/07/1995

PM expulsa posseiros

Seis agricultores, um policial, e mais quatro pessoas ficaram feridas, durante um choque entre PMs e sem-terra na Gleba Sudoeste, no município de São Félix do Xingu, 900 quilômetros ao sul de Belém, no Pará. Mesmo sem mandado judicial, uma tropa da Polícia Militar foi à área para a retirada de lavradores, a pedido do fazendeiro Geraldo Ribeiro, que se declarava proprietário das terras.

Ele acusava os sem-terra de terem ultrapassado os limites do assentamento e penetrado em sua propriedade. A ocupação começara em julho de 1994, sendo considerada pelo governo do Estado como um exemplo de assentamento pacífico.

Fonte: O Estado de S. Paulo (São Paulo/SP), 30/06/1995

Grilagem em Belém

A grilagem de terras criou uma situação inusitada no Pará: em junho de 1995, o delegado da Divisão de Investigações e Operações Especiais da Secretaria de Segurança Pública do Estado. Gilvandro Furtado, requereu na justiça um habeas corpus para poder continuar presidindo inquérito instaurado para apurar denúncias de grilagem sobre uma área equivalente a 8% de todo o território estadual, o segundo maior do Brasil.

Um pouco antes, o desembargador Calistrato Alves de Mattos, acolhendo recurso de um dos acusados de grilagem, determinara liminarmente o trancamento do inquérito. Ao recorrer ao HC, o delegado argumentou que a decisão do desembargador o impedia de cumprir o prazo legal para concluir o inquérito, expondo-o a sanções. O inquérito fora instaurado a pedido do Iterpa (Instituto de Terras do Pará), que denunciara a apropriação irregular de terras estaduais por particulares.

Fonte: A Província do Pará (Belém/PA), 24/06/1995