Matança no garimpo

Domingos dos Santos Filho, sua mulher, Goretti, e mais seis pessoas da família foram assassinadas em agosto de 1987 e enterradas em cova rasa na pista do Abacate, perto do Garimpo dos Perdidos, em Itaituba, no Pará. Os executores da chacina foram quatro ex-policiais civis, que atuavam como “encostados” na delegacia de Itaituba.

O organizador do assassinato teria sido o piloto Eduardo Rodrigues Ligeiro, paranaense, a mando de Reginaldo da Vinci Correa, o 0 Sombra”, sócio de Domingos no garimpo. Os dois vinham tendo desentendimentos. Os ex-policiais fugiram depois de praticar o crime.

Fonte: O Liberal (Belém), 23-09-1987

Assassino de deputado

Falando da tribuna da Câmara Municipal de Belém, em maio de 1989, o vereador Adamor Filho afirmou que o pistoleiro conhecido como Mazão fora o assassino do deputado estadual João Batista. Mazão teria sido conduzido ao local do crime pelo motorista Chico Rabim. Adamor estava praticamente endossando a versão apresentada pelo pistoleiro Péricles, apontado pela polícia como o autor da morte de Batista.

Fonte: A Província do Pará (Belém), 05-05-1982

O “caso” Davis

Em 1962, chegou ao Brasil, como missionário agrônomo da igreja prebisteriana, o ex-coronel da Força Aérea dos Estados Unidos, John Davis, que havia participado da guerra da Coréia. Depois de aprender o português em Campinas, Davis foi para Goiás, onde pretendia implantar um projeto pecuário semelhante ao que levara para o Congo Belga, até ser expulso em 1960 daquele país, que alcançava a sua independência política.

Em 1967, Davis comprou 23 títulos de propriedade de terras entregues pelo governo do Pará, expedidos entre 1961 e 1962 para vários particulares, e formou a maior propriedade da então PA-70 (depois BR-222), a Fazenda Capaz, com 95 mil hectares.

Em 1968, a Sudam aprovou a implantação de um projeto agropecuário na área, mas só liberou uma pequena parte dos recursos porque o empreendimento não evoluiu. A missão presbiteriana dos EUA, não concordando com o projeto, pediu que Davis retornasse ao seu país, mas ele preferiu romper sua antiga vinculação e arranjar sócios.

A partir daí passou apenas a extrair madeira da área, atividade que também interessava a vizinhos, iniciando um conflito com posseiros, que culminou em julho de 1976.

Davis cercara uma lagoa que abastecia os moradores locais, provocando a irritação de 60 lavradores. Eles se reuniram, armaram uma emboscada e atacaram o fazendeiro, matando-o e a dois filhos que o acompanhavam Bruce e Mallory.

Tropas do Exército e da Polícia Militar e agentes da Polícia Federal e da polícia civil ocuparam a área durante vários dias por causa da repercussão internacional do episódio. O incidente coincidiu com a comemoração do bicentenário da independência dos Estados Unidos, em 4 de julho.

Fonte: O Estado de S. Paulo (SP), 20-05-1979

Polícia denuncia bispo

Apenas três meses depois de chegar à sua diocese, o bispo de Conceição do Araguaia, no sul do Pará, D. José Patrick Hanrahan, foi indiciado em inquérito policial, juntamente com o advogado da CPT, Paulo Fonteles, e o agente de pastoral Ricardo Rezende Figueira, presidente da Regional da Comissão Pastoral da Terra, além de vários lavradores. O delegado de polícia local abriu inquérito contra eles a pedido dos fazendeiros José de Oliveira Fabrini e Mauro Cintra de Mendonça, que acusaram os três de mandarem os lavradores invadir suas terras.

Fonte: Jornal do Brasil (RJ), 10-08-1979

Preso Fonteles

Em agosto de 1979, Paulo Fonteles de Lima, advogado da Comissão Pastoral da Terra (CPT), foi preso em São Miguel do Guamá, no Pará, por um sargento da Polícia Militar do Estado. O advogado realizava uma reunião com lavradores de Nova Jacundá, localizada na rodovia PA-150, quando o fazendeiro Brasilino Rodrigues de Souza, com os qual os posseiros estavam em litígio, tentou entrar no local com seu advogado.

Foi então que, segundo Fonteles, apareceu um sargento da PM, juntamente com três soldados, quatro “grileiros” e seis pistoleiros, tentando forçar a abertura da reunião. Ao tentar impedir o ingresso do grupo, Paulo foi preso e permaneceu detido durante uma hora e meia na delegacia, até ser liberado.

Fonte : A Província do Pará (Belém), 16-08-1979

Padre demente acusação à Igreja

Em novembro de 1976, o jornal Correio Braziliense publicou uma entrevista com o padre Florentino Maboni, na qual ele dizia que a Igreja da Amazônia estava infiltrada por esquerdistas e que sua pastoral era subversiva. Um mês depois, em carta enviada à Regional Norte II da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), o padre, que já se encontrava na Diocese de Santo Ângelo, no Rio Grande do Sul, depois de permanecer um mês preso no Pará, esclareceu que as declarações publicadas na entrevista eram “um punhado de coisas truncadas e distorcidas que não refletem o que eu respondia nos vários interrogatórios e menos ainda o que penso”.

Informava ainda que haviam sido feitos “acréscimos de termos importantes e comprometedores, que eu não usei e jamais pensaria em acusar a Igreja como tal”.

Fonte: O Estado de S. Paulo (SP), 01-01-1980.

Posseiros matam PMs

Em outubro de 1976, um destacamento com 18 soldados da Polícia Militar foi emboscado por posseiros que ocupavam parte do Loteamento Itaipavas, em Perdidos, na época pertencente ao município de São Geraldo do Araguaia, no sul do Pará. Dois militares foram mortos.

Eles haviam sido convocados para dar segurança a topógrafos do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), que demarcavam uma linha divisória na área da Fundação Brasil Central.

Essa área era disputada entre posseiros e grupos econômicos, entre os quais um ligado ao ex-presidente Jânio Quadros e o outro ao exportador Tomo Hirozo. O padre Florentino Maboni foi preso, acusado de insuflar os posseiros a atacar a tropa da PM.

Fonte : O Liberal (Belém), 01-01-1980.